NBA The Run acerta na quadra, mas tropeça fora dela

NBA The Run acerta na quadra, mas tropeça fora dela

Arcade de basquete diverte com partidas rápidas, bons personagens e clima de streetball, mas pacote simples, online obrigatório e falta de PT-BR pesam no resultado

Por Murilo Fraga junho 10, 2026 Jogado em PlayStation 5 (com chave cedida para review)

NBA The Run diverte com partidas rápidas, personagens carismáticos e uma boa sensação de basquete de rua. Os atletas têm movimentos que lembram suas versões reais, e modos como Knockout, Dunkfest e Zonebreaker ajudam a variar o ritmo.

Prós

  • Personagens carismáticos e bem diferenciados
  • Movimentos que lembram a vida real
  • Partidas rápidas e divertidas
  • Regras alternativas deixam os confrontos mais dinâmicos

Contras

  • Simples demais para um jogo pago
  • Apenas online
  • Algumas partidas sofrem com lag e instabilidade
  • Não tem português do Brasil

O que você vai encontrar

Ver resumo
  • Ele depende de ritmo, improviso, público perto da quadra, jogadas plásticas, provocações e reações rápidas.
  • O jogo também acerta ao não repetir sempre a mesma partida até 21 pontos.
  • A escolha do trio pode mudar bastante a partida, principalmente por causa das regras variáveis e das habilidades de cada atleta.
  • Hoje, porém, fica a sensação de que o jogo acerta dentro de quadra, mas ainda precisa de mais corpo fora dela.

NBA The Run começa como todo bom jogo arcade deveria começar: rápido, direto e sem pedir licença. Em poucos minutos, o jogador já está em uma quadra de rua, controlando estrelas da NBA em partidas 3v3, com enterradas exageradas, arremessos de longe, provocações, regras alternativas e uma apresentação que tenta resgatar uma energia que anda sumida dos jogos de basquete.

A comparação com NBA Street é inevitável, mas também pode ser injusta. NBA The Run não tenta ser uma continuação espiritual completa daquela fórmula. Ele parece mais um descendente moderno, feito para uma era de partidas online curtas, torneios rápidos e progressão cosmética. Quando tudo funciona, é divertido. Quando a estrutura começa a aparecer demais, fica claro que ainda falta corpo para justificar melhor o preço de R$ 169,90.

Um basquete de rua que vai direto ao ponto

O grande acerto está na quadra. Os personagens são legais, têm presença e se movimentam muito bem. Os atletas não parecem bonecos genéricos com camisetas diferentes. Eles correm, arremessam, enterram e mudam de direção com movimentos que lembram a vida real, especialmente nos estilos de arremesso, nas arrancadas, nas fintas e na forma de atacar a cesta.

Só que essa boa primeira impressão não sustenta tudo sozinha. NBA The Run tem uma base promissora, mas é simples demais para um jogo pago, depende totalmente do online, não tem português do Brasil e ainda sofre, em algumas partidas, com lag e instabilidade. Para um jogo em que defesa, tempo de reação e movimentação são tão importantes, qualquer atraso na conexão tira parte do brilho.

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NBA The Run não quer competir com NBA 2K no realismo. A proposta da Play by Play Studios é outra: criar um arcade de basquete 3v3, com partidas curtas, regras variáveis e uma sensação de “só mais uma” que combina muito com a ideia de streetball.

Essa escolha funciona porque o jogo entende que basquete de rua não é apenas uma versão menor do basquete de arena. Ele depende de ritmo, improviso, público perto da quadra, jogadas plásticas, provocações e reações rápidas. Em seus melhores momentos, NBA The Run captura bem essa sensação.

As partidas costumam durar poucos minutos, e a estrutura de torneios Knockout ajuda bastante nesse ritmo. Cada campanha tem rodadas rápidas, com avanço imediato em caso de vitória e eliminação em caso de derrota. Não há tempo para ficar preso em uma partida longa demais. Você entra, joga, ganha ou perde, recebe suas recompensas e volta para a fila.

Isso torna NBA The Run fácil de encaixar em sessões curtas. Dá para jogar algumas partidas sem transformar a experiência em um compromisso de horas, algo bem diferente da rotina mais pesada de modos como MyCareer ou Ultimate Team em outros jogos esportivos.

