XDefiant aposta na fórmula de Call of Duty para tentar conquistar espaço no FPS online

XDefiant aposta na fórmula de Call of Duty para tentar conquistar espaço no FPS online

Shooter gratuito da Ubisoft aposta em gameplay arcade, facções inspiradas em franquias famosas e ritmo acelerado para competir no mercado de FPS online.

Por Matheus Cabral maio 27, 2024 Jogado em PC

XDefiant entrega uma gameplay divertida e frenética inspirada nos clássicos Call of Duty, mas ainda sofre com problemas de spawn, progressão lenta e falta de personalidade nos operadores.

Prós

  • Gameplay rápida e divertida
  • Gunplay satisfatória
  • Facções inspiradas em franquias da Ubisoft funcionam bem
  • Boa variedade de armas e mapas

Contras

  • Problemas de spawn atrapalham partidas
  • Progressão das armas é lenta demais
  • Operadores têm pouca personalidade
  • Monetização pode afastar parte do público

O que você vai encontrar

Ver resumo
  • Desenvolvido por veteranos da franquia da Activision, o jogo não faz questão de esconder suas inspirações.
  • E, apesar de ainda apresentar problemas importantes, há uma base sólida aqui que pode render frutos caso a Ubisoft consiga manter suporte constante e ouvir a comunidade.
  • A sensação de jogar Call of Duty está por toda parte
  • A movimentação rápida, os confrontos frenéticos, o foco em reflexos e a estrutura das partidas lembram bastante os clássicos FPS arcade da geração Xbox 360 e PlayStation 3.

A franquia Call of Duty domina o segmento de FPS multiplayer há anos e raramente viu concorrentes ameaçarem sua posição de maneira real. Muitos jogos tentaram disputar esse espaço, mas poucos conseguiram gerar impacto consistente entre os jogadores. Agora, a Ubisoft tenta novamente entrar nessa disputa com XDefiant, um shooter gratuito claramente inspirado nos grandes nomes do gênero.

A publisher francesa já havia tentado algo parecido antes com Hyper Scape, battle royale lançado em 2020 que acabou rapidamente ofuscado por Warzone. Desta vez, porém, a proposta é diferente. Em vez de apostar em um battle royale futurista, XDefiant foca em partidas rápidas, gameplay arcade e combate competitivo em arenas menores, mirando diretamente os fãs dos antigos Call of Duty.

Desenvolvido por veteranos da franquia da Activision, o jogo não faz questão de esconder suas inspirações. E, apesar de ainda apresentar problemas importantes, há uma base sólida aqui que pode render frutos caso a Ubisoft consiga manter suporte constante e ouvir a comunidade.

A sensação de jogar Call of Duty está por toda parte

Desde os primeiros minutos, XDefiant deixa claro qual é sua proposta. A movimentação rápida, os confrontos frenéticos, o foco em reflexos e a estrutura das partidas lembram bastante os clássicos FPS arcade da geração Xbox 360 e PlayStation 3.

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Correr, deslizar, pular, trocar tiros em ritmo acelerado e construir classes personalizadas fazem parte da experiência o tempo inteiro. Felizmente, a movimentação melhorou bastante em relação aos testes anteriores. Antes do lançamento, o game transmitia uma sensação estranha de “deslize” durante a corrida, algo que agora parece muito mais refinado.

A personalização das armas também segue um caminho bastante familiar. O jogador pode modificar armamentos com acessórios para alterar atributos como estabilidade, mobilidade e dano. Há uma boa variedade disponível, incluindo rifles de assalto, submetralhadoras, escopetas, snipers, LMGs e pistolas.

A gunplay funciona bem. O impacto dos tiros, os sons das armas e a resposta dos confrontos transmitem uma sensação satisfatória. Existe, naturalmente, um meta que favorece algumas armas e builds específicas, mas isso faz parte de praticamente qualquer FPS competitivo online.

O time to kill também parece equilibrado na maior parte do tempo. É possível escapar de confrontos ao encontrar cobertura rapidamente, embora a ausência da opção de se deitar possa causar estranhamento para jogadores acostumados com outros shooters militares.

Spawn problemático ainda incomoda bastante

Apesar das qualidades na gameplay, XDefiant ainda sofre com problemas importantes de spawn. Em vários momentos, jogadores reaparecem extremamente próximos dos inimigos, o que gera mortes injustas e partidas frustrantes.

