O X, antigo Twitter, vai encerrar seu atual programa de monetização para criadores em 7 de setembro de 2026. A plataforma deixou de aceitar novas inscrições no Creator Revenue Sharing nesta sexta-feira (7) e anunciou a transição para o Original Content Rewards, novo sistema criado para recompensar conteúdo original e de alta qualidade.
A mudança não significa que o X deixará de pagar criadores. Na prática, a rede social está substituindo o modelo atual por outro que coloca mais peso sobre autoria, conhecimento especializado, criatividade e contribuição própria. Posts, artigos, vídeos e imagens poderão gerar receita, desde que atendam às novas regras de originalidade e recebam impressões consideradas qualificadas.
Quem já participa do Creator Revenue Sharing continuará acumulando ganhos até 7 de setembro. A partir do dia seguinte, o X começará a liberar para os atuais participantes o processo de inscrição no novo programa.
Quando a monetização atual do X termina?
O Creator Revenue Sharing será oficialmente aposentado em 7 de setembro de 2026. O X já fechou as inscrições para novos participantes em 7 de agosto, exatamente um mês antes do encerramento.

Os criadores que já fazem parte do programa ainda receberão três pagamentos finais. As duas próximas rodadas estão previstas para 14 e 28 de agosto, seguindo o calendário quinzenal utilizado pela plataforma. Um último pagamento, referente aos valores acumulados até 7 de setembro, é esperado por volta de 11 de setembro.
A partir de 8 de setembro, membros do programa antigo começarão a receber acesso para solicitar entrada no Original Content Rewards. A migração não será automática: será necessário cumprir os critérios estabelecidos para o novo sistema.
Como funciona o novo programa de monetização do X?
O Original Content Rewards foi criado para remunerar usuários que publiquem material produzido por eles próprios. Segundo as regras oficiais do novo programa, podem entrar nessa definição textos, artigos, vídeos, imagens, análises e outras publicações que expressem a voz, o conhecimento, a perspectiva ou a criatividade do autor.
A diferença mais importante está na forma como o X define uma visualização que pode gerar receita. O pagamento será baseado em impressões qualificadas, e não simplesmente em todas as visualizações recebidas por uma publicação.

Para ser considerada qualificada, a impressão precisa vir de um usuário assinante de alguma modalidade Premium e acontecer no feed principal do X. Pelo menos 50% da publicação também precisa estar visível na tela. A mesma conta só pode gerar uma impressão qualificada por post, enquanto visualizações pagas, promovidas, artificiais ou fraudulentas são descartadas.
X passa a privilegiar conteúdo original
O ponto central da mudança é a autoria. O X afirma que quer recompensar criadores que ofereçam ideias, perspectivas, conhecimento ou criatividade próprios, em vez de contas que apenas redistribuem material produzido por terceiros.
Isso não significa que comentar uma notícia ou trabalhar sobre um assunto já existente ficará fora da monetização. A plataforma diz expressamente que análises, comentários e conteúdos que acrescentem contexto próprio podem ser considerados originais. Explicar uma notícia, apresentar uma interpretação sobre um acontecimento ou acrescentar informações que o público ainda não possui são exemplos contemplados pelas novas regras.
Para jornalistas, especialistas e perfis dedicados a nichos específicos, essa definição pode representar uma mudança importante. O sistema passa a diferenciar com mais clareza quem simplesmente replica uma informação de quem acrescenta apuração, análise, contexto ou conhecimento especializado.
Copiar posts e republicar vídeos pode deixar de render dinheiro
O X também detalhou o que não será considerado conteúdo original. Publicações copiadas integralmente de outras contas, vídeos baixados e republicados, compilações sem contribuição significativa e materiais que receberam apenas alterações mínimas não poderão gerar impressões qualificadas.
Adicionar uma legenda superficial, trocar poucas palavras, aplicar um filtro, mudar a velocidade de um vídeo ou colocar texto sobre material criado por outra pessoa não será suficiente para transformá-lo em conteúdo original.
A regra também atinge agregadores que vivem de reunir publicações de outras fontes sem acrescentar uma perspectiva própria relevante. Repostagens provenientes de outras plataformas feitas por alguém que não seja o autor original também ficam de fora.
Quantas visualizações são necessárias para monetizar no X?
Uma das mudanças mais chamativas está no requisito de audiência. O antigo Creator Revenue Sharing exigia pelo menos 5 milhões de impressões orgânicas nos três meses anteriores, além de 500 seguidores verificados.

