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ReviewCastlevania: Belmont's Curse
9/10

Castlevania: Belmont’s Curse prova que reinventar um clássico vale a pena

Com direção de arte extraordinária, trilha sonora experimental e batalhas memoráveis, o novo Castlevania encontra sua própria identidade, mesmo tropeçando em falhas técnicas

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Ficha de avaliação

Um retorno extraordinário para Castlevania, que moderniza sua identidade com direção de arte excepcional, trilha experimental e mecânicas envolventes, apesar dos problemas técnicos observados no PS5.

Prós e contras · Ficha técnica

Prós

  • Direção de arte excepcional
  • Trilha sonora ousada de ASADI
  • Combate variado e excelentes chefões
  • Desafios de plataforma criativos
  • Três finais e ótimo conteúdo opcional
  • Renovação convincente da fórmula clássica

Contras

  • Bug de tela preta durante batalha contra chefe
  • Falhas pontuais de áudio e resposta dos comandos
  • Possível falha de interação que dificultou a progressão
  • História abaixo da excelência dos demais sistemas

Ficha técnica

  • GAMECastlevania: Belmont's Curse
  • PLATAFORMAPlayStation 5 (versão analisada)
  • GÊNEROAção e exploração 2D
  • DESENVOLVEDORAEvil Empire
  • PUBLISHERKonami
  • LANÇAMENTO15 de outubro de 2026

Como avaliamos: política de reviews

Tópicos

Há uma diferença fundamental entre recuperar uma franquia e devolvê-la à vida. Recuperar significa preservar seus símbolos, reconhecer seus personagens e reproduzir aquilo que tornou seus jogos memoráveis. Devolvê-la à vida exige algo mais difícil: compreender por que aquela fórmula funcionava e encontrar maneiras de fazê-la evoluir. Castlevania: Belmont’s Curse pertence à segunda categoria.

Joguei Castlevania: Belmont’s Curse no PlayStation 5 por um total de 42 horas, concluí os três finais, enfrentei os chefes opcionais e explorei todo o castelo de Drácula. A análise foi realizada com uma cópia do jogo que comprei.

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O novo capítulo da série da Konami, desenvolvido em colaboração com Evil Empire e Motion Twin, é uma demonstração de que clássicos não precisam permanecer congelados em suas próprias tradições. Ao contrário, podem encontrar no experimentalismo uma forma legítima de reafirmar sua identidade.

Sou particularmente favorável a desenvolvedores que procuram novas ideias para fórmulas aparentemente engessadas. Talvez por isso tenha ficado tão satisfeito com Belmont’s Curse. Sua proposta não se limita a reapresentar Castlevania com uma camada de modernidade. Há uma tentativa consistente de reinterpretar a movimentação, a construção dos desafios, o combate e até mesmo a linguagem musical da franquia.

O resultado é um dos jogos visualmente mais impressionantes de 2026, com confrontos memoráveis, excelentes desafios de plataforma e uma trilha sonora que não teme contrariar expectativas. A experiência está longe de ser tecnicamente perfeita, como mostram os problemas encontrados na versão de PlayStation 5, mas sua qualidade é suficiente para transformar o retorno de Castlevania em um acontecimento particularmente importante para a Konami.

Castlevania encontra uma identidade entre tradição e experimentação

Uma das grandes conquistas de Belmont’s Curse é compreender que a história dos metroidvanias não precisa funcionar como uma prisão criativa. A própria franquia Castlevania ajudou a estabelecer parte das convenções associadas ao gênero, especialmente a partir de Symphony of the Night e dos jogos posteriores ligados ao trabalho de Koji Igarashi.

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Essa tradição ficou associada a grandes mapas interconectados, equipamentos, progressão de habilidades, exploração e uma forte herança de RPG. São características importantes, mas não representam a única maneira possível de construir uma aventura de Castlevania.

Belmont’s Curse procura uma alternativa. A estrutura de exploração continua presente, assim como o retorno a regiões anteriormente inacessíveis, mas a aventura concede importância especial à agilidade, ao domínio dos movimentos e à execução de sequências de plataforma.

