A história real de Lizzie Borden, protagonista da 4ª temporada de Monster, na Netflix

Ella Beatty interpreta a mulher acusada de assassinar o pai e a madrasta em 1892, mas absolvida por um júri no ano seguinte

A história real de Lizzie Borden, protagonista da 4ª temporada de Monster, na Netflix
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A história real de Lizzie Borden começou com o assassinato de Andrew e Abby Borden, encontrados mortos dentro de casa em 4 de agosto de 1892. Lizzie, filha de Andrew e enteada de Abby, foi acusada dos dois crimes, mas acabou absolvida. Nenhuma outra pessoa foi julgada e o caso permanece oficialmente sem solução.

O crime será recontado em Monstro: A História de Lizzie Borden, quarta temporada da antologia criada por Ryan Murphy e Ian Brennan para a Netflix. Ella Beatty assume o papel principal, acompanhada por Charlie Hunnam e Rebecca Hall como as vítimas.

O primeiro trailer apresenta uma interpretação psicológica do caso, colocando Lizzie e a empregada Bridget Sullivan dentro de uma casa marcada por repressão, humilhações e fantasias de vingança. Parte dessa relação pertence à dramatização da série e não foi comprovada pelos registros históricos.

Qual é a história real de Lizzie Borden?

Lizzie Andrew Borden nasceu em 19 de julho de 1860 e vivia com o pai, Andrew Borden, a madrasta, Abby Borden, e a irmã mais velha, Emma, em Fall River, Massachusetts. A família possuía dinheiro, embora Andrew fosse conhecido por controlar rigidamente as despesas domésticas.

A relação entre as filhas e a madrasta era tensa. Havia disputas envolvendo propriedades, herança e decisões financeiras tomadas por Andrew em benefício de parentes de Abby. Esses conflitos acabaram usados pela acusação para construir um possível motivo para os assassinatos.

Lizzie tinha 32 anos quando o pai e a madrasta foram mortos. Ela participava da igreja local, dava aulas na escola dominical e era vista como uma mulher respeitável dentro da comunidade. Essa reputação teria peso importante no julgamento.

O que aconteceu na casa da família Borden?

Andrew e Abby Borden foram mortos na manhã de 4 de agosto de 1892, dentro da residência da família. Abby foi atacada primeiro, em um quarto no andar superior. Cerca de uma hora e meia depois, Andrew foi morto enquanto descansava no sofá de uma sala no térreo.

Lizzie chamou Bridget Sullivan, empregada que trabalhava na casa, e disse que havia encontrado o pai morto. O corpo de Abby foi localizado posteriormente no andar de cima.

A violência do crime alimentou uma cantiga popular segundo a qual Lizzie teria dado 40 golpes na madrasta e 41 no pai. Os números não correspondem às conclusões da investigação. Conforme recuperado pelo Smithsonian Magazine, Abby recebeu 19 golpes, enquanto Andrew foi atingido dez ou 11 vezes.

A cantiga também chama Abby de mãe de Lizzie, embora ela fosse sua madrasta. Mesmo carregada de erros, a rima ajudou a transformar a acusada em uma personagem do folclore criminal norte-americano.

Por que Lizzie Borden foi acusada?

A suspeita recaiu sobre Lizzie porque ela estava na propriedade durante o período dos dois assassinatos. Bridget também estava no local, enquanto Emma havia viajado.

Lizzie afirmou que estava no celeiro quando o pai foi morto. Seus relatos sobre os movimentos realizados naquela manhã apresentaram inconsistências, o que chamou a atenção dos investigadores.

Outros elementos aumentaram as suspeitas:

  • Os conflitos familiares envolvendo dinheiro e propriedades
  • A tentativa de comprar ácido prússico antes dos assassinatos
  • A queima de um vestido poucos dias depois do crime
  • A ausência de sinais claros de entrada forçada na casa
  • As contradições em partes de seu depoimento

Uma cabeça de machadinha sem cabo foi encontrada no porão e apresentada como possível arma do crime. A acusação, porém, não conseguiu demonstrar de forma conclusiva que aquele objeto havia sido usado nos assassinatos.

A compra do ácido prússico também perdeu força no tribunal. O juiz decidiu que o episódio não possuía uma ligação suficientemente próxima com as mortes e impediu que a informação fosse usada como prova durante o julgamento.

Lizzie foi presa em 11 de agosto de 1892, sete dias depois dos assassinatos. A cronologia preservada pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos registra que o julgamento começou em 5 de junho de 1893.

Por que Lizzie Borden foi absolvida?

A acusação possuía indícios, mas não conseguiu apresentar uma prova física que ligasse Lizzie diretamente aos golpes. Nenhuma roupa coberta de sangue foi encontrada, e a suposta arma do crime não pôde ser identificada com segurança.

