O telescópio Roman de 300 megapixels acaba de atingir uma etapa decisiva no espaço. A NASA ativou com sucesso o Wide Field Instrument (WFI), a enorme câmera infravermelha do Nancy Grace Roman Space Telescope, e o equipamento já recebeu seus primeiros fótons de estrelas. Ainda não são as imagens científicas que o observatório produzirá: o sistema está sendo calibrado durante sua viagem até a região do ponto de Lagrange L2.
O número de 300 megapixels impressiona, mas o grande diferencial do Roman está em outra característica. Sua câmera poderá registrar de uma só vez uma área do céu muito maior que a observada pelo Hubble, mantendo sensibilidade e resolução infravermelha semelhantes. Em uma comparação específica feita pela própria NASA, as imagens infravermelhas da Wide Field Camera 3 do Hubble cobrem uma área cerca de 200 vezes menor que a alcançada pelo WFI.

NASA ativa câmera de 300 megapixels do telescópio Roman
A NASA confirmou a ativação do Wide Field Instrument em 15 de setembro, pouco mais de duas semanas depois do lançamento do Roman.
Antes de colocar a câmera em funcionamento, a equipe manteve o instrumento aquecido durante cerca de dez dias para ajudar a remover possíveis contaminantes liberados pelos materiais da espaçonave no ambiente espacial.
Em 11 de setembro, os engenheiros desligaram o aquecedor e permitiram que o WFI começasse a esfriar. A temperatura dos detectores caiu para cerca de -143 °C, condição necessária para as observações infravermelhas.
O coração do sistema é formado por 18 detectores. Segundo a documentação técnica da NASA para o WFI, o conjunto forma uma câmera infravermelha de aproximadamente 300 megapixels.
A equipe também começou a verificar outros componentes do instrumento, incluindo seu mecanismo de foco, sistema de calibração e a roda de elementos ópticos que posiciona filtros e outros componentes no caminho da luz.
Roman já enxergou suas primeiras estrelas, mas elas estão desfocadas
Uma das etapas mais importantes aconteceu quando os detectores do WFI receberam seus primeiros fótons de estrelas no espaço.
Isso não significa que a NASA já tenha produzido a primeira grande fotografia científica do Roman. As estrelas apareceram deliberadamente desfocadas nesta fase inicial, porque o conjunto de detectores estava na configuração utilizada durante o lançamento e o observatório ainda precisa passar pelo alinhamento fino de seu sistema óptico.
Esses registros ajudam os engenheiros justamente a realizar esse trabalho. A equipe usará as estrelas para ajustar os componentes ópticos até que os pontos de luz fiquem pequenos e definidos.
A agência informou que os testes realizados até agora indicam que o instrumento está funcionando conforme esperado. A fase atual faz parte do comissionamento do observatório antes do início das operações científicas.
O Roman vai enxergar 200 vezes melhor que o Hubble?
Não. A comparação de “200 vezes” se refere ao campo de visão em uma comparação específica entre instrumentos, e não a uma resolução 200 vezes maior.
A distinção é importante porque o Hubble continua sendo um observatório extremamente poderoso. Em setembro, por exemplo, imagens do telescópio ajudaram cientistas a identificar uma gigantesca estrutura atmosférica em forma de decágono no polo sul de Saturno.
Segundo a NASA, cada exposição do WFI poderá registrar uma região do céu maior que o tamanho aparente da Lua cheia. As imagens infravermelhas feitas pela Wide Field Camera 3 do Hubble cobrem uma área aproximadamente 200 vezes menor. Já as exposições de maior campo da Advanced Camera for Surveys do Hubble são quase 100 vezes menores.
A própria agência também costuma resumir a capacidade do Roman afirmando que seu campo de visão será pelo menos 100 vezes maior que o do Hubble, dependendo do instrumento usado como referência.
| Característica | Nancy Grace Roman | Hubble |
|---|---|---|
| Espelho principal | 2,4 metros | 2,4 metros |
| Câmera de campo amplo | WFI, cerca de 300 MP | Instrumentos com campo menor |
| Campo de visão | Projetado para grandes levantamentos | Menor, dependendo do instrumento |
| Resolução infravermelha | Semelhante à do Hubble | Referência usada pela NASA |
| Velocidade de levantamento | Até 1.000 vezes maior | Referência da comparação |
Na prática, o Roman foi projetado para combinar imagens detalhadas com uma visão panorâmica muito maior do Universo.
Roman poderá mapear o céu até 1.000 vezes mais rápido
É essa combinação que deve transformar o Roman em uma poderosa ferramenta para grandes levantamentos astronômicos.
De acordo com a NASA, o observatório poderá pesquisar o céu até 1.000 vezes mais rapidamente que o Hubble, mantendo sensibilidade e resolução infravermelha semelhantes.
Nos primeiros cinco anos de observações, a expectativa é que o Roman registre mais de 50 vezes a quantidade de céu que o Hubble cobriu em seus primeiros 30 anos.
Isso não torna um telescópio simplesmente “melhor” que o outro. O Roman foi desenvolvido especialmente para observar grandes áreas e encontrar enormes populações de objetos e fenômenos. Outros observatórios podem então investigar alvos específicos com instrumentos adequados a estudos mais detalhados.

