Tópicos
- Quais foram os maiores apagões da história do Brasil?
- 1984: um dos primeiros grandes apagões do país
- 1985: dois grandes apagões atingem o Centro-Sul
- 1999: cerca de 76 milhões de pessoas são afetadas
- 2009: falha na transmissão de Itaipu atinge 18 estados
- 2018: falha ligada à transmissão de Belo Monte atinge todas as regiões
- 2020: Amapá enfrenta uma crise elétrica de três semanas
- 2023: apagão atinge 25 estados e o Distrito Federal
- 2025: incêndio no Paraná provoca apagão em todas as regiões
- Outros apagões importantes que aconteceram no Brasil
- O que foi a crise do apagão de 2001?
- Qual foi o maior apagão da história do Brasil?
- Por que um problema em um estado pode causar apagão em outros?
- Existe previsão de um novo apagão no Brasil?
- Perguntas frequentes sobre os apagões no Brasil
- O Brasil já ficou completamente sem energia elétrica?
- Qual foi o apagão mais longo do Brasil?
- Quantos estados ficaram sem luz em 2023?
- Por que o Brasil teve racionamento de energia em 2001?
- Uma tempestade solar pode causar apagão?
O Brasil já enfrentou apagões capazes de interromper o fornecimento de eletricidade em vários estados ao mesmo tempo. Alguns duraram poucos minutos; outros deixaram milhões de pessoas sem luz por horas. Houve ainda crises regionais que se prolongaram por dias.
Entre os episódios mais importantes estão os apagões de 1984, 1985, 1999, 2009, 2018, 2020, 2023 e 2025. As causas variam de incêndios e falhas em equipamentos a problemas nas linhas de transmissão. O racionamento de 2001 também marcou a história, mas foi uma situação diferente de um blecaute repentino.

Quais foram os maiores apagões da história do Brasil?
Os principais registros de grandes interrupções no fornecimento de energia elétrica começam a ganhar destaque nacional na década de 1980, quando a integração entre sistemas regionais permitiu a transmissão de grandes volumes de eletricidade entre diferentes estados.
A expansão da rede trouxe benefícios, mas também passou a exigir mecanismos capazes de impedir que uma falha localizada provocasse desligamentos sucessivos em outras regiões.
1984: um dos primeiros grandes apagões do país
Em 18 de abril de 1984, um grande blecaute atingiu aproximadamente 12 milhões de pessoas em seis estados brasileiros, segundo registros históricos.

A ocorrência começou com problemas em transformadores da usina de Jaguara, em Minas Gerais. Desligamentos sucessivos em linhas de transmissão comprometeram o fornecimento principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além de outras áreas do Centro-Sul.
No Rio de Janeiro, parte do abastecimento foi recuperada em cerca de uma hora. Em São Paulo, a interrupção ultrapassou três horas em algumas localidades.
1985: dois grandes apagões atingem o Centro-Sul
O ano de 1985 ficou marcado por duas perturbações importantes, registradas em 18 de agosto e 17 de setembro.

Os episódios envolveram desligamentos de linhas de transmissão conectadas à usina de Marimbondo e à subestação de Araraquara, em São Paulo. Queimadas próximas à infraestrutura elétrica estiveram associadas às ocorrências.
O blecaute de setembro afetou diferentes estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O episódio evidenciou dificuldades de operação de uma rede cada vez mais interligada.
1999: cerca de 76 milhões de pessoas são afetadas
Um dos episódios mais lembrados aconteceu na noite de 11 de março de 1999.
O apagão atingiu dez estados e o Distrito Federal. São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul tiveram interrupções particularmente extensas.

