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O chamado super El Niño de 2026 já está em curso, mas a expressão não é uma classificação científica. Ela é usada para descrever um El Niño de intensidade excepcional, capaz de alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. O fenômeno foi confirmado em junho, e a previsão atual aponta para um pico em dezembro de 2026.
No Brasil, o alerta ganhou força com a publicação do quinto boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado por órgãos federais em 29 de outubro. O documento indica maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul, de seca em grande parte do Norte e áreas do Nordeste e de temperaturas elevadas em boa parte do país entre novembro e janeiro.
O que é o super El Niño e por que ele preocupa?
O El Niño é um fenômeno natural marcado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, acompanhado de mudanças na circulação atmosférica. Com o enfraquecimento dos ventos alísios, a água quente se espalha para o centro e o leste do oceano e modifica a formação de nuvens e as rotas da umidade. Seus efeitos podem ser sentidos a milhares de quilômetros do Pacífico.
Em episódios de El Niño, o aquecimento na região monitorada do Pacífico costuma atingir ao menos 0,5 °C acima da referência por um período prolongado, junto de sinais atmosféricos compatíveis. Já “super El Niño” é um apelido popular: a Organização Meteorológica Mundial (OMM) trabalha com categorias como forte e muito forte, sem adotar oficialmente a palavra “super”.

Quando o super El Niño 2026 deve atingir o pico?
A projeção publicada pela OMM em 21 de outubro indica que o aquecimento deve atingir seu auge por volta de dezembro de 2026. A média dos modelos climáticos projeta uma anomalia próxima de 3,8 °C na região Niño 3.4 no trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027. Esse número é previsão de temperatura do mar em uma área específica, não um aumento de 3,8 °C na temperatura do Brasil.
O cenário pode ser histórico, mas ainda não é um recorde confirmado. Em 8 de outubro, a agência norte-americana NOAA estimou 83% de probabilidade de um episódio que superasse a intensidade dos eventos anteriores desde 1950, segundo o índice relativo trimestral usado pelo órgão. A expectativa é de que o El Niño persista ao menos até o primeiro trimestre de 2027.

Como o super El Niño pode afetar o Brasil?
A previsão oficial para novembro de 2026 a janeiro de 2027 não indica um único efeito para todo o país. Segundo INMET, INPE e Cemaden, o cenário varia por região:
- Sul: maior chance de chuvas acima da média, com atenção para cheias e inundações. No Rio Grande do Sul, a tendência de temperatura para o trimestre é de valores abaixo da média, uma exceção em relação ao restante do país.
- Norte: tendência de menos chuva em grande parte da região, com calor e maior risco de agravamento da seca e propagação de incêndios.
- Nordeste: algumas áreas podem registrar precipitação abaixo do normal, ampliando a preocupação com abastecimento de água e agricultura. Não significa que toda a região ficará sem chuva.
- Sudeste e Centro-Oeste: há áreas com maior probabilidade de chuva acima da média e outras com possibilidade de déficit. O padrão não é uniforme, e a temperatura tende a ficar acima do normal em grande parte do território.
Os impactos não são apenas futuros. Com dados parciais de outubro, o Cemaden identificou 68 municípios em situação de seca extrema e 232 em seca severa, ante quatro e 153, respectivamente, em agosto. O levantamento também aponta persistência do risco hidrológico no Sul. Esses registros não permitem atribuir cada desastre isolado exclusivamente ao El Niño.
O que fazer diante da previsão de chuva forte ou seca?
El Niño é um indicador climático de longo prazo, não uma previsão de tempestade para um dia ou bairro específico. Para decisões práticas, acompanhe os avisos do INMET e a Defesa Civil de sua cidade. Para receber alertas por SMS, envie o CEP ao número 40199, conforme orientação da Defesa Civil Nacional.
Também vale conferir um dos aplicativos de previsão do tempo para Android e iPhone reunidos pelo Overdrive. Mesmo serviços que usam modelos avançados, como o WeatherNext 3 do Google, não substituem avisos oficiais de risco.
Fontes consultadas: Painel El Niño 2026-2027 nº 5 (29/10/2026), NOAA/CPC (08/10/2026), OMM (21/10/2026) e NASA Earth Observatory (23/10/2026).

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