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ReviewLEGO Batman: Legacy of the Dark Knight
8/10

LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight acerta ao virar um LEGO Arkham

A TT Games transforma décadas de filmes, quadrinhos e jogos do Batman em uma aventura divertida, cheia de referências e com uma das melhores evoluções de gameplay já vistas na série

Ficha de avaliação

LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight entende por que tantas versões do herói ficaram marcadas e encontra uma forma inteligente de reuni-las. A influência da série Arkham melhora o combate e a exploração, Gotham é uma delícia de atravessar e a quantidade de trajes, veículos e referências transforma a progressão em um grande exercício de colecionismo. O problema é que a campanha nem sempre aproveita tudo o que tem nas mãos: alguns vilões recebem pouco espaço, certos trechos passam rápido demais e o final chega quando a história ainda parece ter mais para entregar.

Prós e contras · Ficha técnica

Prós

  • Combate inspirado em Arkham, fluido e muito prazeroso
  • Referências inteligentes a diferentes eras do Batman no cinema, TV, HQs e games
  • Voar por Gotham é livre, fácil e satisfatório
  • Trajes e veículos icônicos dão peso real ao colecionismo
  • Árvore de habilidades com progressão satisfatória
  • Campanha varia bem o ritmo entre combate, gadgets e furtividade
  • Cooperativo local eleva bastante a experiência

Contras

  • Combate poderia ter mais variedade de golpes e finalizações
  • Alguns vilões são pouco aproveitados e desaparecem cedo demais
  • Certos trechos da campanha parecem apressados
  • Reta final chega de forma abrupta e antes do que a narrativa sugere
  • Veículos terrestres são bem menos fluidos que a travessia aérea

Ficha técnica

Tópicos

LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight nasce devendo, e a culpa não é dele: Arkham existe. Não importa o estúdio, o gênero ou a proposta, em algum momento alguém vai perguntar se o combate chega perto do da Rocksteady, se Gotham é tão boa de explorar, se atravessar a cidade dá aquela mesma liberdade.

A TT Games decidiu encarar a comparação de frente. Pegou o que deu certo em Arkham, misturou com a fórmula que vem lapidando há décadas nos jogos LEGO e despejou por cima uma quantidade quase absurda de referências a filmes, quadrinhos e outras encarnações do Morcego. Nos melhores momentos, Legacy of the Dark Knight parece obra de gente que conhece o personagem de verdade.

E não estou falando de achar um traje clássico escondido no menu. O jogo entende por que certas cenas marcaram e acha jeitos divertidos de reinterpretá-las. Algumas referências são quase discretas; outras reorganizam missões inteiras. Quem cresceu acompanhando versões distintas do herói no cinema, na TV e nos quadrinhos vai passar boa parte do tempo apontando para a tela.

A TT Games costura tudo isso numa narrativa própria, com o humor de sempre da casa, e acerta bem mais do que erra. Mas a decisão que realmente define o jogo foi outra: em vez de fazer só mais um LEGO Batman maior, o estúdio fez algo muito próximo de um LEGO Arkham.

Um jogo feito por quem conhece a história do Batman

A campanha percorre a formação de Bruce Wayne e aproveita esse caminho para revisitar praticamente todas as grandes eras do personagem. Tem Tim Burton, tem a trilogia do Nolan, tem as séries de TV, os quadrinhos e, claro, muito Arkham.

O começo já entrega a proposta ao acompanhar o treinamento de Bruce e sua relação com Ra’s al Ghul e Talia. Dali em diante, o elenco só cresce: Jim Gordon, Mulher-Gato, Robin, Batgirl e outros nomes conhecidos entram na aventura, e não como participação especial. Cada um tem ferramentas próprias, habilidades específicas e maneiras diferentes de interagir com o cenário.

Quem jogou LEGO Star Wars: The Skywalker Saga vai reconhecer a estrutura, só que aqui essas diferenças têm mais função prática. Certos quebra-cabeças pedem gadgets específicos, algumas áreas dependem de habilidades particulares, e a campanha volta e meia muda o ritmo colocando outro personagem no centro da ação.

Vou ser honesto: nem todo puzzle é lá grande coisa. Muitos seguem a velha lógica da franquia em que a “solução” é descobrir qual personagem usar. Ainda assim, eles quebram o ritmo do combate e, no cooperativo principalmente, deixam a troca entre heróis mais natural.

