Bridget “Maggie” Sullivan existiu de verdade e estava dentro da casa da família Borden na manhã em que Andrew e Abby Borden foram assassinados, em 4 de agosto de 1892. A empregada irlandesa se tornou uma das testemunhas mais importantes do julgamento de Lizzie Borden — e depois passou décadas longe de Fall River, praticamente fora dos olhos do público.
A nova temporada de Monstro: A História de Lizzie Borden, da Netflix, coloca Bridget no centro da história. Interpretada por Vicky Krieps, Maggie desenvolve uma relação íntima com Lizzie e ganha um papel decisivo na versão apresentada pela série.
A história real é mais complicada. Não existe comprovação de que Bridget tenha participado dos assassinatos ou mantido um relacionamento amoroso com Lizzie. O que existe é um extenso depoimento judicial, registros de suas viagens e documentos que permitem acompanhar boa parte de sua vida depois do caso.
Para entender o restante do crime, o Overdrive também explicou quem foi Lizzie Borden e o que realmente aconteceu no caso.

Atenção: a matéria contém alguns detalhes sobre a maneira como Bridget é retratada em Monstro: A História de Lizzie Borden.
Quem foi Bridget Sullivan, a verdadeira Maggie?
Bridget Sullivan era uma imigrante irlandesa que trabalhava como empregada residente na casa de Andrew e Abby Borden, em Fall River, Massachusetts.
Grande parte do que sabemos diretamente sobre sua vida naquele período vem do próprio depoimento prestado por Bridget no julgamento de Lizzie, em junho de 1893.
Ela declarou ao tribunal que tinha 26 anos, havia nascido na Irlanda e estava nos Estados Unidos havia cerca de sete anos. Antes de chegar a Fall River, passou por Newport, em Rhode Island, e por South Bethlehem, na Pensilvânia.
Quando Andrew Borden morreu, Bridget trabalhava para a família havia aproximadamente dois anos e nove meses.
Suas tarefas incluíam cozinhar, lavar e passar roupas e fazer parte da limpeza da residência. Ela dormia em um quarto no terceiro andar da casa.

Por que Bridget Sullivan era chamada de Maggie?
Esse é um dos detalhes em que a documentação histórica e Monstro não coincidem.
No depoimento original do julgamento, Bridget explicou que Lizzie e Emma Borden às vezes a chamavam de Maggie. Quando perguntada sobre Andrew e Abby, respondeu que os dois usavam seu verdadeiro nome.
Já a apresentação oficial da personagem na Netflix dá outra explicação: na versão da série, Andrew e Abby chamam Bridget de Maggie porque esse seria o nome de uma antiga empregada.
Portanto, até o apelido foi adaptado pelo roteiro. Para a história real, o registro judicial de 1893 é a fonte mais direta sobre o assunto.
Onde Maggie estava quando Andrew e Abby Borden foram mortos?
Bridget estava trabalhando normalmente na residência durante aquela manhã.
Segundo seu depoimento, ela acordou pouco depois das 6h e começou os serviços domésticos. Abby posteriormente pediu que a empregada lavasse as janelas da casa por dentro e por fora.
Bridget passou parte da manhã realizando esse trabalho. Andrew saiu de casa e retornou mais tarde. Em determinado momento, Bridget voltou para dentro e terminou alguns dos serviços.
Ela afirmou que não estava se sentindo bem e subiu para seu quarto no terceiro andar para descansar.
Foi ali que ouviu Lizzie chamá-la pouco depois das 11h.
Ao descer, Bridget soube que Andrew estava morto no sofá da sala. Lizzie então pediu que ela procurasse o médico e chamasse Alice Russell, amiga da família.
Mais tarde, Bridget e a vizinha Adelaide Churchill subiram as escadas procurando Abby. Foi quando localizaram o segundo corpo no quarto de hóspedes.
Essa sequência fez de Bridget uma testemunha fundamental: ela podia reconstruir parte significativa das movimentações dentro e ao redor da casa naquela manhã.
Bridget Sullivan ajudou Lizzie Borden nos assassinatos?
Não existe prova histórica de que isso tenha acontecido.