Cerca de 76 milhões de pessoas foram afetadas, segundo levantamentos históricos.
A ocorrência teve origem em um curto-circuito na subestação de Bauru, no interior paulista, associado a uma descarga atmosférica. O problema desencadeou uma sequência de desligamentos em instalações importantes para a transmissão de energia.
O fornecimento começou a ser recuperado em diferentes horários. Enquanto algumas regiões tiveram interrupções relativamente curtas, a recomposição em outras localidades avançou pela madrugada de 12 de março.
Semáforos apagados, interrupções no transporte e dificuldades em serviços urbanos marcaram aquele episódio.
2009: falha na transmissão de Itaipu atinge 18 estados
Em 10 de novembro de 2009, às 22h13, outro blecaute de grandes proporções atingiu o Brasil e também prejudicou o abastecimento do Paraguai.
De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), três linhas de transmissão de 765 kV associadas ao escoamento da energia de Itaipu sofreram curtos-circuitos praticamente simultâneos.

O desligamento dessas linhas provocou instabilidade em outras partes do sistema elétrico. Ao todo, 18 estados brasileiros registraram interrupções, com gravidade diferente entre as regiões.
São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul estiveram entre os mais afetados. Nesses quatro estados, a duração média da falta de energia foi de 222 minutos, aproximadamente três horas e 42 minutos.
Segundo o ONS, foram interrompidos 24.436 megawatts de carga, equivalentes a cerca de 40% da demanda do Sistema Interligado Nacional naquele momento.

É importante destacar que o episódio não significa que toda a usina de Itaipu tenha sofrido uma falha física generalizada. O problema começou no sistema de transmissão e provocou desligamentos automáticos para proteger os equipamentos.
2018: falha ligada à transmissão de Belo Monte atinge todas as regiões
Em 21 de março de 2018, às 15h48, uma falha em um disjuntor da subestação Xingu, no Pará, provocou outro grande blecaute.
O equipamento fazia parte da infraestrutura usada para transmitir energia da hidrelétrica de Belo Monte em direção ao Sudeste e ao Centro-Oeste.

Segundo o ONS, houve interrupção de aproximadamente 19.760 MW, o equivalente a 25% da carga do sistema naquele momento.
Todas as grandes regiões foram afetadas, mas os impactos mais intensos e prolongados ocorreram no Norte e no Nordeste. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mecanismos automáticos desligaram parte dos consumidores para impedir que a instabilidade se espalhasse.
2020: Amapá enfrenta uma crise elétrica de três semanas
Nem todos os apagões históricos atingiram vários estados. Alguns se destacam pelo tempo necessário para recuperar o abastecimento.
Foi o que aconteceu no Amapá, em novembro de 2020. Um incêndio na subestação Macapá, em 3 de novembro, comprometeu transformadores essenciais para o fornecimento de energia.

A falha provocou a perda de aproximadamente 95% da carga elétrica estadual naquele momento, segundo o Ministério de Minas e Energia.
Grande parte do Amapá enfrentou dificuldades de abastecimento. Houve problemas relacionados a água, conservação de alimentos, comércio, transporte e serviços essenciais.
O fornecimento foi recuperado gradualmente, com medidas emergenciais e rodízios. O Ministério de Minas e Energia informou que a energia foi completamente restabelecida em 24 de novembro, 21 dias depois do início da crise.
2023: apagão atinge 25 estados e o Distrito Federal
Na manhã de 15 de agosto de 2023, por volta das 8h31, o Brasil enfrentou uma das maiores perturbações elétricas já registradas pelo ONS.
A interrupção atingiu 25 estados e o Distrito Federal. Naquele momento, Roraima ainda não estava conectado ao Sistema Interligado Nacional, condição que mudou em setembro de 2025.

O evento começou com o desligamento da linha Quixadá-Fortaleza II, no Ceará. Entretanto, as investigações mostraram que essa ocorrência isolada não seria suficiente para explicar a extensão do blecaute.
A análise posterior identificou desempenho abaixo do esperado em equipamentos de controle de tensão de parques eólicos e solares próximos à linha.
Foram interrompidos aproximadamente 22.547 MW de carga, cerca de 31% do sistema naquele momento.
O Norte e o Nordeste sofreram os impactos mais intensos. No Sul, o abastecimento foi recuperado mais rapidamente; determinadas áreas do Norte e do Nordeste levaram várias horas para ter o fornecimento normalizado.