A coleta de evidências também foi prejudicada pelas limitações da investigação criminal no final do século XIX. A polícia não realizou testes de impressão digital na machadinha. Técnicas como análise de DNA ainda não existiam.

O vestido queimado levantou suspeitas, mas a defesa afirmou que a peça estava manchada com tinta. Sem o tecido preservado, não havia como comprovar que existiam vestígios de sangue.

Os advogados ainda conseguiram retirar do julgamento declarações contraditórias dadas por Lizzie durante o inquérito. O processo terminou em 20 de junho de 1893, quando um júri formado somente por homens declarou a acusada inocente após aproximadamente 90 minutos de deliberação.

A imagem social de Lizzie também favoreceu a defesa. Os jurados foram confrontados com a ideia de que uma mulher branca, religiosa e de família rica dificilmente cometeria assassinatos tão violentos. A cobertura histórica da National Geographic aponta que gênero, classe social e falhas na preservação das evidências influenciaram a discussão do caso.

Quem matou Andrew e Abby Borden?

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A autoria dos assassinatos nunca foi determinada. Lizzie foi absolvida e nenhuma outra pessoa chegou a ser condenada pelas mortes de Andrew e Abby.

Bridget Sullivan, Emma Borden e John Morse, irmão da mãe biológica de Lizzie, apareceram em teorias desenvolvidas ao longo das décadas. Nenhuma delas reuniu provas suficientes para resolver o caso.

A absolvição impediu que Lizzie fosse novamente julgada pelos mesmos crimes. Ela continuou morando em Fall River, mas passou a ser rejeitada por parte da comunidade, que ainda acreditava em sua culpa.

Lizzie morreu em 1º de junho de 1927, aos 66 anos. O mistério permaneceu e foi recriado em livros, filmes, peças teatrais e programas de televisão.

O que a série Monstro deve mudar na história real?

Monstro: A História de Lizzie Borden assume uma interpretação específica do caso. A sinopse divulgada pela Netflix descreve Lizzie como uma filha reprimida e Bridget como uma empregada rebelde. As duas escapariam para uma fantasia envolvendo sexo, poder e vingança antes dos assassinatos.

Não existe uma comprovação histórica de que Lizzie e Bridget mantiveram uma relação amorosa. A possibilidade apareceu em obras de ficção e teorias posteriores, mas não foi estabelecida no julgamento.

O trailer também sugere que a casa era dominada por abusos e crueldade. Os conflitos financeiros e familiares são documentados, enquanto outras formas de violência atribuídas a Andrew pertencem ao campo das teorias.

A amizade de Lizzie com a atriz Nance O’Neill aconteceu anos depois do julgamento. As duas eram próximas, e essa relação também gerou especulações, mas sua natureza nunca foi comprovada.

A temporada deve utilizar essas lacunas para construir uma interpretação sobre repressão feminina e a maneira como determinadas mulheres foram transformadas em monstros pela sociedade. Isso significa que a produção combina acontecimentos reais, hipóteses históricas e situações criadas para o roteiro.

O mesmo cuidado vale para outras produções do gênero. O Overdrive preparou uma lista com dez true crimes nacionais para assistir, separando documentários de dramatizações. Também explicamos o que existe de real em O Verão de 1936, outra série que mistura contexto histórico e assassinato ficcional.

Quando estreia Monstro: A História de Lizzie Borden?

Monstro: A História de Lizzie Borden estreia em 17 de setembro de 2026, exclusivamente na Netflix. A temporada terá oito episódios.

A data e a quantidade de capítulos foram divulgadas com o primeiro trailer, publicado em 11 de agosto. Segundo a People, este será o primeiro ano da antologia centrado em uma mulher.

As três temporadas anteriores abordaram Jeffrey Dahmer, os irmãos Lyle e Erik Menendez e Ed Gein. Cada história possui elenco e período próprios.

Quem está no elenco da nova temporada de Monstro?

Ella Beatty, filha dos atores Warren Beatty e Annette Bening, interpreta Lizzie Borden. A atriz já havia trabalhado com Ryan Murphy em Feud: Capote vs. The Swans.

O elenco principal reúne:

  • Ella Beatty como Lizzie Borden
  • Charlie Hunnam como Andrew Borden
  • Rebecca Hall como Abby Borden
  • Vicky Krieps como Bridget Sullivan
  • Billie Lourd como Emma Borden
  • Jessica Barden como Nance O’Neill
  • Joey Pollari como John Morse
  • Sarah Paulson em papel ligado à temporada

Charlie Hunnam retorna à antologia depois de interpretar Ed Gein no terceiro ano. A produção é comandada novamente por Ryan Murphy e Ian Brennan.


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