Entretenimento

The Last of Us: episódio 6 muda origem do relógio de Joel

Sexto episódio da segunda temporada altera a origem de um dos símbolos mais fortes de Joel e amplia o tema da paternidade dentro da mitologia de The Last of Us

The Last of Us: episódio 6 muda origem do relógio de Joel

Nesta matéria

  1. 01 O relógio de Joel no jogo original
  2. 02 O que a série muda no episódio 6
  3. 03 O relógio deixa de simbolizar só a perda de Sarah
  4. 04 A paternidade em The Last of Us vira um legado pesado
  5. 05 Joel sempre foi movido por impulso de proteção
  6. 06 A mudança funciona?
  7. 07 Jogo e série não brigam entre si
  8. 08 O episódio 6 acerta ao fortalecer o tema da paternidade
Raio-x da matéria
Editoria Entretenimento
Publicado maio 23, 2025
Atualizado maio 22, 2026
Leitura 7 min
Ver resumo
  • O sexto episódio da segunda temporada de The Last of Us talvez tenha sido o menos polêmico deste novo ano da série.
  • Ainda assim, ele trouxe uma mudança importante para a mitologia da franquia, uma daquelas que podem passar despercebidas numa primeira olhada, mas que ganham muito peso quando observadas com calma.
  • Em The Last of Us Part I, Sarah entrega o relógio ao pai no dia do aniversário dele, em 26 de setembro de 2013.
  • O episódio também ajuda a iluminar melhor um traço importante do personagem: o impulso quase automático de se colocar como escudo.

O sexto episódio da segunda temporada de The Last of Us talvez tenha sido o menos polêmico deste novo ano da série. Ainda assim, ele trouxe uma mudança importante para a mitologia da franquia, uma daquelas que podem passar despercebidas numa primeira olhada, mas que ganham muito peso quando observadas com calma.

Estamos falando do relógio de Joel.

No jogo original, o objeto já era um dos símbolos mais dolorosos da história. Na série da HBO, porém, sua origem muda de forma significativa. E essa alteração não parece gratuita. Pelo contrário: ela fortalece um tema que sempre esteve no coração de The Last of Us, mas que nem sempre recebe a mesma atenção quando a conversa fica restrita ao trauma, à violência e à sobrevivência.

No fundo, este episódio fala sobre paternidade.

O relógio de Joel no jogo original

Em The Last of Us Part I, Sarah entrega o relógio ao pai no dia do aniversário dele, em 26 de setembro de 2013. Poucas horas depois, durante o surto do Cordyceps, Sarah morre nos braços de Joel na sequência que redefiniu a abertura dos videogames modernos.

Naquela cena, o relógio aparece com o vidro quebrado. A partir dali, ele deixa de ser apenas um presente. Passa a funcionar como marca física do trauma de Joel, como se o tempo tivesse parado junto com a morte de Sarah.

É um símbolo simples e devastador. Joel continua vivo, mas uma parte central da sua existência fica congelada naquele instante. O relógio carrega essa interrupção brutal da paternidade.

O que a série muda no episódio 6

A série da HBO decide ampliar esse símbolo.

No episódio 6, vemos pela primeira vez um recorte da infância de Joel e Tommy. A cena apresenta Javier Miller, pai dos dois, interpretado por Tony Dalton, e desloca o sentido do relógio para um campo mais amplo: o da herança paterna.

Ao contrário do que muita gente poderia esperar, a cena não é construída apenas sobre violência explícita. Ela é mais desconfortável do que isso. Javier fala com Joel sobre como seu próprio pai era pior, sobre como ele mesmo tentou ser menos brutal do que a geração anterior e sobre como Joel, no futuro, também deveria ser um pai melhor.

É nesse momento que a série sugere algo novo: o relógio já existia antes de Sarah. Ele estava com Javier. Depois, foi herdado por Joel. Mais tarde, Sarah o conserta e o transforma novamente em presente.

Essa mudança altera bastante o peso simbólico do objeto.

O relógio deixa de simbolizar só a perda de Sarah

No jogo, o relógio é sobretudo o retrato de uma paternidade interrompida. Na série, ele passa a representar também uma linhagem masculina marcada por dureza, medo, falhas e tentativa de reparação.

Isso torna o objeto mais complexo.

Agora, o relógio não fala apenas da dor de Joel por ter perdido Sarah. Ele também carrega a ideia de legado, quase como se passasse de pai para filho junto com uma cobrança silenciosa: a de não repetir totalmente os erros da geração anterior.

