Laura Ingalls Wilder ficou conhecida como a menina de tranças que cresceu viajando pela fronteira dos Estados Unidos. Essa imagem passou pelos livros, pela série clássica dos anos 1970 e pela nova adaptação de Uma Casa na Pradaria produzida pela Netflix. Fora da ficção, Laura viveu uma trajetória marcada por mudanças constantes, trabalho desde muito jovem e dificuldades que só seriam transformadas em literatura quando ela já tinha mais de 60 anos.
Laura Elizabeth Ingalls nasceu em 7 de fevereiro de 1867, perto de Pepin, no estado de Wisconsin. Era a segunda filha de Charles e Caroline Ingalls. A família também incluía Mary, Carrie, Grace e Charles Frederick, chamado de Freddie, que morreu aos nove meses de idade.
A infância de Laura foi passada dentro de cabanas, carroças e casas provisórias. Charles Ingalls levou a família por diferentes regiões de Wisconsin, Kansas, Minnesota, Iowa e do Território de Dakota em busca de trabalho e terras onde pudesse estabelecer uma propriedade.
A infância que inspirou Uma Casa na Pradaria
Quando Laura ainda era pequena, os Ingalls deixaram Wisconsin e seguiram para o Kansas. Charles construiu uma cabana em uma área pertencente ao povo Osage, perto da atual cidade de Independence.
O local não havia sido legalmente aberto aos colonos brancos. A família permaneceu ali acreditando que o governo dos Estados Unidos permitiria a ocupação, mas acabou deixando a região em 1870. Esse período seria recontado por Laura no livro Little House on the Prairie, lançado em 1935 e usado como base para a primeira temporada da série da Netflix.
Depois do Kansas, os Ingalls retornaram a Wisconsin e seguiram para Minnesota. A família se estabeleceu perto de Walnut Grove, onde enfrentou a destruição das plantações por uma infestação de gafanhotos. As perdas deixaram Charles novamente sem condições de sustentar a propriedade.

Os Ingalls passaram cerca de um ano em Burr Oak, no estado de Iowa, ajudando a administrar um hotel. Laura retirou esse período da coleção de livros. A experiência envolveu pobreza, trabalho infantil e ambientes mais violentos do que aqueles descritos nas histórias destinadas aos jovens leitores.
Em 1879, a família mudou-se para De Smet, no Território de Dakota. Foi lá que Laura passou a adolescência e enfrentou o rigoroso inverno de 1880 e 1881, quando sucessivas tempestades de neve interromperam a chegada de alimentos à cidade.
Mary, irmã mais velha de Laura, perdeu a visão durante a juventude. A partir de então, Laura passou a descrever lugares, pessoas e acontecimentos para ajudá-la a compreender o que estava ao redor. Esse papel aparece em diferentes momentos dos livros.
Laura virou professora ainda adolescente
Aos 15 anos, Laura começou a trabalhar como professora em escolas rurais. A renda ajudava a família a pagar os estudos de Mary em uma instituição para pessoas cegas no estado de Iowa.
Durante esse período, Laura conheceu Almanzo Wilder, fazendeiro que frequentemente a levava de volta para casa nos fins de semana. Os dois se casaram em 25 de agosto de 1885, quando Laura tinha 18 anos.
A vida do casal foi difícil desde o começo. Laura e Almanzo tentaram manter uma fazenda em Dakota do Sul, mas enfrentaram secas, dívidas e colheitas ruins. A primeira filha, Rose Wilder Lane, nasceu em 1886. Em 1889, Laura teve um menino que morreu poucas semanas depois do nascimento.
Na mesma época, Laura e Almanzo contraíram difteria. Ele sobreviveu, mas ficou com limitações físicas permanentes. Pouco depois, um incêndio destruiu a casa da família. Esses acontecimentos foram registrados em The First Four Years, manuscrito publicado somente em 1971, após a morte da autora.
Depois de outras mudanças, Laura, Almanzo e Rose chegaram a Mansfield, no Missouri, em 1894. Lá compraram a propriedade que se tornaria conhecida como Rocky Ridge Farm. Foi onde o casal finalmente conseguiu permanecer por várias décadas.

Como Laura Ingalls Wilder virou escritora
Laura começou a carreira profissional escrevendo sobre agricultura, criação de animais e vida doméstica. Publicou textos em revistas e jornais voltados ao público rural, incluindo o Missouri Ruralist. Também trabalhou como editora de uma seção sobre criação de aves.
Já na faixa dos 60 anos, ela organizou as memórias da infância em um manuscrito chamado Pioneer Girl. O projeto foi rejeitado pelas editoras, mas sua filha percebeu que aquelas histórias poderiam funcionar como livros voltados aos leitores mais jovens.
Rose Wilder Lane já tinha experiência como jornalista e escritora. Ela ajudou a mãe a reorganizar os textos e participou da edição dos primeiros volumes. A extensão dessa colaboração ainda é discutida, mas as correspondências entre as duas mostram que Rose teve papel importante na forma final dos livros.

O primeiro volume, Little House in the Big Woods, foi publicado em 1932, quando Laura tinha 65 anos. O sucesso abriu caminho para Farmer Boy, sobre a infância de Almanzo, e para Little House on the Prairie.
Laura lançou oito livros da coleção durante a vida. As histórias acompanham sua infância, a adolescência em De Smet, o trabalho como professora e o casamento com Almanzo. Um nono volume, The First Four Years, foi encontrado posteriormente e publicado sem uma revisão final.
Os livros contavam a vida real?
Os acontecimentos centrais vieram das experiências de Laura, mas a autora fez mudanças para organizar a narrativa. Ela alterou idades, rearranjou datas, criou personagens a partir de várias pessoas e eliminou períodos que considerava inadequados aos jovens leitores.
A Laura dos livros aparece alguns anos mais velha durante os primeiros acontecimentos. Carrie também participa da viagem ao Kansas, embora tenha nascido quando a família já vivia na região.
A autora suavizou as dificuldades financeiras de Charles Ingalls e retirou partes da infância que não combinavam com a imagem calorosa construída em torno da família. Em 1937, Laura resumiu sua relação com essas lembranças ao dizer que tudo o que havia contado era verdadeiro, mas não representava a verdade inteira.
A coleção também passou a receber críticas pela representação dos povos indígenas. Em 2018, a Associação de Serviços Bibliotecários para Crianças dos Estados Unidos retirou o nome de Laura de um prêmio literário devido às descrições de indígenas e pessoas negras encontradas em seus textos.

O que aconteceu com Laura Ingalls Wilder?
Almanzo Wilder morreu em 1949. Laura continuou vivendo em Rocky Ridge Farm e acompanhou o sucesso de seus livros, embora não tenha chegado a ver a famosa série de televisão estrelada por Melissa Gilbert e Michael Landon.
Laura morreu em 10 de fevereiro de 1957, três dias depois de completar 90 anos. Rose Wilder Lane morreu em 1968, e os direitos da coleção acabaram nas mãos de Roger MacBride, responsável por autorizar a adaptação televisiva lançada em 1974.
A casa de Laura e Almanzo em Mansfield foi preservada e atualmente abriga o Laura Ingalls Wilder Historic Home and Museum. Foi naquele lugar que a antiga professora, fazendeira e colunista transformou uma infância instável em uma das coleções mais conhecidas da literatura infantil norte-americana.
Onde assistir a Uma Casa na Pradaria?
A nova adaptação de Uma Casa na Pradaria está disponível na Netflix. Alice Halsey interpreta Laura Ingalls na série, cuja primeira temporada acompanha a passagem da família pelo Kansas.

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