Shard Squad aposta na equipe certa, não no bicho mais forte

Atualizações lançadas antes da estreia nos consoles corrigem parte dos problemas da versão de PC e deixam o bullet heaven brasileiro mais estratégico

Review:Shard Squad Shard Squad aposta na equipe certa, não no bicho mais forte

Ficha de avaliação

8/10

Shard Squad pega a base do bullet heaven e coloca por cima um sistema de formação de equipe que faz cada escolha de personagem importar. As atualizações Poder Prismático e Prime Evolution resolveram parte dos problemas apontados na estreia para PC, com um salto de poder no meio da partida e mais opções para ajustar a build.

Prós e contras · Ficha técnica

Prós

  • Sistema de sinergias dá peso real a cada escolha de personagem
  • Prime Evolution entrega o pico de poder que faltava na versão de PC
  • Power Up Ball permite corrigir uma build no meio da partida
  • Pixel art carismática e dublagem completa em português
  • Cooperativo local combina com a proposta de esquadrão

Contras

  • Os primeiros minutos de cada tentativa são arrastados
  • Parte das sinergias é claramente inferior às focadas em dano direto
  • Poucos espaços de equipamento travam o aproveitamento das 99 relíquias
  • Excesso de efeitos atrapalha a leitura da tela, principalmente no coop

Ficha técnica

  • GAMEShard Squad
  • PLATAFORMAPC, PS4, PS5, Xbox e Nintendo Switch
  • GÊNEROBullet heaven, Roguelite
  • DESENVOLVEDORAThe Root Studios
  • PUBLISHERNuntius Games
  • LANÇAMENTOnovembro de 2025 (PC) e 30 de julho de 2026 (consoles)
TÓPICOS

Passei boa parte desta review de Shard Squad repetindo a mesma lição: escolher o Shard mais forte da tela quase sempre foi pior do que escolher o Shard que fechava uma sinergia. O bullet heaven da The Root Studios entrega hordas, upgrades automáticos e telas lotadas como qualquer outro do gênero, só que amarra tudo em um sistema de composição de equipe que cobra atenção a cada nível.

Publicado pela Nuntius Games, o jogo saiu para PC em novembro de 2025 e chegou ao PS4, PS5, Xbox e Nintendo Switch em 30 de julho de 2026. Nesse intervalo recebeu duas atualizações grandes, Poder Prismático e Prime Evolution, que mexeram em progressão, dificuldade, sinergias e evolução dos personagens. Quem leu as primeiras análises do lançamento no PC vai encontrar um jogo bem diferente nos consoles.

Os primeiros minutos são o pior momento de cada partida

A comparação com Vampire Survivors é natural. Você controla uma criatura em uma arena tomada por inimigos, junta experiência, escolhe melhorias e assiste aos ataques saindo em ciclos automáticos enquanto se preocupa apenas com a movimentação.

Nos dois primeiros minutos de cada tentativa, meu personagem tinha um ataque preguiçoso, intervalo longo entre disparos e um punhado de inimigos fracos demais para oferecer perigo. Andei em círculos esperando o esquadrão encorpar mais vezes do que gostaria, e em algumas partidas o ritmo só engrenou perto da metade da fase.

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Quando a equipe começa a se formar, a coisa muda de figura. Em vez de armas, os ataques extras são os próprios Shards recrutados: cada criatura entra em cena, executa a habilidade e sai até a próxima ativação. Visualmente é bem mais interessante do que ver ícones orbitando o personagem, ainda que o funcionamento seja o mesmo de sempre por baixo.

Vale ajustar a expectativa aqui. Os companheiros não caminham ao seu lado como um grupo de aventureiros. Eles são funções dentro da build, e é assim que precisam ser lidos na hora de montar a formação.

As sinergias são o que separa Shard Squad dos clones

Cada Shard pertence a uma afinidade elemental e carrega traços que se combinam com os dos outros integrantes. Juntar duas ou três criaturas com características em comum ativa bônus que vão de dano extra a invocações de suporte e vantagens defensivas.