Isso fica ainda mais evidente no modo Escolta, onde os pontos de reaparecimento são mais fixos. Em algumas ocasiões, era comum surgir praticamente ao lado de um adversário já mirando no local.

Outro ponto que pode incomodar parte da comunidade é a progressão lenta das armas. Os níveis sobem devagar, e desbloquear todos os acessórios exige bastante tempo de jogo. Para quem gosta de experimentar builds rapidamente, o sistema pode parecer excessivamente demorado.

A maestria das armas também decepciona um pouco. Enquanto Call of Duty costuma oferecer diversas skins e desafios durante o processo, XDefiant simplifica tudo em apenas três recompensas principais: bronze, prata e ouro. Falta aquele sentimento constante de progressão cosmética que ajuda a manter muitos jogadores engajados.

As franquias da Ubisoft funcionam melhor do que parece

Um dos elementos mais interessantes de XDefiant está justamente nas facções inspiradas em franquias famosas da Ubisoft. Personagens e habilidades baseados em séries como Far Cry, Watch Dogs, The Division e Splinter Cell ajudam a criar identidade própria para o jogo.

Cada facção possui habilidades passivas, skills ativas e uma ultimate chamada Ultra. Embora exista inspiração clara em jogos como Overwatch, as habilidades aqui funcionam de maneira mais contida, sem dominar completamente o combate.

O foco continua sendo a troca de tiros. As skills ajudam bastante em situações específicas, mas raramente roubam o protagonismo da gunplay.

Também é interessante perceber como os desenvolvedores tentaram traduzir características das franquias para a gameplay. Os agentes inspirados em Splinter Cell, por exemplo, utilizam tecnologias furtivas, enquanto a DedSec aposta em hacks e interferências eletrônicas.

Isso abre espaço para um futuro promissor caso a Ubisoft continue expandindo o universo do jogo com novas facções. Franquias como Rainbow Six e até Assassin’s Creed parecem encaixar perfeitamente nesse modelo.

Falta personalidade nos operadores

Se por um lado as facções funcionam bem mecanicamente, os operadores em si ainda parecem genéricos demais.

Ao contrário de jogos como Overwatch, onde os personagens possuem interações constantes, diálogos marcantes e construção de personalidade durante as partidas, XDefiant mantém tudo muito superficial. Os operadores quase não interagem entre si e raramente demonstram carisma próprio.

O máximo de personalidade aparece nos narradores de cada facção, que fazem pequenas referências aos universos da Ubisoft. Pelo menos a dublagem brasileira continua muito competente, algo que já virou tradição nos jogos da empresa.

O futuro depende do suporte da Ubisoft

Como qualquer live service, XDefiant depende diretamente de atualizações frequentes para sobreviver. O lançamento foi bom, mas isso sozinho não sustenta um FPS multiplayer competitivo por muito tempo.

A monetização segue o padrão atual da indústria, baseada em skins, cosméticos e passe de batalha. Felizmente, não há elementos pay to win. O problema está no preço relativamente alto da moeda premium para o público brasileiro e na falta de recompensas gratuitas mais atrativas.

Se a Ubisoft quiser manter uma comunidade forte e ativa, precisará encontrar maneiras melhores de recompensar jogadores free to play. Eventos frequentes, novos mapas, armas, modos e facções serão fundamentais para evitar que o jogo perca força rapidamente.

Ainda assim, XDefiant começa de forma muito mais promissora do que Hyper Scape. A gameplay funciona, o combate é divertido e existe espaço real para crescer.

Para fãs de FPS arcade que sentem falta da pegada clássica de Call of Duty, vale a pena acompanhar.

Veredito

Nota 78

Defiant começa de forma mais promissora do que muitos esperavam. A Ubisoft conseguiu criar um FPS arcade sólido, divertido e com uma gunplay que lembra bastante os antigos Call of Duty, principalmente na velocidade das partidas e na sensação dos confrontos. O jogo ainda apresenta problemas importantes, como spawns inconsistentes, progressão lenta das armas e operadores sem muito carisma, mas existe uma base forte aqui. Se a Ubisoft conseguir manter atualizações frequentes, expandir o conteúdo e ouvir a comunidade, o título pode se transformar em um dos principais shooters gratuitos do mercado.

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