Naufrágio: O Pesadelo do Costa Concordia conta a história real do desastre ocorrido em 13 de janeiro de 2012, quando o navio de cruzeiro Costa Concordia atingiu rochas próximas à Ilha de Giglio, na Itália. A colisão abriu uma ruptura no casco, provocou um apagão e terminou com 32 mortes.
Disponível na Netflix, o documentário dirigido por Chiara Messineo combina depoimentos de sobreviventes, vídeos gravados por passageiros e traduções dos registros da caixa-preta. A produção também acompanha as decisões tomadas pelo capitão Francesco Schettino antes e depois do impacto.
O que aconteceu com o Costa Concordia?
O Costa Concordia partiu de Civitavecchia, na Itália, por volta das 19h18 daquele dia. Havia 3.206 passageiros e 1.023 tripulantes a bordo, totalizando 4.229 pessoas.
Durante a viagem, o navio deixou sua rota habitual para passar perto da Ilha de Giglio. A aproximação fazia parte de uma chamada saudação marítima, manobra em que a embarcação navega perto da costa e usa a sirene para cumprimentar pessoas em terra.
Por volta das 21h45, a parte traseira do Costa Concordia atingiu uma formação rochosa submersa. Segundo a reconstrução do caso, houve confusão na ponte de comando e um erro de direção cometido pelo timoneiro demorou cerca de 13 segundos para ser corrigido.
O impacto abriu uma ruptura de aproximadamente 53 metros no lado esquerdo do casco. Cinco compartimentos começaram a receber água, incluindo a sala de máquinas, e o navio perdeu energia e capacidade de navegação.
Por que o Costa Concordia naufragou?
A causa inicial foi a aproximação excessiva da costa durante a mudança de rota. A área ao redor de Giglio tinha formações rochosas conhecidas, mas o navio seguiu por um trajeto que o colocou perto demais delas.
O choque, porém, não explica sozinho a dimensão do desastre. A resposta da ponte de comando também atrasou o início da evacuação.
Quando a Guarda Costeira italiana entrou em contato por volta das 22h14, Schettino minimizou a situação e informou que o navio enfrentava um apagão. Cerca de dez minutos depois, a tripulação admitiu que havia água entrando, mas o capitão ainda pediu apenas o envio de rebocadores.
A ordem para abandonar o Costa Concordia foi emitida mais de uma hora após a colisão. Nesse momento, a embarcação já estava bastante inclinada, o que dificultou o lançamento dos botes salva-vidas e deixou parte dos passageiros sem uma rota simples de saída.
Por que Francesco Schettino abandonou o navio?
Schettino deixou a ponte de comando por volta das 23h20 e acabou em um bote salva-vidas antes do encerramento da evacuação. Ele afirmou posteriormente que caiu no bote por causa da inclinação da embarcação.
A versão foi contestada durante as investigações. Cerca de 300 pessoas ainda estavam no Costa Concordia quando os últimos integrantes da ponte partiram.
Às 0h40, um comandante da Guarda Costeira telefonou para Schettino e ordenou que ele retornasse ao navio para coordenar o resgate. O capitão não voltou.
A operação mobilizou 25 barcos de patrulha, 14 navios comerciais e helicópteros. Até a manhã seguinte, 4.194 pessoas haviam sido retiradas e levadas à Ilha de Giglio. Outras três foram encontradas com vida no interior da embarcação no dia seguinte.
O desastre deixou 32 mortos. O último corpo relacionado ao naufrágio foi localizado em novembro de 2014.
Onde está Francesco Schettino hoje?
Francesco Schettino foi condenado em fevereiro de 2015 por homicídio culposo, provocar um acidente marítimo e abandonar o navio. A Justiça italiana estabeleceu uma pena total de 16 anos de prisão.
Depois de esgotar seus recursos em 2017, ele começou a cumprir a sentença na prisão de Rebibbia, em Roma. Em janeiro de 2025, Schettino pediu acesso ao regime de semiliberdade, que permitiria passar parte do dia fora da cadeia para trabalhar ou estudar. O pedido foi retirado alguns meses depois.
Outros cinco funcionários do cruzeiro também foram condenados por acusações relacionadas a homicídio culposo, negligência e naufrágio, mas não cumpriram pena em regime fechado.
A Costa Cruzeiros pagou uma multa corporativa de € 1 milhão e firmou acordos de indenização com passageiros. Os valores mencionados pela Netflix variaram entre € 11 mil e € 92,7 mil.
O que aconteceu com o navio Costa Concordia?
O Costa Concordia permaneceu parcialmente submerso perto da Ilha de Giglio enquanto equipes preparavam uma operação para evitar danos ambientais e retirar a embarcação.
Mais de 2 mil toneladas de combustível foram removidas no início de 2012. O risco era que o navio escorregasse para uma área mais profunda, se partisse ou provocasse um vazamento em uma região marinha protegida.
Em setembro de 2013, o Costa Concordia foi colocado novamente na posição vertical. A operação durou 19 horas, envolveu cerca de 500 profissionais e utilizou plataformas submarinas e guindastes preparados especificamente para o trabalho.
Em julho de 2014, o navio foi rebocado até Gênova, onde passou pelo processo de desmontagem.
Quem aparece no documentário da Netflix?
O documentário entrevista passageiros, tripulantes e profissionais envolvidos na investigação e no resgate. Entre os participantes estão o casal Meghan e John, os passageiros Patricia Sandoval, Nicholas Taliaferro e Stefania Vincenzi, além da bailarina Rose Metcalf.
Também aparecem Manrico Giampedroni, gerente de hotel do Costa Concordia; Manoj Singh, chef do navio; Francesco Boaria, mergulhador do corpo de bombeiros; e Alessandro Cantelli-Forti, integrante da equipe de investigação forense.
A produção usa esses depoimentos para reconstruir o intervalo entre a colisão e a retirada dos últimos sobreviventes, incluindo a demora na ordem de evacuação e as informações transmitidas aos passageiros durante o apagão.
Onde assistir a Naufrágio: O Pesadelo do Costa Concordia?
Naufrágio: O Pesadelo do Costa Concordia está disponível exclusivamente na Netflix. O documentário tem aproximadamente 1 hora e 30 minutos e classificação indicativa de 12 anos.

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