EA Sports UFC 6 é brutal, acessível e cheio de conteúdo, mas ainda apanha no chão

EA Sports UFC 6 é brutal, acessível e cheio de conteúdo, mas ainda apanha no chão

Novo jogo da EA Vancouver entrega a melhor trocação da franquia, bons modos para fãs de MMA, mas grappling e repetição ainda seguram o pacote

Por Murilo Fraga junho 26, 2026 Jogado em PlayStation 5 (com chave de review cedida pela EA Sports)

Resumo

EA Sports UFC 6 é o capítulo mais completo da série da EA até aqui. A luta em pé está mais pesada, técnica e satisfatória, os lutadores se diferenciam melhor em postura e estilo, e modos como O Legado e Hall das Lendas ajudam tanto novatos quanto fãs de MMA. O problema é que o grappling continua menos intuitivo do que deveria, a carreira ainda repete atividades demais e o Flow State, apesar de interessante, aproxima o jogo de um arcade em alguns momentos.

Prós

  • Trocação mais pesada, técnica e satisfatória
  • Lutadores com estilos mais reconhecíveis
  • Hall das Lendas é um dos melhores modos do pacote
  • O Legado ajuda no aprendizado e dá contexto à carreira

Contras

  • Grappling e luta no chão continuam pouco naturais
  • Flow State pode parecer arcade demais
  • Carreira ainda depende de treinos repetitivos
  • The Gym é mais raso do que poderia ser

EA Sports UFC 6 não chega para desmontar a franquia e começar de novo. Depois de quase três anos desde UFC 5, a EA Vancouver volta ao octógono com uma proposta mais calculada: melhorar o que já funcionava, reduzir a barreira de entrada para novos jogadores e ampliar o pacote com modos que tentam apróximar o público não só das lutas, mas também da história, da rotina e da cultura do MMA.

O resultado é um dos jogos mais completos da série. A luta em pé está mais pesada, responsiva e satisfatória, os golpes têm mais impacto, a apresentação se apróxima ainda mais de uma transmissão real do UFC e modos como O Legado e Hall das Lendas dão mais contexto ao que acontece antes e depois da porta do octógono fechar. Para quem acompanha o esporte, há um cuidado evidente em tratar nomes como Max Holloway, Alex Pereira e Zhang Weili como figuras importantes da modalidade, não apenas como avatares selecionáveis em uma tela de escolha de lutadores.

Ainda assim, UFC 6 não escapa de problemas antigos. A luta no chão continua sendo a parte menos natural e empolgante do gameplay, o modo Carreira ainda se apoia demais em uma rotina repetitiva de treinos, menus e pequenas decisões, e o novo Flow State (ou Modo Foco) deve dividir opiniões por apróximar a experiência de um arcade em uma franquia que sempre tentou vender a sensação de realismo.

A melhor trocação da série

EA Sports UFC 6 ganha força quando a luta fica de pé. É ali que o jogo mostra sua maior evolução, com golpes mais secos, trocas mais limpas e uma sensação de impacto que finalmente faz jus à brutalidade do MMA. Um direto bem encaixado não parece só um número tirado da vida do adversário. Ele muda a luta. Balança o rival, abre a guarda, quebra o ritmo e cria aquele segundo de vantagem que pode decidir tudo.

Publicidade

A trocação está mais precisa porque o jogo pune o desespero. Quem entra apertando o botão sem pensar até consegue sobreviver no começo, mas logo descobre que o octógono cobra caro. Errar distância, gastar stamina à toa ou repetir a mesma combinação vira convite para tomar um contra-golpe no queixo. UFC 6 funciona melhor quando o jogador lê o rival, espera a brecha e escolhe bem o momento de atacar.