O resultado é uma aproximação entre elementos tradicionalmente associados aos chamados Igavanias e uma filosofia mais contemporânea de ação e movimentação. O jogo incorpora parte da velocidade que marcou trabalhos ligados à Evil Empire, mas sem se transformar simplesmente em Dead Cells com personagens de Castlevania.

Essa distinção importa. Belmont’s Curse não adota a estrutura roguelite de Dead Cells. Sua proposta continua sendo uma aventura de ação e exploração com progressão estruturada, em que os desafios foram construídos para serem superados por meio do aprendizado das mecânicas.

O chicote Vampire Killer, símbolo histórico da família Belmont, assume papel central nessa reinvenção. Além de representar o legado dos caçadores de vampiros, ele participa diretamente da movimentação, permitindo alcançar pontos e atravessar obstáculos. Uma arma que poderia funcionar apenas como referência nostálgica torna-se parte do vocabulário de exploração do jogo.

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Essa integração entre ferramenta de combate e deslocamento é uma escolha inteligente. O jogador não precisa pensar nesses sistemas como atividades completamente separadas. A mesma familiaridade adquirida ao dominar uma habilidade pode ser aplicada a situações diferentes, ampliando a sensação de controle sobre a personagem.

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Não significa que todos os admiradores de Symphony of the Night encontrarão exatamente aquilo que procuram. Quem considera os sistemas tradicionais de equipamentos e atributos a essência da série poderá sentir falta de parte daquela profundidade. Belmont’s Curse, entretanto, não pretende substituir essa tradição. Sua maior virtude está em apresentar outra interpretação possível dela.

Rose Belmont diante de um baú em uma sala iluminada em verde
Os cenários combinam arquitetura gótica, caminhos de exploração e recompensas — Captura: Deco Campos/Overdrive.

O combate valoriza variedade, precisão e domínio das habilidades

A filosofia de renovação também aparece no sistema de combate. Belmont’s Curse apresenta uma boa variedade de armas e recursos mágicos, permitindo abordagens diferentes para os confrontos. Mais importante do que a quantidade de opções, entretanto, é a possibilidade de combiná-las de maneira que o combate não fique preso a uma única rotina.

O sistema de Arcanos acrescenta outra dimensão às possibilidades ofensivas. Essas habilidades ampliam o repertório da protagonista e ajudam a estabelecer uma relação entre escolha de recursos, posicionamento e oportunidade de ataque.

O combate funciona especialmente bem porque recompensa familiaridade com suas ferramentas. A eficiência não depende apenas de acumular melhorias, mas de compreender quando utilizar cada recurso e de reconhecer oportunidades durante os enfrentamentos.

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Essa abordagem aproxima Belmont’s Curse de uma filosofia mais moderna de jogos de ação, na qual o domínio mecânico do jogador pode ter tanta importância quanto a progressão da personagem.

Também há uma consequência interessante para a variedade de inimigos. Um sistema com diferentes possibilidades de ataque oferece mais espaço para experimentar estratégias, reduzindo a necessidade de enfrentar todas as situações da mesma maneira.

Naturalmente, oferecer várias armas não significa que todas terão exatamente o mesmo apelo. Determinadas combinações podem se ajustar melhor ao estilo de cada jogador, e nem todo equipamento precisa representar um salto significativo de poder. A qualidade do sistema está justamente na liberdade de experimentar, e não na obrigação de transformar cada aquisição em uma recompensa extraordinária.

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O aspecto mais convincente é que Belmont’s Curse consegue ser veloz sem abandonar a necessidade de atenção. A movimentação e os ataques favorecem uma experiência dinâmica, mas a exigência de precisão impede que os confrontos se resumam a pressionar botões indiscriminadamente.

Chefões são grandes espetáculos de design, especialmente a Morte

Castlevania sempre estabeleceu uma relação especial com seus chefes. Enfrentar criaturas extraordinárias faz parte da identidade da série, tanto pelo desafio quanto pela maneira como esses inimigos representam o universo gótico da franquia.

Belmont’s Curse recupera essa tradição com resultados excelentes. As batalhas contra chefões estão entre os pontos mais altos da experiência, combinando apresentações visualmente marcantes com confrontos que valorizam a leitura dos movimentos inimigos.