Regras diferentes mudam o jeito de jogar

O jogo também acerta ao não repetir sempre a mesma partida até 21 pontos. Antes dos confrontos, as regras podem mudar e isso altera a forma de montar o trio e atacar a defesa adversária.

Em modos como Dunkfest, enterradas ganham mais valor e empurram o jogador para o garrafão. Em Zonebreaker, o uso do medidor In The Zone ganha mais importância. Há também regras que mudam a pontuação de arremessos, reduzem a meta de pontos ou favorecem estilos específicos de jogada.

Na prática, isso impede que uma única estratégia resolva tudo. Um time com Stephen Curry, Damian Lillard e Devin Booker pode parecer perfeito em uma partida que valoriza bolas de três, mas sofrer mais quando o jogo passa a recompensar força física, enterradas e presença perto do aro. Da mesma forma, uma formação muito pesada pode dominar uma regra e ficar exposta em outra.

Essa rotação dá mais vida ao pacote. NBA The Run é simples, mas entende que a variação de regras é uma boa forma de forçar adaptação sem deixar o jogo complicado demais.

Jogadores têm movimentos que lembram a vida real

O cuidado com os atletas é um dos pontos mais fortes de NBA The Run. O elenco tem mais de 30 jogadores licenciados da NBA, além de lendas fictícias do streetball, e boa parte deles passa uma sensação própria em quadra.

Victor Wembanyama intimida perto da cesta, com alcance enorme para bloquear e finalizar. Stephen Curry e Damian Lillard são ameaças constantes de longa distância. Ja Morant se destaca nas infiltrações e enterradas. Nikola Jokic muda o ritmo com força, controle e leitura de jogo. Devin Booker, Anthony Edwards, Kevin Durant, LeBron James e outros nomes também ajudam a variar bastante a montagem do trio.

O mais interessante é que essa diferença não aparece só nos números. Muitos movimentos lembram o comportamento real dos jogadores, principalmente nos arremessos, no jeito de se posicionar, nas arrancadas e nas finalizações. Alguns atletas soltam a bola de forma mais rápida, outros parecem mais físicos no contato, enquanto jogadores mais altos ocupam a quadra de um jeito que muda a leitura defensiva.

Para um arcade, esse detalhe faz muita diferença. NBA The Run não abandona o exagero. As enterradas são plásticas, os bloqueios têm impacto e algumas jogadas parecem feitas para virar replay. Ainda assim, quando um jogador arremessa ou se movimenta de um jeito que lembra sua versão real, a fantasia fica mais convincente.

Escolher o trio importa mais do que parece

NBA The Run é acessível, mas não totalmente raso. A escolha do trio pode mudar bastante a partida, principalmente por causa das regras variáveis e das habilidades de cada atleta.

O jogo trabalha com atributos como arremesso de dois, bola de três, enterrada, drible, passe, roubo, bloqueio, rebote, velocidade, força, stamina e aura. Isso ajuda a entender melhor o papel de cada jogador. Também existem habilidades especiais que reforçam características específicas, criando atletas mais indicados para defesa, finalização, criação ou arremesso.

As lendas do streetball ampliam essa lógica. Personagens como Shen Tong, Spin Cycle, El Gigante, DJ e Bobbito entram como opções mais estilizadas, com identidade própria e funções específicas. Eles ajudam a aproximar NBA The Run de uma cultura de rua que vai além dos nomes atuais da NBA.

O resultado é um sistema em que montar o trio tem algum peso. Não basta escolher os três nomes mais famosos. Em partidas melhores, você percebe que precisa equilibrar arremesso, força, velocidade, defesa e criação. Quando o trio encaixa com a regra da rodada, o jogo fica bem mais divertido.

Knockout é o coração do jogo

Os modos principais giram em torno da estrutura Knockout. Em Knockout Squads, cada jogador controla um atleta dentro de um trio online. É o modo que mais se aproxima da sensação de jogar uma pelada com desconhecidos ou amigos, já que tudo depende de movimentação coletiva, passe, marcação e leitura dos companheiros.

