Alan Wake 2: Night Springs mergulha no absurdo da Remedy

Alan Wake 2: Night Springs mergulha no absurdo da Remedy

Primeira expansão paga aposta em três episódios alternativos, mistura humor, terror e metalinguagem e amplia o universo conectado da Remedy

Por Deco Campos junho 17, 2024 Jogado em PlayStation 5

Night Springs abraça o lado mais absurdo e experimental da Remedy com três histórias criativas, divertidas e cheias de personalidade para fãs do universo de Alan Wake.

Prós

  • Humor e surrealismo muito bem executados
  • Capítulos variados e cheios de personalidade
  • Expansão interessante do universo da Remedy
  • Ótimo fan service para fãs de Alan Wake e Control

Contras

  • Nem todos os capítulos têm o mesmo impacto
  • Histórias são relativamente curtas
  • Tom mais experimental pode afastar parte do público
  • Falta um peso narrativo maior em alguns momentos

O que você vai encontrar

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  • https://www.youtube.com/watch?v=O_-4XH79B7U&t=4s&pp=ygUgbmlnaHQgc3ByaW5ncyBhbGFuIHdha2UgMiByZW1lZHk%3D
  • A proposta parte de uma ideia simples, mas muito eficiente dentro do universo da Remedy: e se as coisas tivessem acontecido de outro jeito?
  • A partir dessas perguntas, Night Springs entrega três histórias curtas, estranhas e cheias de personalidade.
  • A DLC não tenta repetir a densidade da campanha principal, mas funciona como um experimento narrativo mais solto, assumidamente absurdo e feito sob medida para quem gosta da mitologia da...

Anunciada durante a Summer Game Fest 2024 e lançada no dia seguinte, Night Springs é a primeira expansão paga de Alan Wake 2. O conteúdo está disponível para quem possui a Deluxe Edition do jogo e traz três episódios independentes inspirados no seriado fictício de terror e ficção científica que acompanha a carreira de Alan Wake.

A proposta parte de uma ideia simples, mas muito eficiente dentro do universo da Remedy: e se as coisas tivessem acontecido de outro jeito? E se Rose fosse a grande heroína de Bright Falls? E se Jesse, de Control, tivesse ido parar em Coffee World? E se Tim Breaker fosse, de fato, um viajante do espaço-tempo?

A partir dessas perguntas, Night Springs entrega três histórias curtas, estranhas e cheias de personalidade. A DLC não tenta repetir a densidade da campanha principal, mas funciona como um experimento narrativo mais solto, assumidamente absurdo e feito sob medida para quem gosta da mitologia da Remedy.

Fã Número Um

O primeiro episódio é protagonizado por Rose, a garçonete da Oh Deer Diner e autoproclamada maior fã de Alan Wake. Em “Fã Número Um”, ela não é apenas uma funcionária simpática de Bright Falls. Nesta versão, Rose é uma heroína celebrada, dona da lanchonete, acumuladora de prêmios improváveis e figura central de um mundo tingido por tons exageradamente doces.

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Tudo muda quando ela recebe uma mensagem de Alan dizendo que está em perigo. A partir daí, Rose parte para salvá-lo armada com uma escopeta, um rifle de precisão e uma confiança quase inabalável no próprio amor pelo escritor.

O episódio é uma grande comédia do começo ao fim. A graça está justamente em ver uma personagem aparentemente comum assumindo o papel de heroína invencível, disparando frases apaixonadas enquanto enfrenta hordas de inimigos tratados como “haters”. A sensação é de estar jogando uma fanfic escrita pela própria Rose, e isso funciona melhor do que deveria.

É o capítulo mais leve da DLC, mas também um dos mais divertidos. A Remedy entende o ridículo da situação e abraça tudo sem medo.

Estrela do Norte

Em “Estrela do Norte”, acompanhamos Jesse e sua ligação com Polaris em uma busca por Dylan. Só que, em vez do Federal Bureau of Control, a personagem acaba em Coffee World, o parque temático apresentado na campanha principal de Alan Wake 2.

