Os óculos com inteligência artificial deixaram de ser uma aposta pequena dentro do mercado de tecnologia vestível. As remessas globais desses dispositivos cresceram 263% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo um novo levantamento da Counterpoint Research.
O movimento chama atenção não apenas pela velocidade. Os modelos mais simples, que usam câmeras, microfones, alto-falantes e inteligência artificial, mas não projetam informações diante dos olhos do usuário, representaram 96% de todos os óculos com IA enviados ao mercado no período.
E é justamente nessa categoria que a Meta construiu uma vantagem difícil de ignorar: a empresa respondeu por 94% das remessas globais de óculos com IA sem tela no primeiro semestre.
O resultado ajuda a explicar por que empresas como Google, Samsung e outras gigantes de tecnologia estão olhando com mais atenção para uma categoria que, poucos anos atrás, ainda parecia experimental.
Mercado de óculos com IA cresceu 263% em apenas um ano
O levantamento divulgado pela Counterpoint nesta segunda-feira, 21 de setembro, compara o primeiro semestre de 2026 com o mesmo intervalo de 2025.
As remessas de óculos com inteligência artificial aumentaram 263% nesse período. Em outras palavras, o volume registrado no primeiro semestre deste ano foi aproximadamente 3,6 vezes o observado um ano antes.
Os números mais importantes são estes:
| Dado | Resultado no 1º semestre de 2026 |
|---|---|
| Crescimento global dos óculos com IA | +263% |
| Participação dos modelos sem tela | 96% |
| Participação da Meta entre modelos sem tela | 94% |
| Crescimento das remessas da Meta | +260% |
| Crescimento dos modelos de IA com display | +449% |
A diferença entre as duas categorias é importante. Nem todo óculos com IA funciona como um dispositivo de realidade aumentada.
Produtos como boa parte da linha Ray-Ban Meta trabalham principalmente com câmera, áudio, comandos de voz e inteligência artificial. O usuário pode perguntar sobre algo que está vendo, ouvir respostas, registrar imagens, fazer chamadas e utilizar outros recursos sem necessariamente receber uma imagem projetada na lente.
Meta já controla 94% dos óculos com IA sem tela
Enquanto o mercado como um todo acelerou, a Meta conseguiu manter uma concentração enorme justamente na categoria que hoje responde pela maior parte das vendas.
A empresa ficou com 94% das remessas mundiais de óculos com IA sem display entre janeiro e junho de 2026. Seu volume aumentou 260% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Xiaomi e Alibaba apareceram com aproximadamente 1% cada. Todas as outras fabricantes, somadas, ficaram com os 4% restantes.
Essa liderança não depende de um único formato. A parceria da Meta com a EssilorLuxottica já colocou inteligência artificial em diferentes modelos Ray-Ban e Oakley, enquanto a própria companhia continua ampliando sua linha de dispositivos.
Nos modelos Ray-Ban Meta vendidos atualmente, a Meta AI funciona como um assistente integrado aos óculos. A ideia se aproxima da transformação que já acontece nos celulares, onde assistentes tradicionais estão dando lugar a modelos capazes de interpretar voz, imagens e contexto. O Google, por exemplo, já iniciou a substituição do Google Assistente pelo Gemini no Android.
Por que os óculos sem tela estão vendendo mais?
Os dados não permitem atribuir o crescimento a uma única característica, mas a composição do mercado revela uma diferença importante em relação às primeiras tentativas de popularizar realidade aumentada.
Os modelos que dominam as remessas atuais não precisam colocar uma tela complexa diante dos olhos do usuário. Em vez disso, usam recursos mais próximos daqueles encontrados em celulares e fones de ouvido: câmeras, microfones, alto-falantes, sensores e processamento de inteligência artificial.
Isso permite que os fabricantes mantenham armações mais parecidas com óculos convencionais.
O Ray-Ban Meta Gen 2, por exemplo, combina Meta AI com câmera, gravação de vídeo, microfones e alto-falantes open-ear. É possível pedir informações sobre o ambiente, traduzir conteúdo, ouvir áudio, enviar mensagens ou registrar fotos e vídeos usando comandos de voz.
A evolução das próprias IAs também ajuda a tornar esse formato mais útil. Sistemas multimodais conseguem interpretar simultaneamente voz, imagem e outros tipos de contexto. Recursos semelhantes já estão aparecendo em plataformas como o Gemini Live, que usa câmera e conversas por voz para interpretar o que está ao redor do usuário.
Brasil já tem Ray-Ban Meta, mas América Latina ainda representa pouco

O levantamento da Counterpoint também mostra como a adoção dos óculos com IA permanece concentrada em determinados mercados.
Entre os dispositivos sem tela, a América do Norte respondeu por 50% das remessas globais. A Europa Ocidental apareceu em seguida, com 28%.
A distribuição divulgada ficou assim:
- América do Norte: 50%;
- Europa Ocidental: 28%;
- Austrália: 4,4%;
- Ásia-Pacífico: 4%;
- América Latina: 3,8%;
- Índia: 3,7%;
- China: 3%;
- Emirados Árabes Unidos: 2%.