Bridget nunca foi condenada pelos assassinatos de Andrew e Abby. Seu nome apareceu em inúmeras teorias desenvolvidas posteriormente, principalmente porque ela estava na propriedade e conhecia a rotina da residência.
Mas estar na casa não demonstra participação no crime.
O caso terminou sem que qualquer pessoa fosse definitivamente responsabilizada pelas duas mortes. Lizzie foi acusada e levada a julgamento, mas acabou absolvida em 1893.
Essa é uma diferença importante em relação à Netflix. Como explicamos no final de Monstro: Lizzie Borden, a produção escolhe uma resposta própria para o mistério e dá a Maggie uma participação muito maior nos acontecimentos.
O que aconteceu com Bridget Sullivan depois do julgamento?
A história de Bridget não terminou quando Lizzie deixou o tribunal.
Pesquisas posteriores baseadas em jornais, listas de passageiros, documentos de casamento e registros locais ajudam a reconstruir seus passos durante as décadas seguintes.
| Ano | O que aconteceu com Bridget Sullivan |
|---|---|
| 1892 | Andrew e Abby Borden são assassinados em Fall River |
| 1893 | Bridget testemunha no julgamento de Lizzie Borden |
| 1895 | Viaja dos Estados Unidos para a Irlanda |
| 1896 | Retorna aos Estados Unidos |
| Até 1900 | Já estava estabelecida em Montana |
| 1905 | Casa-se com John M. Sullivan em Anaconda |
| 1939 | John Sullivan morre |
| 1942 | Bridget passa a viver em Butte com familiares |
| 1948 | Morre em Butte, Montana |
Bridget voltou para a Irlanda?
Sim — mas não imediatamente depois do julgamento, como algumas versões da história sugerem.
Uma pesquisa publicada pelo The Hatchet: Journal of Lizzie Borden Studies encontrou uma notícia de maio de 1895 registrando que Bridget Sullivan, identificada como testemunha do julgamento de Lizzie Borden, havia embarcado para a Irlanda no navio Lucania.
Registros de passageiros indicam que ela viajou na classe mais barata do navio.
A mesma pesquisa identificou uma Bridget Sullivan compatível retornando aos Estados Unidos em fevereiro de 1896 a bordo do Britannic. Ela teria permanecido na Irlanda por aproximadamente nove meses.
Até o censo norte-americano de 1900, Bridget já estava vivendo em Montana.
Por que Bridget Sullivan foi morar em Montana?
Não existe uma resposta definitiva deixada por ela.
Montana possuía uma numerosa comunidade de imigrantes irlandeses no fim do século XIX, principalmente nas regiões de Butte e Anaconda. Isso dava a Bridget a possibilidade de reconstruir a vida entre pessoas de origem semelhante e muito longe da notoriedade adquirida em Massachusetts.
Em Anaconda, ela conseguiu justamente isso: uma existência relativamente anônima.
Em 21 de junho de 1905, Bridget casou-se com John M. Sullivan. Apesar do sobrenome idêntico, os registros disponíveis tratam John como seu marido, não como um parente.
O casal viveu durante décadas em Anaconda. John morreu em 1939.
Bridget Sullivan confessou saber quem matou os Borden?
Essa é uma das partes mais nebulosas da história — e precisa ser tratada como relato, não como fato estabelecido.
Décadas depois dos assassinatos, surgiram histórias segundo as quais Bridget teria admitido a uma amiga chamada Minnie Green que não contou tudo o que sabia durante o julgamento.
Outra versão afirma que ela teria feito uma espécie de confissão perto do fim da vida. A história chegou a ser repetida posteriormente em Montana.
O problema é que não existe um registro contemporâneo e verificável de uma confissão de Bridget. Pesquisadores do caso também questionaram a origem da história.
Há ainda uma tradição familiar segundo a qual Bridget teria recebido US$ 5 mil das irmãs Borden para permanecer em silêncio e retornar à Irlanda.
Novamente, não há documento conhecido comprovando o pagamento. A descoberta de que ela viajou para a Irlanda em 1895 como passageira de terceira classe também levou pesquisadores a questionarem a ideia de que havia acabado de receber uma pequena fortuna.
