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Lizzie Borden e Maggie eram amantes? A verdade sobre Bridget Sullivan

Monstro transforma Bridget “Maggie” Sullivan em amante e cúmplice de Lizzie, mas os registros do julgamento não comprovam romance nem participação dela nos assassinatos

Lizzie Borden e Maggie Sullivan em Monstro: A História de Lizzie Borden
Ella Beatty como Lizzie Borden e Vicky Krieps como Bridget “Maggie” Sullivan em Monstro: A História de Lizzie Borden. Foto: Netflix
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Lizzie Borden e Bridget “Maggie” Sullivan eram amantes na vida real? Essa é uma das perguntas mais naturais depois de assistir à nova temporada de Monstro. Na série da Netflix, não existe dúvida: Lizzie, interpretada por Ella Beatty, e Maggie, vivida por Vicky Krieps, desenvolvem um relacionamento amoroso e acabam ligadas também aos assassinatos de Andrew e Abby Borden.

A história verdadeira é bem menos conclusiva. Bridget Sullivan realmente existiu, trabalhou na casa dos Borden e estava na propriedade no dia dos assassinatos, em 4 de agosto de 1892. Ela também era chamada de “Maggie” por Lizzie e Emma. Não existe, porém, evidência histórica contemporânea que comprove que Bridget e Lizzie mantiveram um romance.

Lizzie Borden e Bridget Maggie Sullivan em Monstro da Netflix
Ella Beatty como Lizzie Borden e Vicky Krieps como Bridget “Maggie” Sullivan em <em>Monstro: A História de Lizzie Borden</em>. Foto: Netflix.

Lizzie Borden e Maggie eram amantes na vida real?

Não há provas de que Lizzie Borden e Bridget Sullivan tenham sido amantes.

O relacionamento mostrado em Monstro é uma interpretação dramática construída a partir das lacunas deixadas pelo caso. Nenhuma carta conhecida, depoimento judicial ou documento da época estabelece que as duas mantinham uma relação amorosa.

A própria produção reconhece essa diferença. No material oficial da Netflix sobre o final, o cocriador Ian Brennan explica que a equipe partiu da proximidade das personagens e das dúvidas em torno do crime para extrapolar e imaginar uma relação romântica.

Ou seja: o romance é verdadeiro dentro da história de Monstro, mas não pode ser tratado como um fato comprovado sobre as mulheres reais.

Essa mesma separação entre dramatização e registro histórico é essencial para entender o final de Monstro: A História de Lizzie Borden. A série também escolhe uma resposta específica para quem matou Andrew e Abby, enquanto o crime verdadeiro nunca teve um responsável condenado.

Quem foi Bridget “Maggie” Sullivan de verdade?

Bridget Sullivan era uma imigrante irlandesa que trabalhava como empregada doméstica na casa da família Borden, em Fall River, Massachusetts.

No julgamento de Lizzie, em junho de 1893, Bridget declarou ter 26 anos e disse que havia chegado aos Estados Unidos aproximadamente sete anos antes. Ela trabalhava para os Borden havia cerca de dois anos e nove meses quando Andrew e Abby foram mortos.

Bridget Sullivan empregada da família Borden
Bridget Sullivan, a empregada da família Borden que ficou conhecida como “Maggie”. Foto de domínio público reproduzida pelo <em>The Anaconda Leader</em>.

Como empregada residente, Bridget fazia tarefas domésticas como cozinhar, limpar, lavar roupas e cuidar de diferentes partes da casa. Isso também fazia dela uma das pessoas que melhor conheciam a rotina da família.

Esse detalhe se tornou fundamental porque, na manhã dos assassinatos, poucas pessoas estavam na residência. A história real de Lizzie Borden mostra que a investigação acabou se concentrando nela, mas o depoimento de Bridget ajudou a reconstruir várias etapas daquele dia.

Por que Bridget Sullivan era chamada de Maggie?

