Uma tecnologia criada pela Nvidia para as placas GeForce RTX já está funcionando, de forma não oficial, justamente em GPUs da principal concorrente da empresa. O projeto DLSS-NR on AMD conseguiu levar o DLSS 5 Neural Rendering para a Radeon RX 9070 XT e continua recebendo atualizações em ritmo acelerado.
O experimento é mais interessante do que simplesmente fazer uma opção do DLSS aparecer em uma placa AMD. O Neural Rendering realmente é executado pela Radeon e altera a imagem produzida pelo jogo. O problema, pelo menos por enquanto, é o custo de desempenho: a implementação ainda derruba bastante a taxa de quadros.
Mesmo assim, a evolução foi rápida. A versão Alpha 0.2.0 elevou o desempenho do projeto em 1080p de cerca de 10 para 23 FPS, enquanto a Alpha 0.2.7 chegou à marca anunciada de 30 FPS em Cyberpunk 2077 usando uma Radeon RX 9070 XT. A lista de releases do projeto no GitHub mostra que novas otimizações continuaram chegando nos dias seguintes.
O Overdrive já acompanha a expansão do recurso desde os primeiros experimentos com hardware não suportado oficialmente. Antes de chegar às Radeon, modders já haviam colocado o DLSS 5 para funcionar em outros jogos e até em placas GeForce RTX 40.

Como conseguiram colocar DLSS 5 em uma Radeon?
O projeto foi criado pelo desenvolvedor Daniel, identificado como danielblnc, e tem uma proposta direta: fazer o DLSS 5 Neural Rendering funcionar em placas Radeon RX Série 9000 em jogos DirectX 12 que já usem FSR.
O software não transforma uma Radeon em uma GeForce e também não substitui o hardware específico das placas da Nvidia. Ele cria um caminho para que a carga de trabalho neural seja executada no ecossistema da AMD, aproveitando os recursos de computação presentes nas GPUs RDNA 4.
Há uma razão técnica para isso ser possível. Segundo a ficha oficial da Radeon RX 9070 XT, a placa possui 128 aceleradores de IA e suporte a operações matriciais em FP8. Isso não equivale aos Tensor Cores usados pelas GeForce RTX, mas fornece capacidade de processamento para cargas de inteligência artificial.
A própria Nvidia explica que o DLSS 5 usa Renderização Neural Guiada em 3D para transformar iluminação, materiais e pequenos detalhes do frame produzido pela engine. No suporte oficial, o processamento foi desenvolvido para a arquitetura GeForce RTX Série 50.
Para quem está escolhendo hardware novo, é importante separar demonstração técnica de suporte oficial. O Overdrive também mantém um guia com as melhores placas de vídeo até R$ 5 mil, incluindo opções atuais de AMD e Nvidia.
DLSS 5 chegou a 30 FPS na RX 9070 XT
A evolução do projeto em poucos dias chama atenção. Segundo o histórico público de versões:
- Alpha 0.2.0: passou de aproximadamente 10 para 23 FPS em 1080p;
- Alpha 0.2.7: o desenvolvedor anunciou 30 FPS em 1080p no Cyberpunk 2077 com a Radeon RX 9070 XT;
- Alpha 0.2.8: trouxe mais 2% de desempenho sobre a versão anterior;
- Alpha 0.2.11: adicionou mais 2% de ganho sobre a 0.2.10;
- Alpha 0.2.12: adicionou mais 6% de desempenho sobre a 0.2.11;
- Alpha 0.2.14: ampliou o suporte para a Radeon RX 9060 XT e trouxe novas correções de compatibilidade.
Isso ainda não transforma o DLSS 5 em uma opção recomendável para jogar em uma Radeon. Em um teste independente publicado pelo PC Gamer, uma RX 9070 XT em Cyberpunk 2077 chegou a cair de 61 FPS com FSR 4 Balanced para 9 FPS ao ativar o Neural Rendering em 4K com configurações pesadas.
Os números não são diretamente comparáveis aos 30 FPS divulgados pelo desenvolvedor, porque resolução, preset e condições de teste são diferentes. Ainda assim, deixam claro que o maior obstáculo deixou de ser simplesmente “fazer funcionar” e passou a ser executar a rede neural rápido o bastante para uso real.
O DLSS 5 não é simplesmente um novo upscaling
Também é importante separar o Neural Rendering das funções mais conhecidas da família DLSS. O Super Resolution tenta reconstruir uma imagem de resolução maior a partir de uma resolução interna menor. Frame Generation cria quadros adicionais. O DLSS 5 adiciona uma etapa diferente ao pipeline.
Segundo a Nvidia, o sistema usa informações do frame produzido pela engine para enriquecer elementos como iluminação, aparência de materiais, sombras de contato, transmissão de luz em cabelos e dispersão subsuperficial na pele.