O design dessas criaturas merece destaque próprio. Existe um trabalho importante para transformar os adversários em figuras reconhecíveis, com formas, proporções e características que ajudam a transmitir sua personalidade e sua ameaça.

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A Morte é o exemplo mais impressionante desse conjunto. Sua interpretação visual demonstra como a direção artística consegue recuperar um personagem emblemático e, ao mesmo tempo, apresentá-lo de maneira renovada. Não se trata apenas de reconhecer uma figura tradicional da série, mas de perceber como ela se encaixa na nova linguagem estética de Belmont’s Curse.

Um bom chefe precisa funcionar em duas dimensões. A primeira é o espetáculo, responsável por criar impacto visual e dramático. A segunda é a mecânica, que determina se enfrentar aquele adversário representa um desafio interessante ou apenas uma sequência de ataques excessivamente punitivos.

Belmont’s Curse consegue equilibrar bem essas duas dimensões em seus melhores confrontos.

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Há, ainda, uma qualidade importante na presença de chefes opcionais. Esses encontros ampliam as possibilidades da aventura e oferecem razões para continuar explorando o universo do jogo além dos objetivos obrigatórios.

Não é apenas uma questão de adicionar conteúdo. Os desafios extras prolongam justamente um dos elementos mais bem resolvidos da experiência: a aplicação das habilidades de combate diante de adversários especiais.

Rose Belmont conversa com a Morte em uma catedral
O encontro com a Morte é um dos momentos destacados nesta análise — Captura: Deco Campos/Overdrive.

Os desafios de plataforma estão entre os melhores momentos da aventura

Talvez uma das decisões mais acertadas da Evil Empire tenha sido dar aos desafios de plataforma uma importância tão expressiva quanto aquela reservada ao combate.

Belmont’s Curse constrói situações em que compreender o cenário é apenas o primeiro passo. Depois de identificar o caminho, é preciso executar os movimentos corretamente, coordenando saltos, deslocamentos e o uso das ferramentas disponíveis.

Essa combinação permite que os desafios funcionem como pequenos exercícios de domínio mecânico. O jogador precisa reconhecer possibilidades, organizar mentalmente a sequência de ações e encontrar o ritmo necessário para atravessar os obstáculos.

Os puzzles de plataforma são especialmente satisfatórios porque transformam o aprendizado das habilidades em algo concreto. Uma nova possibilidade de movimentação não representa apenas a abertura de uma porta no mapa. Ela modifica a maneira como o jogador interpreta os espaços.

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Essa é uma diferença importante em relação a aventuras nas quais a exploração depende excessivamente de retornar a um ponto específico depois de encontrar uma ferramenta obrigatória. Aqui, a própria execução dos movimentos pode se transformar no desafio principal.

Há um prazer particular nesse tipo de construção: o obstáculo que inicialmente parece complicado torna-se compreensível à medida que o jogador domina a linguagem do jogo.

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É precisamente por isso que os raros problemas de resposta dos comandos merecem atenção. Em determinados momentos dos puzzles, alguns botões pareceram não responder no instante esperado durante o teste no PS5.

Essas ocorrências não foram frequentes, mas afetam uma característica fundamental da proposta. Quanto maior a exigência de precisão, maior também precisa ser a confiança do jogador no comportamento dos controles.

É possível aceitar um desafio difícil quando o erro resulta da execução. O problema surge quando a resposta do comando parece inconsistente, tornando menos clara a responsabilidade pelo fracasso.

Felizmente, esses episódios foram exceções dentro de um conjunto de desafios de plataforma muito bem elaborado.

Partitura da Fuga da Notre-Dame em Castlevania Belmont's Curse
Uma partitura encontrada em Notre-Dame integra os desafios de exploração — Captura: Deco Campos/Overdrive.

A direção de arte transforma o gótico em um espetáculo contemporâneo

Entre todas as qualidades de Belmont’s Curse, sua apresentação visual talvez seja a mais imediatamente impressionante. Considero sua direção de arte a mais bonita que vi em 2026.

O jogo não procura simplesmente reproduzir a aparência dos Castlevania clássicos com resolução superior. Sua linguagem visual assume uma personalidade própria, aproximando a tradição gótica da franquia de uma apresentação estilizada e moderna.

