Elizabeth Báthory existiu de verdade. A nobre húngara que aparece em Monstro: A História de Lizzie Borden viveu entre 1560 e 1614 e acabou no centro de acusações de tortura e mortes de jovens mulheres.
O problema é que separar a mulher real da personagem que atravessou mais de quatro séculos de histórias de horror não é simples. Báthory ficou conhecida como a “Condessa de Sangue”, recebeu a fama de ter matado centenas de pessoas e passou para a cultura popular como uma aristocrata que se banhava no sangue de virgens para preservar a juventude.
Essa última história, porém, não aparece nos registros contemporâneos do caso. O famoso banho de sangue só surgiu por escrito mais de um século depois da morte da condessa.
É justamente essa mistura entre história e lenda que a Netflix aproveita em Monstro. A produção coloca Vicky Krieps, que interpreta Bridget “Maggie” Sullivan, também no papel de Elizabeth Báthory em sequências ambientadas no passado.
Para quem terminou a temporada tentando descobrir onde termina a verdade e começa a invenção, o caso da condessa é um dos exemplos mais extremos. O Overdrive já separou o que é verdade e o que Monstro inventou sobre Lizzie Borden.
Quem foi Elizabeth Báthory?
Elizabeth, ou Erzsébet Báthory, nasceu em 1560 no Reino da Hungria e fazia parte de uma poderosa família aristocrática.
Ela se casou com Ferenc Nádasdy em 1575. Depois da morte do marido, em 1604, Báthory continuou administrando propriedades da família enquanto histórias cada vez mais violentas sobre o tratamento dado a jovens empregadas e outras mulheres começaram a circular.
As acusações levaram a uma investigação no início do século XVII. Depoimentos reunidos na época atribuíram à condessa e a pessoas que trabalhavam para ela práticas de tortura, espancamentos e mortes.
Mas há uma dificuldade fundamental: boa parte do material disponível é indireto, contraditório ou foi obtido dentro das práticas judiciais extremamente violentas da época.
| Pergunta | O que sabemos |
|---|---|
| Elizabeth Báthory existiu? | Sim. Foi uma nobre húngara que viveu entre 1560 e 1614. |
| Ela foi acusada de matar mulheres? | Sim. Uma investigação reuniu numerosos relatos de tortura e mortes. |
| Ela matou 650 pessoas? | O número ficou famoso, mas nunca foi comprovado. |
| Ela se banhava em sangue? | Não existe evidência contemporânea conhecida disso. |
| Ela foi julgada? | A própria Báthory não passou por um julgamento público como seus empregados. |
| Lizzie Borden conhecia sua história? | Não existe evidência histórica conhecida dessa ligação. |

Elizabeth Báthory realmente matou 650 mulheres?
Não é possível tratar o número de 650 vítimas como um fato comprovado.
A cifra aparece ligada ao relato de uma testemunha que afirmou ter ouvido que um funcionário de Báthory havia visto um registro particular contendo centenas de nomes.
O suposto livro nunca foi apresentado como prova, e o homem apontado como responsável por ter visto a lista não confirmou diretamente aquela história.
Outros depoimentos apresentavam números muito menores. Além disso, documentos preservados do processo mostram que diversas testemunhas relatavam informações recebidas de terceiros, em vez de acontecimentos que haviam presenciado.
O Arquivo Nacional da Hungria chama atenção justamente para esse problema ao analisar os documentos do caso: conforme a investigação avançava e os rumores circulavam, o número atribuído à condessa também aumentava.
Isso não significa que todas as acusações tenham sido inventadas. Significa que não existe base segura para repetir “650 vítimas” como uma contagem histórica estabelecida.
Elizabeth Báthory realmente tomava banho de sangue?
Essa é provavelmente a maior diferença entre a Elizabeth Báthory histórica e a personagem criada pela cultura popular.
Não há relato contemporâneo conhecido afirmando que Báthory se banhava no sangue de mulheres para permanecer jovem.
A história apareceu em uma obra do jesuíta László Turóczi publicada em 1729, aproximadamente 115 anos depois da morte da condessa.
Até então, as acusações contra Báthory falavam principalmente de violência física e tortura. O ritual de beleza com sangue que posteriormente se tornou inseparável de seu nome não aparece nos registros conhecidos da investigação do início do século XVII.
Com o passar dos anos, essa versão mais macabra ajudou a transformar Báthory em uma personagem quase sobrenatural, frequentemente associada a vampiros e chamada também de “Condessa Drácula”.
É essa versão lendária que Monstro tem interesse em evocar.
Então Elizabeth Báthory era inocente?
Também não existe uma resposta simples.
Os documentos do caso registram acusações graves e testemunhos sobre abusos cometidos nas propriedades de Báthory. Alguns empregados ligados à condessa foram julgados e condenados.
Por outro lado, historiadores discutem há décadas até que ponto a dimensão atribuída aos crimes foi ampliada por rumores, disputas financeiras e interesses políticos.
O próprio Arquivo Nacional da Hungria observa problemas importantes na documentação, incluindo a grande quantidade de informações baseadas em relatos indiretos.
A historiadora Rachael Bledsaw, que estudou o caso dentro do contexto jurídico e político da Hungria do período, também questionou algumas das teorias modernas de uma conspiração completa contra Báthory. Ou seja, a dúvida histórica não permite simplesmente transformar a condessa em vítima inocente, da mesma maneira que não permite aceitar todas as histórias posteriores como fato.
A conclusão mais segura é que Elizabeth Báthory foi uma pessoa real envolvida em acusações reais, mas a escala exata dos crimes e vários dos detalhes que formaram sua fama permanecem contestados.

