El Chapo é baseado em uma história real? Entenda o caso que inspirou o filme da Netflix

Filme com Alfonso Herrera recria a captura definitiva de Joaquín Guzmán, mas altera nomes e condensa os agentes envolvidos na operação

El Chapo

Sim, El Chapo é baseado em uma história real. O filme da Netflix recria a captura definitiva de Joaquín Guzmán, antigo líder do Cartel de Sinaloa, ocorrida em 8 de janeiro de 2016 na cidade mexicana de Los Mochis.

A parte mais improvável da história aconteceu de verdade. Dois policiais que investigavam o roubo de um carro acabaram encontrando um dos criminosos mais procurados do mundo, sujo de lama e tentando escapar depois de fugir de uma grande operação militar.

Alfonso Herrera e Noé Hernández interpretam Arturo Carmona e Héctor Rosales, os agentes colocados no centro da trama. Os dois foram inspirados em policiais que participaram da prisão, mas seus nomes, histórias pessoais e parte dos acontecimentos foram modificados para a adaptação.

Alfonso Herrera como o policial Arturo Carmona no filme El Chapo
Alfonso Herrera interpreta um dos policiais envolvidos na captura. Imagem: Netflix/Divulgação

Qual é a história real de El Chapo?

A história começa alguns meses antes dos acontecimentos mostrados no filme. Em julho de 2015, Joaquín Guzmán escapou do presídio de segurança máxima do Altiplano através de um túnel construído sob o chuveiro de sua cela.

A fuga transformou El Chapo novamente no homem mais procurado do México. Depois de meses de buscas, forças de segurança localizaram uma casa utilizada pelo criminoso em Los Mochis, no estado de Sinaloa.

Na madrugada de 8 de janeiro de 2016, integrantes da Marinha mexicana invadiram o imóvel durante uma ação conhecida como Operação Cisne Negro. El Chapo e seu chefe de segurança, Jorge Iván Gastélum Ávila, o “Cholo Iván”, conseguiram escapar inicialmente pelo sistema de drenagem.

Os dois saíram do esgoto cobertos de lama e roubaram veículos para continuar a fuga. Um deles era um Ford Focus vermelho que já possuía um alerta de roubo.

Quando o carro passou por uma patrulha da Polícia Federal, os agentes começaram a persegui-lo sem saber quem estava dentro. A abordagem parecia ser apenas mais uma ocorrência envolvendo um automóvel roubado. Isso mudou quando os policiais reconheceram El Cholo e perceberam que o outro ocupante era Joaquín Guzmán.

Após a prisão, os agentes fotografaram El Chapo dentro da viatura e enviaram as imagens aos superiores. Ao mesmo tempo, começaram a circular informações de que homens armados do cartel estavam se movimentando para tentar resgatá-lo.

Levar o criminoso diretamente para uma delegacia poderia revelar a localização da equipe. Por isso, El Chapo e El Cholo foram escondidos temporariamente no quarto 51 do Motel Doux, nas proximidades de Los Mochis, enquanto os policiais aguardavam a chegada de reforços.

O oferecimento de dinheiro mostrado no filme também possui uma base real. Um relato preservado pela antiga Polícia Federal mexicana afirma que Guzmán ofereceu até US$ 50 milhões, propriedades e empregos para ser levado até Juan José Ríos, onde integrantes de seu grupo estariam esperando.

Quando a proposta foi rejeitada, a negociação deu lugar às ameaças. Mesmo sob o risco de uma tentativa de resgate, os policiais mantiveram os dois homens sob custódia até a chegada das demais forças de segurança.

Alfonso Herrera e Noé Hernández como policiais no filme El Chapo
O filme acompanha a captura pela perspectiva dos policiais Carmona e Rosales. Imagem: Netflix/Divulgação

O que o filme mudou e onde está El Chapo hoje?

El Chapo preserva os principais pontos da operação: a fuga pelo esgoto, o roubo do carro, a abordagem inesperada, a passagem pelo motel e as tentativas de suborno. Isso não significa que todas as cenas aconteceram exatamente como aparecem.

O roteiro foi desenvolvido a partir das crônicas e registros reunidos pelo jornalista Héctor de Mauleón. Como não existe uma gravação completa daquelas horas, os diálogos, conflitos pessoais e momentos privados precisaram ser reconstruídos.

Arturo Carmona e Héctor Rosales também não são os nomes verdadeiros dos policiais. As identidades dos agentes foram protegidas por causa do risco de represálias do Cartel de Sinaloa.

Outra mudança está no número de envolvidos. O filme concentra a ação em Carmona e Rosales, criando uma dupla central para conduzir a história. A reconstrução mais detalhada do caso aponta que quatro agentes participaram da abordagem e da custódia dos fugitivos.

As cenas envolvendo as famílias dos policiais, o relacionamento entre os parceiros e a disputa por reconhecimento entre diferentes forças de segurança devem ser entendidas como parte da dramatização. Há registros de que os agentes foram reconhecidos e enviados para fora do México, mas os detalhes sobre suas vidas posteriores permanecem protegidos.

El Chapo foi devolvido ao presídio do Altiplano e extraditado para os Estados Unidos em janeiro de 2017. Em fevereiro de 2019, um júri o considerou culpado dos dez crimes apresentados no processo, incluindo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e uso de armas.

Em julho do mesmo ano, o antigo líder do Cartel de Sinaloa recebeu uma sentença de prisão perpétua acrescida de 30 anos. Ele permanece no ADX Florence, presídio federal de segurança máxima localizado no Colorado.

Portanto, El Chapo não deve ser visto como um documentário ou como uma reprodução literal de cada minuto da captura. Ainda assim, o núcleo da história é verdadeiro. Uma patrulha que procurava um carro roubado realmente terminou frente a frente com Joaquín Guzmán e encerrou uma das fugas mais conhecidas da história recente do México.

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