Tecnologia
Publicidade
Publicidade

Bolha da IA na China: por que ações de tecnologia despencaram?

Índice de chips e IA caiu 40% desde julho e perdeu US$ 480 bilhões em valor de mercado; entenda as empresas afetadas e o risco dos semicondutores

6bcf97de 8ca6 4255 beef 8281acb4ed5a
Ações de chips, robôs e IA despencaram na China.
Publicidade
Publicidade
Tópicos

As ações de tecnologia na China sofreram uma forte correção após meses de entusiasmo com inteligência artificial, chips e robôs. O índice STAR50, que reúne importantes companhias negociadas no mercado de inovação de Xangai, caiu cerca de 40% em menos de quatro meses desde o pico de julho de 2026. Segundo uma reportagem da Reuters, publicada em 26 de outubro e atualizada no dia 27, a desvalorização eliminou aproximadamente US$ 480 bilhões em valor de mercado.

O movimento atingiu fabricantes de semicondutores, fornecedores de componentes usados em data centers e até empresas de robótica, como a Unitree. Mas a queda não significa que a inteligência artificial tenha deixado de funcionar. Ela mostra que investidores passaram a questionar se as receitas e os lucros conseguirão acompanhar os preços alcançados pelas ações durante a euforia.

Publicidade

Resposta rápida: a chamada bolha da IA na China está associada a avaliações financeiras muito elevadas, dúvidas sobre a demanda futura, risco de restrições comerciais e uma retirada de apostas especulativas. Houve uma forte correção em ações ligadas à tecnologia, mas isso não equivale ao colapso de toda a economia chinesa nem ao fim da IA. Para entender o risco global, veja também nosso explicador sobre a bolha da IA e o alerta do FMI.

O que aconteceu com as ações de inteligência artificial na China?

O recuo interrompeu uma valorização que havia ganhado força com expectativas de estímulo econômico e investimentos em tecnologia. No levantamento da Reuters, o STAR50 acumulava queda de aproximadamente 40% em relação ao pico de julho. Já o CSI300, índice mais amplo de grandes empresas chinesas, havia recuado cerca de 20% desde a máxima de junho. São indicadores e bases de comparação diferentes: não é correto dizer que todas as ações da China caíram 40%.

Publicidade

O valor de US$ 480 bilhões é uma estimativa de perda de capitalização de mercado, ou seja, a redução no valor atribuído às companhias pelas cotações de suas ações. Não significa que esse montante tenha saído em dinheiro do caixa das empresas ou sido gasto pelo governo chinês.

Painel ilustrativo de mercado financeiro com cotações e números em cores variadas
Imagem ilustrativa de cotações financeiras, não do pregão chinês de outubro de 2026. Foto: Kaptan Ravi Thakkar/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0; arquivo e licença).

Por que as ações de tecnologia chinesas despencaram?

A Reuters não identificou um único fato responsável pelas vendas. A queda surgiu da combinação de preços que já embutiam expectativas muito otimistas, questionamentos sobre o retorno dos investimentos e riscos comerciais. Entenda os principais fatores.

Publicidade

1. Preços subiram mais rápido do que os resultados esperados

Na fase de euforia, o investidor aceita pagar caro por uma ação porque espera lucros muito maiores no futuro. O problema aparece quando o crescimento projetado parece difícil de alcançar ou demora a se concretizar.

Mesmo após o recuo, o STAR50 ainda era negociado por um múltiplo equivalente a aproximadamente 100 vezes o lucro dos 12 meses anteriores, abaixo do pico próximo de 250 vezes, de acordo com a Reuters. Como referência, o Nasdaq 100 americano estava perto de 30 vezes. Essa comparação exige cautela, pois os índices reúnem companhias diferentes, mas ilustra o quanto as avaliações chinesas haviam ficado exigentes.

2. O mercado passou a cobrar vendas e lucros reais de IA

Produzir chips avançados, operar data centers e desenvolver robôs exige grandes investimentos. Uma empresa pode ter tecnologia promissora e, ainda assim, levar anos para gerar receita suficiente para justificar o preço de suas ações. Quando compradores percebem essa distância entre expectativa e resultado, as cotações podem cair rapidamente.

Publicidade

O debate lembra o risco descrito pelo Fundo Monetário Internacional: a valorização da IA pode se tornar vulnerável quando o retorno financeiro fica aquém do esperado. No caso chinês, porém, o ajuste já é visível em preços de ações específicas, e não apenas em projeções.

Publicidade

3. Restrições dos EUA ameaçam fornecedores chineses

Outro fator é o receio de que os Estados Unidos ou outros mercados limitem o uso de equipamentos chineses em data centers. A Reuters relacionou parte da queda das fabricantes de componentes ópticos Zhongji Innolight e Eoptolink a movimentos de Washington para restringir seu fornecimento a instalações americanas.

