O Google Assistente começa a se despedir definitivamente dos celulares Android nesta semana. Nesta sexta-feira (4), a maioria dos usuários passa a não conseguir mais usar — ou voltar a usar — o assistente clássico em smartphones e tablets compatíveis, segundo uma atualização publicada pelo próprio Google.
A mudança não ocorre exatamente no mesmo instante para todo mundo. Em outro comunicado oficial, a empresa explica que a retirada começou em 3 de setembro e pode levar algumas semanas para alcançar todos os dispositivos. Portanto, se o Google Assistente ainda responde normalmente no seu celular hoje, isso não significa que o aparelho escapou da mudança.
O substituto é o Gemini, que passa a assumir comandos de voz, o “Ok Google”, atalhos pelo botão lateral e parte das tarefas que antes dependiam do Assistente.

Para quem usa o celular diariamente com comandos de voz, o mais importante agora é saber se o aparelho é compatível, qual assistente está configurado e quais funções podem mudar. O Overdrive reuniu abaixo o que você precisa conferir hoje.
O Google Assistente acabou hoje?
Para a maioria dos usuários de celulares e tablets compatíveis, a mudança entra em sua fase decisiva em 4 de setembro de 2026.
Uma atualização publicada na comunidade oficial do Gemini informa que, a partir desta data, a maior parte dos usuários não poderá mais utilizar ou voltar ao Google Assistente no telefone ou tablet.
Há, porém, uma implantação gradual. Em um segundo aviso publicado pela equipe do Google Assistente, a empresa diz que começou a remover o acesso em 3 de setembro e que o processo pode demorar algumas semanas para chegar a todas as pessoas.
Na prática, três situações podem acontecer hoje:
- seu celular já abre o Gemini ao dizer “Ok Google”;
- o Google pode apresentar uma tela pedindo a migração para o Gemini;
- o Assistente antigo ainda pode funcionar temporariamente enquanto a atualização não chega ao aparelho.
Depois que o acesso for removido do dispositivo, não será mais possível voltar ao Google Assistente clássico naquele celular.
Quais celulares serão afetados?
A troca é direcionada principalmente a celulares e tablets capazes de executar o Gemini.
Segundo a documentação atual do Google, o Gemini para Android exige:
- Android 9 ou superior;
- pelo menos 2 GB de memória RAM;
- um país e idioma em que o Gemini esteja disponível;
- uma Conta Google compatível;
- acesso ao aplicativo Google e aos serviços necessários.
Dispositivos com Android Go não são compatíveis atualmente com o aplicativo móvel do Gemini.
Isso abrange grande parte dos celulares Android usados atualmente, incluindo aparelhos de Samsung, Motorola, Xiaomi, Google e outras fabricantes, desde que atendam aos requisitos.
Quem está pensando em trocar de aparelho também pode conferir o guia do Overdrive com os principais celulares que serão lançados em setembro de 2026.
Como saber qual assistente está configurado no meu celular?
O caminho pode variar um pouco de acordo com a fabricante, mas no Android geralmente é possível verificar o assistente padrão desta forma:
- abra Configurações;
- entre em Apps;
- toque em Apps padrão;
- procure por App de assistente digital;
- verifique qual aplicativo está selecionado.
O Google informa que o app Google precisa aparecer como aplicativo de assistência padrão para que o Gemini funcione como assistente do sistema.
Em alguns aparelhos, o nome do menu pode variar. Se não encontrar a opção, use a busca das Configurações e procure por “assistente digital”, “app assistente” ou “aplicativos padrão”.
Como colocar o Gemini como assistente padrão?
Há mais de uma maneira de realizar a troca.
No aplicativo Google:
- abra o app Google;
- toque na sua foto de perfil;
- acesse Configurações;
- entre em Google Assistente;
- toque em Assistentes digitais do Google;
- selecione Gemini.
Outra possibilidade é instalar ou abrir diretamente o aplicativo Gemini. Em aparelhos elegíveis, o Android pode oferecer a configuração do Gemini como assistente principal durante o processo.
Depois disso, métodos que antes chamavam o Google Assistente — como segurar o botão liga/desliga, deslizar pelo canto da tela ou dizer “Ok Google” — passam a abrir o Gemini.

O “Ok Google” vai parar de funcionar?
Não. O comando de ativação continua existindo em aparelhos compatíveis, mas passa a chamar o Gemini em vez da interface tradicional do Google Assistente.
Quem já utilizava “Ok Google” e Voice Match pode continuar usando o recurso, desde que ele esteja ativado nas configurações.
