Tópicos
- O que são terras raras?
- Onde estão as terras raras no seu celular?
- Alto-falantes e fones de ouvido
- Vibração e resposta ao toque
- Câmeras, lentes e telas
- Por que as terras raras caíram no Enem 2026?
- Por que a China domina o mercado de terras raras?
- O Brasil tem terras raras?
- Terras raras também estão em carros elétricos e turbinas eólicas
- É possível reciclar terras raras?
- Perguntas frequentes sobre terras raras
- Quantos elementos fazem parte das terras raras?
- Por que são chamadas de terras raras?
- Qual terra rara é usada no celular?
- O lítio da bateria é uma terra rara?
- O Brasil consegue produzir terras raras?
O celular toca, vibra e tira fotos em segundos. Por trás dessas funções, há materiais com nomes pouco conhecidos, como neodímio e praseodímio. Eles fazem parte das chamadas terras raras, um grupo de elementos químicos que também entrou nas questões do Enem 2026 neste domingo (8).
Na prova, o tema apareceu ligado à geopolítica, à exploração de recursos naturais e à influência econômica de países como Brasil e China, segundo professores que analisaram o primeiro dia do exame. A relação com a tecnologia ajuda a entender por que esses materiais recebem tanta atenção: alguns deles estão em componentes tão pequenos que passam despercebidos, mas são importantes para a fabricação de eletrônicos modernos.
O que são terras raras?
Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos: os 15 lantanídeos da tabela periódica, além do escândio e do ítrio, que têm características semelhantes. Apesar de serem frequentemente chamados de minerais, os elementos não formam um minério único. Na natureza, podem estar presentes em diferentes minerais e depósitos, como monazita, bastnasita e argilas iônicas.
O nome engana. Eles não são necessariamente escassos na crosta terrestre. O desafio está em encontrar depósitos com concentrações economicamente aproveitáveis e, principalmente, separar elementos cujas propriedades químicas são muito parecidas. A transformação do material extraído em metais, ligas e componentes industriais exige várias etapas especializadas.

É justamente essa combinação de propriedades especiais e processamento complexo que torna as terras raras estratégicas. Certos elementos ajudam a criar ímãs muito fortes e pequenos; outros são empregados em materiais ópticos, iluminação, catalisadores e equipamentos especializados.
Onde estão as terras raras no seu celular?
O exemplo mais fácil de perceber está no som. O alto-falante do smartphone precisa mover uma membrana minúscula para produzir áudio. Em muitos projetos, isso é feito com ímãs potentes fabricados com ligas que contêm neodímio e, em determinadas formulações, praseodímio. Esses materiais permitem criar componentes compactos sem abrir mão de um campo magnético forte.
Alto-falantes e fones de ouvido
Quando uma música toca no celular ou nos fones, o movimento do conjunto do alto-falante transforma sinais elétricos em ondas sonoras. Os ímãs de terras raras são uma solução frequente porque oferecem bastante força magnética em pouco espaço. Outros elementos, como disprósio e térbio, podem integrar determinadas ligas para melhorar seu desempenho em condições específicas.
Vibração e resposta ao toque
O aviso que faz o aparelho vibrar também depende de peças eletromecânicas. Em diversos modelos, pequenos motores e atuadores hápticos utilizam conjuntos magnéticos que podem conter terras raras. É assim que o telefone consegue produzir desde uma vibração prolongada até uma resposta curta ao digitar.
Câmeras, lentes e telas
Ímãs compactos também podem aparecer em mecanismos de foco automático e estabilização óptica de câmeras. O lantânio, por sua vez, pode ser empregado na fabricação de certos vidros ópticos. Já elementos como európio, térbio e ítrio têm aplicações em materiais de emissão de luz e algumas tecnologias de exibição.
Isso não significa que todo celular tenha os 17 elementos ou que todas as telas utilizem as mesmas terras raras. A composição depende do fabricante, do modelo, da tecnologia de tela e do desenho de cada componente. Mesmo em aparelhos recentes, como os da linha iPhone 18 Pro, a ficha de especificações não costuma detalhar cada elemento empregado nos pequenos ímãs internos.
Uma distinção importante: lítio, cobalto, níquel, cobre, ouro e silício também são relevantes para celulares, mas não pertencem ao grupo dos 17 elementos de terras raras. O lítio da bateria, portanto, não é uma terra rara.
Por que as terras raras caíram no Enem 2026?

