Tópicos
- O que os cientistas encontraram no dinossauro de 115 milhões de anos?
- Como vestígios de sangue poderiam sobreviver por 115 milhões de anos?
- O sangue do dinossauro foi realmente preservado?
- O estudo encontrou DNA de dinossauro?
- Onde foi encontrado o Aratasaurus museunacionali?
- Qual era o tamanho do dinossauro?
- Por que a descoberta pode mudar o estudo dos dinossauros?
- Perguntas frequentes sobre a descoberta
- Foi encontrado sangue líquido dentro do dinossauro?
- Qual dinossauro brasileiro apresentou os vestígios?
- Quando o fóssil foi descoberto?
- A descoberta prova que é possível recuperar DNA de dinossauro?
- Fontes científicas
Um dinossauro que viveu no Brasil há cerca de 115 milhões de anos pode ter preservado vestígios de sangue dentro dos próprios ossos. Cientistas identificaram estruturas semelhantes a glóbulos vermelhos e sinais químicos associados à hemoglobina em um fóssil encontrado no Ceará. A descoberta abre novas possibilidades para entender a biologia dos animais pré-históricos.
O fóssil pertence ao Aratasaurus museunacionali, um dinossauro carnívoro que viveu durante o período Cretáceo. O estudo foi publicado on-line em 2 de novembro de 2026 na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e reúne pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais.
Apesar da descoberta, isso não significa que os cientistas encontraram sangue líquido, células vivas ou DNA preservado. Os resultados envolvem estruturas mineralizadas e vestígios moleculares, cuja interpretação ainda é debatida.
O que os cientistas encontraram no dinossauro de 115 milhões de anos?
Os pesquisadores examinaram ossos da perna direita do Aratasaurus e encontraram numerosas estruturas microscópicas dentro de canais vasculares. Esses canais faziam parte do sistema de circulação sanguínea do osso quando o animal estava vivo.
As pequenas estruturas apresentavam características que, segundo os autores, são compatíveis com glóbulos vermelhos fossilizados. Entretanto, foi a combinação dessas imagens com análises químicas que tornou a descoberta particularmente importante.
Os testes identificaram heme B e compostos relacionados, associados à hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue.
Para investigar a origem desse material, a equipe utilizou diferentes técnicas, incluindo espectrometria de massas, espectroscopia Raman e microscopia eletrônica. As análises também localizaram sinais de ferro, carbono e nitrogênio associados às microestruturas.
Outra etapa importante foi comparar a composição química dos ossos com a rocha que os envolvia. Enquanto o material ósseo apresentou compostos relacionados ao heme, o sedimento exibiu assinaturas diferentes, associadas a pigmentos de organismos fotossintetizantes. Essa diferença fortalece a hipótese de que parte dos vestígios pertence ao próprio dinossauro.
Como vestígios de sangue poderiam sobreviver por 115 milhões de anos?
A preservação de estruturas tão delicadas durante milhões de anos é incomum. Depois da morte de um animal, células e moléculas orgânicas normalmente começam a se decompor, principalmente pela ação de microrganismos e pelas transformações químicas do ambiente.
No caso do Aratasaurus, os pesquisadores propõem que condições específicas de soterramento tenham contribuído para preservar vestígios de sua biologia.
Segundo o estudo, o animal pode ter sido rapidamente coberto por sedimentos em um ambiente com pouco oxigênio e presença de comunidades microbianas. Essas condições teriam favorecido processos de mineralização antes que todas as estruturas microscópicas fossem destruídas.
Um dos minerais identificados foi a hausmannita, um óxido de manganês que pode ter ajudado a estabilizar ou reproduzir a forma das estruturas celulares.
Isso não significa que as células permaneceram intactas como eram em vida. A hipótese envolve a transformação e a conservação parcial de suas características físicas e químicas.

O sangue do dinossauro foi realmente preservado?
O estudo apresenta evidências químicas de material relacionado ao sangue, mas a identificação das estruturas como glóbulos vermelhos ainda não é consenso.
Os autores consideram que a combinação entre a localização das estruturas, a morfologia observada e a presença de compostos relacionados ao heme constitui um conjunto particularmente forte de evidências.
Entretanto, a paleontóloga molecular Mary Schweitzer, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, levantou questionamentos sobre a aparência das supostas células sanguíneas.
Em entrevista ao site científico Live Science, a especialista explicou que os glóbulos vermelhos de aves e répteis normalmente possuem núcleo, diferentemente dos encontrados nos mamíferos.
As estruturas mostradas no novo estudo não apresentam claramente a saliência característica desse núcleo e também levantam dúvidas sobre suas dimensões. Por isso, Schweitzer considera que a interpretação celular ainda exige cautela, embora reconheça a importância da abordagem molecular utilizada pelos pesquisadores.