Também há mais personalidade nos estilos. Um striker paciente consegue controlar a luta com jabs, chutes baixos e movimentação lateral. Um lutador mais agressivo cresce quando pressiona, encurta a distância e empurra o adversário para a grade. Atletas explosivos, por sua vez, brilham quando encontram espaço para uma sequência curta e violenta. A diferença entre os nomes do elenco aparece melhor do que antes, e isso deixa os combates menos genéricos.

O impacto dos golpes ajuda muito nessa sensação. Chutes baixos atrapalham a movimentação, ataques no corpo cansam o rival e combinações bem escolhidas dão uma ótima sensação de domínio. Não basta bater muito. É preciso bater certo.

Nos melhores momentos, EA Sports UFC 6 faz o jogador sentir que venceu por leitura. Você bloqueia, dá um passo para o lado, escapa por pouco e devolve com um golpe limpo. É nesse instante que o jogo acerta em cheio. A vitória não parece sorte. Parece luta.

Lutadores se comportam de formas mais reconhecíveis

Um dos pontos positivos de EA Sports UFC 6 é que boa parte dos lutadores mais conhecidos não parece apenas uma skin diferente dentro do mesmo sistema. Há diferenças de postura, ritmo, movimentação e escolha de golpes que ajudam a apróximar alguns atletas das versões reais.

Isso aparece principalmente nos nomes mais populares do elenco. Alex Pereira passa bem a sensação de um striker perigoso, que não precisa se movimentar demais para controlar a distância e ameaçar com golpes pesados. Max Holloway tem um estilo mais voltado para volume, pressão e sequência de golpes, o que combina com a forma como ele costuma lutar. Já Islam Makhachev funciona melhor quando o jogador tenta levar a luta para o grappling, controlar posição e trabalhar a partir das quedas, em vez de simplesmente trocar golpe em pé o tempo todo.

Entre os brasileiros, Charles Oliveira é um dos destaques. O modelo visual está muito parecido, e os movimentos também lembram bastante o lutador real. A postura, a forma de atacar, a agressividade em certos momentos e o jeito de buscar oportunidades no chão ajudam a criar uma representação convincente. Para quem acompanha o UFC, é fácil perceber que houve mais cuidado em reproduzir o "Do Bronx" do que apenas colocar seus atributos em um personagem genérico.

Essa diferença entre atletas também deixa o gameplay mais interessante. Usar um striker, um wrestler, um especialista em jiu-jítsu ou um lutador mais completo muda a forma de pensar a luta. Não basta decorar comandos. É preciso entender o que aquele atleta faz bem, onde ele é mais perigoso e em que tipo de situação fica mais vulnerável.

O problema é que esse cuidado não aparece com a mesma força em todo o elenco. Alguns lutadores menos populares ou mais recentes ainda passam uma sensação mais genérica. Waldo Cortes-Acosta, por exemplo, foi adicionado ao jogo e cumpre sua função na categoria pesada, mas não tem o mesmo nível de movimentos característicos ou identidade visual que nomes como Charles Oliveira, Alex Pereira ou Max Holloway. 

Flow State é interessante, mas nem sempre combina

A principal novidade de gameplay de EA Sports UFC 6 é o Flow State, chamado também de Modo Foco. A ideia é transformar o bom momento de um lutador em uma vantagem temporária. Se você joga de acordo com o estilo do atleta, pressionando com volume, contra-atacando, buscando o grappling ou explorando o clinch, a barra enche e pode ser ativada por alguns segundos.

No papel, faz sentido. MMA também é ritmo. Existem lutas em que um atleta encontra o tempo certo, passa a ler melhor o adversário e parece controlar tudo por alguns instantes. O problema é que, no controle, UFC 6 transforma essa sensação em algo muito próximo de uma barra especial de jogo de luta. A tela muda, o clima fica mais dramático e o lutador ganha benefícios claros demais para uma série que sempre tentou vender realismo.