A arquitetura monumental, as tonalidades contrastantes, os efeitos visuais e os desenhos das criaturas formam cenários que conseguem ser sombrios sem depender exclusivamente de paletas apagadas.

O gótico de Castlevania sempre esteve associado a castelos, catedrais, criaturas sobrenaturais, ruínas e referências religiosas. Belmont’s Curse conserva esses elementos, mas trabalha sua composição de maneira mais expressiva, com uma utilização de luz, cor e movimento que torna os ambientes especialmente interessantes.

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Isso também beneficia a leitura dos espaços. Em jogos de ação bidimensional, a direção artística precisa conciliar beleza e clareza. Os cenários podem ser visualmente exuberantes, mas os elementos importantes para a movimentação e o combate precisam permanecer reconhecíveis.

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O trabalho artístico não se limita, portanto, à decoração. Ele participa da experiência, oferecendo identidade aos ambientes e reforçando o impacto dos confrontos.

O resultado representa uma demonstração de como jogos de apresentação bidimensional continuam oferecendo espaço para experimentações visuais extraordinárias, mesmo em uma indústria frequentemente concentrada no realismo gráfico.

ASADI reinventa a trilha de Castlevania sem abandonar sua herança musical

Se a direção artística representa uma evolução visual, a trilha sonora de Castlevania: Belmont’s Curse talvez seja sua manifestação mais corajosa de experimentalismo.

Assinada por Daniel ASADI, também conhecido como Danny Asadi, a música combina referências que dialogam com a tradição da franquia e elementos contemporâneos que poderiam parecer improváveis em um Castlevania.

Há influências da música gótica, da composição clássica e de câmara, mas elas dividem espaço com texturas eletrônicas, batidas modernas e experimentações rítmicas.

Essa mistura não procura apenas atualizar o som de Castlevania. Ela altera a maneira como o universo do jogo se apresenta ao público.

Historicamente, a série desenvolveu uma identidade musical particularmente forte, marcada por composições que transitavam entre o rock, a música barroca, a tradição clássica e diferentes vertentes eletrônicas. Algumas dessas melodias tornaram-se tão emblemáticas quanto os próprios personagens.

O desafio, portanto, não era simplesmente produzir músicas agradáveis. Era encontrar espaço para uma nova assinatura dentro de uma franquia com um legado sonoro extraordinário.

ASADI consegue oferecer essa assinatura ao tratar a tradição musical como matéria-prima, e não como limite. Em vez de depender exclusivamente de arranjos nostálgicos, a trilha procura uma identidade que dialoga com o ritmo e a apresentação do novo jogo.

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Essa escolha certamente poderá dividir opiniões. Parte do público talvez prefira melodias mais próximas das composições históricas da série, especialmente da tradição estabelecida por Michiru Yamane. É uma preferência compreensível.

Entretanto, seria contraditório defender a renovação de Castlevania e exigir que sua música permanecesse imutável.

A trilha de Belmont’s Curse funciona porque compreende a atmosfera gótica como algo que pode ser reinterpretado. O encontro entre instrumentos, texturas e batidas contemporâneas não elimina o caráter sombrio da aventura. Ao contrário, acrescenta uma dimensão musical própria a essa nova fase.

A história funciona, mas não alcança o mesmo nível de excelência do gameplay

Ambientado em Paris, em 1499, Castlevania: Belmont’s Curse acompanha Rose Belmont, descendente de uma das famílias mais importantes da história dos videogames. A narrativa se passa 23 anos depois dos acontecimentos de Castlevania III: Dracula’s Curse.

Esse contexto oferece uma conexão direta com a mitologia da franquia, mas a aventura procura desenvolver sua própria identidade por meio de uma nova protagonista e de uma ameaça sobrenatural que envolve a cidade francesa.

Aviso de spoilers visuais: as duas capturas desta seção mostram cenas da história.

Rose Belmont diante de uma aparição envolta em energia verde
A apresentação das cenas mantém a linguagem estilizada da aventura — Captura: Deco Campos/Overdrive.

A história é boa, assim como sua condução narrativa. Há elementos suficientes para sustentar o interesse e dar contexto aos acontecimentos, sem reduzir o jogo a uma simples sucessão de confrontos.

