Lanternas se passa em 2016 e 2026: por que a série usa duas linhas do tempo?

A série da DC transforma um intervalo de dez anos em parte do mistério e usa passado e presente para explicar Hal Jordan, John Stewart e a posição dos Lanternas no novo DCU

Lanternas

Lanternas não escolheu 2016 e 2026 apenas para mostrar versões diferentes de Hal Jordan e John Stewart. O intervalo de dez anos é parte do próprio mistério da série. A primeira temporada acompanha acontecimentos iniciados no passado e, depois, mostra suas consequências no presente do novo Universo DC.

Na prática, são duas investigações conectadas. Em 2016, Hal Jordan, interpretado por Kyle Chandler, ainda está treinando John Stewart, vivido por Aaron Pierre, quando os dois chegam a Rushville, no Nebraska. Já em 2026, a história retorna à mesma cidade e revela que muita coisa mudou durante os dez anos que o público ainda não viu.

O showrunner Chris Mundy explicou à Entertainment Weekly que essa estrutura foi pensada justamente para criar dois mistérios e fazer o espectador se perguntar não apenas quem fez alguma coisa, mas o que aconteceu entre os personagens e por quê.

Quem ainda está começando a série pode conferir também o guia completo de Lanternas no Overdrive, com história, elenco e as principais conexões da produção com o DCU.

John Stewart usando o anel do Lanterna Verde ao lado de Hal Jordan em Lanternas
John Stewart e Hal Jordan estão no centro das duas linhas do tempo de Lanternas. Imagem: Divulgação/HBO Max/DC Studios.

Por que Lanternas se passa em 2016 e 2026?

A resposta está na principal inspiração da série. Desde que o projeto foi anunciado, Lanternas vem sendo descrita como uma história de investigação com elementos de True Detective, e essa influência vai além do visual mais realista ou da presença de dois policiais trabalhando juntos.

Mundy explicou que a equipe queria utilizar as duas épocas para criar o que chamou de “mistérios emocionais”. A comparação feita pelo showrunner é principalmente com a primeira temporada de True Detective, na qual acompanhar personagens em momentos diferentes de suas vidas permite que o público perceba mudanças antes mesmo de descobrir exatamente o que as provocou.

É justamente o que acontece com Hal e John.

Em 2016, John ainda é um novo recruta. Hal é o veterano responsável por treiná-lo e não demonstra muita satisfação com a ideia de preparar alguém que, na prática, pode acabar ocupando seu lugar. A tensão entre os dois não é apenas uma disputa de personalidade: ela faz parte do arco central da série.

Hal também carrega a influência de seu próprio antigo mentor, Sinestro. Assim, Lanternas estabelece uma espécie de corrente: Sinestro treinou Hal, Hal precisa treinar John e, durante esse processo, John começa a perceber quais características de seu mentor vale a pena absorver e quais precisam terminar com ele.

O caso de Rushville funciona como o ponto em que essas relações se encontram. Um incidente ocorrido na pequena cidade faz Hal suspeitar de envolvimento extraterrestre, colocando os Lanternas no mesmo território da xerife Kerry, interpretada por Kelly Macdonald.

Kerry, John Stewart e Hal Jordan nas arquibancadas em Lanternas
Kerry, John Stewart e Hal Jordan investigam os acontecimentos de Rushville. Imagem: Divulgação/HBO.

A partir daí, a temporada passa a brincar com duas perguntas. A primeira é relativamente direta: o que realmente aconteceu em Rushville em 2016? A segunda é mais ampla: como aquele caso levou os personagens ao ponto em que estão dez anos depois?

PeríodoO que acompanhaFunção na história
2016Hal treinando John e o início da investigação em RushvilleMostra a origem do mistério e da relação entre os dois
2026John retorna à cidade depois de dez anosMostra as consequências e abre uma segunda investigação

Há ainda uma vantagem importante para o próprio DCU. Tom King contou à GQ que uma das questões que a equipe precisava resolver era a situação apresentada em Superman: Guy Gardner já existe como Lanterna Verde no universo compartilhado. Portanto, onde estavam Hal Jordan e John Stewart?

Colocar parte da história dez anos antes permite mostrar uma etapa anterior da mitologia dos Lanternas, enquanto a linha de 2026 encontra o restante do DCU em uma situação muito diferente.

Isso não significa que seja obrigatório assistir a Superman antes de Lanternas. A história de Hal e John foi construída para funcionar por conta própria. A presença de Guy Gardner e as conexões com o universo maior adicionam contexto, mas o mistério de Rushville continua sendo o centro da temporada.

O que realmente muda entre 2016 e 2026 em Lanternas?

O primeiro episódio deixa claro por que a HBO precisava dessas duas linhas do tempo. Depois de acompanhar Hal e John em 2016, a história avança dez anos e encontra um John Stewart muito mais experiente retornando a Rushville.

É então que a série revela sua maior surpresa: Hal Jordan está morto.

John é levado pela xerife Kerry até as arquibancadas do campo de futebol da cidade, onde encontra o corpo do antigo mentor. Mais importante do que a própria morte, porém, é outro detalhe: o anel de Hal desapareceu.

O Overdrive já explicou separadamente a morte de Hal Jordan e o mistério envolvendo o anel. Para a estrutura da série, a revelação transforma imediatamente 2026 em uma segunda investigação.

A pergunta deixa de ser apenas o que aconteceu em Rushville no passado. John agora precisa descobrir quem matou Hal, por que ele voltou ao mesmo lugar relacionado ao caso de dez anos antes e o que aconteceu com um dos objetos mais poderosos do Universo DC.

John Stewart carregando a bateria do Lanterna Verde em Lanternas
John Stewart assume uma posição muito diferente quando a história chega a 2026. Imagem: Divulgação/HBO.

Essa revelação também explica por que a série não simplesmente conta todos os acontecimentos em ordem cronológica. Se o público acompanhasse cada ano da vida de Hal e John, saberia exatamente como os dois chegaram até 2026.

Ao esconder uma década, Lanternas transforma o próprio tempo em uma pista.

Uma discussão entre Hal e John em 2016 pode ganhar outro significado quando vemos John sozinho em 2026. Uma informação descoberta no presente pode fazer uma cena do passado parecer diferente. E cada novo fragmento mostrado entre essas duas épocas ajuda a diminuir o espaço que separa os personagens.

Há ainda uma pequena diferença entre dizer que Lanternas possui “duas linhas do tempo” e afirmar que ela mostra apenas duas datas. O episódio de estreia também visita brevemente outros momentos da história dos personagens. 2016 e 2026, porém, são os dois períodos principais que sustentam as investigações da temporada.

Por isso, o salto temporal não é um detalhe colocado apenas para deixar a narrativa diferente. Ele é uma das ferramentas mais importantes da série.

2016 apresenta Hal Jordan e John Stewart antes de tudo mudar. 2026 mostra o resultado dessa mudança sem explicar imediatamente como ela aconteceu. Os oito episódios precisam preencher exatamente esse espaço.

Quem está acompanhando semanalmente pode conferir também o calendário completo de episódios de Lanternas. A primeira temporada possui oito capítulos e continua com novos episódios aos domingos na HBO e na HBO Max.

Mais informações oficiais sobre os personagens e a premissa também estão disponíveis na página de Lanterns da DC.


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