A primeira implementação comercial chegou ao NBA 2K27 em 3 de setembro para GeForce RTX Série 50. O Overdrive também publicou a review completa de NBA 2K27, com análise de gameplay, modos e evolução da edição deste ano.
O jogo de basquete é um bom exemplo do objetivo da tecnologia porque tenta reproduzir pessoas, uniformes, pele, cabelo e iluminação de uma arena real. A Nvidia usa justamente cenas com jogadores para demonstrar onde o modelo neural altera a aparência do frame.
O mod já foi além da RX 9070 XT
Outra diferença em relação aos primeiros relatos é que o projeto não está mais restrito ao experimento inicial com uma única GPU.
A Alpha 0.2.14 adicionou suporte à Radeon RX 9060 XT e trouxe correções para detecção de GPU integrada, permissões de arquivos e possíveis travamentos. Ao mesmo tempo, o próprio rastreador de problemas do projeto já recebeu relatos de regressões na RX 9060 XT, o que reforça que o software continua em estágio experimental.
O desenvolvedor também trabalha em problemas com jogos baseados na RE Engine. Resident Evil Requiem, por exemplo, ainda aparecia entre os casos com falha de inicialização na versão mais recente consultada.
Placas Radeon RX 7000 continuam sem o mesmo nível de validação das RX 9000 no projeto. O próprio autor pede que usuários testem hardware adicional e enviem logs quando encontrarem problemas.
Não espere substituir o FSR 4 por DLSS 5
Para quem possui uma Radeon RX 9070 XT, a existência do projeto não significa que faça sentido abandonar o FSR 4. A implementação atual do DLSS 5 é experimental, possui custo de processamento elevado e pode apresentar incompatibilidades.
O projeto também alerta que jogos com sistemas de anti-cheat podem bloquear a DLL utilizada pela ferramenta. Os requisitos atuais incluem Windows 11, DirectX 12, driver Radeon recente e um jogo com FSR. Vulkan ainda aparece como possibilidade para uma etapa futura.
Na prática, trata-se muito mais de uma demonstração técnica do que de uma solução que usuários comuns deveriam instalar esperando ganhar desempenho.
Quem usa uma GeForce e quer recursos oficialmente suportados pode conferir como ativar o DLSS 4.5 nas RTX 20, 30, 40 e 50. Já quem quer entender onde o novo Neural Rendering pode não funcionar tão bem também pode ler por que a Nvidia admite limitações do DLSS 5 em jogos muito estilizados.

Por que esse mod importa mesmo com FPS baixo?
Porque ele mostra que a fronteira entre recursos associados a um fabricante e o hardware concorrente pode ser menos rígida do que parece quando existe capacidade de computação compatível e uma comunidade disposta a experimentar.
Isso não elimina as diferenças arquitetônicas entre AMD e Nvidia. Também não significa que a RX 9070 XT execute o DLSS 5 com a mesma eficiência de uma RTX Série 50. O que o projeto demonstra é que parte dessa carga neural consegue ser adaptada para outro ecossistema.
O caso também ajuda a separar limitações de hardware, software e suporte comercial. A tecnologia continua sendo da Nvidia, o suporte oficial continua concentrado nas GeForce compatíveis e o mod é independente de AMD e Nvidia.
Por enquanto, ninguém deveria comprar uma Radeon esperando usar DLSS 5 no lugar do FSR. Mas ver uma RX 9070 XT executar o Neural Rendering da Nvidia já seria curioso por si só. O fato de o projeto ter saltado de cerca de 10 FPS para a marca de 30 FPS em 1080p e ampliado a compatibilidade em poucos dias torna a história ainda mais interessante.
Fontes: DLSS-NR on AMD, GitHub Releases, Nvidia, AMD e PC Gamer.
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