O nome verdadeiro da empregada era Bridget Sullivan. “Maggie” não era seu primeiro nome.

E esse não é apenas um detalhe reproduzido por filmes e séries. No próprio julgamento, o promotor perguntou se Bridget era chamada de Maggie na casa dos Borden. Ela respondeu que sim e esclareceu que Lizzie e Emma Borden usavam esse nome para se dirigir a ela.

Quando questionada pela defesa, Bridget disse que não se sentia ofendida pelo apelido.

O registro do julgamento de Lizzie Borden preserva esse diálogo. É uma das evidências mais diretas de que a “Maggie” de Monstro foi baseada em uma pessoa real — mesmo que a personalidade, o romance e várias ações da personagem tenham sido modificados pelo roteiro.

Onde Maggie estava no dia dos assassinatos?

Bridget estava na propriedade dos Borden durante momentos importantes da manhã de 4 de agosto de 1892.

Segundo seu depoimento, ela não se sentia bem naquele dia e chegou a sair para vomitar. Mesmo assim, continuou trabalhando e recebeu de Abby Borden a tarefa de lavar as janelas do andar térreo.

Essa atividade fez com que Bridget alternasse entre o interior e o exterior da casa justamente no período em que Abby teria sido assassinada em um quarto no piso superior.

Mais tarde, quando Andrew Borden retornou para casa, Bridget foi abrir a porta. Ela declarou que teve dificuldade com as fechaduras e que, naquele momento, ouviu uma risada que parecia vir de Lizzie em algum ponto do andar de cima.

O detalhe chamou atenção posteriormente porque o corpo de Abby já estava no pavimento superior. Bridget, entretanto, não afirmou ter visto Lizzie naquele local.

Depois, Bridget subiu para seu quarto no sótão para descansar. Foi quando ouviu Lizzie chamá-la e dizer que Andrew estava morto. O pai de Lizzie havia sido encontrado no sofá da sala.

Bridget Sullivan ajudou Lizzie Borden nos assassinatos?

Não existe comprovação histórica de que Bridget tenha participado dos assassinatos.

Essa é outra diferença importante entre Monstro e a história real.

Na versão da Netflix, Lizzie e Maggie se tornam amantes e cúmplices. O final explicado de Monstro mostra que as duas participam diretamente das mortes: Lizzie inicia o ataque contra Abby, enquanto Maggie dá o primeiro golpe em Andrew.

Nos registros históricos, isso não foi demonstrado. Bridget foi interrogada e prestou um longo depoimento no julgamento, mas não foi condenada nem surgiram provas físicas capazes de vinculá-la aos assassinatos.

Vicky Krieps como Bridget Maggie Sullivan em Monstro
Vicky Krieps interpreta uma versão bastante ficcionalizada de Bridget “Maggie” Sullivan em <em>Monstro</em>. Foto: Netflix.

Então de onde surgiu a teoria de que Lizzie e Bridget eram amantes?

A teoria apareceu muito depois dos assassinatos e acabou ganhando força por causa das enormes lacunas deixadas pelo caso.

Bridget estava próxima da cena do crime, Lizzie nunca foi condenada e ninguém conseguiu estabelecer definitivamente quem matou Andrew e Abby. Isso abriu espaço para dezenas de hipóteses ao longo das décadas.

Uma delas imagina que Bridget e Lizzie mantinham uma relação secreta e que a descoberta desse romance teria provocado um conflito dentro da casa. Obras de ficção ajudaram a popularizar essa interpretação.

Entre elas está o romance Lizzie, publicado por Evan Hunter em 1984. Décadas depois, o filme Lizzie, de 2018, com Chloë Sevigny e Kristen Stewart, também retratou Lizzie e Bridget como amantes.

Monstro adota novamente essa possibilidade. Em declarações divulgadas pela própria Netflix, Ian Brennan reconhece que a produção preencheu as lacunas da história real e diz acreditar que poderia ter existido uma relação entre elas.

