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ReviewThe Alighieri Circle: Dante’s Bloodline
8/10

The Alighieri Circle transforma a herança de Dante em um pesadelo

Terror da ONE-O-ONE GAMES se destaca pela direção de arte e pela proposta de seus enigmas, embora tenha pouca variedade de interação

Ficha de avaliação

Terror psicológico em primeira pessoa que transforma a herança de Dante em uma obrigação familiar. Sem combate, a aventura combina investigação, enigmas e paisagens infernais, com destaque para a direção de arte e a releitura da Divina Comédia.

Prós e contras · Ficha técnica

Prós

  • Direção de arte expressiva, com esculturas e construções infernais marcantes
  • Releitura interessante da Divina Comédia, centrada na responsabilidade familiar
  • Enigmas integrados à proposta do ritual
  • Textos em português do Brasil

Contras

  • Pouca variedade de interação diante da riqueza dos cenários
  • Elementos visualmente semelhantes prejudicam a leitura de alguns ambientes
  • Ritmo pouco variado, muito dependente do interesse pela investigação

Ficha técnica

  • GAMEThe Alighieri Circle: Dante’s Bloodline
  • PLATAFORMAPlayStation 5
Tópicos

O que mais me chama a atenção em The Alighieri Circle: Dante’s Bloodline é a maneira como ele transforma o Inferno em arquitetura. Estátuas parecem ter crescido junto das rochas, uma cabeça gigantesca emerge da água e escadarias conduzem a estruturas que desafiam a lógica. A ONE-O-ONE GAMES encontrou imagens fortes para uma aventura que depende bastante da vontade de observar. Para mim, essa direção de arte é o maior argumento a favor do jogo.

Dentro dos jogos de terror, este pertence ao grupo das experiências mais contemplativas: a exploração é em primeira pessoa, os enigmas conduzem o avanço e não há combate. Gosto da proposta, sobretudo da relação entre o drama familiar e o espaço sobrenatural. As ressalvas estão no alcance das interações e no ritmo exigido por uma aventura tão concentrada em investigar e interpretar.

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A investigação da casa ajuda a reconstruir a história da família em <em>The Alighieri Circle: Dante’s Bloodline</em>

A família Alighieri tem um problema a cada 33 anos

Gabriele Alighieri carrega uma obrigação herdada. A cada 33 anos, a barreira entre a realidade e o Inferno enfraquece, e alguém da família precisa realizar um ritual para mantê-la fechada. Para cumprir sua parte, ele retorna à casa ancestral e procura páginas mágicas da Divina Comédia. A tarefa envolve proteger os outros, mas também confrontar uma história da qual ele tentou se afastar.

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A cada 33 anos, a barreira entre a realidade e o Inferno enfraquece, e alguém da família precisa realizar um ritual para mantê-la fechada.

O ponto que me interessa é o pouco espaço que essa responsabilidade deixa para uma vida própria. O sobrenome determina uma obrigação antes de Gabriele poder escolher qualquer coisa. Isso dá ao conflito uma dimensão pessoal: a ameaça sobrenatural está ligada à família, à casa e às lembranças do protagonista. Há um bom assunto aí, sem depender apenas da escala de uma catástrofe.

A relação com o poema também funciona melhor por essa liberdade. Dante’s Bloodline usa uma releitura contemporânea da Divina Comédia, com uma história própria, em vez de seguir os acontecimentos da obra. O ponto de partida é compreensível mesmo sem familiaridade com o texto de Dante: um homem precisa lidar com as consequências de pertencer àquela família.

O Inferno é o melhor personagem de The Alighieri Circle

Entre a mansão e as paisagens infernais, é a segunda parte que considero mais interessante visualmente. A casa tem objetos e espaços reconhecíveis, como quadros, estantes e corredores estreitos. No outro extremo estão as construções enormes e os corpos petrificados. Esse contraste permite que o sobrenatural pareça realmente deslocado, mesmo quando usa materiais tão comuns quanto pedra e madeira.

As esculturas são o melhor exemplo. Uma figura humana cercada por fileiras de outras figuras parece estar sendo observada por uma plateia imóvel. As formas se misturam às paredes e ao chão, sem uma separação confortável entre corpo e cenário. Acho essa imagem mais expressiva do que uma sucessão de monstros precisaria ser. Ela sugere aprisionamento sem que alguém tenha de explicar a ideia em voz alta.