Contudo, o roteiro não atinge o mesmo grau de excelência observado na direção artística, nas batalhas e na movimentação.

Essa distinção é importante. Uma boa narrativa não precisa necessariamente alcançar a complexidade de uma grande obra dramática para cumprir sua função. Em um jogo de ação e exploração, ela também precisa oferecer motivação, estabelecer conflitos e integrar os acontecimentos à progressão.

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Belmont’s Curse consegue fazer isso, mas seus maiores momentos não dependem exclusivamente das revelações de roteiro. O jogo se destaca principalmente pela forma como transforma suas ideias em experiências interativas.

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Um mérito adicional está na existência de três finais, que oferecem diferentes possibilidades de conclusão e ampliam o interesse pela descoberta dos caminhos narrativos.

Não é necessário revelar as condições desses desfechos para reconhecer seu valor. Sua presença proporciona um incentivo legítimo à exploração e à revisitação da aventura.

Rose Belmont aparece atrás de um homem durante uma cena da história
Uma cena da narrativa combina retratos dos personagens e legendas em português — Captura: Deco Campos/Overdrive.

Conteúdo opcional e três finais tornam a rejogabilidade mais interessante

Um jogo não precisa oferecer uma campanha interminável para justificar sua existência. A qualidade de seus desafios e a vontade de retornar à experiência são critérios igualmente importantes.

Belmont’s Curse apresenta um conjunto de atividades opcionais que funciona especialmente bem porque complementa os sistemas centrais da aventura.

Os chefes extras oferecem novas oportunidades de testar habilidades, enquanto os desafios adicionais aprofundam a relação do jogador com os sistemas de combate e movimentação.

Os três finais também contribuem para a rejogabilidade. Eles representam motivações diferentes da simples repetição de uma campanha já concluída e acrescentam valor à busca por caminhos e possibilidades que possam ter passado despercebidos.

É uma abordagem que combina bem com a proposta do jogo. Em vez de depender exclusivamente de acumular horas, Belmont’s Curse encontra maneiras de prolongar o envolvimento com aquilo que faz de melhor.

Mapa da região de Notre-Dame em Castlevania Belmont's Curse
O mapa registra corredores, conexões e pontos revisitados durante a exploração — Captura: Deco Campos/Overdrive.

Os bugs no PS5 são o principal obstáculo de um retorno extraordinário

Apesar dos elogios, Castlevania: Belmont’s Curse apresentou problemas técnicos durante a experiência no PlayStation 5. Alguns foram suficientemente incômodos para comprometer momentos importantes da aventura.

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O mais grave ocorreu ao renascer diante da entrada de um confronto contra chefe. A batalha era iniciada, mas a imagem ficava completamente preta. Os elementos de interface continuavam visíveis, enquanto o enfrentamento acontecia sem que fosse possível acompanhar visualmente a ação.

É uma falha particularmente séria porque impede que o jogador utilize uma das informações mais importantes do combate: a leitura visual dos movimentos do adversário.

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Também ocorreram problemas relacionados ao som e episódios raros em que comandos pareceram não responder corretamente durante desafios de plataforma.

Outro problema surgiu em uma área que exigia quebrar um piso inferior. Mesmo executando a movimentação aparentemente correta, a interação não acontecia como esperado, gerando a impressão de um bloqueio de progressão.

Como a causa exata dessa última ocorrência não foi determinada, não é possível afirmar categoricamente que se tratava de um defeito da lógica de progressão. O efeito prático, entretanto, foi uma situação em que o funcionamento esperado da mecânica não se confirmou.

Esses problemas precisam ser considerados porque atingem justamente aspectos fundamentais do jogo. O combate depende de visibilidade, os puzzles exigem comandos precisos e a exploração precisa comunicar corretamente suas possibilidades.

A Konami já publicou atualizações para diferentes plataformas. Na versão 1.1.2 de PlayStation 5, disponibilizada em 22 de outubro, a empresa documentou uma correção relacionada à progressão além da tela inicial em determinadas configurações de idioma. Houve também correções para problemas específicos de tela preta em computadores.