A campanha também sabe brincar com o próprio Batman. E ela ri com ele, não dele. Tem piada, exagero e situação absurda, mas o humor nunca transforma a mitologia numa paródia vazia. A TT Games sabe quando pode forçar a mão e quando uma cena merece peso.

A melhor decisão foi transformar Batman em LEGO Arkham

É no combate que a influência de Arkham grita. Batman enfrenta grupos inteiros, contra-ataca na hora certa, salta sobre inimigos, encaixa gadgets no meio das sequências e mantém o fluxo de golpes sem deixar a ação parar. Não é uma cópia do sistema da Rocksteady, mas a inspiração é óbvia e foi adaptada com uma naturalidade que me surpreendeu.

O resultado é um dos combates mais gostosos que já vi em jogo LEGO. As animações são rápidas, os golpes se conectam bem e existe uma impressão constante de movimento. Contra-atacar no instante exato, derrubar um inimigo, disparar um gadget e já avançar sobre o próximo cria sequências bonitas de assistir, sem exigir a precisão de um jogo de ação mais pesado.

E isso casa perfeitamente com o espírito do jogo. Legacy of the Dark Knight continua acessível para os mais novos e para quem joga casualmente, mas está longe de ser básico como os LEGO antigos. Há mais controle, mais opções e uma preocupação evidente em fazer você sentir que está realmente no comando do Batman.

Batman em um telhado sob o Bat-Sinal projetado no céu estrelado.
O Bat-Sinal ilumina o céu de Gotham enquanto Batman observa a cidade

A árvore de habilidades ajuda muito nisso. Conforme a aventura avança, o arsenal cresce com habilidades e gadgets que vêm direto da cartilha de Arkham, e a progressão convence justamente porque não se resume a aumentar números: cada ferramenta nova muda como você luta e como explora Gotham. The Skywalker Saga já tinha provado que um jogo LEGO pode continuar acessível sem abrir mão de mecânicas mais amplas, e aqui a lição foi bem aprendida.

Só que o combate esbarra num teto. Depois de algumas horas, fica claro que a base é excelente, mas a variedade de golpes e finalizações para de crescer. Inimigos novos pedem abordagens diferentes, a árvore adiciona recursos, e ainda assim o núcleo das lutas começa a se repetir. Quem esperava evolução constante até o final vai sentir falta de mais combinações, animações e possibilidades ofensivas.

Lutar diverte até os créditos, que fique registrado. Mas é justamente porque a base é tão boa que a repetição incomoda.

Gotham é um ótimo mundo-aberto

Explorar a cidade foi uma das partes que mais me prendeu. Gotham está lotada de atividades, colecionáveis, desafios e segredos. Nem tudo é memorável, e parte das tarefas secundárias existe mais para engordar o conteúdo do que para oferecer algo especial. Mas a exploração se sustenta por um motivo simples: locomover-se é prazeroso.

Voar pela cidade é livre, fácil e satisfatório. Em certos momentos, a travessia me pareceu até mais solta do que em Arkham Knight. Ganhar altura, planar entre prédios e mudar de direção rapidinho faz com que ir de uma atividade a outra quase nunca vire obrigação. Volta e meia eu abandonava um veículo no meio do caminho porque voar era mais rápido e, principalmente, rendia mais.

Batmóvel estacionado em uma rua molhada de Gotham com um carro ao fundo.
O Batmóvel é uma das opções para atravessar as ruas chuvosas de Gotham

Os veículos ainda têm seu lugar, sobretudo pela nostalgia. Há diferentes versões do Batmóvel e outros transportes ligados a fases distintas do personagem, e desbloquear essas máquinas tem um peso parecido com o de encontrar um traje clássico.

Dirigir, porém, não acompanha o mesmo nível. Alguns veículos são pesados ou travados demais, e o controle terrestre destoa da fluidez do resto do jogo. Nada que estrague o passeio; só explica por que tanta gente vai preferir os céus. A variedade compensa em parte, porque usar um Batmóvel de uma adaptação específica transforma a exploração numa espécie de tour pela história do personagem.

