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XDefiant é boa tentativa da Ubisoft – Review

A franquia Call of Duty reina em absoluta já faz anos, e quase nunca teve sua posição ameaçada. Poucos foram os jogos que pareciam...

Por Matheus Cabral há 2 anos
Nota
N/A

Vale a pena?

A franquia Call of Duty reina em absoluta já faz anos, e quase nunca teve sua posição ameaçada. Poucos foram os jogos que pareciam...

A franquia Call of Duty reina em absoluta já faz anos, e quase nunca teve sua posição ameaçada. Poucos foram os jogos que pareciam apresentar alguma rivalidade de igual com o fps da Activision, e dessa vez, a Ubisoft planeja atingir justamente esse nicho de jogos de tiro.

\"XDefiant\"
Ubisoft: Reprodução

Já não é a primeira vez que a Ubisoft tenta lançar um bom título free to play fps. Quem não se lembra do já cancelado Hyper Scape, battle royale que chegou no mercado em 2020 mas foi completamente apagado por Warzone que saiu no mesmo ano. Pois é, a última tentativa não deu certo, mas agora a desenvolvedora francesa tenta mais uma vez.

XDefiant chega com uma missão nada simples: tentar pescar alguns jogadores de Call of Duty enquanto apresenta um arena shooter que na maioria das vezes é competente. Desenvolvido por veteranos de CoD, o jogo não esconde em nenhum momento suas inspirações.

Neste texto vou falar um pouco sobre como a Ubisoft uniu suas principais franquias em um fps free to play que, caso seja administrado da maneira correta, pode ter um futuro brilhante.

Parece, mas não é

\"XDefiant\"
Imagem: Matheus Cabral/Game Overdose

XDefiant deixa bem claro que quer ser um fps como Call of Duty. A gameplay é rápida e tem a sensação de arcade, evidenciando a inspiração que os desenvolvedores tiveram. É tão parecido que alguns podem até chamar de cópia. Fato é que o mercado possui muitos jogos de tiro, mas nenhum chega a ser um arena shooter tão similar com CoD. Até agora, ao menos…

Em XDefiant podemos fazer tudo aquilo que um jogo de tiro em primeira pessoa permite: correr, atirar, pegar cover, pular, deslizar, etc. A maioria dos movimentos são fluídos, e correr pelo mapa não parece esquisito como estava nos últimos testes que o jogo recebeu. Antes, parecia que o personagem deslizava um pouco, questão que melhorou bastante com o lançamento definitivo.

Mas antes de ir para a ação propriamente dita, os jogadores podem customizar classes, modificando as armas com anexos para personalizar ainda mais a experiência. Você tem a sua disposição: Assault Rifles, SMGs, Shotguns, LMGs, Rifles de Rajada, Rifles de Sniper e Pistolas. São cerca de 20+ armas para utilizar. Isso é algo que também possui em Call of Duty, e em XDefiant é bem mais simples pois os perks não estão presentes.

A gunplay é boa e funciona, o jeito que as armas atiram, o som que elas fazem e etc. Nada parece mal ajustado e as escolhas do arsenal são bem clássicas de um fps. É claro que existe um meta no momento que transforma uma arma e configuração melhor que a outra, mas jogos online nunca fugiram disso e não seria em XDefiant que a utopia de tudo perfeitamente balanceado iria acontecer.

O time to kill (tempo que leva para matar ou morrer) está decente, sendo possível fugir de confrontos caso consiga um cover. Não é possível deitar no game, o que me pareceu ser meio estranho em alguns momentos que sentia necessidade de se proteger dos disparos inimigos. Os veteranos de outros jogos podem achar isso estranho nas primeiras partidas.

Os spawns não são bem executados, e é bem comum ver jogadores inimigos próximos do local de reaparecimento. Isso foi bem frustrante em alguns momentos, principalmente no modo Escolta que possui respawns fixos no mapa e era comum aparecer na frente ou do lado de um inimigo. Esse problema não é exclusivo do modo, mas senti que aqui isso ocorre mais vezes.

Existe uma enorme demora na evolução dos níveis de arma que desbloqueiam os anexos para equipar e modificar os stats. Notei que ao jogar por um tempo considerável ainda estava na casa do nível 20. Para desbloquear todos os anexos é necessário subir até os 40 e poucos, o que pode levar umas boas horas para conseguir deixar a arma do jeito que você quer.

Uma mecânica de maestria do armamento também está disponível aqui, e diferente de Call of Duty, que distribui várias skins para as armas após fazer desafios, em XDefiant você precisa só evoluir a arma. O jogo não possui diversas skins nesse percurso, apenas uma de bronze, de prata e de ouro no final. 

Com isso, a empolgação em correr atrás das skins que existe no rival da Activision não aparece aqui. Quem curte esse tipo de run, pode se sentir um pouco decepcionado.

