iRacing Arcade começa com uma ideia difícil de rejeitar. O jogo pega carros e circuitos conhecidos do automobilismo, reduz tudo a proporções de brinquedo e coloca o jogador em corridas rápidas, acessíveis e sem a intimidação associada ao iRacing tradicional. O resultado tem personalidade, funciona bem nas primeiras horas e encontra seu melhor momento em um modo carreira mais elaborado do que a aparência infantil deixa imaginar.
Essa boa primeira, no entanto impressão precisa sustentar uma campanha longa. A quantidade limitada de situações, a inteligência artificial agressiva demais e as restrições do multiplayer fazem a experiência perder rendimento. iRacing Arcade é divertido, mas parece constantemente a uma atualização de distância do jogo que poderia ser.
Não é o iRacing simplificado
Apesar do nome, iRacing Arcade não tenta adaptar o simulador por assinatura para um público casual. Trata-se de um jogo separado, desenvolvido pela Original Fire Games em colaboração com a iRacing, sem necessidade de assinatura ou conexão com o serviço competitivo do simulador. O próprio estúdio define o projeto como uma experiência arcade feita prioritariamente para controles tradicionais.

Ele se aproxima muito mais de um sucessor de Circuit Superstars, também produzido pela Original Fire Games. A câmera acompanha os veículos por cima e por trás, os carros têm proporções reduzidas e os circuitos reais são recriados como pequenas pistas de autorama.
Essa escolha visual é um dos grandes acertos. Os veículos são imediatamente reconhecíveis, mas não ficam presos à obrigação de reproduzir cada detalhe do modelo original. Pistas como Imola, Tsukuba, Kyalami e Hermanos Rodríguez também preservam curvas e elementos famosos enquanto adotam uma apresentação mais colorida e compacta.
É um contraste interessante com jogos como Horizon Chase 2, que usa a nostalgia como combustível principal. iRacing Arcade olha para o automobilismo real, mas o transforma em uma coleção de miniaturas que parece ter saído do quarto de uma criança apaixonada por corridas.
A pilotagem encontra um bom meio-termo
A palavra “Arcade” não significa que basta segurar o acelerador. Os comandos são simples, a transmissão é automática e o jogo evita configurações complexas, mas ainda exige alguma atenção aos pontos de frenagem e ao traçado.
Em dificuldades menores, é possível frear tarde, abusar das zebras e recuperar erros sem grandes consequências. Nos níveis mais altos, uma entrada ruim compromete a sequência inteira de curvas. Não chega perto de uma simulação, mas existe espaço para melhorar tempos e aprender cada pista.

O comportamento muda conforme a categoria. O Fiat 500 permite corridas lentas e disputadas, enquanto Fórmula 4, Porsche 911 GT3 Cup, protótipos e monopostos mais rápidos exigem decisões antecipadas. A atualização lançada junto das versões de console ampliou a seleção para 13 veículos, incluindo Mercedes 190 E DTM, Caterham, Formula Fangio, Formula Turbo e até um caminhão Big Rig.
Corridas mais longas introduzem consumo de combustível, perda de aderência, danos e paradas nos boxes. É uma camada leve de estratégia, mas suficiente para dar alguma substância ao jogo. Entrar uma volta antes, economizar combustível ou permanecer na pista com pneus desgastados pode decidir uma prova.
A inteligência artificial, por outro lado, nem sempre respeita essa proposta. Os adversários freiam tarde, batem entre si e frequentemente empurram o jogador para fora do traçado. O caos combina com um arcade, mas existe uma diferença entre uma disputa agressiva e perder uma corrida porque outro carro se prendeu à lateral do seu veículo.
Como quase todas as provas começam no meio de um pelotão agitado, o problema se repete mais do que deveria.
A carreira é a melhor ideia do jogo
O modo carreira é o coração de iRacing Arcade. Em vez de apresentar apenas uma lista de campeonatos, o jogo permite construir uma organização de automobilismo. O dinheiro recebido nas provas pode ser usado para comprar carros, contratar pilotos, erguer instalações e ampliar o chamado Campus da equipe.
Garagens, oficinas e departamentos de pesquisa desbloqueiam benefícios que afetam as corridas. Alguns aumentam potência ou aderência em determinadas condições. Outros alteram punições, combustível ou força do vácuo. Há até modificadores puramente cômicos, como deixar os pilotos com cabeças gigantes.