O efeito prático é que a tela de escolha deixa de ser automática. Aconteceu várias vezes de eu recusar a criatura com o ataque mais chamativo porque ela não somava nada à formação, e de pegar um Shard modesto só para completar uma sinergia que segurava o próximo chefe. Quem já jogou autochess vai reconhecer o raciocínio na hora.

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Nem toda combinação, porém, entrega o mesmo retorno. Algumas mudam o ritmo da partida e limpam grupos inteiros de uma vez, enquanto outras acrescentam efeitos discretos que não competem com uma build concentrada em dano direto. Depois de umas dez horas, eu já sabia quais afinidades queria ver na primeira escolha e quais deixaria passar. A variedade está lá, no papel. Na prática, o jogo ainda empurra o jogador para um punhado de formações comprovadamente melhores.

A Prime Evolution resolveu a maior falha da versão de PC

A crítica mais repetida no lançamento para computadores era a falta de um salto de poder de verdade. As melhorias aumentavam dano, área e velocidade, e nada disso produzia aquele momento de virada que se espera de um bullet heaven.

Ao chegar ao nível máximo, o líder libera uma missão de evolução, e cumprir o objetivo transforma o personagem na forma Prime, com visual novo, aumento de poder e uma habilidade exclusiva que dura até o fim da tentativa.

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Funciona bem por dois motivos. O primeiro é a recompensa em si, que muda o rendimento da partida de forma perceptível. O segundo é o objetivo intermediário: em vez de escolher pequenos bônus numéricos até o chefe final, você passa a jogar mirando a missão de evolução. Nas notas da atualização, o estúdio detalha que todos os personagens ganharam formas Prime, inclusive os quatro do pacote de vento, e que dá para configurar o sistema com a transformação completa, só com os benefícios mecânicos ou desligado.

Quem for procurar análises antigas para decidir a compra precisa levar isso em conta. Boa parte do que se escreveu sobre a ausência de evoluções não descreve mais o jogo que está no PS5.

A Power Up Ball tirou o piloto automático das escolhas

A outra novidade relevante veio com o Poder Prismático. Durante a fase, uma esfera pode surgir e precisa ser destruída antes de sumir. Quando isso acontece, o jogo oferece um benefício temporário entre mais de 30 opções.

O sistema tradicional de upgrades sofria do mal comum do gênero, com escolhas quase sempre restritas a dano, recarga, área e quantidade de projéteis. Os bônus da esfera não substituem essa estrutura, mas dão margem para consertar uma build que nasceu torta, algo que a versão original não permitia.

O mesmo pacote reformulou sinergias, aumentou o ganho de dinheiro, melhorou relíquias e ajustou a dificuldade das fases. Ataques de fogo passaram a acumular dano, a afinidade de água ganhou uma nuvem ofensiva e os efeitos elétricos e de cristal ficaram mais consistentes, segundo as notas publicadas pelo estúdio. Dá para ver o resultado na recepção atual: o jogo está com avaliações “muito positivas” na Steam, mesmo com reclamações que continuam de pé sobre ritmo e balanceamento.

São 99 relíquias e espaço para pouquíssimas

Entre uma partida e outra você coleta relíquias e melhorias permanentes. São 99 itens capazes de mexer em atributos, habilidades e até adicionar companheiros temporários. O número chama atenção no material de divulgação e desinfla um pouco na tela de equipamento, porque os espaços disponíveis no começo são poucos.

Passei mais tempo escolhendo qual relíquia sacrificar do que testando combinações novas, e boa parte da coleção ficou parada esperando desbloqueios.

Jogadores de PC apontaram esse mesmo desconforto: os bônus permanentes demoram a engrenar e exigem muitas partidas repetidas para render. A metaprogressão dá motivos para voltar, só que raramente entrega um avanço tão claro quanto a forma Prime conquistada dentro da fase.

