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Amazônia 1B: Brasil prepara avião da FAB para transportar novo satélite

Simulação em São José dos Campos validou o uso de aeronave da Embraer para transportar carga de 13 toneladas até a base de lançamento na Guiana Francesa

Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial mostra uma representação do transporte do satélite Amazônia 1B em uma aeronave da Força Aérea Brasileira. A cena é fictícia e não reproduz fielmente os equipamentos reais nem a operação de transporte.
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial mostra uma representação do transporte do satélite Amazônia 1B em uma aeronave da Força Aérea Brasileira. A cena é fictícia e não reproduz fielmente os equipamentos reais nem a operação de transporte.
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O Brasil deu mais um passo na preparação do Amazônia 1B, novo satélite desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Uma simulação realizada no aeroporto de São José dos Campos, no interior paulista, confirmou que o avião KC-390 Millennium, fabricado pela Embraer e operado pela Força Aérea Brasileira (FAB), pode acomodar a estrutura que levará o equipamento até a Guiana Francesa.

A operação envolve uma carga estimada em 13 toneladas, embora o satélite propriamente dito pese aproximadamente 638 quilos. A maior parte do peso corresponde ao contêiner de proteção e aos equipamentos necessários para preparar o lançamento, previsto para setembro de 2027.

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O teste não envolveu o transporte do satélite. Segundo informações divulgadas pelo g1 neste sábado (31), a simulação foi feita com o contêiner vazio e reuniu cerca de 30 profissionais do Inpe, da FAB e do aeroporto.

Como será o transporte do satélite Amazônia 1B?

A primeira etapa será retirar o equipamento das instalações de preparação do Inpe, em São José dos Campos, e levá-lo ao aeroporto. Embora o percurso seja relativamente curto, o deslocamento não poderá acontecer como uma operação convencional de cargas.

O contêiner, que pesa mais de sete toneladas mesmo sem o satélite, foi projetado para oferecer proteção térmica e reduzir os efeitos das vibrações. O objetivo é evitar que oscilações, impactos e mudanças de temperatura comprometam componentes que precisarão funcionar no ambiente espacial.

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Adenilson Roberto da Silva, coordenador-geral de Engenharia, Tecnologia e Ciências Espaciais do Inpe, informou ao g1 que o transporte terrestre deverá ocorrer a uma velocidade de apenas 20 km/h a 30 km/h.

Depois dessa etapa, o conjunto será embarcado no KC-390 Millennium. A aeronave brasileira possui capacidade nominal para transportar até 26 toneladas, mais do que o peso total previsto para a operação.

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A simulação verificou se o contêiner poderia ser acomodado no compartimento de carga da aeronave. O resultado foi positivo, mas isso não significa que o voo de transporte já tenha acontecido. A missão logística está programada para 2027.

Por que uma carga de 13 toneladas para um satélite de 638 quilos?

A diferença chama a atenção, mas tem uma explicação: as 13 toneladas representam a carga completa da operação, não o peso do Amazônia 1B.

Além do satélite, precisam viajar a estrutura de transporte e equipamentos utilizados nos procedimentos de preparação, verificação e integração antes do lançamento.

O contêiner funciona como uma proteção especializada. Um satélite de observação terrestre possui sistemas eletrônicos, sensores, mecanismos e componentes de precisão que não podem ser expostos desnecessariamente a choques mecânicos ou condições ambientais inadequadas.

Há ainda um desafio logístico: os equipamentos precisam chegar ao centro espacial em condições de passar pelos testes finais. A aprovação da simulação com o KC-390 resolve uma questão importante de acomodação da carga, mas não substitui as demais verificações da missão.

Amazônia 1B: Brasil prepara avião da FAB para transportar novo satélite

Quando o Amazônia 1B será lançado?

A previsão divulgada para o lançamento é setembro de 2027, embora ainda não exista uma data exata confirmada publicamente. O cronograma depende da conclusão dos testes do satélite, dos preparativos de transporte e da disponibilidade do lançador.

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O destino será o Centro Espacial Europeu, em Kourou, na Guiana Francesa. É importante esclarecer que o avião KC-390 não colocará o satélite em órbita: ele ficará responsável pelo transporte aéreo até a região da base espacial.

Amazônia 1B: Brasil prepara avião da FAB para transportar novo satélite

A viagem ao espaço será feita pelo foguete Vega-C, desenvolvido pela italiana Avio. O Inpe anunciou em janeiro de 2026 a assinatura de um contrato com a empresa norte-americana SpaceLaunch para os serviços de lançamento.

O contrato e a escolha do foguete foram confirmados oficialmente pelo Inpe.

Quando chegar à Guiana Francesa, o Amazônia 1B ainda precisará passar por verificações finais, carregamento de propelente e integração ao lançador. Somente depois dessas etapas poderá seguir para a contagem regressiva.

O que o satélite Amazônia 1B vai fazer no espaço?

O Amazônia 1B será o segundo satélite da família brasileira de observação da Terra e terá uma missão que vai além de fotografar florestas.

O projeto integra a missão AQUAE, dedicada ao monitoramento dos recursos hídricos, e representa uma contribuição brasileira à cooperação SABIA-Mar, desenvolvida em parceria com a Argentina.