Trajes viram personagens novos

Legacy of the Dark Knight não tem um elenco gigantesco como The Skywalker Saga, mas achou uma saída inteligente: os trajes.

São muitas versões do Batman e de outros personagens, tiradas de filmes, quadrinhos e fases diferentes da franquia. Para quem acompanha o Morcego há anos, desbloquear uma roupa nova pesa quase tanto quanto liberar um personagem inteiro.

Em muitos jogos de mundo aberto, encontrar o centésimo item escondido deixa de ter graça bem antes do fim. Aqui, saber que determinada atividade pode liberar uma versão icônica cria uma motivação concreta: você não está preenchendo porcentagem, está montando uma coleção ligada à história do Batman. Vestir a roupa de um filme específico, trocar de visual e chamar um Batmóvel reconhecível não é detalhe. Faz parte do pacote, e é um baita incentivo para continuar avançando.

A campanha sabe variar o ritmo

Outro acerto está na estrutura das missões. O jogo não passa a campanha inteira jogando Batman dentro de arenas para bater em grupos de inimigos. Tem missão focada em combate, missão construída em torno de gadgets, trecho de furtividade, sequência com personagem secundário no comando.

Em certos capítulos, passei bons períodos sem grandes lutas e continuei me divertindo, porque sempre havia outra mecânica me segurando ali. Em outros, o jogo acelera e entrega sequências mais próximas do que se espera de uma aventura inspirada em Arkham.

Batman e outro personagem observam Gotham do alto de um prédio à noite
A escala de Gotham ganha destaque em uma vista panorâmica da cidade durante a noite

A furtividade não tem a profundidade dos jogos da Rocksteady, mas cumpre seu papel: gadgets, posicionamento e leitura do cenário criam uma pausa boa entre os confrontos diretos. E é aí que os personagens secundários ganham importância. Quando uma missão pede ferramentas diferentes ou troca o protagonista, a dinâmica se renova sem abandonar a estrutura principal.

Jogar em coop deixa tudo mais divertido

Joguei no PS5 e, se você tiver com quem dividir o sofá, divida. O cooperativo é local, sem opção online, mas casa naturalmente com a estrutura do jogo, porque muitos desafios já foram pensados em torno de personagens com habilidades diferentes. Em vez de ficar trocando de herói sozinho o tempo todo, duas pessoas assumem funções distintas e resolvem as situações juntas.

Nas lutas, o resultado é caótico no melhor sentido. Enquanto um jogador segura um grupo de inimigos, o outro usa gadgets, ataca por outro lado ou simplesmente transforma a tela numa nuvem de pecinhas voando.

O coop também disfarça parte da repetição do combate. O sistema é o mesmo, mas a presença de outra pessoa gera situações inesperadas, acelera puzzles e deixa a exploração mais leve. Jogar sozinho continua de pé, com troca rápida de personagens e tudo no lugar. Só que as mecânicas brilham mais em dupla, ainda mais num jogo com uma natureza tão despretensiosa.

Nem todos os vilões recebem o espaço que mereciam

A vontade de celebrar toda a história do Batman também cobra seu preço: o jogo quer colocar coisa demais dentro da mesma campanha.

Quando dá certo, é ótimo. O Coringa, por exemplo, tem bastante tempo de tela, participa de missões variadas e deixa uma presença real na aventura. Ele não está ali só porque toda história do Batman “precisa” dele.

Outros vilões passam voando. O Senhor Frio foi o caso que mais me incomodou: a participação dele tem bons momentos, mas acaba quando eu ainda esperava pelo menos mais algumas missões. O personagem aparece, cumpre a função e a campanha segue em frente.

Batman acerta um chute em um inimigo durante combate noturno sob chuva
Os confrontos combinam golpes corpo a corpo e animações de impacto no estilo LEGO

E ele não é o único. Alguns antagonistas entram, protagonizam uma sequência interessante e somem antes de a participação ganhar peso. O aproveitamento dos vilões fica desbalanceado, e como o elenco reúne nomes tão conhecidos, a diferença de tratamento entre eles fica escancarada. Ninguém precisava de um arco gigante. O problema é que certas aparições são claramente curtas demais para aquilo que a própria campanha começa a construir. Em alguns trechos, dá para sentir que havia material para um jogo maior, de um jeito que faria sentido.

