Dragon’s Dogma 2 aposta na exploração como seu grande destaque

Dragon’s Dogma 2 aposta na exploração como seu grande destaque

RPG da Capcom prioriza jornada aberta, combate marcante e vocações excelentes, mas perde força em missões pouco inspiradas e problemas técnicos

Por Gregory Felipe maio 1, 2024 Jogado em PlayStation 5

Dragon’s Dogma 2 entrega um mundo fascinante, combate excelente e exploração extremamente recompensadora, mas sofre com problemas técnicos e uma campanha pouco memorável.

Prós

  • Sistema de vocações é excelente
  • Combate contra criaturas gigantes impressiona
  • Exploração gera sensação real de aventura
  • Mundo aberto parece vivo e imprevisível

Contras

  • Campanha principal pouco memorável
  • Desempenho instável em vários momentos
  • Viagem rápida limitada pode frustrar
  • Missões nem sempre explicam bem seus objetivos

O que você vai encontrar

Ver resumo
  • Nesse aspecto, Dragon’s Dogma 2 constrói uma aventura que se sustenta pela atmosfera de descoberta constante.
  • Outro ponto que deve afastar muita gente é o fato de Dragon’s Dogma 2 não ser um RPG que conduz o jogador o tempo inteiro.
  • Se há um aspecto em que Dragon’s Dogma 2 realmente se destaca com autoridade, esse aspecto é o sistema de vocações.
  • Dragon’s Dogma 2 não é um RPG centrado em grandes missões ou em uma campanha que conduz o jogador com firmeza.

Dragon’s Dogma 2 é um ótimo RPG, mas está longe de ser um jogo para todo mundo. O novo título da Capcom tem ritmo próprio, visão muito particular de progressão e uma proposta que valoriza mais a jornada do que os objetivos em si. Em vez de entregar uma campanha tradicional, sempre guiando o jogador com clareza e grandes momentos roteirizados, o game prefere apostar em exploração, improviso e descobertas que surgem no caminho.

Essa escolha tem consequências claras. Para quem gosta de liberdade, aleatoriedade e sensação de aventura genuína, o jogo pode ser fascinante. Para quem espera missões marcantes, ritmo mais direto e estrutura mais tradicional de RPG, a experiência pode frustrar. Ainda assim, mesmo com falhas importantes, a Capcom conseguiu construir um mundo que recompensa curiosidade e transforma deslocamento, combate e experimentação em parte essencial da diversão.

O caminho importa mais do que o destino

Depois de algumas horas em Dragon’s Dogma 2, fica evidente que o jogo quer que você viva o percurso, não apenas cumpra objetivos. A viagem rápida é limitada, o deslocamento costuma ser longo e grande parte do tempo será gasta andando pelo mundo, enfrentando criaturas, ouvindo comentários dos peões e reagindo ao inesperado.

Essa decisão certamente vai desagradar uma parcela do público. Quem prefere agilidade e praticidade na locomoção pode enxergar o sistema como um obstáculo. Ainda assim, a limitação faz sentido dentro da proposta do jogo. Aqui, a diversão raramente está na missão em si, mas no que acontece enquanto você segue em direção a ela.

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Ataques repentinos, monstros colossais, novos caminhos, eventos não planejados e pequenas surpresas surgem com frequência suficiente para dar a sensação de que o mundo existe além do jogador. Nesse aspecto, Dragon’s Dogma 2 constrói uma aventura que se sustenta pela atmosfera de descoberta constante.

Mundo vivo faz diferença real na experiência

Um dos maiores méritos do RPG da Capcom está justamente nessa sensação de mundo vivo. O cenário parece operar com certa independência, e isso dá mais peso à exploração. Em vários momentos, a aventura lembra jogos que valorizam o trajeto e os sistemas emergentes, ainda que Dragon’s Dogma 2 siga por um caminho próprio e mais modesto em escopo.

O problema é que esse acerto convive com algumas limitações evidentes.

Se a exploração livre é um dos grandes trunfos do jogo, o mesmo não pode ser dito de boa parte da campanha. As missões principais até cumprem seu papel básico, mas raramente conseguem ser realmente memoráveis. Em muitos casos, falta criatividade, falta impacto e falta construção melhor do próprio percurso narrativo.

É fácil chegar ao fim da jornada lembrando pouco das quests e muito mais dos confrontos grandiosos que surgiram de forma quase aleatória durante a exploração. Isso diz bastante sobre onde o jogo brilha e também sobre onde ele deixa a desejar.

Campanha pode decepcionar quem busca grandes momentos

Para jogadores que valorizam enredo, grandes missões e sensação de progressão narrativa mais forte, essa estrutura pode ser decepcionante. O level design também oscila e, em alguns trechos, não acompanha a força do mundo aberto e dos sistemas de combate.

Nada disso anula as qualidades do jogo, mas ajuda a explicar por que ele pode causar estranhamento mesmo sendo claramente competente no que se propõe a fazer.

