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Denshattack!: o trem mais estiloso do ano não perde o ritmo

Undercoders mistura Tony Hawk's Pro Skater com Jet Set Radio e cria um dos jogos mais viciantes e estilosos de 2026

Review:Denshattack! Denshattack!: o trem mais estiloso do ano não perde o ritmo
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Ficha de avaliação

9/10

Denshattack! une a manobrabilidade de Tony Hawk's com a estética de Jet Set Radio, só que em cima de um trem, e a fórmula funciona muito bem. Controles fáceis de pegar, fases curtas e viciantes, chefes super criativos e uma trilha sonora de peso (Tee Lopes, Shoji Meguro) sustentam a experiência. Pecha em excesso de informação na tela nas fases avançadas e a falta de multiplayer, mas o preço camarada ajuda a perdoar. Um dos melhores arcades do ano para quem curte perseguir o combo perfeito.

Prós e contras · Ficha técnica

Prós

  • Conceito original que mistura skate e trem sem parecer forçado
  • Curva de aprendizado bem calibrada, fácil de começar e satisfatória de dominar
  • Chefes criativos e únicos em cada região
  • Direção de arte e trilha sonora entre as melhores do ano
  • Alto fator replay, com dezenas de fases e mais de trinta trens pra desbloquear

Contras

  • Câmera pode atrapalhar em momentos de pico de velocidade
  • Acúmulo de comandos deixa os controles carregados nas fases finais
  • Ausência total de multiplayer

Ficha técnica

  • GAMEDenshattack!
  • PLATAFORMAPC, PlayStation 5, Xbox Series X, S, Nintendo Switch 2
  • GÊNEROAção arcade, esportes radicais
  • DESENVOLVEDORAUndercoders
  • PUBLISHERFireshine Games
  • LANÇAMENTO15 de julho de 2026
Nesta matéria

Tem uma frase que resume Denshattack! antes mesmo de você jogar: e se Tony Hawk’s Pro Skater e Jet Set Radio tivessem um filho, e esse filho fosse um trem? Parece papo de pitch maluco de reunião de estúdio, mas a Undercoders, estúdio espanhol até então pouco conhecido, transformou essa ideia em um dos jogos mais divertidos que joguei em 2026.

Num ano recheado de remakes, remasterizações e sequências previsíveis, um conceito tão bizarro quanto esse já merecia atenção só pela coragem. O que impressiona é que a execução acompanha a ambição: em vez de se apoiar só na piada de “trem que faz manobra”, o jogo constrói um sistema de jogo genuinamente sólido em cima dessa ideia maluca.

Emi, o trem e um Japão sufocado por domos

Em um futuro próximo, uma crise climática empurrou boa parte da população japonesa pra dentro de domos controlados pela megacorporação Miraido. Fora dessas bolhas, o país ficou em ruínas, cortado por uma malha ferroviária abandonada que virou point de gangues rivais que disputam respeito e adrenalina pilotando trens turbinados.

Você assume o controle de Emi Araki, entregadora de ramen que descobre ter talento nato pra essa modalidade meio ilegal, meio esporte radical, chamada Denshattack. Com a ajuda do fotógrafo Fernando, ela sai atrás dos líderes de cada região até chegar na sede da Miraido.

Não espere um roteiro complexo por aqui. É clichê de shonen de batalha, com protagonista otimista, rivais que viram aliados e uma megacorporação genérica de vilã. Mas funciona exatamente como deveria funcionar: como pano de fundo pra te jogar de uma fase pra outra sem tirar o pé do acelerador.

Andar de trem nunca foi tão parecido com andar de skate

Esqueça qualquer lógica de sistema ferroviário real. Aqui o trem pula, faz grind em corrimões, anda de lado em paredes, gira no ar e emenda combos gigantes, tudo isso enquanto avança sobre trilhos. A sensação é muito mais próxima de um jogo de skate do que de qualquer coisa remotamente realista, e é exatamente por isso que funciona.

Denshattack!

Os controles básicos são simples: pular pra trocar de trilho, acertar o tempo do drift nas curvas, grindar corrimões, arriscar manobras no ar girando o analógico direito. Em poucos minutos já dá pra encadear combos e se sentir confortável. A curva de aprendizado é generosa no começo e vai complicando aos poucos, empilhando novas mecânicas, como andar em paredes, voar em correntes de ar e mergulhar debaixo d’água, sem nunca virar uma bagunça incontrolável.

