Um dos problemas ambientais que mais assustaram o mundo nas décadas de 1980 e 1990 está mostrando sinais concretos de melhora. O buraco na camada de ozônio sobre a Antártida teve em 2025 uma de suas temporadas menos severas em mais de três décadas, segundo medições da NASA, da NOAA e da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Mas existe um detalhe importante: isso não significa que o buraco simplesmente continuará ficando menor a cada ano. Em setembro de 2026, sua área voltou a crescer rapidamente e chegou a aproximadamente 25 milhões de quilômetros quadrados, acima da média para esta época do ano.
As duas informações parecem contraditórias, mas mostram exatamente como a recuperação da camada de ozônio funciona: existe uma tendência positiva de longo prazo causada pela redução dos CFCs e de outras substâncias destruidoras do ozônio, enquanto temperatura, ventos e condições da estratosfera ainda provocam grandes oscilações de um ano para outro.

2025 teve o quinto menor buraco na camada de ozônio desde 1992
A NASA e a NOAA analisam a temporada antártica utilizando várias métricas. Uma delas é a área média ocupada pelo buraco durante o período de maior atividade, entre 7 de setembro e 13 de outubro.
Em 2025, essa média ficou em aproximadamente 18,7 milhões de km².
Considerando os anos desde 1992, quando a destruição severa do ozônio já estava bem estabelecida, foi o quinto menor resultado registrado pela série histórica da NASA.
| Ano | Área média do buraco* |
|---|---|
| 2019 | 9,3 milhões de km² |
| 2002 | 12 milhões de km² |
| 2017 | 17,4 milhões de km² |
| 2012 | 17,8 milhões de km² |
| 2025 | 18,7 milhões de km² |
*Média calculada pela NASA entre 7 de setembro e 13 de outubro de cada ano.
O pico diário de 2025 aconteceu em 9 de setembro, quando a área chegou a aproximadamente 22,9 milhões de km².
Para comparação, em 2006, um dos anos mais extremos da série, o buraco alcançou 29,6 milhões de km².
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Outro número mostra ainda melhor a diferença
O tamanho visto em um mapa não é a única maneira de medir a gravidade do fenômeno.
A Organização Meteorológica Mundial também acompanha o chamado déficit de massa de ozônio. Ele calcula quanto ozônio precisaria ser acrescentado à atmosfera para que toda a região afetada voltasse ao limite utilizado para definir o buraco.
Em 29 de setembro de 2025, o déficit máximo chegou a 36,7 milhões de toneladas.
A média entre 1990 e 2010 era de aproximadamente 50,1 milhões de toneladas.
Isso significa que o déficit registrado em 2025 ficou mais de 25% abaixo daquele observado durante algumas das décadas em que o problema foi mais intenso.
Então por que o buraco voltou a crescer em 2026?
Aqui está o ponto que evita uma interpretação errada dos dados.
O Copernicus Atmosphere Monitoring Service informou em 16 de setembro que o buraco de 2026 começou a se desenvolver em ritmo relativamente normal durante a segunda metade de agosto.
No fim daquele mês, porém, ele já havia alcançado aproximadamente 15 milhões de km², área ligeiramente maior que toda a Antártida.
O crescimento acelerou durante a primeira metade de setembro.
Em 12 de setembro, a área estimada chegou a 25 milhões de km², aproximadamente 5 milhões de km² acima da média histórica para esta época do ano.

