Tomb Raider IV-VI Remastered é um salto charmoso ao passado

Tomb Raider IV-VI Remastered é um salto charmoso ao passado

Coletânea da Aspyr melhora o visual dos clássicos, acerta em cheio no modo foto e esbarra mais uma vez em controles que continuam longe do ideal

Por Murilo Rodrigues março 21, 2025 Jogado em PlayStation 5

Tomb Raider IV-VI Remastered consegue ser ao mesmo tempo uma celebração carinhosa e uma experiência irregular. O visual foi bem atualizado, o pacote respeita a identidade dos jogos e o modo foto é excelente....

Prós

  • Se o visual é um dos pontos altos, os controles seguem como o maior ponto de atrito.
  • A Aspyr claramente tentou tornar a movimentação mais fluida.
  • Na prática, porém, os comandos ainda não conversam bem com o jogo.

Contras

  • Há novas animações, ajustes em deslocamento e pequenas mudanças para reduzir quedas frustrantes e tornar a exploração menos dura do que nos...
  • Nem tudo, porém, recebeu o mesmo nível de cuidado.
  • Na prática, porém, os comandos ainda não conversam bem com o jogo.
  • O problema é que, junto com o charme desses jogos, a coletânea também preserva várias frustrações — e a principal delas continua...

O que você vai encontrar

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  • Visual impressiona e reforça o valor da remasterização
  • Um dos melhores recursos da coletânea é a possibilidade de alternar entre os gráficos originais e os remasterizados a qualquer momento.
  • The Last Revelation e Chronicles se beneficiam muito mais desse contraste do que The Angel of Darkness, que já vinha de uma base visual mais avançada por ter saído no...
  • Outro incômodo importante está no giro de 180 graus, que agora exige uma combinação de botões pouco intuitiva.

A Aspyr vem se especializando em trazer clássicos dos anos 1990 e 2000 de volta ao mercado, e agora chegou a vez de Tomb Raider IV-VI Remastered. A coletânea reúne The Last Revelation (1999), Chronicles (2000) e The Angel of Darkness (2003) em versões atualizadas para PC, PS5, PS4, Xbox Series X|S, Xbox One e Nintendo Switch.

Como já era de se esperar, o pacote aposta em gráficos renovados, algumas melhorias pontuais de jogabilidade e na chance de revisitar uma fase muito específica da trajetória de Lara Croft. O problema é que, junto com o charme desses jogos, a coletânea também preserva várias frustrações — e a principal delas continua sendo a forma como os controles se comportam.

Visual impressiona e reforça o valor da remasterização

Se há algo que a Aspyr acertou novamente, foi a parte visual. Assim como aconteceu na primeira coletânea, o trabalho de remasterização consegue dar uma cara bem mais agradável aos jogos sem apagar a identidade original. As texturas estão mais detalhadas, a iluminação foi aprimorada e os cenários ganharam mais profundidade.

Em The Last Revelation, isso fica especialmente claro. Os templos egípcios agora passam uma sensação muito mais convincente de grandiosidade e mistério, com feixes de luz atravessando rachaduras, tochas iluminando corredores e ambientes que finalmente parecem ter o peso atmosférico que a proposta sempre pediu.

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Os modelos de personagens também receberam ajustes bem-vindos. Eles continuam reconhecíveis, respeitando o estilo da época, mas aparecem mais refinados e coerentes com o restante da atualização visual.

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Alternar entre gráfico antigo e novo continua sendo um acerto

Um dos melhores recursos da coletânea é a possibilidade de alternar entre os gráficos originais e os remasterizados a qualquer momento. Além de funcionar como curiosidade histórica, isso também evidencia o tamanho do salto visual.

A diferença é enorme, especialmente nos jogos originalmente lançados no primeiro PlayStation. The Last Revelation e Chronicles se beneficiam muito mais desse contraste do que The Angel of Darkness, que já vinha de uma base visual mais avançada por ter saído no PlayStation 2.

Nem tudo, porém, recebeu o mesmo nível de cuidado. As cutscenes em FMV continuam praticamente como eram nos anos 2000, sem qualquer tratamento perceptível de resolução ou apresentação. Isso cria um contraste forte demais com o restante do jogo.