O recurso tem bons momentos. Quando o Flow State aparece no fim de um round equilibrado, ajuda a pressionar o rival e cria uma sequência decisiva, a sensação pode ser empolgante. Em lutas específicas do Hall das Lendas, ele também funciona melhor, principalmente por ajudar a recriar momentos famosos da carreira de atletas como Max Holloway, Alex Pereira e Zhang Weili.

Fora desses contextos, porém, a mecânica nem sempre encaixa. Em vez de apenas ler a luta, o jogador passa a prestar atenção em mais uma barra na tela. Em vez de o momento nascer naturalmente da troca, ele vira um botão a ser ativado. Isso não estraga o combate, mas muda o tom da experiência e apróxima o jogo de uma lógica mais arcade.

Para jogadores casuais, o Flow State pode deixar as lutas mais cinematográficas e criar viradas bonitas. Para quem busca uma simulação mais seca, pode incomodar bastante. A própria EA parece ter percebido essa divisão, já que prometeu um patch para julho com a opção de desativar o efeito do recurso. É a melhor saída: manter a novidade para quem gostou, mas deixar que os jogadores mais puristas aproveitem UFC 6 sem uma mecânica que nem sempre combina com o restante da luta.

Grappling continua sendo o calcanhar de Aquiles

Se a trocação é o melhor round de EA Sports UFC 6, a luta no chão ainda é onde o jogo perde ritmo. O grappling funciona, tem lógica e recompensa quem dedica tempo a entender transições, negações, controle de posição e finalizações. O problema é que ele não transmite a mesma naturalidade da luta em pé.

Quando a luta vai para o chão, a pancadaria dá lugar a uma disputa mais travada de comandos direcionais. Você olha para as opções, tenta antecipar a ação do adversário, segura o analógico no tempo certo e espera a transição acontecer. É um sistema que pode ser dominado, mas que raramente parece uma troca física orgânica entre dois atletas tentando controlar o corpo um do outro.

Isso fica ainda mais evidente porque o striking evoluiu bastante. Em pé, cada erro tem resposta imediata. Um chute baixo mal calculado, um jab fora da distância ou uma esquiva no tempo errado podem mudar o round. No chão, a sensação é mais burocrática. Finalizações, quedas, defesa de transição e ground and pound deveriam ter o mesmo peso de um nocaute limpo, mas ainda não chegam lá.

Também é uma barreira para novatos. UFC 6 melhorou a entrada de novos jogadores com assistências, presets e opções de aprendizado, mas o grappling segue sendo a parte mais difícil de gostar logo de cara. Para quem conhece MMA, isso incomoda ainda mais, porque a luta agarrada é uma das áreas mais importantes do esporte.

No fim, a luta no chão não estraga o jogo, mas deixa claro onde a franquia ainda precisa evoluir. EA Sports UFC 6 acerta muito quando deixa os lutadores trocarem golpes, controlarem distância e buscarem o momento certo para atacar. Quando eles caem no chão, a experiência ainda parece presa a uma fórmula antiga.

O Legado funciona como porta de entrada

Entre os novos modos, O Legado é a tentativa mais clara de EA Sports UFC 6 de receber quem está chegando agora. A campanha acompanha Chris Carter, um prospecto do wrestling universitário que tenta construir o próprio nome no MMA enquanto carrega o peso do pai, Matt "Big Mac" Carter, campeão olímpico da modalidade. A ideia combina bem com o tema do modo: legado, pressão e a dificuldade de ser reconhecido por mérito próprio.

A história começa com Chris ainda fora do UFC, treinando na Believe MMA ao lado de Danny "The Dagger" Lopez. Os dois têm estilos e personalidades bem diferentes. Chris vem de uma base familiar ligada ao wrestling, enquanto Danny aparece como alguém mais impulsivo, marcado por uma trajetória mais difícil e pela necessidade constante de provar valor. A relação entre os dois é previsível em alguns momentos, mas funciona como motor dramático da campanha.

