The Last of Us encerra a segunda temporada com tensão e escolhas discutíveis

The Last of Us encerra a segunda temporada com tensão e escolhas discutíveis

Capítulo final entrega tensão, atmosfera e um gancho forte para a terceira temporada, mas também expõe problemas de ritmo e inconsistências na adaptação de Ellie

Por Matheus Cabral maio 27, 2025 Filme

Sim. O episódio final é bom, tenso e tecnicamente muito forte, além de preparar bem a terceira temporada. Mas ele também confirma que este segundo ano de The Last of Us ficou aquém do...

Pros

  • Se Jesse cresce, Ellie sofre.
  • Há momentos em que a série quer apresentá-la como alguém já profundamente abalada pelo próprio caminho de vingança.
  • Isso aparece de forma muito clara no episódio.
  • Em termos de produção, o episódio é muito forte.

Contras

  • A segunda temporada de The Last of Us chegou ao fim com um episódio que resume bem as qualidades e os problemas...
  • E o problema não foi a falta de ação, de infectados ou de grandes cenas.
  • O problema não está simplesmente em mudar o material original, mas em como essas mudanças tornam Ellie menos coesa.
  • O que falta, em muitos momentos, é consistência dramática.

O que você vai encontrar

A segunda temporada de The Last of Us chegou ao fim com um episódio que resume bem as qualidades e os problemas deste novo ano da série. O sétimo capítulo entrega tensão, peso emocional e uma atmosfera muito forte, mas também reforça escolhas de roteiro que já vinham enfraquecendo a adaptação ao longo da temporada.

O saldo final é curioso. Craig Mazin e Neil Druckmann encerram esse bloco da história com mais acertos do que erros, mas deixam no ar a sensação de que a jornada de Ellie em Seattle poderia ter sido melhor construída. Há impacto, há valor de produção e há um gancho eficiente para a terceira temporada. O que falta, em muitos momentos, é consistência dramática.

Um final eletrizante, mas marcado por decisões que dividem

O episódio 7 funciona bem quando aposta em clima, conflito e pressão emocional. A série encontra um tom sombrio e sufocante para esse encerramento, aproveitando a chuva constante de Seattle, os espaços fechados e a sensação de que tudo está prestes a explodir.

Ao mesmo tempo, esse capítulo também escancara um problema que acompanhou a temporada inteira: a pressa. Há sequências muito bem produzidas, mas que passam rápido demais, impedindo que certos cenários e situações realmente assentem. Não se trata de pedir que a série replique a imersão do jogo. Isso seria impossível. O ponto é outro: em vários momentos, a adaptação parece avançar depressa demais por trechos que precisavam respirar mais.

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Esse contraste entre produção impecável e desenvolvimento apressado define boa parte do episódio.

Jesse cresce quando o roteiro finalmente olha para ele

A dinâmica entre Ellie e Jesse é um dos pontos mais interessantes do capítulo. As conversas entre os dois ajudam a revelar tensões importantes e ainda oferecem a Jesse um espaço que a temporada demorou demais para entregar.

Ao descobrir a gravidez de Dina, Jesse passa a enxergar Seattle de outro jeito. Mais do que sobreviver, ele quer voltar. Quer estar presente. Quer assumir um papel que agora faz todo o resto parecer ainda mais absurdo. Essa maturidade dá ao personagem uma clareza moral que contrasta com a espiral emocional de Ellie.

É justamente por isso que ele funciona tão bem aqui. Jesse entende que aquela guerra não é dele, e essa percepção dá peso às suas falas. Pena que a série só realmente se dedica a isso no fim, porque há a sensação de que o personagem foi subaproveitado durante quase toda a temporada.

Ellie se torna o maior problema da adaptação

Se Jesse cresce, Ellie sofre. Bella Ramsey continua entregando presença e intensidade, mas a construção da personagem nesta segunda temporada me parece a mais prejudicada pelo roteiro. O problema não está simplesmente em mudar o material original, mas em como essas mudanças tornam Ellie menos coesa.

Há momentos em que a série quer apresentá-la como alguém já profundamente abalada pelo próprio caminho de vingança. Em outros, ela parece voltar a agir por impulso sem que a transição entre esses estados esteja realmente bem trabalhada. O resultado é uma personagem que oscila demais, como se o roteiro hesitasse entre assumir sua brutalidade ou amenizá-la.

Isso aparece de forma muito clara no episódio. Algumas escolhas de Ellie soam deslocadas, não porque sejam moralmente erradas, mas porque parecem pouco consistentes com o que a própria série vinha tentando construir. Essa indecisão tira força da jornada e enfraquece um dos pilares centrais da história.

Atmosfera e trilha seguem entre os maiores acertos

Em termos de produção, o episódio é muito forte. A fotografia, a cinematografia e o uso da chuva como elemento dramático ajudam a criar um ambiente tenso do início ao fim. Seattle volta a parecer hostil, pesada e decadente da forma que a narrativa pede.

A trilha sonora também merece destaque. Ao longo da temporada, ela funcionou como uma das bases da adaptação, e aqui não é diferente. As músicas entram nos momentos certos, sustentam a tensão e ajudam a elevar cenas que dependem muito mais de clima do que de ação direta.

A série continua impressionando tecnicamente. O problema é que, muitas vezes, esse cuidado visual e sonoro parece servir a uma narrativa que nem sempre aproveita tudo o que tem nas mãos.

O aquário funciona, mas também revela a fragilidade do roteiro

A sequência do aquário é bem encenada e tem impacto emocional. Ela funciona como momento de ruptura, especialmente pelo paralelo que estabelece entre Ellie, Dina e o peso das consequências daquele caminho.

Ainda assim, a cena também reforça o quanto a temporada hesitou em decidir quem exatamente é essa Ellie da série. O episódio quer mostrar trauma, culpa e choque, mas faz isso depois de uma construção que já vinha oscilando demais entre contenção e explosão. O resultado é uma sequência forte isoladamente, mas menos poderosa dentro do conjunto do arco.

É um caso clássico de boa execução com base dramática menos sólida do que deveria.

O gancho para a terceira temporada funciona

O encerramento no teatro era um corte bastante provável, e funciona. O episódio termina em um ponto que cria expectativa imediata para o próximo bloco da história e deixa claro que a terceira temporada deverá reorganizar o foco narrativo.

É uma escolha eficiente. O público entende que um novo livro dessa história está se abrindo, e a série consegue terminar o ano com a sensação de que algo grande ainda está por vir. Como fechamento de temporada, é uma decisão forte.

A segunda temporada ficou abaixo do peso do jogo

No fim, a sensação que fica é que a segunda temporada de The Last of Us não conseguiu alcançar o nível dramático, emocional e narrativo do material que adaptava. E o problema não foi a falta de ação, de infectados ou de grandes cenas. O problema foi de construção.

Faltou tempo para sentir melhor certos espaços, faltou um desenvolvimento mais firme para Ellie e faltou confiança em alguns dos aspectos mais desconfortáveis da história. A série parece, por vezes, querer suavizar demais pontos que no jogo tinham força justamente por sua dureza.

Ainda assim, seria injusto dizer que a temporada fracassa. A adaptação preserva parte importante do coração da obra, especialmente na ideia da espiral de violência e do custo emocional desse ciclo. O que ela entrega não é ruim. Só é menos potente do que poderia ser.

Veredito

Nota 7

Sim. O episódio final é bom, tenso e tecnicamente muito forte, além de preparar bem a terceira temporada. Mas ele também confirma que este segundo ano de The Last of Us ficou aquém do que a história pedia, principalmente por conta de ritmo irregular e da construção inconsistente de Ellie.

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