Os mundos da Ubisoft convergem

\"XDefiant\"
Ubisoft: Reprodução

O XDefiant se apoia em facções para inserir operadores na ação. Elas são baseadas em franquias da Ubisoft como Far Cry, The Division, Ghost Recon e Watch_Dogs. Todas estão disponíveis de início pra testar com exceção da DedSec que precisa ser desbloqueada ao atingir uma certa quantia de experiência. Isto vai levar algumas boas horas para acontecer caso você não utilize nenhum boost, podendo ser um problema no futuro quando mais facções estiverem disponíveis.

Essas facções possuem habilidades especiais que são utilizadas no combate. Cada uma possui uma passiva, variando de efeitos que ajudam nas partidas. Além disso, existem duas habilidades ativas sendo que o jogador pode escolher apenas uma para usar, e também uma ultimate que o game chama de ultra.

Existe um cooldown para essas habilidades, o que limita a sua utilização e assegura que atirar ainda é o mais importante. Claro que algumas skills ajudam bastante (tem as quebradas também), mas nada muito frustrante. É como se fosse uma mistura de Overwatch com cara dos operadores de Black Ops 3.

Elas são uma característica bem marcante de XDefiant, e de certa forma, não combam entre si. Quem está acostumado a jogar Overwatch sabe que ultar com a Zarya e combar com a ultimate da Tracer faz um estrago. Você não vai ver essa sincronia aqui.

\"XDefiant\"
Imagem: Matheus Cabral/Game Overdose

Sinto que a equipe de desenvolvedores também conseguiram traduzir as características das séries da Ubisoft para a gameplay dos operadores. Aqueles baseados em Splinter Cell conseguem se apoiar bastante nas suas tecnologias de traje, enquanto que os DedSec focam bastante nos poderes hackers. Isso é muito legal e me deixa animado para o futuro quando franquias como Rainbow Six e Assassin’s Creed desembarcarem no jogo.

Os personagens não conversam entre si, e são apenas operadores básicos. Sabe as frases de efeito ou os altos papos que os heróis em Overwatch trazem durante a gameplay, revelando lore e etc? Aqui isso não acontece.

O máximo que você vai ouvir é o narrador que muda conforme a facção que você está jogando. Eles até fazem referência aos jogos em que são baseados, mas nada muito profundo. Não posso deixar de citar que a Ubisoft fez um ótimo trabalho de dublagem aqui, como sempre.

Os mapas são bem bonitos e a maioria possui um design bacana. Não são todos que se baseiam em outros jogos da empresa, mas aqueles que o fazem conseguem atingir o objetivo. Durante minhas horas no matchmaking não teve nenhum mapa que senti vontade de sair e procurar outra partida por não querer jogar ali.

O futuro de XDefiant pode ser brilhante

XDefiant começa forte, mas há algumas questões que precisam ser evidenciadas antes de fechar essa review. A monetização do jogo é aquela clássica que vemos em jogos do estilo: não existe elementos pay to win. A Ubisoft se apoia em itens cosméticos e passe de batalha que podem ser comprados com a moeda paga do jogo.

\"XDefiant\"
Ubisoft: Reprodução

Aqui elas são chamadas de “Moedas X” e são vendidas em 5 pacotes diferentes. O mais barato custa R$ 24,90 e não te possibilita comprar o passe de batalha. Enquanto que o mais caro te custará R$ 499,90. Existem pacotes de fundador também que trazem itens cosméticos exclusivos e mais das Moedas X.

Não está claro se o passe de batalha se paga (como acontece em Fortnite, por exemplo), já que estamos em uma fase de pré-temporada onde o passe é menor do que os futuros que chegarão com as novas seasons. Para adquirir, o jogador precisa comprar o pacote de R$ 49,90 das Moedas X, o que é um preço considerável mesmo este já sendo praticado no resto do mercado. É quase uma conversão direta da Ubisoft do dólar para o real, demonstrando que não foi feito uma regionalização do preço para os consumidores brasileiros.

Isso pode se tornar um problema, já que muitos jogadores gostam de ser incentivados a jogar e se manter em um título para ganhar recompensas. A Ubisoft precisa melhorar a experiência para que os jogadores free to play se mantenham no game, trazendo mais recompensas gratuitas.

Um live service precisa ter uma comunidade estável e que se mantenha engajada no título, e caso o contrário aconteça aqui, XDefiant pode ter o mesmo destino do Hyper Scape.

Para evitar isso, é necessário que os updates com novidades sejam mais constantes. A chegada de novos mapas, eventos, facções e etc, podem ajudar na manutenção deste pilar tão importante para um jogo como serviço. Resta saber se a Ubisoft terá recursos para manter o título interessante para os jogadores, já que não basta ele ser gratuito.

No mais, XDefiant é uma tentativa interessante que pode render bons frutos para a Ubisoft caso seja administrado da maneira correta. Com uma gunplay que lembra os antigos Call of Duty e o fator free to play, o jogo vale sua atenção caso seja um jogador assíduo do gênero fps.

XDefiant está disponível gratuitamente para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC.

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