A Onda é inspirada em uma história real, mas não reproduz exatamente um desastre específico. O suspense que chegou ao primeiro lugar entre os filmes mais vistos da Netflix no Brasil mistura uma tragédia ocorrida na Noruega em 1934 com o risco atual de deslizamento de uma montanha monitorada pelas autoridades.
O geólogo Kristian Eikjord e sua família são personagens fictícios. Já a possibilidade de uma enorme massa de rochas cair sobre um fiorde e produzir uma onda devastadora está longe de ser invenção do roteiro.
O longa dirigido por Roar Uthaug usa como principal referência o desastre de Tafjord, que deixou 41 mortos, e transporta a ameaça para Geiranger, comunidade turística localizada diante do instável monte Åknes.
Disponível na Netflix, A Onda acompanha um geólogo que identifica sinais de um deslizamento e tenta salvar a família antes que o tsunami chegue à cidade. O serviço resume a corrida contra o tempo em apenas dez minutos.
O filme também aparece na seleção do Overdrive com os melhores filmes entre os mais assistidos da Netflix agora.
A Onda é baseada em uma história real?

A resposta mais precisa é que A Onda foi inspirada por acontecimentos reais. O tsunami mostrado no filme não ocorreu em Geiranger, e Kristian não foi uma pessoa real. A base histórica vem principalmente da catástrofe registrada em Tafjord durante a madrugada de 7 de abril de 1934.
Naquela noite, cerca de 2 milhões de metros cúbicos de rocha se desprenderam do monte Langhamaren. O material caiu de uma altura entre 700 e 750 metros diretamente sobre o fiorde, deslocando uma enorme quantidade de água.
De acordo com o Store norske leksikon, enciclopédia mantida por universidades norueguesas, as ondas alcançaram até 62 metros de altura em terra perto do ponto do deslizamento. Em Tafjord, do outro lado do fiorde, chegaram a 15,6 metros.
As comunidades de Tafjord, Fjørå e Sylte foram atingidas. Casas, estradas, píeres e embarcações foram destruídos, enquanto 41 pessoas morreram.

Por que algumas fontes dizem que o desastre matou 40 pessoas?
Materiais promocionais do filme e reportagens publicadas durante seu lançamento costumam citar 40 vítimas. O registro atualizado do Store norske leksikon, porém, contabiliza 41 mortes nas três comunidades atingidas.
A diferença não muda a relação do longa com o desastre, mas explica por que os dois números aparecem em textos sobre a inspiração de A Onda.
O lugar mostrado no filme também corre perigo?
Sim. É aqui que a produção mistura o passado com uma ameaça que continua sendo estudada.
No filme, o desastre começa quando parte do monte Åknes desaba sobre o Sunnylvsfjorden. A montanha existe e possui uma área geologicamente instável no lado oeste do fiorde, perto de comunidades como Geiranger e Hellesylt.
A Direção Norueguesa de Recursos Hídricos e Energia, conhecida pela sigla NVE, mantém o local sob monitoramento contínuo. O sistema utiliza GPS, radares, lasers, instrumentos instalados em perfurações e estações meteorológicas para acompanhar os movimentos da rocha.
Em uma revisão publicada em 2026, a NVE dividiu o risco em quatro cenários. Eles variam de um deslizamento de aproximadamente 2,4 milhões de metros cúbicos até a queda de todo o setor instável, estimado em 31 milhões de metros cúbicos.
Os modelos indicam que os cenários maiores poderiam criar ondas capazes de provocar danos extensos em áreas habitadas do sistema de fiordes. Geiranger e Hellesylt aparecem entre os locais expostos mesmo nos cenários menores.

Os moradores teriam somente dez minutos para fugir?
Os dez minutos representam o período entre o desabamento da montanha e a chegada da onda no filme. Quando o colapso começa, os personagens precisam abandonar carros e prédios e procurar imediatamente um ponto elevado.
Na realidade, o objetivo do monitoramento é identificar a aceleração dos movimentos antes do deslizamento. As medições são analisadas continuamente para que o nível de alerta seja elevado e a evacuação possa ocorrer antes da queda das rochas.
Portanto, a onda poderia atravessar o fiorde rapidamente depois de formada, mas os planos de emergência não dependem apenas de um alarme acionado após o desabamento, como acontece na parte mais dramática do longa.
O que é real e o que foi inventado em A Onda?
- Real: o desastre de Tafjord, ocorrido em 7 de abril de 1934;
- Real: os deslizamentos capazes de produzir grandes ondas em fiordes noruegueses;
- Real: a instabilidade do monte Åknes e seu monitoramento permanente;
- Fictício: o colapso de Åknes durante os acontecimentos do filme;
- Fictícios: Kristian, Idun, os filhos do casal e a busca pela família;
- Dramatizado: o alerta acionado quando restam somente dez minutos para a chegada da onda.
Lançado em 2015, A Onda tem 1h45 de duração e classificação indicativa de 12 anos no catálogo brasileiro. Kristoffer Joner interpreta Kristian, enquanto Ane Dahl Torp, Jonas Hoff Oftebro e Edith Haagenrud-Sande completam a família que tenta sobreviver ao desastre.
Quem procura outros títulos para assistir também pode consultar os lançamentos da Netflix em agosto de 2026 e a lista de filmes da Netflix com menos de duas horas.
Filmes no seu e-mail
Grátis, toda semana: o que estreia no cinema e no streaming.

Comentários