Esses componentes são usados em conexões de alta velocidade entre servidores e equipamentos de rede. O risco de perder clientes ou contratos torna mais incertas as receitas futuras. Isso não deve ser confundido com uma proibição já aplicada a todos os chips fabricados na China.

4. Especulação e concentração ampliaram as perdas

Segundo dados do Goldman Sachs citados pela Reuters, ações ligadas à IA haviam alcançado aproximadamente 42% do valor de mercado e 57% do volume de negociação no universo analisado de ações A, negociadas na China continental, e ações H, negociadas em Hong Kong. A concentração fez com que a mudança de humor atingisse muitos investidores ao mesmo tempo.

Autoridades chinesas também buscaram reduzir excessos de alavancagem e negociações de alta frequência, enquanto investidores com apoio estatal venderam ações em momentos de alta, segundo a agência. Esses elementos ajudam a contextualizar a mudança de mercado, sem estabelecer uma causa única para a correção.

Publicidade

Quais empresas chinesas de IA e chips mais caíram?

O recuo não se limitou às companhias que criam chatbots. A cadeia de IA inclui memória, chips de processamento, componentes ópticos e robótica. Os percentuais a seguir são aproximações reportadas pela Reuters em 26 e 27 de outubro, com bases temporais distintas, e não cotações em tempo real.

EmpresaAtuaçãoQueda citadaPeríodo de comparação
UnitreeRobôs humanoides e quadrúpedesEm torno de 50%Desde a estreia na bolsa, em agosto
CXMTMemória DRAM e desenvolvimento de HBM para IAMais de 25%No mês anterior à reportagem
MetaX Integrated CircuitsProcessadores e chips para computaçãoEm torno de 50%Desde julho
Moore ThreadsChips gráficos e de computação aceleradaEm torno de 50%Desde julho
Zhongji Innolight e EoptolinkComponentes ópticos para conexões de data centersEm torno de 60%Desde picos de junho e julho

O caso da Unitree chama atenção porque sua oferta de ações foi extremamente disputada por investidores individuais. Já MetaX e Moore Threads haviam registrado altas de centenas por cento em suas estreias em 2025, antes da queda. A valorização inicial torna os recuos percentuais mais expressivos, mas não é prova, isoladamente, de que as empresas deixaram de ter negócios viáveis.

Robô humanoide Unitree G1 à esquerda durante exposição no Japan Mobility Show de 2025
À esquerda, o robô humanoide Unitree G1 em evento no Japão em 2025. A fotografia é anterior à correção das ações e não representa um anúncio financeiro. Foto: RuinDig/Yuki Uchida/Wikimedia Commons (CC BY 4.0; arquivo e licença).

O que os chips têm a ver com a bolha da inteligência artificial?

Modelos de IA precisam de infraestrutura física. Processadores de alto desempenho fazem os cálculos; memórias de alta largura de banda (HBM) ajudam a alimentar os chips com grandes volumes de dados; e conexões ópticas permitem que muitos servidores trabalhem em conjunto. Por isso, a euforia financeira se espalhou das empresas de software para quase toda a cadeia de fornecedores.

Publicidade
Publicidade

Na China, o incentivo para criar alternativas nacionais também está relacionado às restrições americanas à exportação de tecnologias avançadas. A demanda estratégica por chips pode continuar existindo mesmo quando investidores deixam de aceitar qualquer avaliação financeira. É a diferença entre necessidade tecnológica e preço das ações.

Para acompanhar as aplicações e o desenvolvimento da tecnologia, o Overdrive reúne reportagens e guias na editoria de Inteligência Artificial.

CXMT é um exemplo: ações em baixa, mas produção de chips segue

Uma nova reportagem da Reuters publicada nesta quarta-feira, 28 de outubro, mostrou que a CXMT pretende iniciar produção limitada de memórias HBM3E nos próximos dois meses, apesar de dificuldades técnicas. Segundo duas fontes ouvidas pela agência, somente 20% a 30% dos chips produzidos atendem às especificações, ante aproximadamente 70% na sul-coreana SK Hynix, referência do setor.

O dado é uma informação atribuída a fontes não identificadas pela Reuters, e não um balanço divulgado pela CXMT. A empresa não respondeu ao pedido de comentário da agência. Taxas de aproveitamento baixas aumentam custos, enquanto a falta de memórias avançadas dificulta ampliar a fabricação de processadores de IA no país.

O contraste explica a situação: mesmo com ações em queda e desafios de rentabilidade, empresas chinesas continuam tentando produzir tecnologias consideradas estratégicas. A correção financeira não interrompe automaticamente esse desenvolvimento.

Detalhe aproximado de uma pastilha com circuitos de semicondutores
Fotografia ilustrativa de circuitos de semicondutores; não mostra a linha de produção da CXMT. Foto: Syced/Wikimedia Commons (CC0; arquivo original).

