A Odisseia, de Christopher Nolan, chegou aos cinemas em 17 de julho e devolveu a jornada de Odisseu ao centro da cultura popular. Para quem saiu da sessão querendo passar mais tempo entre ilhas, templos e histórias da mitologia grega, existe um jogo de 2018 que continua difícil de superar: Assassin’s Creed Odyssey.
O RPG da Ubisoft não adapta o poema de Homero. Sua história acontece séculos depois, durante a Guerra do Peloponeso, e acompanha Kassandra ou Alexios em uma disputa que envolve família, política e o Culto de Kosmos. A conexão com A Odisseia está no cenário, na navegação e na forma como mitos e lugares históricos aparecem durante a viagem.
Sete anos após o lançamento, o jogo também está em uma posição melhor do que em 2018. Recebeu atualizações, conteúdos gratuitos, expansões e suporte a 60 FPS no PS5 e no Xbox Series X|S. Quem deixou a aventura passar encontra agora sua versão mais completa.
Uma Grécia feita para ser explorada

Assassin’s Creed Odyssey começa em Cefalônia, arquipélago próximo a Ítaca, terra associada a Odisseu. Pouco depois, o mapa se abre e permite viajar pelo mar Egeu a bordo da Adréstia, com direito a batalhas navais, contratação de tripulantes e longos deslocamentos entre as ilhas.
A escala impressiona até hoje. Atenas, Esparta, Corinto, Creta, Míconos e outras regiões apresentam arquiteturas, paisagens e conflitos próprios. É uma recriação romantizada da Grécia Antiga, mas construída com atenção suficiente para despertar interesse por sua história.
O resultado funciona especialmente bem depois de A Odisseia. O filme e o jogo seguem personagens diferentes, em períodos distintos, mas compartilham o fascínio por travessias marítimas e por um mundo no qual homens interpretavam seus destinos a partir da vontade dos deuses.
Essa aproximação fica mais evidente nas missões mitológicas. Ciclope, Medusa, Minotauro e Esfinge aparecem em histórias próprias, enquanto referências a figuras como Odisseu, Héracles e Teseu estão espalhadas pelo mapa. Parte dessas criaturas é explicada pela mitologia particular de Assassin’s Creed, sem perder o peso das lendas originais.
Assassin’s Creed Odyssey ainda é um dos melhores RPGs da Ubisoft
A estrutura de Odyssey representa a fase mais abertamente voltada ao RPG da franquia. Armas e armaduras possuem níveis, habilidades formam diferentes estilos de combate e as conversas oferecem decisões capazes de alterar relacionamentos e determinados acontecimentos.
Também existe liberdade para construir a personagem como guerreira, caçadora ou assassina. O combate direto é ágil e permite combinar golpes especiais, esquivas e habilidades inspiradas nos heróis gregos. O sistema de mercenários ainda coloca adversários atrás do jogador conforme crimes são cometidos, criando confrontos inesperados durante a exploração.
Entre Kassandra e Alexios, Kassandra continua sendo a escolha mais interessante. A campanha é essencialmente a mesma com os dois protagonistas, mas sua interpretação combina melhor humor, autoridade e vulnerabilidade durante os momentos familiares.
Nem tudo envelheceu com a mesma qualidade. O mapa é grande demais, algumas atividades se repetem e a progressão de nível pode interromper a campanha. A presença constante de equipamentos com estatísticas também afasta o jogo da proposta furtiva dos primeiros Assassin’s Creed. Ainda assim, exploração, combate e ambientação sustentam a aventura.
Não tente limpar o mapa inteiro

A melhor forma de jogar Assassin’s Creed Odyssey em 2026 é abandonar a ideia de concluir cada ícone. Acampamentos, contratos e objetivos semelhantes aparecem em grande quantidade e podem transformar uma boa campanha em uma rotina cansativa.
Vale priorizar a história principal, a investigação do Culto de Kosmos, as missões de personagens e as tramas mitológicas. Os contratos procedurais e os pequenos objetivos espalhados pelo mapa podem ficar para trás sem prejudicar a experiência.
As expansões seguem a mesma lógica. O Legado da Primeira Lâmina interessa principalmente pela ligação com a história da Irmandade, enquanto O Destino de Atlântida aprofunda a mitologia e os elementos Isu. Para quem chegou ao jogo motivado pelo filme de Nolan, Atlântida é a extensão mais alinhada ao interesse por deuses, heróis e criaturas lendárias.
O pacote também inclui o Discovery Tour: Ancient Greece, modo educativo sem combates que apresenta visitas guiadas sobre política, religião, arquitetura e vida cotidiana. É uma maneira direta de separar a reconstrução histórica das liberdades tomadas pela campanha.
Ainda vale a pena jogar Assassin’s Creed Odyssey?
Assassin’s Creed Odyssey continua valendo a pena, sobretudo para quem gosta de RPGs de ação, exploração naval e mitologia grega. O jogo exige alguma tolerância com atividades repetitivas, mas recompensa quem seleciona bem as missões e segue a aventura no próprio ritmo.
O lançamento de A Odisseia oferece o gancho ideal para voltar a esse mundo. O jogo da Ubisoft não substitui Homero nem prolonga diretamente o filme de Nolan, mas entrega algo que o cinema não pode oferecer: a liberdade de escolher uma ilha no horizonte, comandar o navio e começar a própria viagem pela Grécia.



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