O modo passa por três fases da carreira de Chris e usa essa progressão para apresentar sistemas importantes do jogo. Primeiro, ensina fundamentos como golpes, bloqueios, esquivas, quedas, clinch e controle de stamina. Depois, começa a introduzir elementos da carreira: treinos semanais, preparo físico, hype, respostas em redes sociais, contratos, evolução de atributos, pontos de habilidade, dinheiro e risco de lesões.

Essa integração é o maior acerto de O Legado. Em vez de jogar o jogador direto em uma carreira cheia de menus, a campanha coloca esses sistemas dentro da história. Quando Chris treina para chamar atenção da WFA, quando precisa lidar com a própria popularidade ou quando uma escolha fora do octógono afeta sua trajetória, o jogo encontra uma forma mais natural de explicar como a carreira funciona.

A rivalidade com Danny também dá algum peso ao caminho. O roteiro usa situações conhecidas de drama esportivo, como amizade abalada, frustração, oportunidade perdida, lesão e revanche, mas elas ajudam a tornar o modo mais envolvente do que um tutorial comum. A cena envolvendo a briga no bar, por exemplo, serve para virar a trajetória dos personagens, tirar Chris de uma chance importante e abrir espaço para Danny crescer enquanto ele fica parado.

Ainda assim, O Legado não foge de limitações. A história é bem guiada, algumas escolhas parecem ter mais efeito em recompensas do que no rumo real da narrativa, e a campanha perde força quando se apróxima demais da estrutura tradicional de Carreira. Os treinos começam a se repetir, a navegação por menus pesa um pouco e a vontade de simular atividades aparece mais cedo do que deveria.

Mesmo com esses problemas, O Legado é uma boa adição. Ele não é uma campanha memorável, mas cumpre bem seu papel: apresenta o universo de UFC 6, ensina o jogador sem parecer apenas uma aula de comandos e dá contexto emocional antes de transformar Chris Carter em mais um lutador tentando chegar ao topo.

Carreira melhorou, mas ainda repete demais

O modo Carreira continua sendo uma das partes mais importantes de EA Sports UFC 6. Criar um lutador, escolher um estilo, evoluir atributos, aprender golpes, aceitar lutas e buscar cinturões ainda tem apelo. A fantasia de transformar um nome desconhecido em campeão funciona, principalmente nas primeiras horas, quando cada treino parece ajudar a moldar o atleta.

A preparação para cada luta também está mais clara. O jogador precisa equilibrar Fitness, Hype, evolução de habilidades, ações de mídia e semanas de treinamento antes de entrar no octógono. Há mais eventos narrativos, mensagens, interações e decisões do que em UFC 5, o que ajuda a dar um pouco mais de contexto à jornada.

O problema é que a estrutura ainda cai rápido na repetição. Depois de algumas lutas, o ciclo fica evidente: escolher contrato, treinar, melhorar atributos, aumentar hype, lutar e repetir. Simular treinos acelera o processo, mas reduz recompensas. Fazer tudo manualmente ajuda na evolução do lutador, só que também torna a progressão mais cansativa, especialmente quando os exercícios começam a parecer variações da mesma rotina.

A Carreira de UFC 6 é melhor que a anterior, mas ainda não parece tão viva quanto poderia. Falta mais imprevisibilidade fora do octógono, mais consequências reais para escolhas importantes e uma sensação mais forte de mudança entre começo, auge e reta final da trajetória.

Também fica a impressão de que a franquia já poderia ir além do lutador. Um modo no estilo Dana White, com o jogador comandando eventos, montando cards, contratando atletas, criando rivalidades, negociando lutas e administrando o crescimento de uma organização, combinaria muito com o universo do UFC. Seria uma forma de explorar o esporte por outro ângulo e dar mais variedade ao pacote.

Do jeito que está, a Carreira ainda prende, mas depende demais de uma fórmula que a série usa há tempo demais. Ela melhora o caminho até o topo, mas ainda não transforma essa jornada em algo tão imprevisível quanto o próprio MMA.

