Vampiros salvaram vítimas da Peste Negra e cobraram sangue em troca — entenda a história de Dawnwalker

Brencis não conquistou Vale Sangora apenas pela força: seu sangue curava a peste, e a salvação oferecida pelos vampiros transformou humanos em rebanho

Especial história de Dawnwalker
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Os vampiros não dominaram Vale Sangora apenas com presas e violência. Na história de Dawnwalker, eles surgiram durante a Peste Negra oferecendo algo que nenhum senhor feudal, médico ou sacerdote conseguia entregar: uma cura. O sangue dos Vrakhiri salvava humanos infectados, mas a proteção tinha um preço. Quem sobrevivia passava a oferecer o próprio sangue e a obedecer ao regime de Brencis.

Esse pacto transforma The Blood of Dawnwalker em uma história mais incômoda do que uma simples guerra entre humanos e monstros. Brencis não chega como uma criatura escondida em um castelo. Ele aparece como salvador de uma população abandonada no pior momento possível.

O texto apresenta informações da premissa e do prólogo, mas evita spoilers sobre missões, escolhas e desfechos da campanha.

Como a Peste Negra abre a história de Dawnwalker?

A história de Dawnwalker começa em 1347, quando a Peste Negra alcançava a Europa e provocava uma das maiores catástrofes demográficas já registradas. Fora da ficção, a doença foi causada pela bactéria Yersinia pestis. A Universidade de Cambridge situa a grande onda europeia entre 1347 e 1353, enquanto a Organização Mundial da Saúde estima mais de 50 milhões de mortes no continente.

A Rebel Wolves usa esse contexto histórico como a brecha que permite aos vampiros abandonar as sombras. Guerras, fome, doença e a desorganização social deixam comunidades inteiras sem proteção. Em Vale Sangora, uma região fictícia escondida nos Montes Cárpatos, os Vrakhiri percebem que não precisam exterminar os humanos. Precisam apenas oferecer aquilo que todos estão desesperados para receber.

Brencis em concept art da história de Dawnwalker
Brencis nasceu no Império Romano e atravessou mais de 1.200 anos antes de assumir Vale Sangora — Foto: Divulgação/Bandai Namco; concept art de Bartłomiej Gaweł

Por que os humanos aceitaram o governo dos vampiros?

Porque o sangue vampírico realmente funciona. A Bandai Namco confirma que Brencis usou seu sangue para curar Lunka, irmã mais nova de Coen, quando ela estava doente. A mesma fonte explica que o sangue dos Vrakhiri possui propriedades curativas para humanos e que essa foi a ferramenta usada para colocar Vale Sangora sob controle.

Brencis prometeu saúde e segurança durante a Peste Negra. Para uma população que via parentes, vizinhos e crianças morrerem sem tratamento, aceitar a proteção vampírica podia parecer menos uma escolha política e mais a única chance de continuar viva.

O antigo governante também não era um defensor do povo. Skender Dragosti desprezava os camponeses e havia esmagado uma revolta em Shrike’s Crag. Segundo a história oficial de Vale Sangora, os sobreviventes pediram misericórdia e foram massacrados por ordem do senhor feudal.

Quando Skender desaparece durante uma caçada, Brencis ocupa o espaço deixado por ele. A troca parece vantajosa no começo: sai um nobre cruel e entra um governante capaz de curar a peste. Essa camada torna a história de Dawnwalker mais ambígua. Os humanos não abraçaram monstros por ingenuidade; aceitaram uma solução concreta depois de anos de exploração, medo e morte.

A cura virou uma dívida paga com sangue

A promessa de proteção logo se transforma em mecanismo de submissão. Os adultos precisam participar da chamada Missa de Sangue, cerimônia na qual oferecem parte do próprio sangue para sustentar Brencis e sua corte.

O PlayStation Blog descreve os habitantes como rebanho dos Vrakhiri. Os adultos de Laslea são sangrados a cada duas semanas, os portões ficam vigiados e uma ausência pode provocar punições contra uma família ou contra toda a aldeia.

A salvação, portanto, não era gratuita. Brencis converteu a cura em dependência e a gratidão em imposto. Quem recebeu segurança durante a peste passou a alimentar o regime que prometia protegê-lo.

