The Last of Us acelera demais no episódio 5 e perde parte do impacto

Quinto episódio acelera a jornada de Ellie em Seattle, entrega bons momentos com Nora e os Serafitas, mas expõe a pressa que enfraquece a temporada

The Last of Us acelera demais no episódio 5 e perde parte do impacto

Ficha da crítica

6/10
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Mais uma semana de The Last of Us, agora já com a série claramente entrando na reta final de uma segunda temporada curta, com apenas sete episódios. O capítulo da vez empurra Ellie e Dina ainda mais fundo em Seattle e aproxima a adaptação de momentos importantes de The Last of Us Part II. O problema é que faz isso em velocidade alta demais.

Não acho que exista um trabalho ruim acontecendo aqui. A série continua tecnicamente muito forte, o elenco segue ótimo e há escolhas interessantes na forma de adaptar o material original. Ainda assim, esse quinto episódio reforça uma sensação que vem crescendo: a de que a temporada está correndo demais por trechos que precisavam respirar mais.

Sem entrar em spoilers além do que a série mostrou, dá para dizer que “Sinta o Amor Dela” tem bons momentos, ideias relevantes e cenas fortes, mas também evidencia a pressa do roteiro de um jeito que enfraquece a experiência.

Os esporos finalmente chegam à série

O episódio começa no hospital dominado pela WLF, e essa abertura já serve para confirmar uma mudança importante no universo da adaptação: os esporos existem na série. É uma escolha curiosa porque contradiz declarações dadas na primeira temporada, quando os produtores indicavam que esse elemento não seria usado na TV.

Aqui, porém, eles aparecem de forma direta e ganham função dramática. Descobrimos que soldados da WLF precisaram ser isolados nos andares subterrâneos do hospital depois que o Cordyceps passou a contaminar pelo ar. O mais interessante é que a cena estabelece um paralelo forte entre duas decisões opostas: de um lado, Joel sacrificando a possibilidade de cura para salvar Ellie; do outro, Elise Park aceitando perder o próprio filho para evitar uma contaminação maior.

É uma abertura eficiente, sombria e cheia de implicações. Também mostra que a série ainda sabe expandir o universo quando quer.

Dina continua sendo uma das melhores adições da temporada

No teatro, a dinâmica entre Ellie e Dina segue funcionando muito bem. O episódio reforça a inteligência de Dina, especialmente na forma como ela lê os comunicadores da WLF, interpreta o mapa e percebe o comportamento dos Serafitas. Há uma boa sensação de parceria nessas cenas, e isso ajuda bastante a sustentar o capítulo.

Também gosto de como a série tem transferido parte da energia mais impulsiva e mais feroz do jogo para Dina em determinados momentos. Isso não apaga Ellie, mas muda a dinâmica entre as duas e cria outra leitura para a adaptação. É uma escolha discutível para alguns fãs, mas dramaticamente ela tem algum interesse.

Ainda assim, fico com a impressão de que a série segue tateando quem exatamente quer que Ellie seja nesta segunda temporada. Em certos momentos, ela parece bem mais contida do que sua contraparte do jogo. Em outros, o roteiro tenta reacender sua raiva de forma brusca. Essa oscilação ainda não está completamente resolvida.

Os Serafitas continuam subaproveitados

O episódio traz mais um contato com os Serafitas e tenta ampliar a ameaça que o grupo representa. Há uma cena forte no parque, com o ritual violento contra um membro da WLF, e a direção consegue extrair tensão do momento. O problema é que tudo passa rápido demais.

Esse talvez seja o maior defeito do capítulo. Ele pega sequências muito marcantes do jogo, junta tudo em bloco e passa correndo por elas. O resultado é uma sensação de resumo apressado. Não porque a série precisasse reproduzir cada combate ou cada trecho exploratório, mas porque algumas partes importantes da jornada em Seattle pediam mais tempo para assentar.

No caso dos Serafitas, isso pesa bastante. O grupo deveria soar mais ameaçador, mais estranho e mais presente. Até aqui, a série mostra o suficiente para entendermos que eles são perigosos, mas não o bastante para sentirmos isso com o impacto que deveriam.

Jesse surge do nada e o roteiro não ajuda

A chegada de Jesse carrega o mesmo problema estrutural que já existia no jogo, mas a série tampouco encontra uma solução melhor. Ele simplesmente aparece com uma justificativa funcional, porém pouco elegante, e tudo segue.

Não é um desastre, mas também não acrescenta muito. Em uma temporada que já está comprimida, esse tipo de aparição sem maior construção pesa mais do que talvez pesasse em outra estrutura.

O episódio sofre com o próprio ritmo

Esse é o ponto central da crítica. O quinto episódio me passou a sensação de ser uma colagem acelerada de momentos importantes de Part II. Há coisas boas em quase todas as frentes: boas ideias, boas atuações, cenas bem filmadas, elementos relevantes da lore e até mudanças que podem render algo interessante mais adiante. Só que quase tudo acontece depressa demais.

É como se a série estivesse ansiosa para chegar logo aos grandes pontos de virada e, nesse caminho, sacrificasse parte da construção que fazia o jogo funcionar tão bem. Não se trata de pedir “enchimento” ou repetição literal do original. Trata-se de entender que certos trechos precisam de tempo para ganhar peso.

Esse episódio, com apenas 45 minutos, deixa isso ainda mais evidente.

Nora dá ao capítulo seu melhor momento

O confronto entre Ellie e Nora é o grande momento do episódio, e aqui a série encontra a brutalidade que vinha rondando a protagonista sem se manifestar plenamente. A sequência no subsolo do hospital funciona bem, tanto pelo retorno dos esporos quanto pelo peso emocional do diálogo entre as duas.

Nora joga luz sobre Salt Lake City, Abby e Joel, enquanto Ellie finalmente mostra com mais clareza até onde está disposta a ir para conseguir respostas. A cena da tortura com a barra de ferro é seca, dura e muito importante porque parece marcar uma virada para a personagem na adaptação.

Se a série estava segurando demais essa faceta mais violenta de Ellie, agora dá um passo mais firme nessa direção. Resta ver se vai sustentar isso de forma coerente daqui para frente.

A série ainda prende, mas começa a desgastar

O episódio termina deixando um gosto meio amargo justamente porque não falta material interessante. O que falta é espaço. Há bons elementos demais comprimidos em pouco tempo, e isso cria uma experiência irregular: envolvente o bastante para manter o interesse, mas apressada demais para entregar o impacto que poderia.

No fim, continuo curioso para ver onde a adaptação vai encerrar esta temporada e como pretende reorganizar a história dali em diante. Mas a sensação é clara: The Last of Us ainda tem muita força, só que este segundo ano está correndo mais do que devia.


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