Saber qual personagem escolher primeiro em Fire Emblem: Fortune’s Weave é a primeira decisão importante do novo RPG tático da Nintendo, lançado na quinta-feira (17) para Nintendo Switch 2. Depois do prólogo, o jogo libera quatro campanhas, uma para cada protagonista: Cai, Dietrich, Theodora e Leda. Cada herói tem história, habilidades exclusivas e aliados próprios, e isso muda bastante o ritmo de cada campanha.
Para a maioria dos jogadores, a melhor rota para começar é a de Cai, que apresenta os sistemas com menos pressão e tem o mapa mais contido. Dietrich atende quem quer combate desde o início, Theodora exige mais familiaridade com a série e Leda aposta em suporte e numa trama de vingança. Como dá para trocar de herói entre as partidas do torneio, nenhuma escolha é definitiva, mas a ordem influencia o aprendizado, a compreensão da história e o preparo do exército para o ato final.

Como funciona a escolha entre os quatro heróis de Fortune’s Weave
A trama começa em 1454, com o Império Dagdano à beira da ruína após o retorno de Balor, um deus demônio ressuscitado. O jogador controla Eshmel, protagonista personalizável que desce dos céus a pedido da deusa Sothis, figura conhecida de Fire Emblem: Three Houses. Sem condições de enfrentar Balor sozinho, Eshmel aceita a proposta de Fortuna, deusa capaz de viajar no tempo: voltar a 1449 e mudar o destino de quatro heróis que disputaram os Heroic Games, torneio realizado na capital Dagsion cujo vencedor recebe um desejo.
Esses quatro protagonistas são chamados de Flame Lords. Após o prólogo, Eshmel chega à Obelisk Chamber, uma espécie de base com quatro obeliscos, e cada um deles dá acesso à campanha de um herói. As rotas se diferenciam pela missão especial de cada personagem, pelas Blaze Arts e pelo elenco de aliados, que costuma favorecer certos tipos de classe.
Segundo a página oficial do jogo, as Blaze Arts são golpes exclusivos dos heróis e custam HP. Cada uso enche uma barra que concede um bônus ao chegar na metade. Se ela encher por completo, porém, o personagem entra em Burst, perde os bônus e tem o HP máximo reduzido pela metade. O jogo não tem localização em português, então termos como esses aparecem sempre em inglês nos menus.
Por que Cai costuma ser a primeira recomendação
Cai é um garoto do pacato vilarejo de Ribeira que se inscreve nos Heroic Games para libertar o pai, preso sob Dagsion e ameaçado de execução ao fim do torneio. Por ser jovem e estar longe das disputas de poder do continente, ele conduz uma história mais fácil de acompanhar. O jogador conhece personagens importantes e entende a sequência de eventos do torneio sem precisar decorar nomes de reinos e conflitos antigos logo de cara.
A parte mecânica segue a mesma lógica. As missões especiais de Cai rendem renome (renown) mais rápido que as dos outros heróis, o que facilita o recrutamento de aliados. O mapa dele é o mais restrito entre os quatro, ideal para aprender a exploração sem se perder, e o garoto ainda pode domar montarias pelo caminho. Já a Blaze Art de fogo acerta vários inimigos ao mesmo tempo, algo raro em Fortune’s Weave. É a opção mais indicada para quem nunca jogou Fire Emblem ou quer entender a estrutura do jogo antes de encarar as campanhas mais complexas.

Dietrich é a escolha de quem quer lutar o tempo todo
Dietrich vem de Fódlan, o continente de Three Houses, e vai parar em Dagda depois de um naufrágio. O espadachim entra no torneio para enfrentar adversários à altura, e a motivação dele é bem direta, ainda que a campanha também tenha sua dose de intriga política. Para quem jogou o título de 2019, há o atrativo extra de acompanhar um personagem daquele universo. Three Houses segue disponível no Switch, ao lado de outros jogos da franquia que dá para jogar hoje.
Na prática, a rota foi pensada para acumular batalhas. A missão especial de Dietrich consiste em caçar oponentes poderosos, o que rende muita experiência e renome. O mapa dele abre por completo, ele consegue localizar inimigos no mapa-múndi e ainda pode atrair confrontos para perto de onde está. A Blaze Art Moving Shadow usa teletransporte para encurtar distâncias, e o herói aprende uma grande variedade de Combat Arts.
Há também um argumento pensando no fim do jogo. O Nintendo Life recomenda começar por Dietrich porque ele combina dano alto, esquiva e mobilidade, o que faz dele um dos heróis mais úteis nos capítulos finais. Para veteranos que gostam de combate, ele é o melhor ponto de partida.