Por isso, tanto uma eventual confissão quanto o suposto pagamento devem permanecer no campo das histórias não comprovadas sobre o caso.
Lizzie Borden e Bridget Sullivan eram amantes?
Não existe evidência histórica conclusiva de um relacionamento amoroso entre as duas.
Bridget certamente conhecia Lizzie e viveu sob o mesmo teto durante anos. Seu testemunho também confirma interações entre elas.
Isso não é suficiente, porém, para estabelecer que existisse uma relação sexual ou romântica.
A ideia ganhou espaço principalmente em obras de ficção e interpretações posteriores do caso.
Monstro: A História de Lizzie Borden assume essa possibilidade como parte central da narrativa, transformando Maggie em alguém que apresenta a Lizzie novas ideias sobre prazer, liberdade e poder.

O que Monstro muda na verdadeira história de Bridget Sullivan?
A Bridget interpretada por Vicky Krieps utiliza elementos reais como ponto de partida, mas é uma personagem dramatizada.
É verdade que Bridget era uma imigrante irlandesa, trabalhava para os Borden e estava na residência na manhã dos assassinatos.
A série amplia praticamente todo o restante.
Na produção, Maggie exerce enorme influência sobre Lizzie, as duas desenvolvem um relacionamento e a personagem participa diretamente da explicação escolhida pelos roteiristas para os crimes.
Essas partes não estão estabelecidas pelos registros históricos.
A própria Netflix apresenta Monstro como uma interpretação dramática do mistério. Vicky Krieps também assume outro papel durante a temporada, interpretando Elizabeth Báthory em sequências fantasiosas.
Quem ainda está começando a temporada pode conferir o guia de Monstro: A História de Lizzie Borden. A participação de outra personagem histórica também é explicada na matéria sobre Sarah Paulson como Aileen Wuornos.
Como Bridget Sullivan morreu?
Bridget passou os últimos anos de vida em Montana.
Em 1942, depois da morte do marido, ela foi viver em Butte com familiares. Bridget morreu em um hospital da cidade em 25 de março de 1948.
Foi enterrada no Mount Olivet Cemetery, em Anaconda, ao lado de John Sullivan.
Ela sobreviveu aos assassinatos dos Borden por mais de 55 anos.
Enquanto Lizzie se transformou em uma das figuras mais reconhecidas do true crime norte-americano, Bridget conseguiu passar boa parte desse período praticamente anônima.
Bridget Sullivan em poucas respostas
Bridget Sullivan existiu de verdade?
Sim. Ela era uma imigrante irlandesa e trabalhava como empregada na residência da família Borden quando Andrew e Abby foram assassinados em 1892.
Por que Bridget era chamada de Maggie?
Segundo seu depoimento no julgamento, Lizzie e Emma Borden às vezes a chamavam de Maggie. Andrew e Abby usavam Bridget, seu verdadeiro nome.
Bridget Sullivan matou Andrew e Abby Borden?
Não há comprovação disso. Bridget não foi condenada pelos assassinatos e nenhuma evidência estabeleceu judicialmente sua participação.
Lizzie e Maggie eram namoradas?
A Netflix apresenta as duas em um relacionamento, mas não há evidência histórica conclusiva de que Lizzie Borden e Bridget Sullivan tenham sido amantes na vida real.
O que aconteceu com Bridget Sullivan?
Depois do julgamento, Bridget viajou para a Irlanda e posteriormente estabeleceu-se em Montana. Casou-se com John M. Sullivan em 1905 e morreu em 1948.
Quem interpreta Maggie em Monstro?
Bridget “Maggie” Sullivan é interpretada por Vicky Krieps em Monstro: A História de Lizzie Borden.
Fontes
Netflix Tudum — guia oficial do elenco e da personagem Bridget “Maggie” Sullivan.
Famous Trials — depoimento de Bridget Sullivan no julgamento de Lizzie Borden, 7 de junho de 1893.
The Hatchet: Journal of Lizzie Borden Studies — pesquisas “Sullivan’s Travels” e “Bridget Sullivan: After Fall River”.
The Anaconda Leader — arquivos históricos sobre a vida de Bridget Sullivan em Montana.

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