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Anatel dá 5 dias para bloquear chamadas com número adulterado; entenda

Seis medidas cautelares miram o spoofing; bloqueios devem ser implementados em até cinco dias e operadoras terão até 30 dias para rastrear a origem de milhões de ligações

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Seis medidas cautelares miram o spoofing; bloqueios devem ser implementados em até cinco dias e operadoras terão até 30 dias para rastrear a origem de milhões de ligações.
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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou novos bloqueios contra chamadas com o número de origem adulterado e exigiu que operadoras rastreiem milhões de ligações para descobrir quem realmente iniciou o tráfego.

A prática é conhecida como spoofing. Ela permite que o número mostrado na tela de quem recebe a chamada seja diferente daquele usado para iniciar a ligação. Em golpes, isso pode fazer uma chamada parecer ter vindo de um banco, empresa, central de atendimento ou até de um contato conhecido.

Pessoa recebendo uma ligação em um smartphone
Identificação exibida na tela do celular pode ser adulterada em chamadas de spoofing — Foto: cottonbro studio/Pexels

A Anatel publicou seis medidas cautelares. Parte delas determina a interrupção de chamadas associadas a empresas identificadas nas fiscalizações, enquanto outras obrigam TIM, Algar, Itelco e Surf a reconstruírem a cadeia de encaminhamento do tráfego.

A agência afirma que a alteração indevida do número de origem dificulta a identificação do verdadeiro responsável pela chamada e pode ser usada em fraudes ou outras atividades irregulares.

O problema também está no radar das empresas de tecnologia. O Google, por exemplo, trabalha em uma função para alertar usuários do Android quando uma ligação aparenta se passar por um contato salvo.

O que a Anatel mandou bloquear?

Uma das decisões atinge a ELO Contact Center Serviços. A TIM recebeu ordem para bloquear, pelo prazo de um mês, a capacidade da empresa de originar chamadas telefônicas em sua rede.

Três relatórios de fiscalização citados no despacho registraram, em diferentes períodos, 5.287, 672.379 e 1.080.513 chamadas caracterizadas como spoofing associadas à atuação da ELO.

Somados, os registros chegam a 1.758.179 ligações.

A TIM tem até cinco dias, contados a partir da ciência da decisão, para implementar tecnicamente o bloqueio e comprovar à Anatel quais rotas, acessos e outros recursos foram afetados.

Voros também terá chamadas bloqueadas

Outra medida envolve a Voros Telecomunicações. Neste caso, a ordem foi direcionada a Algar, Datora e Foco, que deverão impedir que a empresa origine chamadas por meio de suas redes.

A fiscalização cita dois conjuntos de chamadas com spoofing associados à Voros: 164.082 ligações em um relatório e outras 2.436.445 posteriormente.

Isso representa 2.600.527 chamadas nos dois levantamentos.

As prestadoras receberam prazo de até cinco dias para colocar o bloqueio em funcionamento.

Diferentemente do caso da ELO, a revisão do bloqueio da Voros depende da comprovação de uma outorga compatível com o serviço e da adoção de medidas para impedir novas chamadas com a identificação de origem alterada.

Operadoras terão de rastrear mais de 30 milhões de chamadas

A segunda parte das medidas da Anatel não se limita a interromper chamadas. A agência quer descobrir quem realmente iniciou o tráfego.

Em uma análise de chamadas realizadas entre 27 de maio e 15 de junho de 2026, os documentos da agência registram:

  • Algar: 12.827.156 chamadas caracterizadas como spoofing;
  • Surf: 9.513.402 chamadas;
  • Itelco: 6.327.469 chamadas;
  • US Matrix em rota com a TIM: 2.141.428 chamadas.

O conjunto chega a 30.809.455 ligações submetidas às determinações de rastreamento.

TIM, Algar, Surf e Itelco terão até 30 dias, contados a partir da ciência dos respectivos despachos, para apresentar as informações exigidas.

O rastreamento será feito chamada por chamada

A exigência vai além de informar qual empresa entregou o tráfego diretamente à operadora.

A Anatel quer a reconstrução da cadeia de encaminhamento. Para cada chamada analisada, as empresas deverão apresentar informações capazes de indicar:

  • quem originou a ligação;
  • quais agentes participaram do encaminhamento;
  • qual foi a rota de entrada na rede;
  • nome da prestadora ou usuário responsável;
  • CPF ou CNPJ, quando aplicável;
  • registros e evidências técnicas utilizados no rastreamento.

Os dados terão de ser enviados de forma individualizada, registro por registro, inclusive em arquivos estruturados para cada chamada investigada.

Se não conseguirem identificar o verdadeiro originador, as empresas deverão explicar o motivo e demonstrar quais diligências realizaram para chegar à origem do tráfego.