Em Knockout Solos, o jogador monta e controla o próprio trio, enfrentando outro jogador na mesma lógica. Esse formato funciona melhor para quem prefere depender menos de aleatórios e pensar na equipe como um conjunto. Já Knockout Friends permite torneios privados, uma ideia boa para quem quer organizar partidas entre amigos.

A estrutura combina com a proposta de partidas rápidas. Venceu, segue. Perdeu, volta. É simples e eficiente.

O problema é que NBA The Run coloca quase tudo em cima desse pilar. Depois de algumas horas, o ciclo fica muito claro: entrar no online, jogar torneios, ganhar CRED, subir de Rank e liberar cosméticos. A base é boa, mas o pacote parece pequeno. Falta uma campanha arcade, um modo offline robusto ou algo que dê mais variedade para quem não quer depender sempre da fila online.

Gameplay é divertido, mas ainda pode amadurecer

NBA The Run é fácil de começar. A movimentação é direta, os comandos são simples de entender e o jogo não tenta assustar o jogador com excesso de sistemas. Isso combina com a proposta arcade e ajuda bastante na primeira impressão.

Mesmo assim, há camadas interessantes. Defesa, bloqueios, roubos, empurrões, contestação de arremesso e controle de stamina importam. O jogo não é apenas sobre correr para a cesta e tentar enterrar. Em partidas boas, vencer depende de saber quando pressionar, quando esperar, quando trocar marcação e quando guardar energia.

O sistema In The Zone reforça essa ideia. Ao jogar bem, cada atleta acumula uma barra especial que pode ser ativada no momento certo para ampliar suas principais habilidades. Um defensor forte vira uma muralha. Um arremessador ganha ainda mais perigo. Um finalizador passa a atacar o aro com mais agressividade.

A mecânica funciona porque cria momentos de virada sem parecer completamente injusta. Ela recompensa bom desempenho e dá mais tensão às posses decisivas. O problema é que, em alguns lances, o jogo fica visualmente confuso. A velocidade, os efeitos e a movimentação de câmera podem atrapalhar a leitura exata do que aconteceu em roubos, bloqueios ou disputas de bola.

Quadras têm personalidade

Visualmente, NBA The Run tem uma identidade forte. As quadras são coloridas, cheias de público, placas, grafites, sombras, arquibancadas improvisadas e detalhes urbanos que ajudam a vender a ideia de basquete de rua.

Venice Beach, Rucker Park, The Tenement, Dongdan e outros cenários dão ao jogo uma sensação de turnê global. O mais importante é que essas quadras não parecem apenas arenas menores. Elas têm clima próprio, plateia próxima e uma apresentação que tenta transformar cada partida em um evento de bairro.

A presença de Bobbito Garcia como voz do jogo reforça essa identidade. A narração não tenta imitar uma transmissão tradicional da NBA. Ela tem energia de quadra, de comentário mais solto, de alguém reagindo ao espetáculo de perto. Isso combina muito mais com a proposta do jogo.

A trilha sonora, por outro lado, poderia ter mais impacto. Considerando a relação histórica entre basquete de rua e hip hop, faltou uma seleção musical mais marcante. A apresentação visual entende bem o clima de streetball, mas a música nem sempre acompanha com a mesma força.

Progressão é justa, mas não segura o jogo por muito tempo

Um ponto positivo é que NBA The Run não aposta em microtransações agressivas, pacotes aleatórios ou pay-to-win. A moeda CRED é obtida jogando e serve para liberar cosméticos, uniformes, enterradas, provocações, badges, banners e outros itens.

Isso é importante. Em um mercado esportivo acostumado a empurrar moedas virtuais, pacotes e sistemas de monetização pesados, NBA The Run parece mais limpo. O jogador desbloqueia coisas ao jogar, e a progressão funciona mais como personalização do que como vantagem obrigatória.

Ainda assim, essa progressão não resolve a falta de conteúdo. Comprar um novo uniforme, uma nova enterrada ou um banner é legal, mas não muda tanto a experiência depois de várias sessões. O ciclo é honesto, mas limitado.

Com o tempo, a sensação de novidade diminui. As partidas continuam boas em pequenas doses, mas os torneios começam a se misturar. O jogo tem uma fundação divertida, só que precisa de mais modos, eventos, objetivos, quadras e formas de jogar para sustentar interesse por mais tempo.

