Supergirl fracassou nos cinemas porque juntou uma combinação difícil de superar: orçamento muito alto, estreia abaixo das expectativas, recepção apenas morna e pouca força para alcançar o público além dos fãs de super-heróis.
O filme estrelado por Milly Alcock encerrou sua passagem pelas salas com aproximadamente US$ 125,8 milhões arrecadados mundialmente. Para colocar o resultado em perspectiva, a produção custou cerca de US$ 170 milhões antes mesmo dos gastos com divulgação.
Isso fez de Supergirl o filme da DC com a menor bilheteria mundial desde Mulher-Gato, lançado em 2004. O longa também terminou abaixo de produções que ficaram marcadas justamente por seus resultados ruins, como Morbius e Coringa: Delírio a Dois.
O problema, porém, não pode ser explicado apenas por uma suposta “fadiga de super-heróis”. O próprio Superman do novo DCU havia terminado 2025 com US$ 618 milhões. No caso de Kara Zor-El, diversos fatores trabalharam contra o filme ao mesmo tempo.
Supergirl custou caro demais para o público que conseguiu alcançar
O primeiro sinal apareceu já na estreia. Supergirl chegou aos cinemas norte-americanos com aproximadamente US$ 38 milhões no primeiro fim de semana, enquanto as projeções anteriores apontavam para algo entre US$ 50 milhões e US$ 55 milhões.
No mercado mundial, a abertura ficou em cerca de US$ 68 milhões.
Não seria necessariamente impossível se recuperar de uma estreia assim. O grande obstáculo estava no tamanho do investimento. A Warner Bros. e a DC gastaram aproximadamente US$ 170 milhões na produção e outros US$ 120 milhões na campanha de marketing.
Estimativas da indústria colocavam o ponto necessário para o filme começar a se pagar entre US$ 300 milhões e US$ 375 milhões mundialmente. O resultado final ficou muito distante disso.

Existe ainda uma diferença importante em relação a Superman. Clark Kent é um dos personagens mais conhecidos da cultura pop mundial. Kara também possui décadas de história e ganhou bastante popularidade na televisão, mas ainda não possui o mesmo poder para transformar um filme de US$ 170 milhões automaticamente em um evento.
Os primeiros dados de público mostraram justamente essa dificuldade. Cerca de 59% dos espectadores da estreia nos Estados Unidos eram homens, um sinal de que a produção continuou bastante concentrada no público tradicional de filmes de super-heróis em vez de conquistar uma audiência muito maior.
Para uma produção desse tamanho, não bastava convencer quem já acompanhava o DCU. Supergirl precisava despertar curiosidade em quem talvez nem soubesse que o filme adaptava a elogiada HQ Supergirl: Woman of Tomorrow.
A data também não ajudou.
O longa estreou em pleno verão norte-americano e encontrou Toy Story 5 ainda muito forte. No mesmo fim de semana em que Kara arrecadou US$ 38 milhões nos Estados Unidos e Canadá, a animação da Pixar permaneceu no primeiro lugar com US$ 70 milhões.
Logo depois ainda chegariam produções como Minions & Monsters, Moana, The Odyssey e Spider-Man: Brand New Day. Era um calendário no qual um filme precisava virar evento rapidamente para preservar espaço nas salas.
A recepção morna acabou com a chance de recuperação
Ainda havia um caminho para Supergirl: crescer através da recomendação do público. Foi justamente aí que a situação ficou pior.
A recepção não chegou ao nível de rejeição absoluta de alguns fracassos recentes do gênero, mas também esteve longe do entusiasmo necessário para transformar uma abertura fraca em uma longa permanência nos cinemas.
O filme ficou com 50 pontos no Metacritic, enquanto as pesquisas realizadas com espectadores na estreia renderam uma nota B- no CinemaScore. Para uma grande produção de super-heróis, é uma reação pouco animadora.
A própria abordagem de Kara dividiu opiniões. O filme apresenta uma Supergirl traumatizada, impulsiva e muito mais agressiva que Superman. Essa diferença faz parte da proposta da personagem e da aventura intergaláctica desenvolvida pela DC, mas a execução não conseguiu transformar essa personalidade em um ponto de atração amplo para o público.
Milly Alcock, por outro lado, foi justamente um dos elementos mais elogiados mesmo entre críticas menos positivas. O problema comercial de Supergirl foi maior do que sua protagonista.

O tamanho do estrago ficou evidente apenas uma semana depois. Em seu segundo fim de semana nos Estados Unidos, Supergirl arrecadou somente US$ 9,6 milhões e sofreu uma queda de aproximadamente 74%.
Era justamente o movimento que o filme não poderia ter.
Uma produção que abre abaixo das expectativas ainda pode sobreviver se mantiver boas quedas nas semanas seguintes. Supergirl fez o contrário: começou pequena para seu orçamento e perdeu grande parte do público imediatamente.
Por isso, colocar toda a culpa em uma simples “fadiga de super-heróis” também não explica o resultado. O gênero continua produzindo sucessos quando existe interesse suficiente pelo personagem ou quando um lançamento consegue se transformar em evento.
O fracasso de Supergirl mostra principalmente o risco de colocar um orçamento de blockbuster gigantesco em um personagem que ainda precisava conquistar o público casual. Com US$ 170 milhões apenas na produção, o filme precisava se comportar nas bilheterias quase como Batman ou Superman sem possuir o mesmo reconhecimento imediato.
Quando a estreia veio abaixo do esperado e a recepção não gerou um boca a boca forte, praticamente não havia mais espaço para recuperação.
O resultado não significa o fim do novo Universo DC. A franquia continua avançando com produções como Lanternas, enquanto outros projetos passam por mudanças dentro do planejamento do estúdio. O próprio Peter Safran reconheceu que Supergirl ficou abaixo das expectativas de bilheteria, mas reforçou que o longa representa apenas uma parte de um projeto maior.
Para a DC, porém, a lição deixada por Kara parece bastante clara: personagens menos conhecidos podem ganhar grandes produções, mas o tamanho do investimento precisa acompanhar o tamanho real do público que aquele filme consegue alcançar.
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