O que aconteceu com Elizabeth Báthory?
Báthory acabou detida em 1610 e permaneceu confinada em Čachtice até sua morte, em 1614.
Ela não passou pelo mesmo julgamento público realizado contra alguns de seus empregados. Pessoas de seu círculo foram interrogadas, julgadas e, em alguns casos, executadas.
A ausência de um julgamento completo da própria condessa é outro motivo pelo qual o caso permanece tão difícil de reconstruir mais de quatro séculos depois.
Por que Vicky Krieps interpreta Maggie e Elizabeth Báthory em Monstro?
A escolha foi deliberada, mas surgiu relativamente tarde na produção.
Em material oficial da Netflix, o cocriador Ian Brennan explicou que as cenas de Elizabeth Báthory foram filmadas na Itália e ficaram para o final do cronograma. A equipe ainda não havia decidido quem faria a personagem quando Ryan Murphy sugeriu utilizar Vicky Krieps novamente.
Krieps já estava no centro da temporada como Bridget “Maggie” Sullivan. Para entender onde termina a verdadeira empregada dos Borden e começa a versão criada pela Netflix, o Overdrive tem um especial sobre o que aconteceu com Bridget Sullivan depois dos assassinatos e outro sobre se Lizzie Borden e Maggie realmente eram amantes.
Na tela, colocar a mesma atriz nos dois papéis reforça visualmente a ponte construída pela história: Maggie apresenta Báthory a Lizzie e Krieps passa a personificar a própria figura que está sendo narrada.
Elizabeth Báthory inspirou Lizzie Borden de verdade?
Não existe evidência histórica conhecida de que Lizzie Borden fosse fascinada por Elizabeth Báthory ou sequer de que a história da condessa tivesse alguma influência sobre os acontecimentos de 1892.
Em Monstro, Maggie apresenta a Lizzie um livro sobre Báthory. A lenda do sangue se transforma em uma espécie de antecedente para a trajetória que a série constrói para a protagonista.
Essa conexão pertence à narrativa criada por Ryan Murphy e Ian Brennan.
A mesma técnica é usada com Aileen Wuornos. A temporada estabelece uma corrente entre Báthory, Lizzie e Aileen para discutir mulheres associadas à violência em momentos diferentes da história.
Mas a ligação não deve ser confundida com documentação histórica. O Overdrive também verificou que não existe evidência de que Aileen Wuornos tenha visitado a casa de Lizzie Borden, apesar do que a temporada mostra.
O que Monstro muda na história da Condessa de Sangue?
A série não está tentando resolver o caso de Elizabeth Báthory. Ela utiliza principalmente a lenda construída ao redor da personagem.
O retrato da condessa sedenta por sangue funciona porque o público já reconhece essa versão macabra, mas é justamente o detalhe mais famoso de sua história que possui uma das bases históricas mais fracas.
Isso segue a lógica usada no restante da temporada. A Netflix parte de pessoas e eventos reais e preenche as lacunas com uma interpretação própria.
No caso principal, Lizzie Borden realmente foi acusada pelos assassinatos de Andrew e Abby Borden e realmente acabou absolvida. Já a série decide mostrar quem teria cometido os crimes. O final de Monstro explica a resposta escolhida pela Netflix, enquanto o especial sobre quem foi Lizzie Borden separa novamente o processo real da dramatização.
FAQ
Elizabeth Báthory existiu de verdade?
Sim. Elizabeth Báthory foi uma aristocrata húngara que viveu entre 1560 e 1614 e foi alvo de uma investigação envolvendo acusações de tortura e mortes de jovens mulheres.
Elizabeth Báthory matou 650 pessoas?
Esse número não foi comprovado. A cifra de 650 está ligada a um relato indireto sobre uma suposta lista de vítimas que nunca foi apresentada como evidência.
Elizabeth Báthory tomava banho de sangue?
Não existe evidência contemporânea conhecida de que isso tenha acontecido. A história dos banhos de sangue aparece por escrito em 1729, mais de um século depois da morte da condessa.
Vicky Krieps interpreta Elizabeth Báthory em Monstro?
Sim. Vicky Krieps interpreta tanto Bridget “Maggie” Sullivan quanto Elizabeth Báthory. Segundo a Netflix, a ideia de dar o segundo papel à atriz partiu de Ryan Murphy durante a produção.
Lizzie Borden foi inspirada por Elizabeth Báthory?
Não existe evidência histórica de que Lizzie Borden fosse fascinada por Báthory. Essa ligação é uma construção narrativa de Monstro: A História de Lizzie Borden.
Fontes
- Netflix Tudum, guia oficial do elenco de Monstro: A História de Lizzie Borden
- Netflix Tudum, história real que inspirou a temporada
- People, Who Was Elizabeth Báthory?
- Magyar Nemzeti Levéltár, Arquivo Nacional da Hungria
- National Geographic, The bloody legend of Hungary’s serial killer countess
- Illinois State University, pesquisa de Rachael Leigh Bledsaw sobre o caso Báthory
Informações verificadas e atualizadas em 20 de setembro de 2026.

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