Isso explica a escolha do roteiro. Não transforma a teoria em evidência histórica.

Lizzie Borden era lésbica?

Também não existe documentação suficiente para afirmar qual era a orientação sexual de Lizzie Borden.

A especulação não envolve apenas Bridget. Anos depois do julgamento, Lizzie manteve uma amizade próxima com a atriz Nance O’Neil, relação que também gerou comentários e teorias.

Mas proximidade com outras mulheres, ausência de casamento ou rumores posteriores não permitem estabelecer como Lizzie definia sua sexualidade — especialmente ao tentar aplicar categorias atuais a registros incompletos do fim do século XIX.

Em outras palavras, quando alguém procura saber se o romance de Lizzie Borden mostrado pela Netflix é verdade, a resposta mais precisa é: a série apresenta essa relação como fato dentro da ficção, mas a história real não oferece confirmação.

O que aconteceu com Bridget Sullivan depois do julgamento?

Depois da absolvição de Lizzie, Bridget acabou deixando Fall River e reconstruiu a vida longe da casa que a tornou uma das principais testemunhas de um dos crimes mais famosos dos Estados Unidos.

Ela se estabeleceu em Montana. Registros recuperados pelo The Anaconda Leader indicam que Bridget vivia em Anaconda e que, em 1905, casou-se com John M. Sullivan. O casal não teve filhos.

Bridget passou décadas praticamente fora da atenção pública e morreu em Montana em 1948, mais de meio século depois dos assassinatos.

Há uma história posterior segundo a qual Bridget teria confidenciado a uma amiga chamada Minnie Green que não contou tudo o que sabia e que havia “ajudado Lizzie” no julgamento. O relato, porém, precisa ser tratado com cautela: não existe registro contemporâneo dessa suposta confissão. A história foi divulgada posteriormente, de segunda mão.

Por isso, ela não serve como prova de que Bridget tenha mentido em tribunal, participado dos assassinatos ou mantido um relacionamento com Lizzie.

O que é verdade e o que a Netflix inventou sobre Lizzie e Maggie?

Na sérieNa história real
Bridget Sullivan existiuVerdade. Ela era empregada dos Borden.
Bridget era chamada de MaggieVerdade. Ela confirmou no julgamento que Lizzie e Emma a chamavam assim.
Maggie estava na casa no dia dos crimesVerdade. Ela estava na propriedade e se tornou uma testemunha essencial.
Lizzie e Maggie eram amantesNão comprovado. Não há evidência contemporânea conhecida de um romance.
Maggie ajudou Lizzie a matar Andrew e AbbyNão comprovado. Essa é a interpretação adotada por Monstro.
Bridget conhecia a rotina da famíliaVerdade. Ela vivia e trabalhava na residência.
Bridget foi condenada ou acusada pelos assassinatosNão. Ela foi uma importante testemunha do caso.

Essa distinção é especialmente importante porque Monstro: A História de Lizzie Borden não pretende reproduzir cada acontecimento como um documentário. Ella Beatty já descreveu a protagonista construída para a produção como uma versão bastante ficcionalizada da mulher real.

Quem quiser avançar na comparação pode conferir também o especial do Overdrive sobre o que realmente aconteceu no caso Lizzie Borden, além do guia sobre a temporada, elenco e personagens de Monstro.

Lizzie Borden e Maggie eram amantes? Resposta rápida

Na série da Netflix, sim. Na história real, não é possível afirmar. Bridget Sullivan existiu, era chamada de Maggie por Lizzie e Emma e estava na propriedade no dia dos assassinatos. Mas nenhum registro histórico conhecido comprova que ela e Lizzie mantinham um relacionamento amoroso.

O romance e a participação de Maggie nos crimes fazem parte da interpretação escolhida por Monstro: A História de Lizzie Borden. A verdadeira Lizzie foi julgada e absolvida em 1893, Bridget nunca foi condenada e as mortes de Andrew e Abby Borden continuam oficialmente sem uma solução definitiva.

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