A primeira temporada da nova Uma Casa na Pradaria, da Netflix, adapta Little House on the Prairie, livro publicado por Laura Ingalls Wilder em 1935. A história acompanha os meses em que a família Ingalls tentou construir uma nova vida no Kansas, enfrentando doenças, animais selvagens e a tensão provocada pela ocupação de terras pertencentes ao povo Osage.
O romance é o terceiro volume publicado da coleção Little House, mas funciona como continuação direta de Little House in the Big Woods. O segundo livro, Farmer Boy, conta a infância de Almanzo Wilder, futuro marido de Laura, e segue uma história separada.
A família Ingalls deixa Wisconsin rumo ao Kansas
A trama começa quando Charles Ingalls decide vender a casa da família em Wisconsin. Ele havia ouvido que uma área próxima à cidade de Independence, no Kansas, seria aberta pelo governo dos Estados Unidos para novos colonos.
Charles, Caroline, Mary, Laura e Carrie partem em uma carroça coberta, acompanhados pelo cachorro Jack. A viagem já deixa claro que a mudança envolve riscos. Durante a travessia de um rio, Jack desaparece e Laura acredita que o animal morreu, mas ele consegue encontrar a família mais tarde.

Quando chegam ao destino, os Ingalls encontram uma região pouco ocupada por colonos brancos. Charles constrói uma cabana de madeira com apenas um cômodo, abre um poço e começa a preparar a terra para o plantio. Ele também conhece o senhor Edwards, vizinho que passa a ajudar a família e se torna uma presença importante na história.
Boa parte do livro acompanha a rotina necessária para manter a casa funcionando. Há descrições sobre a construção da cabana, a obtenção de água, o cuidado com os animais e a preparação de comida. Laura observa tudo com a curiosidade de uma criança, enquanto seus pais tentam esconder o tamanho das dificuldades.
Doença e medo aumentam a tensão na pradaria
A situação piora quando toda a família adoece com o que os personagens chamam de “febre e calafrios”. A doença seria identificada posteriormente como malária. Sem condições de cuidar uns dos outros, os Ingalls dependem da ajuda dos vizinhos para sobreviver.
O isolamento também deixa a família exposta aos animais da região. Lobos aparecem perto da cabana e os barulhos durante a noite mantêm todos em alerta. Mesmo atividades comuns, como buscar água ou atravessar o campo, podem se tornar perigosas.
Outro conflito acompanha praticamente toda a narrativa: a casa foi construída em território Osage. Caroline demonstra medo e desconfiança diante da presença dos indígenas, enquanto Laura observa seus vizinhos com uma visão infantil e menos hostil. Charles acredita que os dois grupos poderiam viver em paz caso fossem deixados tranquilos.
Quando grupos Osage começam a se reunir perto do rio, os colonos temem um ataque. Um chefe indígena próximo de Charles intervém e evita que a situação termine em confronto.

Por que os Ingalls precisam deixar a casa?
O terreno ocupado pelos Ingalls não estava legalmente disponível para colonização. A família havia se mudado baseada na expectativa de que o governo abriria a área, mas isso não aconteceu.
Perto do fim do livro, Charles recebe a informação de que soldados seriam enviados para retirar os colonos brancos do território. Em vez de esperar pela expulsão, ele desmonta parte do que havia construído e coloca a família novamente na estrada.
O encerramento é amargo porque todo o trabalho feito durante os meses anteriores fica para trás. A cabana, o poço e o início da plantação não garantem aos Ingalls o direito de permanecer naquele lugar.
Esse ponto da história nasceu de uma situação real. A família viveu em uma área reconhecida pelo governo norte-americano como parte da reserva Osage e não possuía direito legal sobre a propriedade. O livro, porém, não explica toda a dimensão da ocupação e apresenta os acontecimentos pela perspectiva dos colonos.
A história aconteceu de verdade?

Laura Ingalls Wilder usou a própria infância como base para a coleção, mas os livros são obras de ficção autobiográfica. A autora reorganizou acontecimentos, mudou idades e omitiu partes da trajetória da família.
Na vida real, os Ingalls viveram no Kansas entre 1869 e 1870. Carrie nasceu durante esse período, enquanto no romance ela já acompanha a família desde o início da viagem. Depois de abandonar a área, os Ingalls retornaram a Wisconsin. Anos mais tarde, seguiram para Minnesota, onde viveram perto de Walnut Grove.
Essa mudança para Minnesota inspira On the Banks of Plum Creek, livro seguinte da coleção. É nele que Laura começa a frequentar a escola e conhece Nellie Oleson, personagem que se tornaria uma das mais conhecidas das adaptações para a televisão.

O que a série da Netflix muda?
A produção da Netflix mantém a mudança para o Kansas, a construção da cabana, o desaparecimento de Jack e os perigos enfrentados pela família. A adaptação, contudo, amplia a participação dos personagens Osage e apresenta acontecimentos pela perspectiva da comunidade indígena.
A série criou a família Mitchell e outros personagens para mostrar as consequências da expansão dos colonos sobre quem já vivia na região. Segundo a Netflix, a equipe trabalhou com consultoria cultural Osage durante a produção.
A versão clássica exibida a partir de 1974 seguiu outro caminho. Embora usasse personagens criados por Laura Ingalls Wilder, grande parte dos episódios se passava em Walnut Grove e aproveitava elementos de On the Banks of Plum Creek e dos volumes seguintes.
Onde assistir a Uma Casa na Pradaria?
A nova versão de Uma Casa na Pradaria está disponível exclusivamente na Netflix. A primeira temporada tem oito episódios, todos já liberados no catálogo da plataforma.
A série estreou em 9 de julho de 2026 e já foi renovada para a segunda temporada, que levará a família Ingalls para Walnut Grove.

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