Hall das Lendas é o melhor modo novo

Se O Legado funciona melhor como introdução, Hall das Lendas é o modo novo mais interessante para quem já acompanha UFC. A proposta é simples, mas muito boa: transformar a carreira de alguns atletas em pequenos museus interativos, com vídeos, objetos, textos explicativos e lutas importantes para reviver.

No lançamento, o modo foca em Max Holloway, Alex Pereira e Zhang Weili. Cada um ganha um espaço próprio, com uma apresentação em terceira pessoa que permite caminhar pelo ambiente, interagir com itens e conhecer momentos importantes da trajetória. Não é apenas uma seleção de combates soltos. O modo tenta dar contexto para quem são esses lutadores, de onde vieram e por que marcaram o UFC moderno.

A parte de Alex Pereira é uma das que mais chama atenção, principalmente pelo cuidado em valorizar sua história, suas raízes e a construção da figura do Poatan dentro do esporte. Ver essa trajetória representada em um modo dedicado é especial para o público brasileiro, ainda mais porque Alex é um dos nomes mais importantes do UFC atual. O mesmo vale para Holloway e Weili, que recebem recortes interessantes de suas carreiras e ajudam a mostrar estilos, culturas e momentos diferentes da organização.

Também é uma boa forma de apresentar a história do UFC para quem conhece pouco. Em vez de apenas jogar uma luta com um atleta famoso, o jogador entende melhor o peso daquele combate, a importância daquele momento e o motivo de aquele nome estar ali. Para um jogo esportivo licenciado, esse tipo de contexto faz diferença.

O problema é que o modo termina rápido. São apenas três lutadores, com um número limitado de lutas e objetivos para cada um. A ideia é boa o bastante para deixar a sensação de que deveria haver muito mais conteúdo. Hall das Lendas praticamente pede expansões com nomes como Anderson Silva, José Aldo, Amanda Nunes, Georges St-Pierre, Khabib Nurmagomedov, Jon Jones, Daniel Cormier e outras figuras importantes da história do UFC.

Visual impressiona, mesmo com algumas quedas estranhas

No PS5, EA Sports UFC 6 é um jogo muito bonito. A iluminação das arenas, as entradas dos lutadores, a textura da pele, as expressões faciais e os efeitos de dano ajudam a criar uma atmosfera próxima de um evento real do UFC. Quando a câmera fecha no rosto de Charles Oliveira depois de uma luta dura, ou quando um golpe pesado entra limpo e o adversário sente o impacto, o jogo sabe vender o peso daquele momento.

Ainda assim, é bom colocar a evolução no lugar certo. UFC 5 já era um jogo visualmente forte, então UFC 6 não chega como um salto capaz de fazer o anterior parecer ultrapassado. A melhora aparece mais nos detalhes: animações mais fluidas, colisões mais convincentes, expressões melhores e uma apresentação um pouco mais refinada. A pele reage melhor à iluminação, os lutadores parecem mais vivos em comemorações e entradas, e os principais nomes do elenco receberam cuidado evidente em rosto, corpo, postura e movimentação.

Os atletas mais populares são os que mais se beneficiam disso. Charles Oliveira está muito bem representado, não só no visual, mas também na forma como se movimenta. Alex Pereira, Max Holloway, Jon Jones, Islam Makhachev e lendas como Fedor Emelianenko e Randy Couture também passam uma sensação forte de fidelidade. É quando UFC 6 chega mais perto de uma transmissão real: o lutador não parece apenas parecido, ele parece ocupar o octógono de um jeito reconhecível.

As colisões também estão melhores. Um chute alto, um direto limpo ou uma sequência bem encaixada podem gerar nocautes muito satisfatórios, e o novo sistema físico deixa algumas quedas mais naturais do que antes. Só que o jogo ainda tropeça nesse ponto. Em certos momentos, o corpo cai de um jeito estranho, braços e pernas reagem de forma exagerada e alguns replays deixam a pancada menos convincente do que parecia ao vivo. Não acontece o tempo todo, mas aparece o suficiente para quebrar um pouco a imersão.