Isso incomoda ainda mais porque algumas dessas participações começam muito bem. O jogo apresenta o vilão, cria uma situação interessante e, justamente quando parece que aquele arco vai ganhar corpo, resolve tudo e parte para o próximo. Não chega a estragar as missões, mas deixa algumas delas com cara de versão resumida de algo que poderia ter sido muito melhor desenvolvido.

O final chega antes da hora

Que fique claro: Legacy of the Dark Knight não é curto. A campanha entrega boas horas de diversão, Gotham está cheia de atividades e quem for atrás de trajes, veículos e melhorias vai ter conteúdo de sobra.

Meu problema com o desfecho é de ritmo. Chega uma hora em que a história ainda parece ter bastante coisa para resolver, com personagens que mereciam mais espaço e conflitos em pleno desenvolvimento, e eu sinceramente esperava pelo menos mais uma etapa importante da campanha. Aí aparece o aviso de que você está entrando na sequência final. Minha reação foi, literalmente, “já?”.

Batmóvel percorre uma avenida noturna de Gotham em direção a um marcador de missão
O jogador pode dirigir pelas avenidas de Gotham enquanto acompanha objetivos no mapa

A surpresa não veio de eu ter jogado pouco, nem de falta de conteúdo no mapa. Veio porque a própria história não parecia pronta para acabar. A reta final acelera de um jeito estranho, resolve algumas coisas rápido demais e chega aos créditos quando eu ainda estava esperando que a campanha entrasse em mais um grande arco. Não é uma questão de quantidade de horas. É a sensação de que faltou uma parte da história entre o que o jogo estava construindo e o momento em que decidiu terminar.

Isso também faz algumas partes da campanha parecerem mais apressadas do que deveriam. Legacy of the Dark Knight tem ótimas fases individualmente, mas nem sempre dá a elas, aos personagens e aos conflitos tempo suficiente para respirar antes de correr para a próxima ideia.

Quando os créditos subiram, minha primeira impressão ainda era bastante positiva. Só que, passado o entusiasmo das últimas horas, comecei a pensar no quanto alguns vilões foram pouco aproveitados, em partes que poderiam ter durado mais e, principalmente, em como o final simplesmente chegou antes de eu sentir que a história estava pronta para terminar. Legacy of the Dark Knight continua sendo um jogo muito bom, mas terminou me deixando uma sensação difícil de ignorar: faltou alguma coisa.

Vale a pena jogar LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight?

Batman plana sob uma estrutura elevada durante a noite em Gotham
Batman usa a capa para planar entre as estruturas e prédios da cidade

Se você gosta de Batman, a resposta é fácil: sim. LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight é um presente para fãs porque entende que referência, sozinha, não basta. A TT Games revisita filmes, quadrinhos e jogos de épocas diferentes, mas quase sempre encontra jeitos inteligentes de transformar essas influências em missões, trajes, veículos e momentos próprios.

A aposta nos elementos de Arkham também rendeu. O combate é fluido, os gadgets se encaixam com naturalidade, a progressão convence e Gotham é um prazer de atravessar, com destaque absoluto para o voo pela cidade. E o cooperativo deixa praticamente tudo melhor.

Também é uma boa porta de entrada para quem não acompanha cada detalhe da mitologia: a aventura é acessível, tem bastante conteúdo, boa variedade de missões e um combate muito mais interessante do que se esperaria de um jogo LEGO.

As ressalvas, porém, pesaram mais para mim depois dos créditos do que durante a campanha. O combate para de evoluir antes da hora, alguns vilões recebem muito menos espaço do que mereciam e a história corre demais em momentos nos quais precisava justamente fazer o contrário. O final reforça essa sensação ao chegar de maneira abrupta, quando ainda parecia haver bastante coisa para desenvolver.

Isso não apaga o que Legacy of the Dark Knight faz bem. É divertido, tem algumas fases excelentes, entende Batman como poucos jogos fora da série Arkham conseguiram e constrói uma Gotham que dá vontade de explorar. Só não terminou sendo exatamente o jogo que eu imaginava enquanto avançava pela campanha. Gostei bastante da experiência, recomendaria sem dificuldade, mas fiquei com a impressão de que havia aqui espaço para algo ainda melhor do que aquilo que chegou aos créditos.

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