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Carro voador da Embraer pode operar no Sul do Brasil; veja as cidades

Eve fechou acordo para até 12 aeronaves elétricas com uma empresa gaúcha. Gramado, Florianópolis e Balneário Camboriú estão entre os destinos estudados, mas a estreia comercial depende de certificação

A possibilidade de usar um “carro voador” para viajar entre cidades do Sul do Brasil ganhou um novo passo nesta quarta-feira (4).
A possibilidade de usar um “carro voador” para viajar entre cidades do Sul do Brasil ganhou um novo passo nesta quarta-feira (4).
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A possibilidade de usar um “carro voador” para viajar entre cidades do Sul do Brasil ganhou um novo passo nesta quarta-feira (4). A Eve Air Mobility, empresa ligada à Embraer, anunciou um contrato com a FlyBIS para fornecer duas aeronaves elétricas, além de conceder o direito de compra de outras dez unidades. A operadora, sediada em Caxias do Sul (RS), pretende desenvolver serviços em Santa Catarina e na Serra Gaúcha.

Entre os destinos mencionados estão Florianópolis, Navegantes, Balneário Camboriú, Gramado e Bento Gonçalves. As ligações, porém, ainda são estudadas: não há rotas abertas ao público, preços de passagens ou datas de início confirmadas para essas cidades. A previsão atual para a estreia comercial do modelo é 2028, condicionada à certificação da aeronave e à preparação da infraestrutura.

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Ilustração do carro voador elétrico da Eve Air Mobility com identidade visual da FlyBIS sobre uma cidade litorânea
Projeção divulgada pela Eve mostra como poderá ser o eVTOL da FlyBIS. A imagem é ilustrativa, não um registro de operação comercial. Crédito: Eve Air Mobility/Divulgação.

Quais cidades poderão receber o carro voador da Embraer?

Em Santa Catarina, a FlyBIS estuda conexões entre Navegantes, Balneário Camboriú e Florianópolis. No Rio Grande do Sul, os planos incluem serviços voltados ao turismo na Serra Gaúcha, com Gramado e Bento Gonçalves entre os destinos citados no anúncio divulgado pela Embraer.

Isso não significa que todas essas cidades receberão voos imediatamente ou que haverá ligação direta entre cada uma delas. A definição dos trajetos depende de estudos de demanda, da instalação de pontos de pouso e decolagem, de autorizações e da viabilidade operacional de cada percurso. Porto Alegre não foi indicada como rota específica no comunicado desta quarta-feira.

FlyBIS fez pedido de 12 aeronaves?

Não exatamente. O acordo anunciado agora tem duas encomendas firmes. As dez unidades restantes são direitos de compra que poderão ou não ser exercidos. As empresas não divulgaram o valor do contrato.

O número também mostra uma mudança em relação aos planos originais. Em dezembro de 2022, a parceria entre Eve e FlyBIS foi apresentada com uma carta de intenção para até 40 eVTOLs. Quase quatro anos depois, o novo compromisso é mais concreto, mas abrange um volume inicial bem menor.

A diferença importa porque cartas de intenção não equivalem, necessariamente, a aviões vendidos ou entregues. O anúncio representa um avanço comercial para a Eve, não a confirmação de uma frota de 12 unidades já em operação no Sul.

Protótipo real do carro voador eVTOL da Eve visto de frente na área de testes, com oito rotores distribuídos nas asas
Protótipo em escala real do eVTOL da Eve. A aeronave ainda está em campanha de ensaios, sem autorização para transporte comercial de passageiros. Foto: Eve Air Mobility/Divulgação.

Quando o carro voador da Embraer vai começar a transportar passageiros?

A projeção atual é 2028. Esse é o horizonte mencionado pelo Ministério de Portos e Aeroportos após uma reunião com a Eve, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e outros órgãos do setor em setembro de 2026. A data não constitui uma garantia de que os voos comerciais começarão naquele ano, muito menos de que as rotas da FlyBIS terão estreia simultânea.