Portanto, a América Latina ainda ocupa uma parcela pequena do mercado, apesar de os produtos já terem começado a chegar oficialmente à região.
No Brasil, o Ray-Ban Meta Gen 2 já é comercializado oficialmente. Em setembro de 2026, modelos disponíveis no site brasileiro da Ray-Ban aparecem na faixa de aproximadamente R$ 3,5 mil ou mais, dependendo da armação e das lentes escolhidas.
O preço ajuda a mostrar que, por enquanto, os óculos com IA continuam posicionados como eletrônicos premium por aqui.
Óculos com tela crescem ainda mais rápido
Embora representem uma parcela muito menor das remessas, os modelos capazes de exibir informações diretamente diante dos olhos registraram um crescimento ainda mais acelerado.
A Counterpoint classifica esse grupo como óculos de AR e IA equipados com componentes ópticos capazes de oferecer uma experiência visual transparente. As remessas desse segmento avançaram 449% em um ano.
A liderança também é bem diferente da observada nos aparelhos sem tela:
- Rokid: 41%;
- Meta: 37%;
- Even Realities: 11%;
- Alibaba: 7%;
- INMO: 2%;
- outras marcas: 2%.
A China respondeu por 45% das remessas desse tipo de produto e a América do Norte por 41%.
Ou seja, existem hoje duas corridas acontecendo ao mesmo tempo: uma por óculos discretos que utilizam IA principalmente por áudio e câmera e outra por dispositivos capazes de efetivamente colocar uma interface digital no campo de visão.
Próxima batalha deve envolver Meta, Google e Samsung
A Counterpoint espera que a concorrência se intensifique à medida que mais empresas ampliem seus investimentos em hardware associado à inteligência artificial.
A consultoria cita Meta, Google, Samsung e Apple entre as companhias capazes de influenciar a próxima fase dessa categoria.
Isso não significa que todas tenham atualmente um produto equivalente confirmado para chegar às lojas. No caso da Apple, por exemplo, existem diferentes relatos sobre projetos de óculos inteligentes, mas a companhia ainda não apresentou oficialmente um rival direto dos Ray-Ban Meta.
O dado importante hoje é outro: a demanda por uma nova classe de dispositivo pessoal está crescendo muito antes de essa disputa estar completamente formada.
Além disso, a própria IA está avançando de assistentes que apenas respondem perguntas para sistemas capazes de interpretar contexto e executar tarefas. É uma evolução semelhante à que já observamos ao comparar ChatGPT, Gemini, Claude e outros modelos de IA, mas colocada em um dispositivo que pode permanecer diante dos olhos do usuário durante boa parte do dia.
Privacidade ainda pode decidir como esses produtos vão evoluir
O crescimento dos óculos equipados com câmera também traz um problema que as fabricantes ainda precisam resolver: como tornar esses dispositivos úteis sem aumentar a preocupação de outras pessoas com gravações e coleta de informações.
A própria Counterpoint prevê que o mercado passe a oferecer mais formatos para lidar com a questão, incluindo óculos de IA voltados apenas para áudio e modelos nos quais as câmeras tenham como principal objetivo fornecer contexto para o assistente.
Esse detalhe pode se tornar especialmente importante se os óculos com IA deixarem de ser um acessório de nicho e realmente passarem a disputar espaço com fones de ouvido e smartwatches.
Os números do primeiro semestre de 2026 mostram que essa transição já começou. O mercado cresceu 263% em um ano e, por enquanto, a Meta parte para a próxima etapa com uma vantagem enorme na categoria que concentra quase todas as unidades vendidas.
Perguntas frequentes
Quanto cresceu o mercado de óculos com IA em 2026?
As remessas globais aumentaram 263% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com a Counterpoint Research.
Qual empresa lidera os óculos com inteligência artificial?
A Meta domina atualmente o segmento de óculos com IA sem tela, com 94% das remessas globais registradas no primeiro semestre de 2026.
O Ray-Ban Meta tem tela?
A maior parte da linha Ray-Ban Meta que popularizou a categoria funciona sem uma tela tradicional diante dos olhos. Os óculos utilizam câmera, microfones, alto-falantes e Meta AI. A Meta também desenvolve produtos separados equipados com display.
Quanto custa um óculos com IA da Meta no Brasil?
Em setembro de 2026, versões do Ray-Ban Meta Gen 2 aparecem no site oficial brasileiro da Ray-Ban a partir de aproximadamente R$ 3.499. O valor varia conforme armação, lentes e configuração escolhidas.
O que significa um crescimento de 263%?
Uma alta de 263% significa que o novo volume corresponde a aproximadamente 3,63 vezes o volume registrado anteriormente. Não significa que o mercado tenha apenas dobrado.
Fontes
- Counterpoint Research, Global AI Glasses Shipments Surge 263% YoY in H1 2026, publicado em 21 de setembro de 2026.
- 9to5Mac, repercussão dos dados da Counterpoint publicada em 21 de setembro de 2026.
- Meta, informações oficiais sobre a linha Ray-Ban Meta e disponibilidade dos produtos.
- Ray-Ban Brasil, preços e especificações atuais dos modelos Ray-Ban Meta Gen 2.

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