2025: incêndio no Paraná provoca apagão em todas as regiões
Na madrugada de 14 de outubro de 2025, por volta das 0h32, uma ocorrência na subestação de Bateias, no Paraná, afetou o fornecimento de energia em diferentes estados brasileiros.
O incidente começou com um incêndio em um reator do sistema de transmissão. A falha provocou desligamentos sucessivos e a separação temporária da região Sul do restante do sistema interligado.
Segundo o ONS, aproximadamente 10 mil MW de carga foram interrompidos, com impactos nos quatro subsistemas: Norte, Nordeste, Sul e Sudeste/Centro-Oeste.
As interrupções não ocorreram com a mesma intensidade em todos os lugares. O fornecimento foi recomposto em até uma hora e meia nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste/Centro-Oeste. No Sul, a recuperação total ocorreu em aproximadamente duas horas e meia.
Outros apagões importantes que aconteceram no Brasil
Além dos grandes episódios anteriores, o país registrou diversas interrupções regionais e interestaduais que também tiveram consequências significativas.
- 21 de janeiro de 2002: o rompimento de um cabo de transmissão entre Ilha Solteira e Araraquara, em São Paulo, provocou desligamentos em cascata e afetou dez estados.
- 2003, Florianópolis: uma falha em cabo de transmissão deixou cerca de 300 mil pessoas sem energia. A interrupção se prolongou por aproximadamente 55 horas.
- 3 e 4 de fevereiro de 2011: uma falha no sistema de proteção da subestação Luiz Gonzaga, em Pernambuco, provocou interrupções em sete estados do Nordeste e áreas próximas.
- 25 e 26 de outubro de 2012: um curto-circuito em equipamento da interligação Colinas-Imperatriz afetou os nove estados nordestinos, além de áreas do Pará, Tocantins e Distrito Federal.
- 28 de agosto de 2013: queimadas próximas a linhas de transmissão no Piauí provocaram um apagão que atingiu os nove estados do Nordeste, embora com intensidade variável.
- 4 de fevereiro de 2014: problemas em linhas de transmissão e desligamentos de segurança afetaram 11 estados e o Distrito Federal. Cerca de 6 milhões de pessoas foram atingidas.
- 19 de janeiro de 2015: falhas no sistema elétrico e perda de geração levaram a cortes seletivos de energia em diferentes estados e no Distrito Federal.
- 11 de outubro de 2024: um temporal provocou danos na rede elétrica da Grande São Paulo. A Enel informou posteriormente que aproximadamente 3,1 milhões de unidades consumidoras foram afetadas ao longo do evento.
- 10 de dezembro de 2025: um ciclone extratropical provocou outro grande apagão na Grande São Paulo. Em dados consolidados posteriormente, a Enel informou que cerca de 4,4 milhões de unidades consumidoras sofreram interrupções ao longo do evento, com pico simultâneo próximo de 2,2 milhões.
Esses dois últimos episódios na Grande São Paulo foram crises de distribuição, provocadas por danos locais e regionais. São diferentes dos grandes desligamentos que atingem várias partes do Sistema Interligado Nacional.
O que foi a crise do apagão de 2001?
Um dos acontecimentos mais conhecidos da história energética brasileira foi a chamada crise do apagão de 2001, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
Naquele período, os baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, combinados com limitações estruturais e de planejamento do setor elétrico, colocaram o abastecimento sob pressão.