O primeiro dia do Enem, em 8 de novembro de 2026, reuniu questões de Linguagens e Ciências Humanas. Professores ouvidos pela imprensa relataram que o exame tratou das disputas tecnológicas e econômicas relacionadas às terras raras, incluindo o peso desses recursos no poder de negociação do Brasil e de outros países emergentes.
O assunto vai além de decorar nomes da tabela periódica. Ele envolve quem tem reservas minerais, quem consegue extrair os materiais, quem domina a tecnologia de refinamento e quem transforma esses insumos em produtos de alto valor. Na tarde deste domingo, o caderno oficial ainda não havia sido divulgado pelo Inep, razão pela qual não é possível atribuir à questão um número ou enunciado definitivo com base apenas nos relatos dos professores.
Quem realizou a prova pode acompanhar quando será divulgado o gabarito oficial do Enem 2026. O exame também trouxe a valorização do SUS como tema da redação.
Por que a China domina o mercado de terras raras?
Ter reservas no subsolo não basta para dominar o setor. Depois da mineração, é necessário separar os elementos, refiná-los e produzir materiais como os ímãs permanentes usados na indústria. É nessa sequência que a China construiu uma vantagem difícil de reproduzir rapidamente.
Segundo um estudo publicado pela Agência Internacional de Energia (IEA) em abril de 2026, a China respondeu, em 2024, por cerca de 60% da extração mundial das terras raras usadas em ímãs, 91% do refino e 94% da produção de ímãs permanentes sinterizados. Os números mostram por que o processamento é tão importante quanto a existência de jazidas.
Quando o fornecimento desses materiais sofre restrições, fabricantes de veículos, eletrônicos, equipamentos industriais e tecnologias de defesa podem enfrentar atrasos ou custos maiores. Isso não quer dizer que um celular já comprado deixará de funcionar. O risco recai principalmente sobre a fabricação e o abastecimento de novos produtos.
O Brasil tem terras raras?
Sim, e em grande quantidade. O Ministério de Minas e Energia cita uma estimativa de 21 milhões de toneladas em reservas de terras raras no país. Há ocorrências importantes em estados como Goiás, Minas Gerais e Amazonas. O potencial brasileiro ajuda a explicar por que o tema aparece nas discussões sobre indústria, comércio exterior e soberania tecnológica.
Mas existe uma distância considerável entre ter reservas e fabricar componentes sofisticados. Em levantamento divulgado em outubro de 2026, a Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que o Brasil produziu 326 toneladas de concentrado de óxidos de terras raras em 2025. O órgão registrava quatro áreas com lavra ativa, todas em Goiás.
Os dados ajudam a entender a oportunidade e o desafio. Para deixar de vender principalmente matéria-prima e avançar em produtos de maior valor, o país precisa desenvolver separação, refino, metalurgia, fabricação de ímãs e capacidade industrial. Não é um processo que se resolve apenas com a descoberta de novas jazidas.
Terras raras também estão em carros elétricos e turbinas eólicas
Os mesmos ímãs de alto desempenho que permitem miniaturizar componentes eletrônicos são usados em alguns motores de veículos elétricos, geradores de turbinas eólicas, robôs e equipamentos industriais. Há ainda aplicações em aparelhos médicos, sistemas de defesa e tecnologias de iluminação. Nem todos os produtos dessas categorias utilizam as mesmas ligas, mas a demanda conjunta torna o abastecimento um tema central para diversos setores.
É possível reciclar terras raras?
Sim, embora recuperar quantidades muito pequenas espalhadas por equipamentos eletrônicos seja um desafio técnico e econômico. A mineração e o processamento também precisam de controle ambiental: certas rotas de extração e separação geram resíduos químicos, e alguns depósitos contêm materiais radioativos naturais que exigem tratamento adequado.
Uma alternativa é recuperar ímãs de equipamentos antigos e resíduos industriais. A Apple informou em abril de 2026 que todos os ímãs dos seus produtos já utilizam elementos de terras raras 100% reciclados. Isso não elimina a necessidade de mineração em toda a indústria, mas mostra que é possível reduzir parte da dependência de materiais recém-extraídos.
Da próxima vez que o celular vibrar no bolso, vale lembrar que o funcionamento desse pequeno componente começa muito antes de chegar à loja. Passa por depósitos minerais, laboratórios, refinarias e uma cadeia industrial que hoje também influencia a economia e a política internacional. Foi essa dimensão estratégica que levou as terras raras ao debate do Enem 2026.
Perguntas frequentes sobre terras raras
Quantos elementos fazem parte das terras raras?
São 17 elementos químicos: os 15 lantanídeos, mais escândio e ítrio.
Por que são chamadas de terras raras?
Porque é difícil encontrar depósitos economicamente viáveis e separar os elementos. Muitos deles não são raros na crosta terrestre.
Qual terra rara é usada no celular?
O neodímio é um dos exemplos mais conhecidos, devido ao seu uso em ímãs compactos de alto-falantes e outros mecanismos. A composição varia conforme o aparelho.
O lítio da bateria é uma terra rara?
Não. O lítio é um elemento importante para baterias recarregáveis, mas não pertence ao grupo das terras raras.
O Brasil consegue produzir terras raras?
Sim. O país já produz concentrados, principalmente em Goiás, mas ainda precisa ampliar as etapas de separação, refino e fabricação industrial para aproveitar melhor seu potencial.
Fontes consultadas: Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS); Agência Internacional de Energia (IEA); Agência Nacional de Mineração (ANM); Ministério de Minas e Energia (MME); Estadão Conteúdo/UOL; Apple.






Comentários
Seja o primeiro a comentar