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James Webb encontra no 3I/ATLAS algo que lembra os confins do Sistema Solar

Análise de partículas de gelo e poeira revela semelhanças surpreendentes entre o cometa vindo de outra estrela e objetos gelados além de Netuno

Cometa interestelar 3I/ATLAS fotografado pelo telescópio espacial Hubble, com brilho azulado e estrelas ao fundo
O cometa interestelar 3I/ATLAS em imagem registrada pelo Hubble em julho de 2025. Crédito: NASA/ESA/David Jewitt (UCLA)/Joseph DePasquale (STScI) (Foto: Space Telescope Science Institut)
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O cometa interestelar 3I/ATLAS voltou a surpreender os astrônomos. Uma nova análise de observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb revelou que o gelo liberado pelo objeto tem características diferentes das encontradas na maioria dos cometas conhecidos. Ao mesmo tempo, apresenta semelhanças com materiais presentes em corpos gelados que orbitam além de Netuno.

A descoberta foi apresentada em um estudo publicado em 26 de outubro de 2026 na revista científica The Astrophysical Journal Letters. Liderada pela pesquisadora Silvia Protopapa, do Southwest Research Institute (SwRI), a investigação oferece novas pistas sobre as condições em que o visitante interestelar se formou, muito antes de chegar ao Sistema Solar.

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James Webb encontra gelo incomum no 3I/ATLAS

Para investigar o objeto, os cientistas utilizaram o instrumento NIRSpec, espectrógrafo de infravermelho próximo do James Webb. As observações aconteceram em três momentos: agosto de 2025, dezembro de 2025 e abril de 2026.

O equipamento permitiu estudar a luz associada à nuvem de gases e partículas que envolve o cometa, conhecida como coma. Ao analisar essa luz, os pesquisadores conseguiram identificar assinaturas do gelo de água presente no material expelido.

Normalmente, o gelo dos cometas produz sinais característicos em três faixas do espectro infravermelho, próximas de 1,5, 2 e 3 micrômetros. No caso do 3I/ATLAS, porém, os resultados foram diferentes.

O sinal de 3 micrômetros apareceu com bastante intensidade, enquanto os outros dois eram extremamente fracos ou praticamente inexistentes.

Essa combinação chamou a atenção da equipe porque não corresponde ao comportamento observado na maioria dos cometas estudados anteriormente.

Três mapas produzidos pelo James Webb mostrando água, dióxido de carbono e monóxido de carbono no cometa 3I/ATLAS
Mapas espectrais do James Webb mostram a distribuição de água, dióxido de carbono e monóxido de carbono no 3I/ATLAS. Crédito: NASA/ESA/CSA/STScI.

O segredo pode estar na poeira misturada ao gelo

Os pesquisadores recorreram a modelos computacionais para entender o comportamento da luz observada pelo telescópio. A explicação mais compatível com os dados envolve partículas extremamente pequenas, com cerca de um micrômetro ou menos, formadas por gelo de água misturado a material sólido.

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Um micrômetro corresponde à milionésima parte de um metro. Embora partículas dessa dimensão também existam em cometas do Sistema Solar, o material observado no 3I/ATLAS parece conter uma proporção diferente de poeira incorporada ao gelo.

Essa mistura altera a maneira como a luz atravessa e interage com as partículas, enfraquecendo determinadas assinaturas no infravermelho.

Segundo a equipe, a diferença não está necessariamente no tamanho dos grãos, mas na quantidade de material não volátil misturado ao gelo.

Os cientistas também perceberam mudanças nas características das partículas entre as observações. Em abril de 2026, os dados favoreceram a presença de uma população adicional de grãos relativamente maiores e ricos em gelo.

Ainda não está claro se essas mudanças foram provocadas pelo aquecimento solar ou pela exposição de novas camadas de material à medida que a superfície do cometa sofreu erosão.

3I/ATLAS apresenta semelhanças com objetos além de Netuno

Uma das descobertas mais interessantes apareceu quando os pesquisadores compararam os dados do visitante interestelar com observações de objetos transnetunianos, corpos gelados que orbitam o Sol a distâncias superiores à de Netuno.

Esses objetos preservam materiais associados às primeiras etapas de formação do Sistema Solar. Em alguns deles, o James Webb encontrou características espectrais semelhantes às identificadas no 3I/ATLAS.

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A semelhança envolve principalmente a assinatura infravermelha do gelo de água. Isso não significa que os objetos tenham a mesma composição química ou compartilhem uma origem comum.

Mesmo assim, a comparação levanta uma possibilidade importante: os materiais que deram origem a corpos gelados em outros sistemas planetários podem apresentar propriedades físicas semelhantes às observadas nas regiões mais distantes do nosso próprio sistema.

Observações do cometa 3I/ATLAS feitas pelo James Webb em agosto de 2025, incluindo mapas de emissões infravermelhas
Observações infravermelhas do 3I/ATLAS obtidas pelo James Webb em agosto de 2025. Crédito: NASA/ESA/CSA/M. Cordiner (NASA-GSFC).

O James Webb descobriu de onde veio o 3I/ATLAS?

Ainda não. Embora a pesquisa ofereça novas informações sobre o material que formou o cometa, os astrônomos não identificaram a estrela ou o sistema planetário de onde ele partiu.

O 3I/ATLAS foi descoberto em julho de 2025 e se tornou o terceiro objeto interestelar confirmado atravessando o Sistema Solar, depois de 1I/’Oumuamua, identificado em 2017, e 2I/Borisov, descoberto em 2019.

Sua trajetória demonstra que ele veio de fora do Sistema Solar. Já sua composição funciona como um registro das condições físicas e químicas do ambiente em que se formou.

Pesquisas anteriores, incluindo um estudo publicado na revista Nature em junho de 2026, encontraram indícios de que o 3I/ATLAS pode ter se formado em condições extremamente frias e em um ambiente muito antigo.

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A nova investigação acrescenta uma peça a esse cenário ao mostrar como o gelo e a poeira podem estar organizados nas pequenas partículas liberadas pelo cometa.

O que a descoberta significa para a astronomia?

O interesse científico pelo 3I/ATLAS vai além de descobrir sua origem exata. Cometas interestelares transportam materiais formados ao redor de outras estrelas, oferecendo aos astrônomos uma oportunidade rara de investigar a formação de sistemas planetários distantes.

Se as semelhanças identificadas forem confirmadas por novas observações, elas poderão indicar que determinados processos responsáveis pela formação de partículas geladas se repetem em diferentes regiões da galáxia.

Por enquanto, os cientistas pretendem comparar os resultados com novas observações de cometas do Sistema Solar e de futuros visitantes interestelares.

O 3I/ATLAS continua sem revelar seu endereço de origem. Mas o gelo que transporta já começou a contar parte de sua história.

Fontes científicas

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