Isso não significa que a recuperação observada nas últimas décadas tenha sido revertida.
O próprio Copernicus destaca que outras duas medidas importantes, a concentração mínima de ozônio dentro da região afetada e o déficit de massa de ozônio, permaneciam próximas das médias históricas.
Em outras palavras, o buraco estava muito espalhado geograficamente, mas outros indicadores não apresentavam a mesma anomalia.
O frio sobre a Antártida ajuda a explicar 2026
O crescimento acelerado coincidiu com uma queda brusca de temperatura na estratosfera, aproximadamente 20 quilômetros acima do Polo Sul.
Temperaturas extremamente baixas favorecem a formação das chamadas nuvens estratosféricas polares.
Essas nuvens oferecem as condições químicas necessárias para transformar compostos contendo cloro e bromo em formas altamente reativas. Quando a luz solar retorna à região durante a primavera austral, essas substâncias começam a destruir moléculas de ozônio rapidamente.
É também por isso que o fenômeno aparece todos os anos sobre a Antártida durante um período relativamente específico.
Temperatura, circulação atmosférica e intensidade do vórtice polar podem alterar bastante o resultado de uma temporada.
Um ano grande, portanto, não prova que a recuperação fracassou. Da mesma forma, um ano extremamente pequeno não significa que o problema terminou.
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O buraco na camada de ozônio não é literalmente um buraco
Apesar do nome, não existe uma abertura vazia na atmosfera.
Os cientistas chamam de “buraco” a região sobre a Antártida onde a quantidade total de ozônio cai abaixo de 220 Unidades Dobson, ou DU.
A Unidade Dobson mede quanto ozônio existe em uma coluna vertical da atmosfera.
Para ter uma ideia da escala, 100 DU equivalem a uma camada de ozônio puro de aproximadamente um milímetro de espessura caso todo o gás fosse comprimido até as condições de pressão e temperatura da superfície.
A camada de ozônio também é muito diferente do ozônio encontrado próximo ao solo.
Na estratosfera, ele funciona como uma espécie de filtro natural, absorvendo grande parte da radiação ultravioleta nociva emitida pelo Sol. Próximo à superfície, porém, o ozônio pode funcionar como poluente e prejudicar a saúde.
Por que a camada de ozônio começou a se recuperar?
A resposta passa principalmente por uma decisão tomada há quase quatro décadas.
Em 1987, países de todo o mundo assinaram o Protocolo de Montreal, criando um processo internacional para reduzir e posteriormente eliminar diversas substâncias capazes de destruir o ozônio.
Entre elas estavam os famosos clorofluorcarbonos, ou CFCs, utilizados durante décadas em geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, aerossóis, espumas e diferentes processos industriais.
Quando esses compostos chegam à estratosfera, a radiação ultravioleta libera átomos de cloro e bromo capazes de participar repetidamente de reações que destroem o ozônio.
O problema é que algumas dessas substâncias permanecem na atmosfera durante décadas ou até séculos.
Por isso, mesmo depois de sua produção ter sido drasticamente reduzida, a recuperação completa não poderia acontecer imediatamente.
Segundo cientistas da NOAA, a quantidade de substâncias destruidoras de ozônio presente na estratosfera antártica já caiu cerca de um terço desde o pico observado por volta do ano 2000.
Essa queda já é grande o suficiente para alterar o tamanho e a intensidade dos buracos observados atualmente.
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Quando a camada de ozônio estará completamente recuperada?
A resposta depende da região do planeta.
A avaliação científica internacional mais recente concluída pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela OMM estima que, se as políticas atuais forem mantidas, os níveis de ozônio devem retornar aproximadamente aos valores de 1980 nas seguintes datas:
- restante do mundo: por volta de 2040;
- Ártico: aproximadamente 2045;
- Antártida: aproximadamente 2066.
A região antártica demora mais porque é justamente ali que as condições atmosféricas favorecem a destruição sazonal mais intensa.
Essas previsões ainda podem ser atualizadas. Uma nova avaliação científica quadrienal do Protocolo de Montreal está sendo preparada em 2026 e deverá consolidar o conhecimento acumulado desde o relatório anterior.
Então a camada de ozônio está salva?
A palavra mais correta é recuperando.
Os dados das últimas décadas mostram uma tendência consistente de melhora e os resultados de 2024 e 2025 reforçaram essa direção. Ao mesmo tempo, a temporada de 2026 demonstra que o buraco continuará aparecendo e poderá ser grande em determinados anos.
O caso da camada de ozônio é importante justamente porque permite observar uma mudança ambiental em escalas diferentes.
No curto prazo, temperatura e circulação atmosférica conseguem transformar bastante um ano específico.
No longo prazo, a redução das substâncias destruidoras de ozônio está gradualmente retirando da atmosfera o combustível químico que tornou o problema tão severo no final do século passado.
Quase 40 anos depois da assinatura do Protocolo de Montreal, os instrumentos conseguem detectar o resultado.
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Perguntas frequentes
O buraco na camada de ozônio está diminuindo?
Existe uma tendência de recuperação de longo prazo. A temporada de 2025 foi uma das menos severas desde 1992, mas o tamanho varia bastante de um ano para outro.
Por que o buraco de 2026 ficou maior?
Uma queda de temperatura na estratosfera antártica favoreceu condições químicas que aceleram a destruição do ozônio. Em 12 de setembro, a área chegou a aproximadamente 25 milhões de km².
2026 significa que a recuperação acabou?
Não. Outros indicadores de 2026 permaneciam próximos das médias históricas, e uma única temporada não é suficiente para determinar a tendência de longo prazo.
O que causou o buraco na camada de ozônio?
Principalmente substâncias produzidas pelo ser humano que liberam cloro e bromo na estratosfera, incluindo CFCs e halons. Esses compostos foram amplamente utilizados em refrigeração, aerossóis, espumas e outros produtos.
Quando o buraco na Antártida deve se recuperar?
As projeções internacionais mais recentes apontam para aproximadamente 2066, desde que as atuais políticas de proteção da camada de ozônio sejam mantidas.
O aquecimento global e o buraco na camada de ozônio são a mesma coisa?
Não. São fenômenos diferentes, embora existam interações entre clima e química atmosférica. A destruição da camada de ozônio está ligada principalmente a substâncias que liberam cloro e bromo, enquanto o aquecimento global está associado ao aumento de gases de efeito estufa.
Fontes
- Organização Meteorológica Mundial: Ozone and UV Bulletin No. 4, setembro de 2026
- NASA e NOAA: 2025 Ozone Hole
- NASA Ozone Watch: série histórica
- Copernicus Atmosphere Monitoring Service: situação do buraco em 2026
Atualizado em 18 de setembro de 2026 com os dados mais recentes do Copernicus para a temporada antártica de 2026.

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