Também gosto do uso de cor. O olho alaranjado de uma cabeça de pedra se destaca na água escura; em outros ambientes, a névoa amarela ocupa o horizonte. São pontos de atenção simples, mas bem escolhidos. Existe, porém, um limite nessa estética: quando esculturas, ruínas e montanhas assumem a mesma textura acinzentada, alguns planos ficam visualmente carregados. Eu preferiria um pouco mais de contraste entre os elementos, para preservar a estranheza sem perder tanta definição.

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Ruínas e estruturas suspensas dão ao Inferno uma arquitetura própria em <em>The Alighieri Circle: Dante’s Bloodlin</em>e

Os enigmas combinam com a ideia do ritual

A estrutura de exploração e interpretação faz sentido para essa história. Gabriele precisa compreender um ritual e reunir seus elementos, enquanto o jogador procura pistas e estabelece relações entre os objetos. Prefiro essa escolha a inserir batalhas só para aumentar a quantidade de sistemas. A falta de armas é coerente com a vulnerabilidade do protagonista.

Há mecanismos que traduzem bem essa proposta visualmente. Um dos painéis circulares combina figuras de animais, brasões e um centro vermelho de aparência orgânica. O contraste entre símbolos organizados e formas retorcidas combina com a mistura de tradição familiar e ameaça sobrenatural. É um objeto que pertence àquele universo, e essa integração importa: o enigma tem mais personalidade quando sua aparência ajuda a contar a história.

O interesse desse formato está em entender o que uma pista pede, não em executar uma sequência com rapidez. É também o seu principal filtro de público. Quem gosta de parar diante de um problema encontra uma proposta mais atraente do que quem procura apenas acompanhar os acontecimentos. Para esse segundo grupo, qualquer dificuldade de interpretação pode transformar a investigação em um obstáculo entre uma cena e outra.

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A travessia dos cenários sobrenaturais integra o ritual de <em>The Alighieri Circle: Dante’s Bloodline</em>

A interação poderia acompanhar a ambição dos cenários

Minha principal ressalva está na distância entre a riqueza visual desse universo e a variedade de maneiras de participar dele. A aventura concentra suas possibilidades em caminhar, investigar e resolver enigmas. O formato é coerente, mas restrito. Eu gostaria de mais oportunidades de interferir naquele espaço, sem que isso exigisse transformar Gabriele em um herói de ação.

Uma casa cheia de lembranças e objetos desperta uma curiosidade diferente daquela provocada por uma paisagem grandiosa. Ela convida a conhecer quem passou por ali. As páginas de diário e os colecionáveis cumprem parte dessa função, mas a proposta me deixa com vontade de uma relação mais próxima com o ambiente. O mesmo vale para o Inferno: contemplar aquelas construções é um atrativo forte, embora eu quisesse que a participação fosse tão variada quanto suas formas.

O ritmo exige uma disposição específica. Há sustos pontuais, mas a aventura se apoia principalmente na investigação e na atmosfera. Para mim, ela funciona melhor como um mistério sobrenatural que aceita o desconforto e a pausa. A expectativa de tensão constante ou de desafios cada vez mais agitados combina pouco com essa escolha. É uma limitação de alcance, mesmo para quem, como eu, vê valor nesse tipo de jogo.

Textos em português e demonstração no PS5

Na versão de PlayStation 5, há textos em português do Brasil, com áudio listado em inglês. Para uma aventura que depende da leitura e da interpretação de pistas, essa informação pesa mais do que pesaria em um jogo voltado à ação. É um recurso especialmente importante quando compreender o texto faz parte do desafio, e não apenas do acompanhamento da história.

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Na versão de PlayStation 5, há textos em português do Brasil, com áudio listado em inglês.

O preço é de R$ 114,90 na PlayStation Store brasileira, em consulta realizada em 14 de setembro de 2026. A loja também oferece uma demonstração gratuita. Neste caso, experimentar antes da compra é especialmente útil para entender se a cadência de exploração combina com o que você procura.

Vale a pena jogar The Alighieri Circle?

O peso maior está na direção de arte, no uso da herança familiar como conflito e na coerência entre o ritual e os enigmas. Gosto de uma aventura que sabe onde concentrar seus esforços, e o jogo da ONE-O-ONE GAMES tem uma proposta reconhecível. Também gostaria de mais variedade nas interações e de uma leitura visual menos carregada em alguns ambientes.

Minha recomendação vai para quem aprecia aventuras narrativas, aceita parar para interpretar pistas e encontra prazer em observar um cenário. É um bom encaixe para esse público, com ressalvas claras para quem precisa de ação ou de sistemas mais variados. A demonstração do PS5 é a melhor maneira de conhecer esse ritmo sem assumir o custo do jogo completo.

AssuntosPlayStation

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