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O programa já teve cronogramas mais otimistas, incluindo previsões anteriores para 2026 e 2027. Por enquanto, o modelo segue em desenvolvimento. Seu primeiro voo com um protótipo não tripulado ocorreu em dezembro de 2025, nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP).

Segundo a atualização publicada pela Eve em 4 de novembro, o protótipo acumula mais de 70 voos de teste. A aeronave já concluiu etapas de voo pairado e de baixa velocidade e avança nos ensaios de transição, quando o voo deixa de depender apenas dos rotores verticais e passa a aproveitar a sustentação das asas. Em agosto, a companhia realizou um teste com acionamento da hélice propulsora traseira durante o voo.

Carro voador da Eve Air Mobility realizando teste de voo a baixa altura sobre pista em São Paulo
eVTOL da Eve em ensaio de voo. Em agosto de 2026, a empresa iniciou testes de transição com o propulsor traseiro. Foto: Eve Air Mobility/Divulgação.

Como funciona o eVTOL da Eve e quantas pessoas cabem?

Apesar do apelido, o projeto não é um automóvel capaz de decolar da rua. Trata-se de uma aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical, o chamado eVTOL, pensada para deslocamentos curtos e para funcionar como uma espécie de táxi aéreo.

A configuração da Eve combina oito rotores usados na decolagem e no pouso com asas fixas e um propulsor traseiro para o deslocamento à frente. A proposta é realizar o voo de cruzeiro com menor consumo de energia e ruído inferior ao de helicópteros de porte equivalente, embora isso ainda dependa das condições de operação e da conclusão dos testes.

Na configuração apresentada pela fabricante, o modelo tem autonomia projetada de aproximadamente 100 quilômetros e capacidade para quatro passageiros e um piloto. A companhia estuda uma configuração futura sem piloto a bordo, mas essa possibilidade exigirá desenvolvimento e aprovações adicionais. O eVTOL não será autônomo no início da operação.

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O projeto industrial prevê a fabricação das aeronaves em Taubaté (SP), em uma área vinculada à estrutura da Embraer. Essa preparação ocorre paralelamente ao trabalho de certificação e aos voos experimentais.

Quanto vai custar uma passagem no carro voador?

Ainda não há uma tarifa anunciada para os voos da FlyBIS. Também não foi divulgado o preço por unidade no contrato apresentado nesta quarta-feira. Por isso, qualquer valor em reais atribuído a passagens entre Gramado, Florianópolis ou outras cidades seria, neste momento, uma estimativa sem tabela oficial.

O custo efetivo da viagem dependerá de fatores que ainda estão sendo definidos: distância e demanda das rotas, estrutura de embarque, recarga, manutenção, disponibilidade de aeronaves e modelo comercial da operadora. A capacidade inicial de apenas quatro passageiros também influencia a economia de cada voo.

O que ainda falta para o carro voador operar no Brasil?

A certificação de segurança pela Anac é o primeiro requisito decisivo, mas não o único. Os operadores precisarão de infraestrutura adequada para pouso, decolagem e recarga, além de procedimentos para integrar as novas aeronaves ao controle do tráfego aéreo.

O Ministério de Portos e Aeroportos apontou, em setembro, que os preparativos envolvem questões como fornecimento de energia, segurança contra incêndio, telecomunicações e implantação dos chamados vertiportos.

O acordo da Eve com a FlyBIS indica onde o serviço pode começar a ganhar forma no Sul. A etapa seguinte é mais difícil: transformar aeronaves em teste e cidades no planejamento em uma operação regular, certificada e com passagens à venda.

Leia também no Overdrive: Grécia compra KC-390 da Embraer; Brasil prepara avião da FAB para transportar o Amazônia 1B; e NIO mostra outra tecnologia de mobilidade elétrica.

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