O Gemini também pode executar ações rápidas por voz, como enviar mensagens ou controlar alguns dispositivos de casa inteligente. Em determinadas situações, o sistema ainda utiliza componentes técnicos do Google Assistente nos bastidores para reconhecer o Voice Match e encaminhar comandos ao Gemini.
O que o Gemini faz que o Google Assistente fazia?
O Gemini já consegue assumir boa parte das tarefas mais comuns do antigo Assistente.
Entre elas estão:
- responder perguntas por voz;
- enviar mensagens;
- realizar algumas chamadas;
- criar eventos, lembretes e listas;
- usar Google Maps;
- interagir com Gmail e Google Drive;
- identificar músicas;
- executar determinadas Rotinas;
- controlar aparelhos de casa inteligente;
- responder perguntas sobre o conteúdo exibido na tela;
- usar câmera, fotos e arquivos como contexto;
- conversar de forma contínua pelo Gemini Live.
O principal salto está justamente nas tarefas de IA. Em vez de depender apenas de comandos previamente definidos, o Gemini permite perguntas mais abertas, interpretação de contexto, análise de imagens, documentos e conversas mais longas.
Esse movimento faz parte de uma transformação maior nos produtos do Google. Neste ano, a empresa também anunciou uma das maiores mudanças da Busca em 25 anos, com integração cada vez maior do Gemini.
O que ainda muda ou pode deixar de funcionar?
A migração não significa que Gemini e Google Assistente sejam idênticos.
Na documentação oficial atualizada, o Google ainda lista algumas funções do Assistente que não estão disponíveis da mesma forma no Gemini.
Entre os exemplos estão:
- podcasts, notícias e estações de rádio por determinados provedores;
- alguns serviços de música de terceiros;
- Modo intérprete;
- algumas ações mais complexas dentro de Rotinas.
As Rotinas já são suportadas em parte quando o Google Home está conectado aos apps do Gemini, mas determinadas ações com várias etapas e interações adicionais podem não funcionar.
Há uma situação curiosa durante esta transição: algumas páginas da própria Central de Ajuda ainda aconselham o usuário a voltar para o Google Assistente caso algum recurso do Gemini não funcione. Essa opção, porém, deixa de existir nos aparelhos assim que a retirada definitiva do Assistente é aplicada.
Ainda dá para voltar ao Google Assistente?
Depende se a migração já chegou ao seu celular.
Enquanto o aparelho ainda estiver fora da etapa final da atualização, algumas versões do aplicativo Gemini continuam exibindo:
Gemini → perfil → Mudar para o Google Assistente.
O próprio Google ainda descreve esse procedimento em sua Central de Ajuda.
Entretanto, a companhia afirma claramente que, quando a retirada de acesso for aplicada ao telefone ou tablet, não será mais possível utilizar nem voltar para o Google Assistente.
Por isso, o aparecimento desse botão hoje deve ser entendido como algo temporário durante a implantação — não como garantia de que o Assistente continuará disponível.
E se eu não quiser usar o Gemini?
O Android permite alterar ou até remover o aplicativo definido como assistente digital padrão.
O caminho normalmente é:
Configurações → Apps → Apps padrão → App de assistente digital.
Ali, dependendo do aparelho, é possível selecionar outro assistente instalado ou escolher Nenhum.
Também é possível manter o aplicativo Gemini instalado e impedir que ele seja aberto por determinadas formas de ativação. O Google permite, por exemplo:
- desativar o “Ok Google”;
- remover o Gemini do botão liga/desliga;
- impedir o funcionamento pela tela de bloqueio;
- alterar o assistente padrão do Android.
Isso não traz o Google Assistente antigo de volta depois do encerramento, mas permite usar o celular sem o Gemini atuando como assistente do sistema.
Relógios, fones e Android Auto também mudam
A substituição não fica restrita à tela do celular.
Segundo o Google, quando o Gemini passa a ser o assistente do telefone, a mudança também alcança dispositivos móveis pareados, entre eles:
- smartwatches com Wear OS;
- fones de ouvido compatíveis com Gemini;
- Android Auto projetado pelo telefone.
Isso significa que um comando feito pelo relógio ou pelos fones pode passar a ser respondido pelo Gemini depois que a migração for concluída.
Google Home e Nest vão perder o Assistente hoje?
Não. Essa é uma das principais exceções desta etapa.
O comunicado atual do Google afirma que a mudança de setembro é voltada para celulares e acessórios ligados a eles.
Ela não remove imediatamente o Google Assistente de Google Nest, Google Home, smart speakers e smart displays.