Cada fase é um convite pra voltar

As fases costumam durar poucos minutos, mas raramente parecem repetitivas. Tem corrida clássica com adversários, prova contra o relógio, missão com objetivos específicos e desafios chamados “Dares” que pedem manobras ou combos exatos. Completar uma fase é fácil. Tirar a medalha de ouro em todas é outra história, e é aí que o jogo prende de verdade.

Voltar pra uma fase já conhecida em busca de um combo mais limpo, uma rota alternativa ou alguns segundos a menos no cronômetro vira um vício rápido. Some a isso mais de trinta trens diferentes pra desbloquear, cada um priorizando algo diferente entre velocidade, pontuação em grind e duração dos combos, e escolher o trem certo pra cada desafio vira uma camada extra de estratégia.

Denshattack!

Cada fase também esconde um colecionável único que libera uma nova página de um fanzine sobre a região visitada. É um detalhe pequeno, mas bem pensado: em vez de só lore genérico sobre o mundo do jogo, essas páginas trazem curiosidades reais sobre pontos turísticos, comida típica e história de cada parte do Japão, então o incentivo pra explorar cada canto da fase acaba rendendo algo além de pontos. Fora isso, dá pra customizar a pintura, os adesivos e os padrões de cada trem, o que não muda nada na jogabilidade, mas ajuda a criar um apego bobo com o próprio veículo.

Chefes que fazem você duvidar da sanidade dos designers

Se tem um lugar onde Denshattack! mostra toda a criatividade da Undercoders, são os combates contra chefes. Cada região termina em um confronto único: um trem que se transforma em mecha gigante, uma rival que arremessa bolas de beisebol do tamanho de um carro, um verme mecânico enorme cruzando dunas de deserto.

Nenhum se repete na estrutura ou nos padrões de ataque, e cada um força a usar as manobras aprendidas até ali de um jeito novo.

Estilo visual e trilha sonora em outro nível

Visualmente, Denshattack! é uma carta de amor ao Jet Set Radio e à era Dreamcast da Sega, com cel-shading, cores berrantes, tipografia japonesa exagerada e uma influência clara de Persona nos menus e nas cenas de diálogo. Cada região do mapa tem identidade própria, e existe um cuidado perceptível em recriar cantos reconhecíveis do Japão real dentro dessa estética caótica.

Denshattack!

A trilha sonora está entre as melhores do ano. Tee Lopes assina boa parte das faixas, com participações de nomes como Shoji Meguro, Richard Jacques e Harumi Fujita, misturando jazz, j-pop e sintetizadores old school que combinam perfeitamente com o ritmo frenético do jogo.

Onde o trem sai um pouco dos trilhos

Nada aqui é perfeito. A quantidade de informação na tela durante as fases mais avançadas pode ficar exagerada, com efeitos visuais competindo com a leitura da pista em momentos de alta velocidade. A câmera também gosta de assumir ângulos dramáticos bem na hora em que mais se precisa enxergar o próximo trilho.

Os controles acumulam bastante coisa conforme o jogo avança, entre grind, wall ride e manuais pra manter o combo, e é comum se perder entre tantos comandos justo nas fases mais puxadas. Isso não chega a atrapalhar o progresso na campanha, já que os checkpoints são generosos, mas pode irritar quem está atrás de pontuação alta ou platina.

Denshattack!

A ausência de qualquer modo multiplayer também soa como oportunidade perdida. Um jogo tão focado em pontuação e competição pedia, no mínimo, um modo de corrida local ou algum tipo de ranking online.

Pelo menos o preço ajuda a relevar essas faltas. Denshattack! chega ao mercado custando bem menos do que a maioria dos lançamentos AAA do ano, o que facilita bastante na hora de recomendar mesmo sabendo que falta um multiplayer.

Vale a pena jogar Denshattack!?

Vale, e muito. Denshattack! pega referências que qualquer jogador mais velho vai reconhecer na hora, como Tony Hawk’s Pro Skater, Jet Set Radio e SSX, e as transforma em algo que parece novo, o que é uma proeza rara nos dias de hoje. A jogabilidade é viciante, o visual é estiloso do primeiro ao último segundo, e a trilha sonora sozinha já justificaria o preço de entrada.

Quem busca uma história profunda ou um multiplayer robusto vai sair de mãos meio vazias nesses quesitos específicos, mas quem só quer se divertir perseguindo o próximo combo perfeito encontra aqui um dos melhores jogos arcade do ano.

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