A conversa entre Javier e Joel deixa claro que existe ali uma herança emocional. O pai de Joel reconhece a violência que recebeu e afirma, a seu modo torto, que tentou ser menos cruel. Ao fazer isso, transfere para o filho uma responsabilidade. Joel deverá ir mais longe. Deverá quebrar esse ciclo.

O relógio, então, se torna a materialização dessa missão.

A paternidade em The Last of Us vira um legado pesado

Com essa nova origem, a série fortalece a ideia de que a paternidade dos Miller é quase uma corrente, um legado que mistura proteção, trauma, culpa e repetição de padrões.

Joel cresce sob a sombra de um pai temido. Depois perde a filha. Mais tarde, reencontra esse papel de forma inesperada com Ellie. O arco inteiro dele passa a girar em torno da tentativa de recuperar algo que foi arrancado e, ao mesmo tempo, de não falhar da mesma forma que os homens antes dele falharam.

Isso dá ainda mais peso à relação com Ellie.

Quando Joel se apega a ela, não está apenas preenchendo o vazio deixado por Sarah. Ele também está tentando responder a essa herança emocional que a série agora torna mais visível. Proteger Ellie, amar Ellie e, em muitos momentos, exagerar nesse impulso de proteção se conecta diretamente a essa história familiar.

Joel sempre foi movido por impulso de proteção

O episódio também ajuda a iluminar melhor um traço importante do personagem: o impulso quase automático de se colocar como escudo.

Ainda adolescente, Joel assume a culpa para proteger Tommy do pai. Décadas depois, ele fará isso de outras formas, especialmente com Ellie. Esse instinto protetor já estava no personagem desde o jogo, mas a série encontra uma forma mais clara de amarrar isso à sua formação.

Esse detalhe é importante porque mostra que Joel não se torna apenas um homem endurecido pelo apocalipse. Ele já carregava, desde cedo, a tendência de absorver dor e violência para tentar poupar quem ama. A tragédia de Sarah radicaliza isso. Ellie reacende isso.

O relógio passa a simbolizar também essa vocação para proteger, mesmo quando ela se transforma em algo destrutivo.

A mudança funciona?

Para mim, sim.

A alteração não enfraquece o simbolismo original do relógio. Na verdade, amplia esse significado. O objeto continua ligado à perda de Sarah, mas deixa de nascer ali. Ganha uma história anterior, mais profunda, e passa a atravessar gerações.

Isso enriquece a série porque faz o universo de The Last of Us conversar melhor consigo mesmo. A HBO não muda o material original apenas para surpreender. Ela usa a adaptação para aprofundar sentidos, conectar temas e dar mais espessura dramática a elementos que já eram fortes.

É um tipo de mudança que mostra respeito pela obra e, ao mesmo tempo, confiança na linguagem da televisão.

Jogo e série não brigam entre si

Parte da reação a mudanças como essa costuma vir da ideia de que a série precisa reproduzir o jogo com exatidão para ser válida. Mas The Last of Us na HBO já provou várias vezes que funciona melhor quando entende seu próprio formato e assume o papel de releitura, não de cópia.

O jogo continua existindo com sua força própria. A série, por sua vez, encontra espaço para reorganizar certas peças e revelar outras camadas. Uma versão não apaga a outra. As duas se complementam.

No caso do relógio, isso fica especialmente claro. O símbolo continua potente no game. Na série, ele ganha nova dimensão. E esse tipo de expansão é justamente uma das melhores coisas que uma adaptação pode oferecer.

O episódio 6 acerta ao fortalecer o tema da paternidade

No fim, o que esse capítulo faz é reposicionar um dos objetos mais marcantes da franquia dentro de uma discussão maior sobre herança, afeto e falha masculina.

O relógio deixa de ser apenas a marca de uma tragédia e passa a ser também o retrato de uma responsabilidade transmitida entre gerações. Joel não carrega só a dor de ter perdido Sarah. Ele carrega o peso de ter herdado um papel que nunca soube exatamente como cumprir sem violência, culpa ou excesso de proteção.

Ao fazer isso, a série não só enriquece a lore de The Last of Us, como também reforça um dos seus temas mais fortes.

A paternidade, aqui, não aparece como redenção fácil. Aparece como legado difícil, imperfeito, por vezes amaldiçoado, mas ainda assim profundamente humano.

Mais de Game Overdrive

0 0 votos
Article Rating
Inscrever-se
Notificar sobre
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentarios

Mais lidas

Mais do Game Overdrive

Hughie morre no final de The Boys?

Último episódio mostra o destino de Hughie após a queda de Homelander, sua decisão contra Billy Bruto e o futuro ao lado de Annie

há 3 dias
Publicidade
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x