100 Dias de Mentiras não é baseada em uma história real específica. Lee Ga Kyung, Kim Tae-ung e a missão de espionagem que move o dorama são personagens e acontecimentos ficcionais, mas a série coloca essa história dentro de um contexto histórico verdadeiro: Gyeongseong, atual Seul, em 1932, quando a Coreia estava sob domínio colonial japonês.
O Governo-Geral japonês mostrado na trama existiu de fato e concentrou enorme poder político sobre a península entre 1910 e 1945. Também foram reais os movimentos clandestinos de independência que atuaram durante esse período, inclusive em Gyeongseong.
É justamente essa mistura de ficção e acontecimentos históricos que dá peso à premissa apresentada pela Netflix: Ga Kyung é uma batedora de carteiras que entra no governo colonial como agente infiltrada para roubar informações, mas acaba envolvida com Tae-ung, intérprete e filho adotivo de uma autoridade japonesa.
O Overdrive também acompanha a estreia no calendário completo da Netflix em outubro de 2026.

100 Dias de Mentiras é baseada em uma história real?
Não há indicação de que 100 Dias de Mentiras adapte uma pessoa, missão de espionagem ou romance real. A série é apresentada pela tvN e pela Netflix como um drama histórico de espionagem criado para a televisão.
Ga Kyung, Tae-ung e os demais personagens centrais não são apresentados como representações diretas de figuras históricas documentadas.
O que a produção faz é diferente: utiliza instituições, conflitos políticos e condições sociais que realmente existiram para construir a narrativa.
A história se passa em 1932, quando a atual Seul era oficialmente chamada de Gyeongseong dentro da estrutura administrativa colonial japonesa. Materiais promocionais da tvN situam expressamente a trama nesse ano. O cenário também foi confirmado pela imprensa sul-coreana antes da estreia.
O que estava acontecendo na Coreia em 1932?
Em 1932, a Coreia estava há mais de duas décadas sob domínio japonês.
O Japão anexou formalmente o Império Coreano em 1910 e estabeleceu o chamado Governo-Geral da Coreia, estrutura colonial que permaneceu em funcionamento até a libertação do país em 1945.
Segundo o Museu de História de Seul, o Governo-Geral detinha poderes administrativos, militares, legislativos e judiciais extremamente amplos. Gyeongseong tornou-se o centro dessa administração.
Ao mesmo tempo, a cidade era também um dos principais focos de resistência contra o domínio japonês.
Gyeongseong existiu de verdade?
Sim. Gyeongseong era o nome usado para Seul durante o período colonial japonês.
O Museu de História de Seul descreve a cidade como o centro político e econômico da colônia, reunindo edifícios governamentais, empresas, escolas e instituições culturais.
Essa Gyeongseong dos anos 1920 e 1930 tinha uma aparência contraditória. Bondes, lojas de departamento, cafés, cinemas e prédios de estilo ocidental davam à cidade uma imagem de modernização, enquanto a população coreana enfrentava desigualdade estrutural e discriminação.
O próprio planejamento urbano reproduzia essas diferenças. O museu registra uma divisão marcante entre áreas ocupadas predominantemente por japoneses e bairros coreanos, com diferenças perceptíveis em infraestrutura e condições de vida.