A bolha da IA já estourou na China?

Houve um forte estouro de expectativas em parte das ações chinesas de IA, mas a palavra “bolha” é uma interpretação de mercado, não uma declaração oficial de falência de todo o setor. Gestores consultados pela Reuters chamaram a reversão de estouro de bolha porque as cotações perderam grande parte dos ganhos anteriores. Outros profissionais avaliaram que a queda pode criar oportunidades seletivas e não elimina o potencial de longo prazo da indústria.

Publicidade
Publicidade

O próprio tamanho da correção não determina o futuro: ações podem continuar caindo, estabilizar ou recuperar parte do valor, dependendo dos resultados e das condições econômicas. Não existe evidência suficiente para transformar uma queda de índice em previsão de que a inteligência artificial deixará de ser usada.

A queda na China pode afetar Nvidia, Estados Unidos e Brasil?

O caso chinês é observado internacionalmente porque a cadeia de IA conecta fornecedores de chips, fabricantes de equipamentos, desenvolvedores de software, operadores de nuvem e fundos de investimento. Uma desaceleração relevante pode alterar encomendas, financiamento e disposição para assumir riscos. Isso é uma possibilidade de transmissão, não uma consequência já demonstrada para cada empresa.

No relato da Reuters, enquanto o STAR50 acumulava cerca de 40% de queda desde julho, o Nasdaq americano recuava aproximadamente 6% em relação a um recorde alcançado três semanas antes. As janelas e composições são diferentes, portanto os números não medem uma perda equivalente entre os dois mercados.

No Brasil, o impacto mais direto para pessoas físicas pode aparecer em fundos ou investimentos com exposição a bolsas internacionais. O preço de assinaturas de IA e a disponibilidade de ferramentas como ChatGPT não mudam automaticamente porque ações de uma fabricante de chips perderam valor. Para entender como empresas de software e infraestrutura se conectam, veja também nossa cobertura sobre Nvidia e o ecossistema de modelos de IA.

O que acompanhar depois da queda das ações?

  • Receitas e lucros: se os resultados divulgados pelas fabricantes acompanham as expectativas usadas para justificar suas avaliações.
  • Demanda por chips e HBM: se novos pedidos e avanços de produção sustentam a capacidade industrial anunciada.
  • Restrições comerciais: se propostas relacionadas a fornecedores chineses para data centers se tornam regras efetivas, com qual alcance e em quais países.
  • Financiamento e novas estreias na bolsa: se a correção reduz a captação de recursos por empresas de tecnologia.

A evolução desses indicadores ajuda a distinguir uma correção de preços de uma mudança estrutural na demanda por IA. O Overdrive acompanha as principais notícias de tecnologia e seus efeitos para consumidores e empresas.

Perguntas frequentes sobre a bolha da IA na China

Quanto a bolsa de tecnologia da China caiu?

O índice STAR50 caiu aproximadamente 40% desde a máxima de julho de 2026, segundo levantamento da Reuters publicado em 26 e 27 de outubro. Isso não significa que todo o mercado acionário chinês tenha caído na mesma proporção.

Quanto dinheiro foi perdido com a bolha da IA chinesa?

A Reuters estimou uma redução de cerca de US$ 480 bilhões no valor de mercado das empresas associadas à queda do STAR50. Esse número não representa desembolso de dinheiro pelas companhias.

Por que empresas de chips chinesas estão caindo?

Entre os fatores apontados estão avaliações elevadas, dúvidas sobre receitas futuras, riscos de restrições comerciais e a reversão do entusiasmo especulativo. Não foi identificado um único gatilho para toda a queda.

Quais empresas foram afetadas?

Unitree, CXMT, MetaX, Moore Threads, Zhongji Innolight e Eoptolink estão entre as companhias citadas na apuração da Reuters. Elas trabalham em segmentos diferentes, da robótica aos semicondutores e componentes ópticos.

A queda das ações significa que a inteligência artificial vai acabar?

Não. Preço de ação e funcionamento da tecnologia são questões diferentes. O movimento mostra uma revisão nas expectativas financeiras de investidores; não demonstra que chatbots, robôs ou processadores de IA deixaram de ter uso.

Como apuramos e fontes

Este texto reúne números divulgados pela Reuters em 26 e 27 de outubro de 2026 e uma apuração adicional da agência publicada em 28 de outubro. Os percentuais se referem às janelas temporais descritas e não foram atualizados com cotações intradiárias. Há distinção entre fatos relatados, interpretações de analistas e cenários possíveis. O texto é informativo e não constitui recomendação de investimento.

Publicidade
Publicidade

Leia também

Publicidade

Comentários

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos com * são obrigatórios.

Ainda sem comentários. Puxe o primeiro assunto.

Explore o Overdrive