É importante não confundir essas ocorrências. O defeito documentado no PC não comprova que a falha observada durante o confronto no PS5 tenha a mesma causa ou tenha sido corrigida.

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Os problemas registrados não comprometem a avaliação extremamente positiva do conjunto, mas mostram que o acabamento técnico ainda precisa acompanhar a qualidade das ideias criativas.

O renascimento da Konami ganha um capítulo decisivo

O retorno de Castlevania representa algo maior do que o lançamento de um bom jogo. Ele reforça um movimento recente de recuperação de propriedades históricas da Konami.

Depois de recolocar Silent Hill em evidência e voltar a trabalhar a franquia Metal Gear Solid, a empresa demonstra que seu catálogo pode continuar relevante para novas gerações.

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Há um paralelo interessante com a Capcom, outra companhia que conseguiu renovar marcas consagradas sem abandonar completamente suas características fundamentais.

A diferença entre nostalgia e renovação está justamente na disposição de experimentar. Uma editora pode investir continuamente na memória afetiva do público, mas isso não garante que suas franquias continuem criativamente relevantes.

Belmont’s Curse apresenta um caminho mais promissor. Ele reconhece o peso histórico de Castlevania, mas aceita que o mercado, os jogadores e o próprio gênero evoluíram consideravelmente durante a ausência de novos capítulos.

As comparações com Hollow Knight, Prince of Persia: The Lost Crown e outros metroidvanias modernos são inevitáveis. O gênero amadureceu e estabeleceu expectativas muito diferentes daquelas existentes na época de Symphony of the Night.

Nesse contexto, preservar integralmente uma fórmula antiga não seria necessariamente a escolha mais segura. A solução encontrada pela Evil Empire e pela Motion Twin oferece à série a possibilidade de construir novas tradições, em vez de depender indefinidamente das anteriores.

É essa disposição que torna o futuro de Castlevania novamente interessante.

Veredito: Castlevania: Belmont’s Curse merece 9/10

Castlevania: Belmont’s Curse é uma demonstração convincente de que respeitar um clássico não significa se recusar a transformá-lo.

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Sua direção de arte é excepcional, a trilha sonora de ASADI oferece uma identidade musical ousada e o sistema de combate apresenta variedade suficiente para sustentar confrontos envolventes. Os desafios de plataforma, os chefes memoráveis e o conteúdo opcional completam uma aventura que compreende a importância de oferecer experiências marcantes, e não apenas referências ao passado.

A história é boa, mas não extraordinária. Já os problemas técnicos observados no PS5 representam a principal ressalva, especialmente quando interferem diretamente na visibilidade dos confrontos, na resposta dos controles e na progressão.

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Quem procura uma reprodução rigorosa dos sistemas clássicos de RPG dos Igavanias talvez encontre diferenças importantes. Para aqueles que aceitam uma interpretação mais dinâmica, experimental e moderna de Castlevania, entretanto, o resultado é extraordinariamente satisfatório.

Belmont’s Curse não é perfeito. Mas sua maior conquista está justamente em demonstrar que uma franquia histórica pode voltar a surpreender sem precisar repetir todos os passos que a tornaram famosa.

Depois de anos em que o futuro da série parecia incerto, Castlevania finalmente oferece motivos concretos para olhar adiante. E, se esse lançamento representar a direção que a Konami pretende seguir, há razões para acreditar que estamos diante do início de uma fase especialmente promissora.

Nota do Overdrive: 9/10 (90/100).

Preço e disponibilidade no Brasil

Castlevania: Belmont’s Curse foi lançado em 15 de outubro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC. Na PlayStation Store brasileira, a edição Standard custa R$ 169,90, enquanto a Midnight Edition custa R$ 229,90. Os preços podem mudar após a publicação.

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Para conhecer as diferenças entre plataformas e edições, confira nosso guia de preços, plataformas e requisitos de Castlevania: Belmont’s Curse.

Fontes e informações complementares

As impressões de gameplay e a nota refletem a avaliação autoral do Overdrive no PlayStation 5. As informações de lançamento, ficha técnica e atualizações foram confrontadas com os materiais oficiais da Konami, o histórico de atualizações do jogo e a página brasileira do PlayStation.

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