Também é possível contratar pilotos para disputar campeonatos que o jogador não queira enfrentar pessoalmente. Isso ganha mais importância quando diferentes categorias começam a ocupar o mesmo calendário. Em vez de abandonar uma competição de Fiat 500 para correr de Porsche, você pode delegar uma delas e continuar recebendo parte dos resultados.
O sistema dá uma boa sensação de crescimento. A sede deixa de ser um terreno vazio e vira um pequeno complexo de corrida, enquanto categorias mais velozes passam a aparecer. O dinheiro não serve apenas para comprar o próximo carro; ele representa a evolução de toda a equipe.
O problema é que a gestão parece mais profunda do que realmente é. As construções funcionam principalmente como menus bonitos para desbloquear bônus. Não há decisões financeiras muito arriscadas, desenvolvimento detalhado dos carros ou relações complexas com os pilotos.
Depois de algumas temporadas, o ciclo fica previsvisível: correr, receber dinheiro, comprar uma melhoria e avançar mais uma semana. A carreira tem sete temporadas, mas a variedade de eventos não cresce neste mesmo ritmo de duração.
Largar sempre atrás vira um problema
Uma decisão estranha é a ausência de sessões de classificação. Nas provas da carreira, o jogador começa atrás do pelotão e precisa ganhar posições durante corridas geralmente curtas.
A escolha cria ação, mas também torna a campanha artificial. Não importa se você domina o circuito ou vence várias etapas consecutivas: a prova seguinte começa novamente com carros mais lentos bloqueando as primeiras curvas.

Isso incentiva ultrapassagens agressivas e aumenta a frequência de contatos com a IA. Uma classificação curta, ou pelo menos posições definidas pelo desempenho anterior, ajudaria a variar o ritmo das temporadas.
A progressão ainda sofre com intervalos grandes entre as dificuldades. Em um nível, vencer pode se tornar fácil cedo demais. No seguinte, os adversários parecem ganhar uma velocidade que não corresponde ao restante do grid. Faltou uma regulagem mais gradual entre corrida casual e desafio competitivo.
Conteúdo melhorou, mas ainda parece pequeno
A versão atual tem 13 veículos e uma seleção que passa por carros compactos, turismo, fórmulas, protótipos e modelos históricos. O conjunto de pistas também foi ampliado depois da estreia no PC, com locais como Jerez, Magny-Cours, Misano e Monza adicionados ao grupo original de circuitos. Há ainda cinco variações alternativas de traçado.
Os carros são suficientemente diferentes para mudar pontos de frenagem e estratégias, mas as opções dentro de cada categoria são pequenas. Em vez de montar uma garagem cheia de modelos concorrentes, o jogador normalmente recebe um representante de cada classe.

Essa abordagem facilita o aprendizado, porém enfraquece a fantasia de administrar uma grande equipe. A presença das licenças chama atenção, mas faltam veículos para transformar a garagem em algo realmente pessoal.
O mesmo vale para as personalizações. Pinturas, capacetes e elementos do Campus ajudam a criar identidade, só que não substituem modificações mais profundas ou escolhas mecânicas.
Tela dividida salva o multiplayer local
O multiplayer local para até quatro jogadores é uma das melhores adições feitas na chegada aos consoles. As corridas curtas, os contatos tolerantes e o visual fácil de acompanhar combinam perfeitamente com partidas no mesmo sofá.
Também existe multiplayer online com crossplay e salas privadas para até 12 participantes. Espaços vazios podem ser ocupados pela inteligência artificial.
O online, porém, não possui uma busca rápida por adversários. É necessário criar ou entrar em uma sala privada por meio de convite ou código. Também não há chat de voz. Para um jogo que depende de corridas curtas e acessíveis, dificultar o encontro com desconhecidos é uma limitação considerável.
iRacing Arcade poderia funcionar muito bem com campeonatos públicos, partidas rápidas, eventos diários e algum sistema básico de classificação. Os contrarrelógios globais com rotações semanais ajudam, mas não ocupam o espaço de um multiplayer competitivo estruturado.
Também é importante reforçar que o jogo não aceita volantes, e o estúdio afirma que o suporte não será implementado no futuro. A decisão é coerente com a proposta casual, mas estranha em um título que carrega o nome iRacing e inclui desgaste de pneus, combustível e pistas reais.

Vale a pena jogar iRacing Arcade?
iRacing Arcade vale a pena para quem procura corridas curtas, gosta da estética de miniaturas e pretende aproveitar a campanha aos poucos. O modo carreira tem boas ideias, o gerenciamento dá propósito aos resultados e a tela dividida oferece um motivo concreto para manter o jogo instalado. O pacote custa atualmente R$ 142,50 no PS5 e R$ 121,95 no Xbox Series X|S. Também está disponível no PC por meio do Steam.
Por esses valores, a falta de matchmaking, o número reduzido de carros por categoria e a repetição da carreira pesam. Existem elementos de simulador demais para quem espera o caos constante de um Mario Kart, mas poucas opções para quem quer a profundidade de um jogo de automobilismo.
Essa posição intermediária produz bons momentos, principalmente quando uma corrida curta combina ultrapassagens, estratégia de pneus e uma pista conhecida. Só que iRacing Arcade raramente transforma esses momentos em algo maior.
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A redação quer saber
Qual jogo de corrida arcade merece ganhar uma continuação?