Rhaenyra já tem problemas suficientes para manter o próprio governo de pé. Entre a crise com Corlys, a tensão política e as consequências de uma guerra que segue castigando Westeros, o episódio mais recente de House of the Dragon colocou outra ameaça no caminho da rainha. E ela não precisa de um dragão para ser devastadora.
Durante uma conversa com o Alto Septão, Rhaenyra recebe um aviso direto para que não transforme a Fé em inimiga. A cena poderia passar apenas como mais um atrito político, mas ganha outro peso para quem conhece Fire & Blood, livro de George R.R. Martin que serve de base para a série.
Tudo indica que House of the Dragon começou a preparar terreno para o Pastor, uma das figuras mais perigosas da reta final da Dança dos Dragões.
O aviso do Alto Septão vai muito além de Rhaenyra
A conversa deixa claro que parte da liderança religiosa de Westeros enxerga os dragões de forma muito diferente dos Targaryen. Quando Rhaenyra menciona as criaturas, o Alto Septão rejeita qualquer aproximação entre elas e o divino. Para ele, os dragões representam uma magia profana ligada ao orgulho, à destruição e à busca por poder.
Em Fire & Blood, o Pastor cresce justamente ao transformar o medo dos dragões em discurso religioso. Enquanto a guerra destrói cidades, famílias e meios de sobrevivência, ele encontra terreno fértil entre pessoas que passaram a enxergar as criaturas dos Targaryen como demônios.

A série ainda não confirmou sua chegada. Mesmo assim, a fala do Alto Septão estabelece praticamente a mesma tensão: de um lado, uma dinastia cuja autoridade depende de criaturas capazes de devastar exércitos; do outro, uma população cada vez mais castigada pela guerra e uma Fé que não necessariamente aceita os dragões como parte legítima da ordem de Westeros.
Quem é o Pastor em Fire & Blood?
O Pastor é uma figura misteriosa. Seu nome verdadeiro não é conhecido, sua origem é disputada e George R.R. Martin o apresenta como um velho mendigo extremamente magro, vestido com trapos e com apenas uma das mãos.
O que realmente importa, porém, é sua capacidade de mobilizar pessoas. Com Westeros mergulhado na guerra, ele passa a pregar contra Rhaenyra e contra os dragões. Seu público cresce entre os plebeus que perderam familiares, casas e qualquer sensação de segurança durante a Dança dos Dragões.
Sua mensagem encontra força porque parte de algo concreto. Para quem está no chão, um dragão não representa a glória da antiga Valíria ou o direito de uma família ao Trono de Ferro. Representa a possibilidade de morrer por uma disputa entre nobres.
É justamente aí que o Pastor se torna tão perigoso. Ele transforma medo, raiva e sofrimento em um movimento religioso com consequências enormes para Porto Real e para a própria Rhaenyra.
A série pode estar construindo essa ameaça com antecedência
Ryan Condal, showrunner de House of the Dragon, evitou confirmar em entrevista à IGN se o aviso do Alto Septão significa que o Pastor aparecerá nesta temporada ou apenas na quarta e última temporada da série.
Ainda assim, Condal reconheceu que esse é um elemento importante do livro e explicou que a relação dos Targaryen com os dragões ajuda a torná-los estrangeiros aos olhos de parte de Westeros.
Segundo o showrunner, a série trabalha com a ideia de que existem praticamente duas religiões em Westeros. A população segue uma fé tradicional, com instituições, septões e doutrinas próprias. Já os Targaryen mantêm uma relação muito mais concreta com aquilo que sustenta seu poder: seus “deuses” estão vivos, habitam fossos e montanhas e cospem fogo.
Essa divisão também ajuda a explicar por que Condal vê diferenças na forma como os dois lados da guerra podem ser percebidos. Os Hightower mantêm uma ligação histórica mais próxima com a Fé e com Vilavelha, enquanto Daemon e o núcleo de Rhaenyra carregam uma identidade Targaryen muito mais evidente.
A série, portanto, parece preparar um conflito que não depende apenas de qual herdeiro possui a melhor reivindicação ao Trono de Ferro. O problema pode passar a ser a própria presença dos Targaryen e de seus dragões em Westeros.
O pior inimigo de Rhaenyra pode vir das ruas
Esse é o ponto que torna a cena com o Alto Septão tão importante. Rhaenyra está acostumada a enfrentar casas nobres, exércitos e outros cavaleiros de dragão. O Pastor representa algo diferente: uma ameaça que cresce entre pessoas comuns e ganha força justamente com os estragos provocados pela guerra.
Quanto mais a Dança dos Dragões destrói Westeros, mais convincente pode se tornar a ideia de que os próprios dragões são parte do problema.
Em Fire & Blood, essa revolta leva a acontecimentos decisivos em Porto Real e se conecta diretamente ao caos que antecede a chamada Lua dos Três Reis. Caso a adaptação siga esse caminho, o aviso recebido por Rhaenyra não foi uma simples discussão religiosa. Foi uma das pistas mais importantes sobre o que ainda pode acontecer quando o povo deixar de temer os dragões e começar a enfrentá-los.
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