Outro detalhe que incomoda é o filtro azulado usado em várias situações. Ele cria uma identidade visual mais fria e cinematográfica, mas nem sempre combina com a naturalidade de uma transmissão esportiva. Seria interessante ter uma opção para reduzir ou remover esse efeito, principalmente para quem prefere uma imagem mais limpa, neutra e próxima da TV.

Som, transmissão e clima de evento

A parte sonora ajuda bastante na imersão de EA Sports UFC 6. A torcida reage aos golpes mais fortes, a arena tem energia e os comentários de Jon Anik e Daniel Cormier reforçam a sensação de transmissão oficial. Não é um sistema perfeito, porque algumas falas começam a se repetir depois de muitas lutas, mas o conjunto funciona bem e ajuda o jogo a parecer um produto do UFC, não apenas um game com a licença estampada.

O som dos golpes também merece destaque. Um chute no corpo, um soco bloqueado, uma joelhada curta no clinch ou um golpe limpo no rosto não soam da mesma forma. Essa diferença ajuda o jogador a entender a luta sem depender apenas das barras na tela. Quando a pancada entra bem, o impacto aparece no controle, na animação, na reação do público e no áudio. É um daqueles detalhes que fazem a trocação parecer mais física.

A trilha sonora mantém a energia alta nos menus, nos treinos e na preparação para as lutas. Não é o elemento mais marcante do pacote, mas combina com o clima de combate e evita que a navegação entre modos fique apagada. O jogo também conta com localização em português do Brasil, algo importante para um título cheio de menus, sistemas, tutoriais, modos de carreira e explicações técnicas. Para novatos, isso faz diferença.

Ainda assim, fica uma ausência incômoda: a falta de narração em português. É um ponto que chama atenção justamente porque UFC 2 já trouxe vozes em PT-BR, enquanto os jogos seguintes perderam esse recurso. Em uma série que tenta ser mais acessível e receber novos jogadores, seria positivo ver esse cuidado voltar.

O problema maior é que UFC 6 ainda poderia caprichar mais no clima de evento. Muitas lutas começam rápido demais, com os atletas já praticamente dentro do octógono, sem toda a construção que existe em uma noite real do UFC. Faltam mais aberturas completas, entradas frequentes, apresentações dos lutadores e aquele ritual de tensão antes do combate. 

Isso incomoda porque não é uma ideia nova. UFC Undisputed 3, ainda no PS3, já entendia melhor a importância dessa cerimônia em certos momentos. Para uma série moderna, com o peso da EA Sports, tecnologia atual e uma licença tão forte, UFC 6 poderia entregar uma apresentação mais completa antes das grandes lutas.

Mais acessível, mas ainda exigente

Uma das metas mais claras de EA Sports UFC 6 é receber melhor quem está chegando agora. A série sempre teve fama de intimidadora, e com razão. Entre trocação, quedas, clinch, luta no chão, finalizações, stamina, bloqueios e movimentação, UFC nunca foi um jogo fácil de entender em poucos minutos.

Desta vez, a EA Vancouver tenta diminuir esse choque inicial. Há controles simplificados, assistências para ataques e defesas em pé, presets de experiência, dicas mais claras durante a luta e um manual de treino mais útil. O jogo também usa pequenos recursos de leitura, como momentos de reação mais evidentes em certas situações, para ajudar o jogador a perceber quando defender, esquivar ou contra-atacar.

Isso não transforma UFC 6 em um jogo simples. Ele continua técnico e ainda exige paciência. Quem entra achando que dá para vencer apenas apertando botões rápido vai sofrer assim que enfrentar alguém minimamente organizado. A diferença é que agora o caminho até esse aprendizado parece menos áspero.