A empresa já anunciou que os dispositivos domésticos também receberão experiências baseadas em Gemini, mas trata essa migração como um processo separado.
| Dispositivo | O que acontece agora |
|---|---|
| Celular Android compatível | Gemini substitui o Google Assistente |
| Tablet Android compatível | Gemini assume a experiência principal |
| Wear OS | Pode acompanhar o assistente do celular pareado |
| Fones compatíveis | Passam a utilizar Gemini com o celular |
| Android Auto projetado | Entra na transição para Gemini |
| Carro com Google built-in | Google Assistente continua por enquanto |
| Google Home e Nest | Não são afetados por esta retirada móvel |
E o Pixel Tablet?
O Pixel Tablet é um caso particular.
Quando está desbloqueado e configurado para utilizar o Gemini, ele pode funcionar como um tablet Android comum e abrir o novo assistente.
Na documentação atual do Google, porém, o Google Assistente ainda pode responder quando o Pixel Tablet está bloqueado ou funcionando no Modo Hub.
Isso reforça que o encerramento de setembro não significa o desaparecimento imediato de todo componente do Google Assistente de todos os produtos da empresa.
O iPhone também perde o Google Assistente?
A principal mudança anunciada para setembro está concentrada no Android.
No iPhone, o Gemini existe como aplicativo independente, mas não substitui o assistente do sistema da mesma maneira que acontece no Android.
Ou seja, o impacto para quem usa iOS é diferente: a mudança não transforma o Gemini automaticamente no assistente padrão do iPhone.
O que fazer hoje antes da troca?
Para evitar surpresas, vale fazer cinco verificações simples:
- confira se o Gemini está instalado e atualizado;
- verifique qual assistente digital está configurado como padrão;
- teste seus principais comandos de voz no Gemini;
- revise Rotinas e serviços de música, rádio ou notícias que você costuma usar;
- confira se “Ok Google” e Voice Match continuam ativados.
Quem dependia bastante do Google Assistente também deve testar alarmes, mensagens, casa inteligente e comandos usados no carro antes de precisar deles em uma situação importante.
Para entender como o Gemini se compara a outros chatbots atuais, o Overdrive também tem um comparativo atualizado sobre qual é a melhor IA de 2026 entre Gemini, ChatGPT, Claude e Grok.
Por que o Google está encerrando o Assistente?
O Google anunciou ainda em 2025 que pretendia transformar o Gemini em seu principal assistente pessoal.
A ideia é substituir um sistema originalmente criado para interpretar comandos curtos por uma inteligência artificial capaz de compreender contexto, imagens, documentos e conversas mais naturais.
O Google Assistente foi apresentado em 2016. Dez anos depois, a empresa considera a IA generativa uma nova mudança de plataforma e vem espalhando o Gemini pela Busca, Android, Chrome, Workspace, carros, relógios e outros produtos.
O Gemini também cresceu bastante desde o lançamento. Durante o Google I/O 2026, a companhia afirmou que o aplicativo havia ultrapassado 900 milhões de usuários mensais.
Perguntas rápidas
O Google Assistente acabou em 4 de setembro?
A retirada definitiva começou nesta semana. O Google afirma que a maioria dos usuários deixa de conseguir usar ou voltar ao Assistente em 4 de setembro, mas o processo pode levar algumas semanas para chegar a todos.
O Gemini vai substituir o Google Assistente automaticamente?
Em celulares Android compatíveis, sim. A mudança pode ser aplicada gradualmente conforme a atualização chega ao dispositivo.
O “Ok Google” continuará funcionando?
Sim. Em aparelhos compatíveis, o comando passa a abrir o Gemini.
Posso voltar para o Google Assistente?
Somente enquanto a migração final ainda não tiver sido aplicada ao aparelho. Depois da retirada, o Google afirma que não será possível voltar.
Quais celulares suportam Gemini?
De forma geral, aparelhos Android com pelo menos 2 GB de RAM e Android 9 ou superior, desde que estejam em um país e idioma compatíveis. Android Go não é suportado atualmente.
Google Home vai perder o Assistente?
Não nesta etapa. Alto-falantes e telas Google Home e Nest continuam com o Google Assistente por enquanto.
Android Auto também muda?
Sim, quando o Android Auto é projetado pelo celular. Carros com Google built-in continuam com o Google Assistente por enquanto.
Fontes
- Google — atualização sobre a migração do Assistente para Gemini
- Google Assistente — comunicado sobre o encerramento no celular
- Google — como configurar o Gemini no Android
- Google — requisitos do Gemini para dispositivos móveis
- Google — recursos disponíveis e diferenças para o Assistente
- Google Gemini — página oficial do novo assistente
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