A reação contra o possível futuro totalmente digital do PlayStation ganhou força. Uma petição pública criada pela varejista canadense PNP Games ultrapassou 115 mil assinaturas ao pedir que a Sony reconsidere a decisão de encerrar a produção de jogos físicos para seus consoles a partir de 2028.
A campanha parte de um argumento direto: o problema não é a existência dos jogos digitais, mas a possibilidade de eles se tornarem a única alternativa. Além da liberdade de escolha do consumidor, os responsáveis pela mobilização citam consequências para lojas independentes, distribuidoras, fabricantes, empresas de logística, mercado de usados e iniciativas de preservação de videogames.
“Não somos contra o digital. Somos contra ele ser a única alternativa”, afirmou Jade Pearce, representante da PNP Games. Segundo ela, ainda existe uma comunidade expressiva interessada em comprar, colecionar, emprestar, revender e preservar jogos em mídia física.
Por que a petição contra o fim dos jogos físicos ganhou força?
A principal preocupação dos organizadores é que uma transição completa para o digital concentre ainda mais controle nas mãos das plataformas. Sem discos, o acesso aos jogos fica diretamente condicionado às lojas digitais, às contas dos usuários e à continuidade dos serviços mantidos pelas empresas.
Pearce também argumenta que a mídia física sustenta uma cadeia econômica própria. Pequenos varejistas, distribuidores e empresas ligadas à fabricação e ao transporte de jogos poderiam perder espaço com o desaparecimento dos lançamentos em disco. O mercado de usados, por sua vez, depende diretamente da possibilidade de transferir uma cópia física entre consumidores.
A preservação aparece como outro ponto central. Jogos em disco não resolvem todos os desafios de conservação, especialmente em uma indústria marcada por atualizações, patches e títulos que exigem conexão, mas ainda oferecem uma forma de posse e circulação que não depende exclusivamente da disponibilidade permanente de uma loja digital.
O que a Sony diz sobre o avanço dos jogos digitais?
A posição atribuída à Sony Interactive Entertainment é de que a mudança acompanha o comportamento dos consumidores. Sid Shuman, diretor sênior de comunicação de conteúdo da companhia, afirmou que a preferência por mídia digital já supera significativamente a procura por versões físicas.
De acordo com dados da Ampere Analysis, apenas 13% das vendas completas de jogos para consoles PlayStation eram digitais em 2013, ano de lançamento do PS4. Em 2025, essa participação teria chegado a quase 80%.
Compras diretamente pelo console, pré-carregamento de lançamentos, promoções digitais e serviços de assinatura reduziram a dependência dos discos, embora isso não elimine a demanda de colecionadores e jogadores que preferem manter uma cópia física.
Relembre a polêmica sobre o fim das mídias físicas no PlayStation
A polêmica começou em 1º de julho de 2026, quando a Sony anunciou oficialmente que deixará de produzir discos físicos para novos jogos lançados em consoles PlayStation a partir de janeiro de 2028. A empresa justificou a mudança pelo avanço do consumo digital e afirmou que títulos lançados antes do corte não seriam afetados da mesma forma pela nova política.
A repercussão foi imediata. Jogadores passaram a criticar a perda da possibilidade de revender, emprestar e trocar jogos, além da maior dependência da PlayStation Store e das regras impostas pela própria plataforma. A discussão também alcançou a preservação de games, já que um mercado exclusivamente digital deixa o acesso mais sujeito à manutenção de servidores, licenças comerciais e disponibilidade das lojas. A reação ganhou dimensão internacional e colocou a decisão da Sony entre os assuntos mais discutidos pela comunidade nos dias seguintes ao anúncio.
No Brasil, o caso chegou à esfera política. Em 3 de julho, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e pediu uma apuração sobre possíveis impactos da medida nos direitos dos consumidores. A representação questiona, entre outros pontos, se a migração definitiva para um ecossistema digital pode restringir direitos associados à compra de jogos físicos.
Foi nesse cenário que a campanha “Don’t Kill the Disc”, criada pela varejista canadense PNP Games, ganhou força. A petição pede que a Sony preserve a opção de comprar jogos em disco e rapidamente ultrapassou 115 mil assinaturas, transformando uma insatisfação espalhada pelas redes em uma mobilização organizada contra o fim das mídias físicas no PlayStation.

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