Em alguns momentos, a diferença entre as cenas pré-renderizadas e o visual remasterizado chega a quebrar a imersão. Não chega a arruinar a experiência, mas é justamente o tipo de detalhe que faria bastante diferença em uma coletânea que claramente tentou valorizar a parte estética.

Controles modernizados continuam sendo o maior problema

Se o visual é um dos pontos altos, os controles seguem como o maior ponto de atrito. Quem jogou a primeira trilogia remasterizada já sabe que os controles modernizados eram um tema delicado, e isso continua aqui.

A Aspyr claramente tentou tornar a movimentação mais fluida. Há novas animações, ajustes em deslocamento e pequenas mudanças para reduzir quedas frustrantes e tornar a exploração menos dura do que nos jogos originais. Em teoria, a ideia é boa.

Na prática, porém, os comandos ainda não conversam bem com o jogo.

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O esquema moderno confunde mais do que deveria

Um dos exemplos mais claros aparece logo no tutorial de The Last Revelation. Em determinado momento, Von Croy orienta o jogador a usar uma ação específica para sair da água, mas o botão indicado simplesmente não funciona como esperado. Só depois de insistir um pouco é que se percebe que o comando foi remapeado para outra função, sem explicação clara.

Esse tipo de problema aparece mais de uma vez ao longo da coletânea e faz com que a tentativa de modernização soe menos acessível do que deveria.

Outro incômodo importante está no giro de 180 graus, que agora exige uma combinação de botões pouco intuitiva. Parece detalhe pequeno, mas em jogos que dependem tanto de precisão em plataforma e reposicionamento rápido, isso pesa bastante.

Nem o moderno, nem o clássico funcionam perfeitamente

Para quem já estava acostumado aos famosos controles “tanque”, a nova abordagem pode até atrapalhar mais do que ajudar. Ao mesmo tempo, voltar ao esquema clássico também não é exatamente uma solução confortável para todo mundo.

No fim, a sensação é que a coletânea oferece duas opções que carregam algum grau de frustração. Uma tenta modernizar sem realmente alcançar a naturalidade esperada. A outra preserva a rigidez do passado quase sem filtro.

Se os controles geram dúvidas, o modo foto merece elogio sem rodeios. Esse talvez seja um dos melhores extras já colocados em uma remasterização recente.

Agora é possível alterar poses, expressões faciais, roupas e até armas da Lara para criar capturas mais personalizadas. Só isso já faria do recurso algo bem interessante, mas a Aspyr foi além.

Flyby Camera leva o recurso para outro nível

A grande surpresa está na Flyby Camera, ferramenta que permite posicionar câmeras pelo cenário e criar sequências quase cinematográficas, ajustando ângulos e efeitos. Não é apenas um modo foto tradicional. Em vários momentos, parece uma ferramenta criativa para montar pequenas animações dentro do jogo.

É uma adição muito acima da média e mostra um carinho genuíno em oferecer algo extra para quem gosta de brincar com a estética da franquia.

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A única decepção é que essa funcionalidade não está disponível em The Angel of Darkness, o que tira um pouco da consistência do pacote.

Vale a pena jogar Tomb Raider IV-VI Remastered?

Vale, mas com ressalvas claras. A coletânea faz um trabalho muito bom ao atualizar o visual desses clássicos e consegue manter viva a essência dos jogos originais. A alternância entre gráficos antigos e novos funciona muito bem, e o modo foto é uma das melhores surpresas do pacote.

Por outro lado, os controles modernizados continuam exigindo paciência, e isso pode ser um problema real para quem chega agora ou espera uma experiência mais fluida. Em vez de facilitar de forma natural, o novo esquema ainda tropeça em decisões pouco intuitivas e em uma adaptação que parece incompleta.

Para quem já tem relação afetiva com esses jogos, a nostalgia e o cuidado visual provavelmente compensam. Para quem está chegando agora, o retorno ao passado pode ser interessante, mas certamente exigirá tolerância com uma jogabilidade que nem sempre acompanha o mesmo nível de capricho do resto da remasterização.

Veredito

Nota 70

Tomb Raider IV-VI Remastered consegue ser ao mesmo tempo uma celebração carinhosa e uma experiência irregular. O visual foi bem atualizado, o pacote respeita a identidade dos jogos e o modo foto é excelente. Só que os controles seguem atrapalhando mais do que deveriam, e isso impede a coletânea de alcançar um resultado realmente redondo.

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