No Original Content Rewards, o requisito passa para 500 mil impressões no feed principal vindas de usuários verificados nos últimos 90 dias, mantendo a exigência de pelo menos 500 seguidores verificados.
À primeira vista, o número caiu dez vezes. As duas métricas, porém, não são diretamente equivalentes. O novo sistema restringe a contagem ao feed principal, exclui impressões obtidas em respostas e considera especificamente visualizações de usuários verificados.
Quem poderá participar do Original Content Rewards?
Além das 500 mil impressões e dos 500 seguidores verificados, o criador precisa ter pelo menos 18 anos, manter uma assinatura ativa do X Premium, Premium+ ou Premium Business e possuir uma conta pessoal ou empresarial em situação regular.
Também será necessário publicar conteúdo original de forma ativa. Cumprir todos os requisitos mínimos não garante a entrada automática: o X fará uma análise da inscrição e afirma que comunicará o resultado em até três dias úteis.
Quem tiver o pedido recusado poderá apresentar um recurso. Caso o recurso também seja rejeitado, será possível tentar novamente depois de 90 dias, desde que os requisitos continuem sendo cumpridos.
Quanto o novo programa do X vai pagar?
O X não divulgou uma tabela pública com valores fixos por mil impressões. Os pagamentos serão processados a cada duas semanas, com valor mínimo de US$ 30 para saque.
A plataforma deixa claro, entretanto, que apenas as impressões qualificadas geradas por conteúdo original entrarão no cálculo. Isso significa que dois posts com o mesmo número total de visualizações poderão gerar receitas bastante diferentes dependendo de quem os visualizou, onde apareceram e se o conteúdo foi classificado como original.
Pedir curtidas e respostas também pode prejudicar a monetização
As regras do novo programa também tentam reduzir práticas usadas para inflar engajamento. Criadores não poderão utilizar bots ou ferramentas para gerar artificialmente curtidas, seguidores, visualizações, comentários ou compartilhamentos.
O X ainda proíbe solicitar engajamento repetidamente, como publicar mensagens pedindo diretamente que usuários curtam, respondam, salvem, sigam ou repostem apenas para aumentar o desempenho da conta.
Conteúdo criado ou publicado de maneira automatizada também pode ser considerado inelegível, assim como desinformação, conteúdo enganoso e posts que recebam uma Nota da Comunidade considerada útil. As exigências gerais também continuam sujeitas aos Padrões de Monetização do Criador do X.
O novo programa de monetização do X estará disponível no Brasil?

O Brasil não aparece na lista de países atualmente publicada pelo X para o Original Content Rewards. A relação oficial inclui mercados latino-americanos como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru e Uruguai, mas não cita o Brasil.
Isso chama atenção porque o antigo Creator Revenue Sharing possuía alcance mais amplo. O próprio X afirma que pode modificar a disponibilidade e as regras do novo programa, portanto a relação de países ainda pode mudar.
Até que uma inclusão seja anunciada, porém, criadores baseados no Brasil não aparecem entre os elegíveis na lista oficial publicada para o Original Content Rewards.
O X está acabando com a monetização?
Não. O que termina em 7 de setembro é o Creator Revenue Sharing, e não a possibilidade de ganhar dinheiro na plataforma. O X está trocando um programa de monetização por outro, com critérios diferentes para decidir quais criadores, conteúdos e visualizações podem gerar pagamentos.
A mudança representa uma tentativa de aproximar a recompensa financeira da produção autoral. Para quem produz análises, reportagens, vídeos próprios, artigos, ilustrações ou conteúdo especializado, a nova política coloca a contribuição original no centro do sistema.
Para contas baseadas principalmente em copiar posts, republicar vídeos ou agregar conteúdo de terceiros sem transformação relevante, o cenário será o oposto: essas publicações não deverão gerar impressões qualificadas no novo programa.
A mudança reforça uma transformação maior dentro do X
O novo programa chega enquanto o X tenta ampliar sua atuação para além de uma rede de posts curtos. A plataforma vem investindo em artigos longos, vídeos, assinaturas e ferramentas ligadas ao Grok, inteligência artificial integrada ao ecossistema da empresa. O Game Overdrive explica como o Grok se compara a ChatGPT, Gemini e Claude em 2026.
O próprio Elon Musk também continua utilizando o X como espaço para comentários que rapidamente repercutem fora da plataforma. Um caso recente foi a participação de Musk no debate sobre o novo filme A Odisseia, de Christopher Nolan.
Com o Original Content Rewards, a empresa agora tenta mudar também o incentivo econômico da rede. A partir de setembro, alcançar milhões de visualizações continuará importante, mas simplesmente acumular alcance não será suficiente: quem quiser receber terá de demonstrar que há contribuição original por trás do conteúdo publicado.
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