A premissa é propositalmente bizarra. Jesse descobre que as pessoas estão sendo controladas por uma entidade associada ao café, em uma ameaça que mistura elementos da Presença Escura, do Ruído e da própria estranheza típica da Remedy.

Mesmo com uma ideia tão absurda, o episódio consegue sustentar tensão. Os comentários de Jesse e a ambientação de Coffee World ajudam a transformar a piada inicial em algo com clima real de ameaça. Aqui, a DLC se aproxima mais da investigação e dos puzzles vistos na campanha de Saga, exigindo leitura de documentos, inspeção de cenários e atenção aos detalhes.

É um capítulo menos escancaradamente cômico do que o primeiro, mas bastante eficiente em atmosfera. Também funciona como um agrado direto aos fãs de Control, especialmente por brincar com o universo compartilhado da Remedy.

Ruptura no Tempo

O terceiro episódio é o mais metalinguístico e também o mais importante para quem acompanha a mitologia do estúdio. Nele, jogamos com Shawn, um ator da produtora Poison Pill Entertainment que participa de um videogame dirigido pelo próprio Sam Lake.

Na ficção dentro da ficção, Shawn interpreta um viajante do espaço-tempo que precisa saltar entre dimensões para derrotar Mr. Door, responsável por assassinar diferentes versões do protagonista. Só que a história deixa de ser apenas um papel quando Shawn é transportado para outra realidade e descobre que tudo aquilo pode ser real.

A partir daí, o episódio mergulha em múltiplas dimensões, estilos visuais diferentes e mudanças inesperadas de linguagem. Em alguns momentos, a própria jogabilidade se transforma, reforçando a sensação de que a Remedy está brincando com as fronteiras entre jogo, televisão, roteiro e universo compartilhado.

Mesmo sendo um “what if”, este capítulo parece conversar diretamente com o cânone maior da Remedy. Ele toca na origem de Mr. Door, personagem enigmático de Alan Wake 2, e ainda reforça conexões com Tim Breaker e Jack Joyce, de Quantum Break. O quanto disso deve ser levado ao pé da letra continua em aberto, mas é justamente essa ambiguidade que torna tudo mais interessante.

A ligação com Alan Wake’s American Nightmare

Esta não é a primeira vez que a Remedy usa Night Springs como espaço para experimentar dentro do universo de Alan Wake. Em 2012, o estúdio lançou Alan Wake’s American Nightmare, uma espécie de episódio jogável que já trabalhava com conceitos como loop temporal, vazamentos do Dark Place para o mundo real, Sobreposições e Mr. Scratch como ameaça central.

Em American Nightmare, Alan tenta escrever uma nova rota de fuga do Dark Place, mas, em vez de produzir um romance, cria um roteiro de Night Springs no qual ele próprio assume o papel de protagonista.

A DLC de Alan Wake 2 parece seguir essa mesma lógica. Cada um dos três episódios pode ser interpretado como mais uma tentativa de Alan de escapar, especialmente porque todos terminam com seus protagonistas encontrando o escritor, mesmo que isso nem sempre pareça ser exatamente o desejo deles.

Veredito

Nota 80

Alan Wake 2: Night Springs funciona menos como uma expansão tradicional e mais como uma grande coletânea de episódios alternativos dentro do universo da Remedy. A DLC não tenta repetir o peso dramático da campanha principal, preferindo apostar em humor, surrealismo, metalinguagem e ideias experimentais que exploram versões diferentes de personagens já conhecidos.

Para fãs de Alan Wake, Control e das conexões entre os jogos do estúdio, Night Springs é uma expansão extremamente divertida e cheia de detalhes interessantes. Já quem busca algo mais próximo do tom pesado da campanha principal talvez encontre aqui uma experiência mais leve e experimental do que esperava.

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Jornalista. Joga videogame por devoção.

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