No offline, principalmente, essa acessibilidade funciona melhor. O Legado ajuda a apresentar os fundamentos de forma mais natural, enquanto as opções de assistência permitem ajustar a experiência sem descaracterizar completamente o combate. É possível começar com mais apoio, entender a lógica das lutas e depois desligar recursos conforme ganha confiança.

Online, Fight Week e The Gym

No online, a principal novidade de EA Sports UFC 6 é o crossplay entre PlayStation 5 e Xbox Series X|S. É uma adição importante, principalmente para um jogo que depende bastante de comunidade ativa e matchmaking saudável. Ter uma base unificada ajuda a encontrar lutas com mais facilidade e deve manter o competitivo vivo por mais tempo.

O jogo também tenta se conectar melhor ao calendário real do UFC com o Fight Week. A ideia é acompanhar eventos reais da organização com desafios, palpites e recompensas, criando uma ponte interessante entre quem joga e quem acompanha o esporte fora do videogame. Para fãs que assistem aos cards semanais, é um incentivo inteligente para voltar ao jogo e testar confrontos ligados ao momento atual da modalidade.

The Gym é uma das ideias menos empolgantes do pacote. O modo permite recrutar lutadores, treiná-los e desbloquear cosméticos, mas falta profundidade para que ele se torne realmente marcante. Na prática, funciona mais como uma camada extra de progressão e coleção do que como um modo capaz de sustentar horas de jogo.

É uma pena, porque o conceito poderia render mais. Um sistema de academia com mais gerenciamento, rivalidades, evolução de atletas e decisões estratégicas combinaria muito com o universo do UFC. Do jeito que está, The Gym ajuda a preencher o pacote, mas dificilmente será o motivo principal para alguém continuar voltando ao jogo.

Vale a pena jogar EA Sports UFC 6?

EA Sports UFC 6 vale a pena para quem gosta de MMA, acompanha o UFC ou sente falta de um jogo de luta mais físico, técnico e direto. A trocação está no melhor momento da franquia, os golpes têm mais impacto, os atletas mais conhecidos se diferenciam melhor e a apresentação entrega bem a sensação de evento oficial.

O jogo também é mais amigável para novatos do que os anteriores. O Legado funciona como uma boa introdução, as assistências ajudam nos primeiros passos e o Hall das Lendas é uma ótima adição para quem quer conhecer ou revisitar momentos importantes de Max Holloway, Alex Pereira e Zhang Weili.

A recomendação, porém, vem com ressalvas. Quem espera uma revolução em relação a UFC 5 pode se decepcionar. O visual evolui mais nos detalhes do que no impacto geral, a Carreira ainda repete treinos e menus demais, o grappling continua sendo o ponto mais fraco do gameplay e o Flow State pode incomodar quem prefere uma simulação mais seca.

Mesmo assim, UFC 6 é um ótimo jogo de MMA. Ele melhora a base, adiciona modos relevantes e deixa as lutas em pé mais intensas e satisfatórias. Não é o nocaute definitivo que a franquia ainda pode entregar, mas vence boa parte dos rounds com segurança.

Veredito

Nota 80

EA Sports UFC 6 acerta onde mais importa: dentro do octógono. A trocação está mais física, os golpes têm impacto, os lutadores se comportam de forma mais fiel aos estilos reais e o pacote de modos é mais forte do que no jogo anterior. O Hall das Lendas é uma ótima adição e O Legado funciona bem como porta de entrada. Ainda assim, o grappling segue travado, a carreira cansa pela repetição e o Flow State divide opiniões. É um ótimo jogo de MMA, mas ainda não é um nocaute bonito.

Tags
Escrito por
Murilo Fraga
Murilo Fraga

Mais reviews de Murilo Fraga

0 0 votos
Article Rating
Inscrever-se
Notificar sobre
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado

Mais lidas

Mais do Game Overdrive

Explore o Game Overdrive

Publicidade
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x