O governo adotou um programa de racionamento que entrou em vigor em 1º de junho de 2001, com metas de redução de consumo para consumidores de diferentes regiões do país.
Grande parte das residências teve como referência uma economia de 20% de eletricidade. O programa incluía cotas de consumo, incentivos à economia e penalidades para determinadas situações de descumprimento.
O racionamento terminou em fevereiro de 2002.
A diferença fundamental é que a crise de 2001 não correspondeu a um único apagão nacional. O país reduziu deliberadamente o consumo para diminuir o risco de faltar energia em escala maior.
Qual foi o maior apagão da história do Brasil?
Não existe uma única resposta sem definir o critério de comparação.
O apagão de 1999 foi um dos mais marcantes pelo número de pessoas afetadas, estimado em aproximadamente 76 milhões. Em 2009, o ONS registrou uma interrupção equivalente a 40% da carga do sistema elétrico naquele momento.
Já a ocorrência de 2023 atingiu 25 estados e o Distrito Federal, com perda de cerca de 31% da carga nacional. O próprio ONS classificou o episódio como uma perturbação de grande porte, possivelmente a maior de sua história operacional.
Por outro lado, a crise do Amapá em 2020 se destacou pela duração, com 21 dias até o restabelecimento completo do sistema.
Comparar esses episódios exige observar o número de consumidores, a quantidade de energia interrompida, a extensão territorial e o tempo de recuperação.
Por que um problema em um estado pode causar apagão em outros?
Grande parte da eletricidade consumida no Brasil circula pelo Sistema Interligado Nacional, conhecido como SIN.
Essa rede conecta usinas, subestações, linhas de transmissão e diferentes regiões, permitindo que a energia produzida em um lugar seja transportada para consumidores distantes.
Quando uma linha ou equipamento importante falha, pode ocorrer um desequilíbrio entre a geração e o consumo de eletricidade.
Sistemas automáticos de proteção podem desligar equipamentos ou interromper temporariamente parte da demanda para impedir danos maiores. Em ocorrências severas, a instabilidade pode provocar uma sequência de desligamentos.
Isso explica por que um problema localizado em uma subestação do Paraná, por exemplo, pode ter consequências em regiões muito distantes.
Outro fenômeno frequentemente associado à discussão sobre apagões é a atividade solar. Entenda se uma tempestade solar pode provocar falta de energia no Brasil e veja quais riscos realmente existem.
Existe previsão de um novo apagão no Brasil?
O histórico de blecautes mostra que falhas elétricas podem ocorrer, mas episódios passados não permitem prever a data de uma nova interrupção generalizada.
Para afirmar que existe risco concreto de um apagão de grande proporção, é necessário considerar informações atualizadas do ONS, das distribuidoras e dos órgãos responsáveis pelo setor energético.
Também é importante desconfiar de mensagens que anunciam datas específicas para um suposto desligamento mundial. O Overdrive já explicou o que existe de verdade no boato sobre um apagão mundial em 17 de novembro de 2026.
Perguntas frequentes sobre os apagões no Brasil
O Brasil já ficou completamente sem energia elétrica?
O país já sofreu apagões de abrangência nacional, mas isso não significa que todos os consumidores, de todas as cidades, ficaram simultaneamente sem energia. A intensidade dos cortes variou conforme a região e a ocorrência.
Qual foi o apagão mais longo do Brasil?
Entre os episódios históricos destacados nesta retrospectiva, a crise do Amapá em 2020 se sobressai pela duração, com 21 dias até a recuperação integral do fornecimento. Isso não significa que todos os moradores tenham permanecido continuamente sem eletricidade durante esse período.
Quantos estados ficaram sem luz em 2023?
O apagão de 15 de agosto de 2023 afetou 25 estados e o Distrito Federal. Roraima ainda não estava integrado ao SIN naquele momento.
Por que o Brasil teve racionamento de energia em 2001?
A crise ocorreu em meio à escassez de chuvas, baixos níveis de reservatórios e limitações na capacidade de atendimento do sistema. A redução do consumo buscava evitar interrupções maiores.
Uma tempestade solar pode causar apagão?
Tempestades geomagnéticas extremamente intensas podem afetar redes elétricas, mas isso depende da intensidade do fenômeno e das características da infraestrutura. Não é correto interpretar qualquer alerta de atividade solar como previsão de blecaute.
Para acompanhar o assunto, o Operador Nacional do Sistema Elétrico publica informações sobre a operação da rede brasileira. A Memória da Eletricidade também reúne registros históricos e análises de ocorrências anteriores.
Fontes: ons.org.br e memoriadaeletricidade.com.br.





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