Online obrigatório pesa bastante

O maior problema de NBA The Run está fora da bola. A experiência depende totalmente do online, e isso torna qualquer instabilidade muito mais grave.

Quando a conexão está boa, o jogo flui. As partidas são rápidas, responsivas e empolgantes. Quando aparecem lag, delay ou travadinhas, tudo fica pior. A marcação chega atrasada, o arremesso perde timing, a defesa parece menos precisa e a partida deixa de depender só da habilidade do jogador.

Em um game baseado em reação rápida, movimentação e leitura de jogada, esse tipo de problema incomoda bastante. Algumas partidas ruins de conexão quebram o ritmo e deixam claro que NBA The Run vive ou morre pela qualidade dos servidores e pela base de jogadores.

Também faz falta um sistema melhor de comunicação. Em Knockout Squads com aleatórios, a experiência varia demais. Quando o trio passa a bola e se movimenta junto, o jogo brilha. Quando alguém segura demais a posse, força arremessos ou ignora a defesa, a partida vira bagunça.

Pings, comandos rápidos ou uma roda simples de comunicação ajudariam muito. Basquete 3v3 depende de coordenação, e NBA The Run ainda não oferece ferramentas boas o bastante para isso.

Falta PT-BR, ranked e modos offline

A ausência de português do Brasil pesa. NBA The Run tem regras alternativas, menus de progressão, loja, atributos, habilidades e modos online. Não ter localização em PT-BR dificulta o acesso de parte do público brasileiro, principalmente em um jogo pago.

Também falta um modo ranqueado mais forte. Existe progressão de conta, mas ela mede mais tempo de jogo do que habilidade real. Para quem quer jogar casualmente, tudo bem. Para quem pretende se dedicar, falta uma escada competitiva mais clara, com divisões, temporadas e recompensas que deem peso às vitórias.

A ausência de offline robusto e couch co-op também incomoda. NBA The Run tem cara de jogo que funcionaria muito bem no sofá, com amigos se provocando, comemorando bloqueios e pedindo revanche imediata. Só que a estrutura atual prende quase tudo ao online.

Vale a pena jogar NBA The Run?

NBA The Run vale a pena para quem sente falta de um basquete arcade rápido, estiloso e fácil de começar. O jogo diverte, tem partidas curtas, bons personagens e uma movimentação que lembra bastante os atletas reais, especialmente nos arremessos, arrancadas e finalizações. Em seus melhores momentos, ele entrega exatamente aquela sensação de streetball leve, competitivo e cheio de jogadas bonitas.

O problema é que o pacote ainda parece limitado para um jogo pago. Por R$ 169,90, a experiência depende totalmente do online, não há português do Brasil, algumas partidas sofrem com lag e faltam modos mais robustos para sustentar o interesse por muitas horas. Também faz falta uma opção offline mais forte ou um modo local para jogar com amigos no sofá, algo que combinaria muito com a proposta arcade.

No fim, NBA The Run é uma boa base, mas não uma enterrada perfeita. É divertido em sessões curtas e tem potencial para crescer com novos conteúdos, jogadores, quadras e modos. Hoje, porém, fica a sensação de que o jogo acerta dentro de quadra, mas ainda precisa de mais corpo fora dela.

Veredito

Nota 70

NBA The Run acerta no mais importante: jogar é divertido. Os personagens são legais, os movimentos lembram a vida real, as partidas são rápidas e o clima de streetball aparece com força nas quadras, nas regras alternativas e na apresentação.

O problema é o tamanho do pacote. Por ser pago, online obrigatório, sem PT-BR, sem modo offline robusto e com algumas partidas prejudicadas por lag, NBA The Run fica abaixo do potencial que demonstra nos primeiros minutos.

A diversão existe, mas a simplicidade pesa. NBA The Run não é o sucessor definitivo de NBA Street. Ele parece mais um descendente moderno, com outra prioridade: em vez de uma campanha arcade robusta, aposta em partidas online rápidas e repetíveis. Isso funciona por algumas horas e rende bons momentos, mas também faz o brilho inicial se desgastar mais rápido do que deveria.

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