A ausência de identificação também poderá resultar em bloqueio das interconexões ou rotas pelas quais as chamadas foram encaminhadas.

Profissionais trabalhando com headsets em uma central de atendimento
Operadoras terão de reconstruir a cadeia de encaminhamento das chamadas analisadas — Foto: Antoni Shkraba/Pexels

O que é spoofing de telefone?

Spoofing telefônico é a alteração indevida da identificação de origem de uma ligação.

Em uma chamada normal, o número apresentado ao destinatário deve permitir identificar o acesso responsável pela ligação. No spoofing, essa informação é manipulada, fazendo com que outro número apareça para quem atende.

Para o usuário, o efeito pode ser perigoso: a tela pode mostrar um número aparentemente confiável mesmo que a chamada tenha começado em outro lugar.

É por isso que o número exibido no celular, sozinho, não deve ser considerado prova de que uma chamada realmente veio daquela pessoa ou empresa.

Isso também significa que alguém pode visualizar o seu número em uma chamada que você nunca realizou. Esse cenário não significa automaticamente que seu celular ou seu chip foram invadidos, porque a falsificação pode ocorrer na identificação transmitida durante o encaminhamento da ligação.

Por que spoofing pode ser usado em golpes?

A falsificação do número pode aumentar a credibilidade da abordagem.

Um criminoso pode tentar fazer a ligação parecer proveniente de um banco, empresa ou serviço conhecido para convencer a vítima a fornecer senhas, códigos de confirmação, informações pessoais ou autorizar alguma operação.

O golpe também pode ser combinado com dados obtidos anteriormente em vazamentos, phishing ou outras fraudes, deixando a abordagem mais convincente.

A própria Anatel afirma que o spoofing é um vetor relevante para golpes, fraudes e uso abusivo das redes.

Por isso, diante de uma chamada suspeita, o mais seguro é encerrá-la e procurar a instituição por um canal conhecido, abrindo o aplicativo oficial ou digitando manualmente o telefone.

As chamadas falsas vão parar agora?

Não necessariamente.

As decisões anunciadas pela Anatel não representam um bloqueio geral de todas as chamadas suspeitas realizadas no Brasil nem significam que todos os casos de spoofing desaparecerão imediatamente.

Os bloqueios desta rodada são direcionados a empresas e rotas específicas identificadas nas fiscalizações. Ao mesmo tempo, o rastreamento pode revelar outros participantes da cadeia e subsidiar novas medidas.

Também existe diferença entre spoofing e uma simples chamada de spam. Uma ligação publicitária indesejada pode utilizar um número legítimo; no spoofing, o problema central é a alteração indevida da identificação de origem.

O que fazer ao receber uma ligação suspeita?

Mesmo quando o telefone mostra um número conhecido, evite confirmar dados pessoais ou seguir instruções urgentes sem verificar a origem.

  • não informe senha, token ou código recebido por SMS;
  • não instale aplicativos indicados durante a ligação;
  • não faça Pix ou transferência sob pressão;
  • desligue e procure a instituição por um canal oficial;
  • não confie apenas no número mostrado no identificador de chamadas.

O Overdrive também mantém um guia para descobrir se alguém está rastreando a localização do celular e acompanha outros riscos digitais, como a falha do WhatsApp que permitia acessar fotos com o aparelho bloqueado.

Golpes digitais também estão adotando técnicas cada vez mais sofisticadas. Uma investigação recente revelou, por exemplo, uma rede que usava milhares de perfis falsos e inteligência artificial em aplicativos de relacionamento.

Perguntas frequentes

O que é spoofing de chamada?

É a alteração indevida da identificação de origem de uma ligação, fazendo com que outro número seja apresentado para quem recebe a chamada.

A Anatel mandou bloquear todas as chamadas suspeitas?

Não. As medidas atuais são direcionadas a empresas e tráfegos específicos identificados nas fiscalizações. Outras empresas receberam determinações para rastrear a origem de chamadas analisadas.

Qual empresa terá chamadas bloqueadas pela TIM?

A TIM recebeu ordem para bloquear por um mês a capacidade de originação de chamadas da ELO Contact Center Serviços em sua rede.

Quais operadoras terão de rastrear chamadas?

As determinações de rastreamento desta rodada envolvem TIM, Algar, Itelco e Surf.

Quanto tempo as empresas têm para responder?

Os bloqueios previstos nas cautelares devem ser implementados em até cinco dias após a ciência dos despachos. Já as determinações de rastreamento estabelecem prazo de até 30 dias.

Uma ligação mostrando o número do meu banco é necessariamente verdadeira?

Não. Técnicas de spoofing podem alterar a identificação apresentada no celular. Em caso de dúvida, encerre a chamada e procure o banco por um aplicativo, site ou telefone oficial acessado por você.


Fontes:

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