Entre suas aplicações previstas estão a observação de águas continentais, oceanos, áreas costeiras, características do solo e variáveis ambientais relevantes para pesquisas climáticas.

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Uma das novidades é a utilização da reflectometria de sinais de navegação por satélite, conhecida como GNSS-R. A tecnologia permite aproveitar sinais transmitidos por sistemas de posicionamento, como o GPS, que são refletidos pela superfície terrestre.

Como funciona a tecnologia GNSS-R?

Em vez de depender apenas de imagens convencionais, o equipamento analisa o comportamento dos sinais refletidos por superfícies como a água e o solo. As características desses reflexos podem fornecer informações sobre as condições do ambiente.

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Entre os dados que a tecnologia poderá ajudar a estimar estão a umidade do solo, condições da superfície oceânica, ventos sobre o mar e características de regiões alagadas.

O instrumento também possui aplicações científicas no estudo de áreas congeladas permanentemente, conhecidas como permafrost.

A técnica já é utilizada em pesquisas espaciais internacionais, mas sua adoção no Amazônia 1B representa uma novidade para o programa brasileiro de satélites.

O equipamento também está associado a uma câmera multiespectral MUX, utilizada para obter imagens em diferentes faixas do espectro eletromagnético. Dessa forma, a missão combinará observações ópticas e medições baseadas em sinais refletidos.

Esses dados poderão complementar estudos de recursos hídricos, agricultura e clima, inclusive em cenários de variabilidade climática, como os discutidos na cobertura do Super El Niño de 2026 e seus impactos no Brasil. Isso não significa, porém, que o satélite sozinho será capaz de prever enchentes ou outros eventos extremos.

Equipe do Inpe prepara painel solar do Amazônia 1B para ensaio em câmara de vácuo térmico
Painel solar do Amazônia 1B durante preparação para ensaio de vácuo térmico no Laboratório de Integração e Testes. Foto: Divulgação/Inpe.

Qual a diferença entre o Amazônia 1 e o Amazônia 1B?

O primeiro Amazônia 1 foi lançado em 28 de fevereiro de 2021, a partir da Índia, utilizando um foguete PSLV. Desenvolvido pelo Inpe, tornou-se o primeiro satélite de observação da Terra inteiramente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil.

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Em fevereiro de 2026, o Inpe informou que o equipamento havia completado cinco anos em órbita, ultrapassando sua vida útil originalmente prevista de quatro anos. Nesse período, havia realizado mais de 26 mil voltas ao redor da Terra.

O Amazônia 1B aproveita a experiência acumulada pelo antecessor e reutiliza a Plataforma Multimissão (PMM), estrutura nacional que reúne sistemas essenciais para o funcionamento de satélites, como energia, controle de atitude, propulsão e gerenciamento térmico.

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A nova missão também aproveita equipamentos de reserva do primeiro satélite e acrescenta instrumentos destinados a ampliar as aplicações científicas.

Há outra diferença importante: em 2021, foi necessário transportar o Amazônia 1 até a Índia, utilizando uma aeronave Boeing de maior porte. Agora, a expectativa é realizar a operação com o KC-390 brasileiro, em uma viagem até a Guiana Francesa.

O que falta para o novo satélite brasileiro chegar ao espaço?

O teste de transporte representa um avanço, mas a preparação ainda não terminou. O satélite precisa completar procedimentos de integração, qualificação ambiental, verificação de sistemas e compatibilidade com o foguete.

Documentos do Inpe incluem atividades de testes em câmaras de vácuo térmico, verificações relacionadas à propulsão e avaliações dos equipamentos que viajarão ao espaço.

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Depois de declarado apto, o Amazônia 1B poderá ser transportado para Kourou, onde continuará a preparação até o lançamento.

O projeto também reforça a participação de São José dos Campos no setor aeroespacial brasileiro. A cidade abriga o Inpe e a Embraer, além de empresas e profissionais que participam de diferentes etapas do desenvolvimento de equipamentos espaciais.

Se o cronograma for cumprido, o lançamento de 2027 marcará mais uma etapa na construção da capacidade brasileira de observar o próprio território. O objetivo é ampliar a produção de dados ambientais e reduzir a dependência de fontes externas para determinadas aplicações científicas e governamentais.

Perguntas frequentes sobre o Amazônia 1B

O Amazônia 1B já foi lançado?

Não. Em 31 de outubro de 2026, o satélite permanece em preparação. O lançamento está previsto para 2027.

O satélite pesa 13 toneladas?

Não. O equipamento tem aproximadamente 638 quilos. As 13 toneladas correspondem à previsão de peso da carga completa de transporte.

O Amazônia 1B será lançado do Brasil?

Não. O plano é levá-lo do Brasil à Guiana Francesa, onde será lançado pelo foguete Vega-C.

O que o Amazônia 1B vai monitorar?

A missão terá aplicações em observação terrestre, recursos hídricos, oceanos, áreas costeiras e variáveis ambientais, utilizando instrumentos de imageamento e reflectometria GNSS-R.

Fontes da apuração

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