Os chefes valem mais que as hordas

Os chefes obrigam a abandonar a movimentação automática que funciona contra os inimigos comuns. Alguns ataques tomam metade do cenário, outros pedem leitura de intervalo e direção de projétil, e todos exigem mais atenção do que qualquer onda de inimigos menores.

São 59 no total, espalhados entre fases e eventos. A qualidade varia, e nem todos têm padrões memoráveis, mas eles cumprem o papel de quebrar a repetição das ondas.

Captura de tela 2026-08-01 155743

O problema aparece quando a build está fraca. Nesses casos, o combate vira uma prova de paciência: você desvia, espera a recarga, aplica um dano tímido e recomeça o ciclo por minutos, sem ter como acelerar a batalha.

Isso diz muito sobre a proposta. Shard Squad não quer entregar a fantasia de varrer milhares de inimigos sem resistência. Os adversários aguentam pancada, a movimentação pesa mais do que na média do gênero e o resultado se aproxima de um bullet hell. Quem procura a sensação de destruir a tela inteira pode estranhar. Quem gosta de desviar, vai gostar.

A pixel art é ótima

A arte é o ponto mais consistente da produção. Os Shards têm designs reconhecíveis, animações caprichadas e uma paleta que foge do clima sombrio adotado por metade dos jogos do gênero. Mellunia é colorida, e até os inimigos mais perigosos preservam o tom leve da aventura.

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A leitura do combate é que sofre nos picos. Ataques aliados, projéteis inimigos, efeitos climáticos e recursos espalhados pelo chão brigam pelo mesmo espaço, e nas fases mais escuras eu perdi vida algumas vezes sem identificar de onde veio o dano.

No cooperativo local a situação piora. A modalidade é divertida e casa perfeitamente com a ideia de montar um esquadrão, só que dois personagens com habilidades ativas ao mesmo tempo transformam a tela em uma sopa de efeitos. Jogar em uma TV grande ajuda mais do que deveria ser necessário.

Mellunia dá contexto sem roubar tempo

A trama acompanha um reino ameaçado pelo fenômeno conhecido como Desalme, e a missão é resgatar criaturas e avançar pelas regiões afetadas. A narrativa aparece em cenas, conversas com personagens não jogáveis, bestiário e contos desbloqueáveis, sem nunca travar o ritmo das partidas.

O detalhe que mais gostei é a conexão entre história e mecânica: alguns Shards têm laços familiares ou passados em comum, e essas relações explicam as características compartilhadas no sistema de sinergias. É uma forma elegante de fazer o jogador decorar as combinações sem consultar tabela.

As cenas principais têm dublagem em português, além de inglês, japonês e chinês. Para um jogo em que boa parte da informação está em descrições de habilidade, a localização completa faz diferença real na hora de montar equipe.

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Quanto tempo dura Shard Squad?

A versão de console traz dez fases, mais de 20 sinergias, 99 relíquias, mais de 200 tipos de inimigos e 59 chefes. A campanha foi anunciada com cerca de 20 horas, número que sobe fácil se você quiser fechar o bestiário, testar formações diferentes ou encarar as dificuldades mais altas.

Sobre o elenco, atenção a uma pegadinha de contagem. Os 28 Shards citados em algumas listagens incluem os quatro personagens do Wind Character Pack, vendido à parte.

Vale a pena jogar Shard Squad?

Vale para quem gosta de bullet heaven e quer um pouco mais de decisão na mão do jogador, e principalmente para quem curte colecionar criaturas e testar composições. O sistema de sinergias é o motivo para comprar, e a versão de PS5 chega em um estado bem melhor do que o analisado no lançamento de PC.

No entanto, vale menos para quem procura poder absoluto em cinco minutos de partida. Os inimigos aguentam dano, o começo é lento e a fantasia de limpar a tela inteira demora a acontecer. Quem joga Vampire Survivors justamente pela sensação de invencibilidade rápida provavelmente vai achar o ritmo travado.

Para jogos em dupla no sofá, recomendo com uma ressalva: a diversão está garantida, a leitura visual nem tanto.


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