A distinção é relevante: identificar compostos associados ao sangue não equivale necessariamente a demonstrar que cada estrutura microscópica encontrada corresponde a uma célula sanguínea original.
O estudo encontrou DNA de dinossauro?
Não. Os pesquisadores não apresentaram evidências de DNA preservado do Aratasaurus.
O estudo também identificou aminoácidos relacionados ao colágeno, uma proteína estrutural presente em ossos e outros tecidos. Porém, isso não equivale à recuperação de uma proteína completa e funcional.
Segundo a pesquisadora Kliti Grice, da Universidade Curtin, na Austrália, a sobrevivência de vestígios moleculares e de estruturas semelhantes a células não demonstra que o material genético do animal tenha resistido ao mesmo processo.
Portanto, a descoberta não abre caminho imediato para clonar dinossauros como acontece na ficção científica. Seu valor está principalmente na possibilidade de estudar características biológicas que normalmente desaparecem durante a fossilização.
Onde foi encontrado o Aratasaurus museunacionali?
O Aratasaurus museunacionali foi encontrado em 2008, na Mina Pedra Branca, em Santana do Cariri, no Ceará. A região pertence à Bacia do Araripe, conhecida internacionalmente pela qualidade de seus registros fósseis.
A descoberta da espécie foi apresentada formalmente em julho de 2020, em um trabalho realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Regional do Cariri (Urca) e do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O nome Aratasaurus museunacionali homenageia o Museu Nacional, atingido por um incêndio em 2018. O fóssil sobreviveu porque estava em uma área que não foi afetada pelas chamas.
O material foi posteriormente depositado no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri. A nova pesquisa de 2026 representa uma análise mais aprofundada de um animal que já era conhecido pela ciência.
Qual era o tamanho do dinossauro?
O Aratasaurus era um dinossauro bípede e carnívoro, com comprimento estimado em aproximadamente 3,1 metros e massa de cerca de 34 quilos.
O indivíduo estudado provavelmente tinha aproximadamente quatro anos quando morreu, sendo considerado juvenil ou adulto jovem.
A espécie pertence ao grupo dos terópodes, que inclui diversos dinossauros carnívoros e a linhagem evolutiva que deu origem às aves modernas.

Por que a descoberta pode mudar o estudo dos dinossauros?
Tradicionalmente, grande parte do conhecimento sobre dinossauros depende de ossos, dentes, pegadas e outras estruturas que resistiram ao processo de fossilização.
A descoberta de possíveis vestígios celulares e moleculares amplia as ferramentas disponíveis para investigar a vida desses animais.
Com novas análises, os cientistas poderão explorar questões relacionadas à fisiologia, ao metabolismo e à evolução do transporte de oxigênio em espécies extintas.
Isso não significa que seja possível reconstruir completamente o funcionamento do organismo de um dinossauro apenas com esse fóssil. Os resultados ainda precisam ser comparados com outras amostras e avaliados por novas pesquisas.
O trabalho também mostra a importância dos acervos paleontológicos brasileiros. Um fóssil encontrado há quase duas décadas pode continuar produzindo informações científicas relevantes à medida que novas técnicas se tornam disponíveis.
Assim como ocorre em pesquisas que investigam vestígios de água em meteoritos de Marte, a combinação entre composição química, contexto geológico e diferentes métodos de análise é essencial para interpretar sinais preservados por períodos extremamente longos.
Perguntas frequentes sobre a descoberta
Foi encontrado sangue líquido dentro do dinossauro?
Não. O estudo identificou estruturas mineralizadas e sinais químicos relacionados ao sangue. Não foram encontradas amostras de sangue líquido ou células vivas.
Qual dinossauro brasileiro apresentou os vestígios?
O Aratasaurus museunacionali, dinossauro carnívoro que viveu há aproximadamente 115 milhões de anos na região que atualmente corresponde ao Ceará.
Quando o fóssil foi descoberto?
Em 2008. A espécie foi descrita oficialmente em 2020, enquanto o novo estudo sobre possíveis vestígios de sangue foi publicado on-line em 2 de novembro de 2026.
A descoberta prova que é possível recuperar DNA de dinossauro?
Não. Os resultados não demonstram a preservação de DNA. As evidências apresentadas são de natureza mineral, microscópica e química.
Fontes científicas
- PNAS: Heme signatures in mineralized red blood cells within vascular canals of a 115-million-year-old dinosaur bone (2026).
- Universidade Curtin: comunicado sobre a descoberta (2026).
- Museu Nacional/UFRJ: descrição e histórico do Aratasaurus museunacionali (2020).
- Live Science: análise da pesquisa e questionamentos de especialistas (2026).
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