Para que servirá a câmera de 300 megapixels?
O WFI observará o Universo do visível ao infravermelho próximo. A capacidade de cobrir enormes regiões do céu permitirá que os pesquisadores estudem desde objetos relativamente próximos até galáxias extremamente distantes.
Entre os grandes objetivos do Roman estão investigar a energia escura e a matéria escura, mapear bilhões de galáxias, estudar a evolução do Universo e procurar planetas fora do Sistema Solar.
Essa escala também aumenta a possibilidade de encontrar fenômenos raros. Em vez de observar apenas uma pequena região por vez, o telescópio poderá construir panoramas cósmicos gigantescos e identificar alvos que posteriormente poderão ser estudados por outros observatórios.
A astronomia moderna depende justamente da combinação de diferentes tipos de instrumentos. O Hubble continua revelando fenômenos dentro e fora do Sistema Solar, enquanto missões especializadas conseguem responder a outras perguntas. A NASA, por exemplo, utilizou dados da OSIRIS-REx para melhorar substancialmente o conhecimento da órbita de Bennu; o Overdrive explicou qual é a chance real de o asteroide atingir a Terra e por que ele continua sendo monitorado.
Roman também vai procurar exoplanetas
Uma das frentes científicas do observatório será a busca por mundos fora do Sistema Solar. A NASA espera que os levantamentos do Roman revelem milhares de planetas por meio de microlentes gravitacionais, além de ampliar o conhecimento estatístico sobre sistemas planetários.
O telescópio também carrega o Coronagraph Instrument. Diferentemente do WFI, ele é uma demonstração tecnológica destinada a testar técnicas avançadas para bloquear o intenso brilho de uma estrela e tornar objetos muito mais fracos ao redor dela observáveis.
A NASA informou que o coronógrafo também passou por sua primeira sequência de verificações após ser ativado. A tecnologia desenvolvida para esse instrumento poderá contribuir para futuras missões dedicadas à obtenção direta de imagens de planetas semelhantes à Terra.
Roman não substituirá o Hubble nem o James Webb
O Roman, o Hubble e o James Webb possuem características diferentes e podem trabalhar de maneira complementar.
O espelho primário do Roman possui 2,4 metros de diâmetro, o mesmo tamanho do espelho principal do Hubble. O James Webb utiliza um espelho muito maior, de 6,5 metros, e consegue realizar observações extremamente profundas no infravermelho.
O diferencial do Roman está na escala de seus levantamentos. Ele poderá localizar grandes quantidades de objetos interessantes espalhados por enormes áreas do céu, criando catálogos e mapas que poderão fornecer alvos para investigações posteriores.
É uma lógica semelhante à diferença entre observar uma pequena região com enorme atenção e fotografar um panorama gigantesco sem abrir mão de detalhes suficientes para encontrar o que merece ser investigado.
Roman foi lançado em agosto e está a caminho de L2
O Nancy Grace Roman Space Telescope deixou a Terra em 30 de agosto de 2026, às 7h26 no horário da costa leste dos Estados Unidos, a bordo de um Falcon Heavy da SpaceX, a partir do Complexo de Lançamento 39A do Kennedy Space Center, na Flórida.
A informação consta no comunicado oficial do lançamento publicado pela NASA.
O observatório iniciou então uma viagem de aproximadamente três meses e 1 milhão de milhas — cerca de 1,6 milhão de quilômetros — em direção à sua órbita operacional na região do ponto de Lagrange L2 do sistema Sol-Terra.
O James Webb também opera ao redor de L2. A região oferece condições favoráveis para observatórios espaciais por permitir uma geometria relativamente estável em relação à Terra e ao Sol.
Enquanto viaja, o Roman passa por implantações, ativações, testes e calibrações. A ativação do WFI representa uma das etapas centrais desse processo.
Quando veremos as primeiras imagens do telescópio Roman?
A NASA ainda precisa concluir o comissionamento e o alinhamento óptico antes que o Roman esteja pronto para começar sua produção científica regular.
Por isso, os registros desfocados obtidos agora não devem ser confundidos com as futuras imagens do observatório. Eles são dados técnicos usados durante a calibração.
A expectativa da NASA é que as primeiras imagens científicas sejam divulgadas no início de 2027. A partir daí, a combinação entre a câmera de 300 megapixels e o enorme campo de visão começará a mostrar sua principal vantagem: observar grandes parcelas do Universo com um nível de detalhe que antes exigiria um número muito maior de exposições.
O Roman chega a uma geração de observatórios que continuam ampliando tanto a profundidade quanto a escala das observações espaciais. Para acompanhar outros fenômenos astronômicos, o Overdrive também mostrou como foi o eclipse lunar quase total de agosto de 2026 e detalhou as recentes descobertas do Hubble na atmosfera de Saturno.
Perguntas frequentes
Quantos megapixels tem a câmera do telescópio Roman?
O Wide Field Instrument do Nancy Grace Roman possui aproximadamente 300 megapixels, distribuídos por um conjunto de 18 detectores.
O Roman é 200 vezes mais potente que o Hubble?
Não. O número se refere à área do céu observada em uma comparação específica: as imagens infravermelhas da Wide Field Camera 3 do Hubble cobrem uma região aproximadamente 200 vezes menor que uma imagem do WFI do Roman. Isso não significa resolução ou “potência” 200 vezes superior.
Quando o telescópio Roman começará a funcionar?
O observatório já está funcionando e passando pelo processo de comissionamento, mas as operações científicas dependem da conclusão das calibrações. As primeiras imagens científicas são esperadas para o início de 2027.
O Roman vai substituir o Hubble?
Não. Os observatórios possuem capacidades complementares. O grande diferencial do Roman é seu enorme campo de visão combinado a resolução infravermelha semelhante à do Hubble.
Fontes: NASA, NASA Goddard Space Flight Center e Nancy Grace Roman Space Telescope Mission.

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