O Governo-Geral mostrado no dorama realmente existiu?
Sim, e essa é uma das referências históricas mais importantes de 100 Dias de Mentiras.
Após a anexação da Coreia em 1910, o Japão criou o Governo-Geral para administrar o território. A instituição exercia controle sobre áreas como administração pública, segurança, legislação e justiça.
Em 1926, uma monumental sede do Governo-Geral foi concluída dentro do complexo do Palácio Gyeongbokgung, em Seul. O edifício tornou-se um símbolo físico do domínio colonial japonês.
O Museu de História de Seul descreve o Governo-Geral como o núcleo das estruturas responsáveis pelo controle político e econômico da Coreia naquele período.
É dentro dessa instituição que a ficcional Ga Kyung entra disfarçada de intérprete em treinamento.
A resistência mostrada em 100 Dias de Mentiras também existiu?
Sim. Movimentos pela independência coreana existiram durante praticamente todo o período colonial.
Um dos momentos mais importantes ocorreu em 1º de março de 1919, quando protestos contra o domínio japonês começaram em Gyeongseong e se espalharam por outras regiões do país.
O movimento ficou conhecido como Movimento Primeiro de Março e se tornou um marco da luta pela independência.
Depois dele, diferentes grupos políticos e organizações clandestinas continuaram atuando contra o governo colonial dentro e fora da península.
O Museu Nacional de História Contemporânea da Coreia dedica parte de sua exposição permanente justamente aos movimentos de resistência e às tentativas de criar um Estado coreano independente durante a ocupação japonesa.
Isso significa que o grupo clandestino apresentado em 100 Dias de Mentiras tem inspiração em uma realidade histórica mais ampla, ainda que seus integrantes e operações sejam ficcionais.
A espionagem contra o Japão acontecia naquela época?
Atividades clandestinas, troca de informações, propaganda e operações contra o governo colonial fizeram parte da luta pela independência coreana.
No entanto, isso não significa que a missão específica apresentada na série tenha acontecido.
A operação de Ga Kyung — assumir uma identidade falsa, entrar no Governo-Geral e permanecer infiltrada durante 100 dias — pertence à construção dramática de 100 Dias de Mentiras.
A série utiliza, portanto, um tipo de atividade compatível com o contexto político da época para criar seu suspense, sem apresentar a protagonista como uma espiã histórica real.
Ga Kyung existiu de verdade?
Não há registro de Lee Ga Kyung como personagem histórica por trás da série.
Interpretada por Kim You-jung, ela foi criada como uma batedora de carteiras de Gyeongseong que inicialmente deseja juntar dinheiro e deixar o país.
Sua entrada no movimento de independência acontece quando Yoo So-ran a recruta para uma missão de infiltração.
A personagem representa um recurso comum em dramas históricos: colocar uma pessoa fictícia dentro de instituições e acontecimentos reais para aproximar o público daquele período.
Quem quiser entender melhor os núcleos da trama também pode consultar o guia do Overdrive sobre doramas para assistir em 2026.
Tae-ung, ou Sato Hideo, existiu?
Kim Tae-ung também é um personagem ficcional.
Na história, ele usa ainda o nome japonês Sato Hideo e trabalha como intérprete dentro do Governo-Geral.
Seu conflito de identidade está diretamente ligado ao contexto colonial. Tae-ung é coreano, mas cresceu vinculado a uma família japonesa e ocupa uma posição privilegiada dentro de uma instituição criada para governar a Coreia.
A produção usa esse contraste para colocar o personagem entre pertencimento, lealdade familiar e identidade nacional.
A relação de Tae-ung com Ga Kyung será aprofundada em uma matéria específica do Overdrive sobre o romance entre os protagonistas de 100 Dias de Mentiras.
Por que personagens têm nomes coreanos e japoneses?
A presença de nomes japoneses na série tem relação direta com o cenário colonial.
No caso de Tae-ung, o nome Sato Hideo reflete a relação do personagem com sua família adotiva japonesa e com o Governo-Geral.
Historicamente, políticas de assimilação cultural ficaram mais agressivas ao longo da ocupação. Durante a fase final do domínio japonês, autoridades passaram a estimular e pressionar coreanos a adotar nomes japoneses, enquanto o uso da língua e de símbolos culturais coreanos sofreu forte repressão.
O Museu Nacional de História Contemporânea da Coreia mantém documentos desse período que mostram campanhas de assimilação e tentativas de transformar a população coreana em súditos do Império Japonês.
É importante, porém, não aplicar automaticamente todas essas medidas ao ano de 1932: algumas políticas de assimilação mais radicais foram intensificadas posteriormente, principalmente a partir do fim dos anos 1930.
Como era a relação entre coreanos e japoneses em Gyeongseong?
A cidade compartilhava elementos de uma metrópole moderna, mas era marcada por uma forte divisão social e étnica.
O Museu de História de Seul registra que os bairros com maior presença japonesa recebiam melhores serviços e infraestrutura, enquanto muitos coreanos viviam em áreas mais pobres e densamente ocupadas.
Empregos de autoridade dentro do sistema colonial também eram dominados por japoneses.
Essa desigualdade ajuda a entender por que a presença de Ga Kyung dentro do Governo-Geral representa um risco tão grande na série: ela entra em uma instituição localizada justamente no centro político da estrutura colonial.
100 Dias de Mentiras mistura romance com um tema sensível na Coreia
A produção não trata a década de 1930 apenas como decoração para um romance.
Na apresentação do drama à imprensa sul-coreana, a equipe ressaltou o peso histórico do período. A produção chegou a realizar um momento de silêncio durante a primeira leitura de roteiro em memória das pessoas ligadas à luta pela independência, segundo o Korea Times.
Esse cuidado ajuda a explicar por que a série combina a relação entre Ga Kyung e Tae-ung com espionagem, resistência e conflitos de identidade.
O romance é fictício, mas acontece dentro de uma estrutura de poder que marcou profundamente a história moderna da Coreia.
O que é real e o que foi inventado em 100 Dias de Mentiras?
| Elemento | Real ou ficção? |
|---|---|
| Gyeongseong em 1932 | Real |
| Domínio japonês da Coreia | Real |
| Governo-Geral da Coreia | Real |
| Movimentos de independência | Reais |
| Lee Ga Kyung | Fictícia |
| Kim Tae-ung / Sato Hideo | Fictício |
| Yoo So-ran | Fictícia |
| Missão de infiltração por 100 dias | Ficcional |
| Romance entre Ga Kyung e Tae-ung | Ficcional |
Quando se passa 100 Dias de Mentiras?
A história começa em Gyeongseong, em 1932.
Isso coloca o dorama no meio do período colonial japonês, cerca de 22 anos depois da anexação da Coreia e 13 anos após o Movimento Primeiro de Março.
A ocupação terminaria somente em agosto de 1945, com a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial.
Para quem pretende acompanhar a produção desde o início, 100 Dias de Mentiras estreia na Netflix em 10 de outubro de 2026, com lançamento semanal.
O Overdrive também mantém uma área dedicada a notícias, guias, estreias e finais explicados de doramas.
Conclusão
100 Dias de Mentiras é uma obra de ficção construída sobre um período histórico real. Não existem evidências de que Ga Kyung, Tae-ung ou a missão de 100 dias tenham acontecido, mas Gyeongseong, o Governo-Geral, a ocupação japonesa e os movimentos de independência fazem parte da história documentada da Coreia.
Conhecer esse contexto ajuda a entender por que identidades falsas, lealdades divididas e espionagem têm um peso maior na série do que teriam em um romance histórico convencional.
Fontes: Netflix; tvN; Seoul Museum of History; National Museum of Korean Contemporary History; The Korea Times. Apuração atualizada em 7 de outubro de 2026.

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