A rota de Theodora pede mais familiaridade com a série
Rainha de Saramis, Theodora enfrenta uma disputa pela coroa com o irmão mais novo, Dyan. Ela entra nos Heroic Games em busca de força para liderar seu povo e restaurar a honra de Yu Phas, a deusa cultuada pelos seus súditos. Como governante de uma nação vizinha, Theodora tem interesse direto nas manobras políticas de Dagsion, e a campanha dela é a mais carregada de nomes próprios e referências a guerras passadas.
É também a rota com mais gerenciamento. A missão especial envolve percorrer o mapa atrás de suprimentos para enviar a Saramis, o que pede exploração e bom uso do tempo livre entre as partidas. Só Theodora tem acesso aos Gambits, que permitem designar esquadrões para tipos específicos de unidade, e ela ainda pode mandar recrutas em missões de reconhecimento. A Blaze Art Earthen Throw, por sua vez, é simples de usar: a rainha arranca um bloco de pedra e o arremessa pelo campo de batalha, com o maior alcance de ataque entre os quatro heróis. O grupo dela tende a unidades mais resistentes, o que também deixa o avanço pelo mapa mais lento.
A GameSpot aponta Theodora como a melhor opção para veteranos da série. O TheGamer, por outro lado, sugere começar por ela ou por Cai, porque a campanha da rainha apresenta melhor o panorama geral da história. Outro detalhe pesa a favor: a Part 2 do jogo é um arco de guerra linear em que Theodora assume, na prática, o papel principal.

Leda muda o ritmo com danças e magias de suporte
Leda viu sua terra natal ser destruída e o pai ser assassinado. De origem nobre, ela vive disfarçada de dançarina e musicista e entra no torneio ao descobrir que o assassino também vai competir. É a história mais pessoal das quatro: Leda acompanha a política de Dagsion de longe e só se importa com ela quando afeta a vingança.
O estilo de jogo também foge do padrão. As Blaze Arts de Leda são danças que concedem benefícios passivos aos aliados, e o elenco ao redor dela reúne mais usuários de magia do que unidades de combate corpo a corpo. A missão especial consiste em se apresentar em tavernas espalhadas pelo continente, então é preciso explorar boa parte do mapa. Em troca, ela recebe dicas sobre locais secretos que só ela consegue acessar, além de recompensas extras.
A campanha divide a crítica estrangeira. Há análises que destacam a carga emocional da trama e outras que reclamam da personalidade explosiva da protagonista e do pouco desenvolvimento ao longo da história. No aspecto estratégico, o Nintendo Life recomenda não deixá-la de lado, já que, levada até a classe Dancer, Leda oferece um suporte que faz diferença quando o exército já está mais forte.

Melhor rota e ordem ideal para jogar as quatro campanhas
Não existe sequência obrigatória, e todas as rotas começam mais leves e ganham dificuldade aos poucos. As recomendações da imprensa internacional variam bastante: a GameSpot propõe Cai, Dietrich, Theodora e Leda, em ordem crescente de complexidade, enquanto o TheGamer coloca Theodora e Cai na frente, seguidos de Leda e Dietrich, e o Nintendo Life prefere abrir com Dietrich e passar por Leda em seguida.
Para quem ainda está conhecendo o jogo, a sequência progressiva costuma funcionar melhor:
- Cai, para aprender exploração, recrutamento e o uso das Blaze Arts sem pressão.
- Dietrich, para ganhar experiência em combate e desenvolver uma unidade forte para o fim do jogo.
- Theodora, quando os sistemas de gerenciamento e a política de Dagda já estiverem mais claros.
- Leda, para fechar a Part 1 com o estilo de suporte e a trama mais pessoal.
Terminar a Part 1 com um único herói já libera o avanço, mas o ideal é concluir as quatro antes de seguir para a Part 2, porque cada rota tem cenas e revelações que as outras não mostram. Além disso, fechar a Part 1 com cada personagem rende uma boa quantia da moeda usada para comprar Boons, bônus que aumentam o ganho de experiência nas campanhas seguintes. Por isso, focar em um herói por vez tende a ser mais eficiente do que alternar capítulo a capítulo.
A Part 2 só precisa ser jogada uma vez. Nas rotas seguintes, dá para pular esse arco, e as unidades recebem experiência equivalente às batalhas ignoradas. Na Part 3, os exércitos treinados com os quatro heróis se fundem, com níveis de suporte, experiência com armas e classes combinados. O ato final pode até ser iniciado antes, mas fica muito difícil sem um exército completo.
Como trocar de personagem no meio da campanha

A troca pode ser feita entre as partidas do torneio, desde que o herói atual já tenha chegado a Dagsion, a capital que serve de hub nos primeiros capítulos. Basta ir até um dos ícones de Pale Raven’s Perch, marcados pela silhueta de um pássaro no mapa, apertar A e escolher a opção Obelisk Chamber. De volta à sala, interaja com qualquer um dos quatro obeliscos coloridos, use L e R para alternar entre os personagens e confirme em Touch This Obelisk.
O progresso de cada campanha é salvo automaticamente, então é possível retomar qualquer herói do ponto em que parou. Quem preferir pode até avançar nas quatro histórias em paralelo, embora os bônus de fim de Part 1 favoreçam terminar uma rota antes de começar outra.
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