Outro ponto que deve afastar muita gente é o fato de Dragon’s Dogma 2 não ser um RPG que conduz o jogador o tempo inteiro. Pelo contrário. Em várias missões, o game exige atenção, intuição e disposição para explorar sem depender de explicações detalhadas.

Encontrar certas soluções, entender o funcionamento de algumas quests e até descobrir rotas específicas pode exigir paciência e observação. Para quem gosta desse tipo de abordagem, isso fortalece a sensação de aventura. Para outros jogadores, pode parecer apenas falta de clareza.

Quem já está acostumado a RPGs mais abertos talvez lide melhor com essa lógica. Para novatos, porém, algumas soluções podem parecer quase impossíveis de encontrar sem ajuda externa. Ainda assim, o jogo normalmente oferece pistas suficientes para quem aceita observar o ambiente, testar possibilidades e entender suas regras com calma.

É uma filosofia menos acolhedora, mas coerente com a proposta mais livre da experiência.

Sistema de vocações é um dos melhores do jogo

Se há um aspecto em que Dragon’s Dogma 2 realmente se destaca com autoridade, esse aspecto é o sistema de vocações. As classes têm peso real na gameplay, mudam a forma de abordar batalhas e ajudam a dar variedade constante à aventura.

À primeira vista, pode parecer que o ideal é escolher uma vocação e permanecer nela até o fim, maximizando habilidades e poder. Na prática, o jogo parece incentivar justamente o contrário. Alternar entre classes é natural, recompensador e ajuda bastante a experimentar diferentes estilos de combate.

Esse é um dos pontos mais interessantes do jogo. Usar um Combatente, um Ladrão, um Guerreiro ou um Arqueiro muda bastante a leitura dos confrontos e a maneira como você interage com os inimigos. As habilidades são diferentes, o ritmo muda e até a sensação geral das batalhas se transforma.

Enfrentar criaturas gigantes como Guerreiro tem um peso específico. Já derrubar inimigos enormes com um Arqueiro cria outro tipo de satisfação. O jogo acerta ao fazer com que cada vocação pareça realmente importante, e não apenas uma variação superficial do mesmo conjunto de golpes.

Combate é o grande espetáculo do RPG

O combate de Dragon’s Dogma 2 é um dos seus maiores acertos. Há impacto, variedade e sensação genuína de perigo, especialmente nos confrontos contra criaturas colossais. Esses embates ajudam a sustentar a aventura e frequentemente se tornam os momentos mais memoráveis da jornada.

Mesmo quando missões deixam a desejar, o jogo encontra força nas batalhas e na liberdade oferecida ao jogador para encarar o mundo do seu jeito. É aí que o fator de role play aparece com mais força: não apenas na construção do personagem, mas na forma como cada jornada parece sua.

Problemas técnicos e escolhas controversas seguram o voo

Apesar de todas as qualidades, Dragon’s Dogma 2 também carrega problemas claros. O desempenho é um deles. A instabilidade de FPS pesa e pode incomodar bastante em um jogo que depende tanto da imersão no mundo e da intensidade do combate.

Além disso, algumas escolhas de design certamente não serão bem recebidas por todo mundo. A campanha pouco marcante, a viagem rápida limitada e a necessidade constante de se virar sozinho tornam o jogo menos convidativo do que outros RPGs contemporâneos mais acessíveis.

Isso impede que o título alcance o mesmo patamar dos maiores nomes do gênero. Ainda assim, ele compensa parte dessas limitações com uma identidade muito clara. Em vez de tentar seguir fórmulas mais seguras, a Capcom entrega um RPG que aposta em liberdade, improviso e fascínio pela exploração.

Vale a pena jogar Dragon’s Dogma 2?

Vale, mas depende muito do tipo de experiência que você procura. Dragon’s Dogma 2 não é um RPG centrado em grandes missões ou em uma campanha que conduz o jogador com firmeza. O foco está no mundo, na exploração, no combate e na sensação de aventura aberta.

Quem aceita esse pacto provavelmente encontrará uma experiência muito especial. Quem busca algo mais guiado, mais polido e mais tradicional talvez se irrite com escolhas que o jogo faz desde o começo.

Veredito

Nota 86

Dragon’s Dogma 2 é um RPG que claramente não tenta agradar todo mundo. Sua estrutura valoriza exploração, improviso e liberdade acima de ritmo acelerado ou narrativa tradicional. Em vez de conduzir constantemente o jogador, o game prefere deixá-lo descobrir o mundo no próprio tempo, muitas vezes exigindo atenção, curiosidade e paciência.

Essa abordagem pode afastar quem busca uma experiência mais guiada, mas também é justamente o que torna o jogo tão especial em seus melhores momentos. O combate é excelente, o sistema de vocações oferece enorme variedade de gameplay e o mundo consegue transformar simples deslocamentos em aventuras imprevisíveis.

Os problemas técnicos, a campanha irregular e certas decisões de design impedem que o RPG alcance um nível ainda maior. Ainda assim, a Capcom entrega uma experiência cheia de identidade, capaz de criar momentos emergentes memoráveis e uma sensação constante de descoberta.

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