Por que existem Mickey 17 e Mickey 18? Porque Mickey Barnes trabalha como um “Descartável”: toda vez que morre em uma missão da colônia espacial, suas memórias são transferidas para um novo corpo. O problema começa quando Mickey 17 é dado como morto, mas sobrevive; sem saber disso, a tripulação cria Mickey 18.
O filme de Bong Joon Ho usa a ideia de clonagem para criar uma comédia de ficção científica sobre trabalho, identidade e sobrevivência. Na prática, a tecnologia da história é chamada de impressão humana — e não trata cada novo corpo como uma pessoa independente. Para a colônia, todos são apenas “Mickey”.

Por que existem Mickey 17 e Mickey 18?
Mickey 17 e Mickey 18 existem ao mesmo tempo por causa de um erro. Mickey 17 cai em uma fenda durante uma missão no planeta Niflheim e é considerado morto pela equipe da nave. Como o protocolo dos Descartáveis prevê a substituição do trabalhador, a máquina imprime uma nova versão: Mickey 18.
Mas Mickey 17 não morreu. Ele consegue voltar à colônia depois de ser salvo pelas criaturas nativas do planeta, os Creepers. Ao retornar, encontra Mickey 18 já vivo — uma situação que a tripulação chama de “múltiplo” e trata como uma violação gravíssima das regras.
É por isso que Mickey 17 e Mickey 18 não são duas cópias produzidas de propósito para trabalhar juntas. Eles são o resultado de uma morte presumida errada e de um sistema que não considera possível que o Descartável sobreviva.
O que é um Descartável em Mickey 17?
Mickey se torna Descartável ao se alistar na missão de colonização para fugir de dívidas na Terra. Sua função é executar tarefas perigosas demais para os demais humanos: testar vírus, explorar terrenos desconhecidos e servir de cobaia em situações que podem ser fatais.
Após cada morte, a tripulação usa uma impressora biológica para produzir outro corpo de Mickey e restaurar suas memórias registradas. A página oficial da Netflix resume o personagem como alguém que acaba morrendo “várias vezes” no trabalho.
O número no nome marca a versão do corpo: Mickey 17 é a 17ª impressão de Mickey Barnes; Mickey 18 é a seguinte. No filme, o título não significa que ele tenha tido 17 vidas paralelas, mas que houve muitas mortes e reimpressões antes dos acontecimentos principais.
Mickey 17 e Mickey 18 são exatamente iguais?
Não. Mickey 17 e Mickey 18 carregam as memórias do mesmo homem, mas não reagem do mesmo modo ao mundo. Mickey 17 é mais inseguro, cauteloso e acostumado a aceitar abusos. Mickey 18 surge mais agressivo, impulsivo e disposto a confrontar quem explora os Descartáveis.
A diferença é essencial para a proposta do diretor. Em conversa com o National Board of Review, Bong Joon Ho descreveu Mickey 18 como a manifestação da raiva reprimida que existe em Mickey 17: a versão que faz aquilo que o outro não consegue fazer.
Ou seja, os dois não funcionam como uma duplicação perfeita de computador. Eles têm a mesma origem e lembranças, mas passam a formar identidades próprias a partir do instante em que coexistem.
| Versão | Como surge | Traço predominante |
|---|---|---|
| Mickey 17 | Sobrevive após ser considerado morto em Niflheim | Mais cauteloso e submisso |
| Mickey 18 | É impresso porque a colônia acredita que Mickey 17 morreu | Mais agressivo e confrontador |
Por que dois Mickeys são proibidos?
O governo da colônia considera a existência de múltiplos uma ameaça. A regra existe porque a impressão humana foi autorizada apenas como ferramenta de trabalho descartável, não como forma de criar várias pessoas idênticas vivendo ao mesmo tempo.
Quando Mickey 17 e Mickey 18 passam a dividir o mesmo espaço, ambos correm risco de serem eliminados. Esse é o conflito que transforma uma rotina absurda de mortes e reimpressões em uma disputa direta por sobrevivência.
O contraste também expõe a crueldade do sistema: enquanto morre sozinho, Mickey é tratado como equipamento substituível. Quando duas versões existem lado a lado, fica impossível ignorar que cada uma tem medo, vontade e direito de continuar viva.
Mickey 17 é baseado em um livro?
Sim. O longa adapta Mickey7, romance de Edward Ashton, mas Bong Joon Ho alterou elementos importantes da obra, incluindo personagens e o próprio número de versões do protagonista. O diretor explicou que se interessou pelo conceito de “impressão humana” antes de tratar a história como uma ficção científica convencional.
Na adaptação, Mickey 17 e Mickey 18 são o centro da discussão sobre o que faz alguém ser uma pessoa: o corpo, a memória ou as escolhas feitas depois que duas versões com o mesmo passado seguem caminhos diferentes.
Mickey 17 está disponível no catálogo brasileiro da Netflix, com áudio e legendas em português. O filme se encaixa entre os conteúdos de filmes e streaming acompanhados pelo Overdrive, além da cobertura geral de entretenimento.

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