NASA encontra na Lua uma cratera de 222 metros que só surge uma vez por século

Batizada de McGetchin, formação nasceu após o impacto de um asteroide ou cometa em 2024 e é a maior cratera recém-formada já encontrada no Sistema Solar

Região da Lua onde a nova cratera McGetchin foi identificada pela NASA
Comparação de imagens do Lunar Reconnaissance Orbiter revelou uma grande alteração na superfície lunar. Imagem: NASA Goddard/Intuitive Machines/Robert Wagner
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Algo grande atingiu a Lua há pouco mais de dois anos sem que ninguém percebesse no momento. O resultado foi uma cratera de 222 metros de largura e cerca de 43 metros de profundidade, grande o suficiente para chamar a atenção imediatamente quando finalmente apareceu em uma comparação de imagens da superfície lunar.

A descoberta foi divulgada pela NASA nesta quarta-feira (16). Batizada oficialmente de McGetchin, a cratera teria se formado entre 11 de abril e 22 de maio de 2024, depois que um asteroide ou cometa atingiu a Lua.

O mais impressionante é a raridade. Segundo os pesquisadores, um impacto dessa magnitude deve acontecer na Lua aproximadamente uma vez por século ou até com intervalos maiores. Estimativas apresentadas pela Universities Space Research Association colocam a frequência em aproximadamente uma ocorrência a cada 130 anos.

Região da Lua onde a nova cratera McGetchin foi identificada pela NASA
Comparação de imagens do Lunar Reconnaissance Orbiter revelou uma grande alteração na superfície lunar. Imagem: NASA Goddard/Intuitive Machines/Robert Wagner

Cratera apareceu depois de uma colisão ocorrida em 2024

A NASA conseguiu restringir bastante a data do impacto graças às imagens feitas pelo Lunar Reconnaissance Orbiter, o LRO. Fotografias anteriores mostravam o local intacto, enquanto registros posteriores já apresentavam a enorme marca deixada pela colisão.

Os pesquisadores concluíram que o objeto atingiu a região oriental da Lua entre abril e maio de 2024.

Não se sabe exatamente o que caiu ali. A principal explicação é um fragmento de asteroide ou cometa. A NASA estima que o objeto poderia ter dimensões comparáveis às de um prédio de três a seis andares.

Sem uma atmosfera densa como a da Terra para frear ou destruir boa parte dos objetos que chegam do espaço, a superfície lunar recebe impactos constantemente. O Overdrive já mostrou, por exemplo, como um asteroide pode passar extremamente perto da Terra sem necessariamente representar risco de colisão.

A nova cratera tem 222 metros de largura

As medições posteriores mostraram que McGetchin possui aproximadamente:

  • 222 metros de diâmetro;
  • 43 metros de profundidade;
  • material ejetado espalhado por centenas de metros ao redor;
  • uma região termicamente alterada que se estende por vários quilômetros.

O diâmetro equivale aproximadamente ao comprimento de dois campos de futebol colocados em sequência.

Vista de cima da cratera McGetchin recém-formada na Lua
Imagem de alta resolução mostra a cratera McGetchin e o material lançado pelo impacto. Foto: NASA Goddard/Intuitive Machines

A imagem acima foi registrada pela câmera de ângulo estreito do LRO em 5 de dezembro de 2025, depois que os pesquisadores perceberam a alteração em imagens mais amplas da Lua.

A NASA encontrou a cratera por acaso

A história da descoberta também é incomum.

Robert Wagner, especialista em processamento de imagens que trabalha com dados do LRO, fazia uma verificação rotineira de qualidade em 24 de outubro de 2025 quando percebeu uma mancha extremamente clara cercada por uma região escura.

Para encontrar mudanças na Lua, o sistema reúne centenas de fotografias capturadas em épocas diferentes. Regiões que permaneceram iguais tendem a se sobrepor. Alterações recentes aparecem como pontos claros ou escuros.

Normalmente, o método gera inúmeros pequenos candidatos que precisam ser analisados manualmente. McGetchin foi diferente: o padrão de detritos era tão grande que chamou atenção imediatamente.

Depois disso, a NASA direcionou as câmeras de maior resolução do LRO para o local.

Vista lateral da nova cratera McGetchin na superfície da Lua
Vista oblíqua registrada em março de 2026 ajuda a mostrar a profundidade da nova cratera. Imagem: NASA Goddard/Intuitive Machines

Impacto criou uma área mais fria de vários quilômetros

McGetchin não alterou apenas os 222 metros ocupados pela cratera.

O instrumento térmico Diviner, também instalado no LRO, encontrou uma região com aproximadamente 6,4 quilômetros de largura ao redor do impacto que fica cerca de 9 °C mais fria durante a noite do que o terreno próximo.

A explicação está no regolito, a camada de poeira, pedras e fragmentos que cobre a superfície lunar. A violência do impacto deixou esse material mais solto e menos denso, fazendo com que retenha menos calor.

Esse resultado interessa diretamente a futuras missões lunares. Mudanças na densidade do terreno podem, por exemplo, alterar a maneira como rodas de veículos e equipamentos interagem com o solo.

Lua ganha inúmeras crateras novas todos os anos

McGetchin é gigantesca para uma formação recente, mas novos buracos aparecem constantemente.

Em mais de 17 anos de operação, o Lunar Reconnaissance Orbiter permitiu identificar pelo menos mil novas crateras de impacto e cerca de 100 mil outras modificações na superfície relacionadas a colisões ou ao material arremessado por elas.

A NASA estima que impactos capazes de gerar crateras com cerca de nove metros aconteçam aproximadamente 140 vezes por ano em diferentes regiões da Lua.

Eventos como McGetchin são outra história. A escala coloca a colisão em uma categoria estatisticamente muito mais rara.

É a maior cratera do Sistema Solar?

Não. Esse detalhe é importante.

A NASA descreve McGetchin como a maior cratera recém-formada já encontrada no Sistema Solar. Isso significa que os cientistas conseguiram estabelecer que ela não existia anteriormente e acompanhar sua formação dentro de uma janela de tempo extremamente recente.

Existem crateras e bacias de impacto incomparavelmente maiores.

A própria Lua possui a gigantesca bacia do Polo Sul-Aitken, com aproximadamente 2.500 quilômetros de diâmetro e bilhões de anos de idade.

Portanto, o recorde de McGetchin está relacionado ao fato de ser uma cratera recém-formada observada pela ciência moderna, e não ao tamanho absoluto entre todas as estruturas do Sistema Solar.

Descoberta ajuda a entender os riscos para futuras bases lunares

Além da curiosidade científica, acompanhar colisões modernas permite calcular melhor a frequência com que diferentes tamanhos de objetos atingem a Lua.

Isso ganha importância à medida que agências espaciais e empresas planejam missões de longa duração, equipamentos permanentes e eventualmente instalações habitadas na superfície.

A Lua parece praticamente imóvel quando observada da Terra, mas o trabalho do LRO mostra um cenário muito mais dinâmico. Pequenos objetos continuam remodelando sua superfície continuamente.

Outros fenômenos recentes também têm mostrado como ainda existe muito a descobrir no Sistema Solar. O Hubble, por exemplo, revelou recentemente uma enorme estrutura de dez lados na atmosfera de Saturno.

Para quem acompanha astronomia, o Overdrive também explicou qual é a chance real de o asteroide Bennu atingir a Terra e acompanhou o eclipse lunar quase total visível no Brasil em agosto.

Fontes

Ciência e Mundo 2 matérias

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