Quem são os vampiros que controlam Vale Sangora?

A corte vampírica da história de Dawnwalker reúne figuras de diferentes épocas e regiões. A intenção da Rebel Wolves é mostrar criaturas que atravessaram civilizações, carregando para o presente as ambições e traumas de suas vidas humanas.

PersonagemOrigemO que procura
BrencisNasceu no Império Romano, em 131, como Caeso Burrienus Laurentius. Era senador e pretendia chegar ao consulado antes de ser transformado.O poder político que não conseguiu conquistar enquanto era humano.
XantheÉ ainda mais antiga do que Brencis. Viveu na Grécia Antiga como sacerdotisa e perdeu até a lembrança do nome original.Compreender as forças que escuta além do mundo conhecido, embora tema aquilo que descobriu.
AmbrusÉ o mais jovem do grupo. Teve uma vida humana marcada por pobreza, humilhação e sofrimento.Provar seu valor para os vampiros mais antigos e acertar contas com o mundo que o desprezou.
BakirPercorreu as estepes da Ásia Central saqueando e incendiando territórios muito antes de virar vampiro.Ser reconhecido e temido, depois de passar séculos obrigado a viver escondido.

A cronologia oficial dos Vrakhiri mostra que eles não formam apenas uma equipe de chefes. Brencis reuniu pessoas moldadas por impérios, guerras, crenças e ressentimentos diferentes. Vale Sangora oferece a todos a possibilidade de finalmente exercer poder sem precisar se esconder.

Xanthe, a vampira mais antiga da corte de Brencis
Xanthe vive desde a Grécia Antiga e compreende algo sobre o mundo que assusta até os outros vampiros — Foto: Divulgação/Bandai Namco; concept art de Kacper Madejak

Em Dawnwalker, vampiros não transformam humanos com uma mordida

Os Vrakhiri possuem dezenas de dentes finos e pontiagudos, em vez do tradicional par de presas. Quanto mais antiga é a criatura, maior pode ser a quantidade de dentes em sua boca.

A transformação também não acontece com uma mordida no pescoço. Em uma entrevista concedida à GamesRadar, a equipe explicou que o vampiro retira da própria mandíbula uma estrutura semelhante a uma agulha e a introduz diretamente no coração da vítima.

Essa invenção da história de Dawnwalker deixa a transformação mais próxima de um ritual invasivo do que de uma sedução. Brencis usa esse processo contra Coen como punição: queria convertê-lo em uma criatura capaz de atacar os próprios amigos e vizinhos.

Por que Coen é único na história de Dawnwalker?

Coen trabalhou desde criança nas minas de prata de Svartrau. A exposição prolongada provocou argiria, uma intoxicação por prata que enfraqueceu seu corpo humano, mas impediu que a transformação vampírica fosse concluída normalmente.

Por isso, ele se torna um Dawnwalker: humano durante o dia e vampiro à noite. A luz solar não destrói seu corpo, e a transformação não apaga seus sentimentos nem as ligações com a família. Durante o dia, Coen pode usar espada e feitiçaria; à noite, ganha força, garras, mobilidade sobrenatural e uma fome que também pode colocá-lo contra pessoas que deveria proteger.

Coen carrega marcas no corpo após trabalhar nas minas de prata
A intoxicação por prata impediu que Coen se transformasse completamente em vampiro — Foto: Divulgação/Bandai Namco

Brencis pretendia criar mais um servo, mas produziu a única criatura capaz de circular pelos dois lados daquele mundo. Essa condição sustenta as escolhas da campanha de The Blood of Dawnwalker: Coen pode combater os Vrakhiri, aproximar-se deles ou usar o mesmo poder para construir um domínio próprio.

A família do protagonista será sacrificada na coroação de Brencis dentro de 30 dias. O prazo explica a urgência da jornada, embora o fim dos 30 dias não provoque um Game Over automático.

A grande crueldade da história de Dawnwalker está justamente nessa inversão. Os vampiros salvaram vidas quando os humanos mais precisavam deles. Depois, transformaram cada pessoa curada em propriedade. Coen nasce entre essas duas verdades: carrega o poder que salvou sua irmã, mas também o sangue de quem aprisionou sua família.

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